5. Effektestimater – grunnskolen
5.3. Effekter
Em muitos artigos de autores de língua inglesa o tema da humanização da medicina se cruza com a noção de “profissionalismo” (profissionalism). Embora relacionada diretamente à questão da bioética e do ensino médico, esta noção também guarda, por outro lado, fortes vínculos com o termo humanização fartamente usado na literatura em outras línguas.
A maioria dos autores que incorporam a noção de profissionalismo baseiam- se em um documento do final de 1999, referendado pelos “European Federetion of
Internal Medicine”, “American College of Physitians”, “American Board of Internal Medicine” (ABIM) e “American Society of Internal Medicine” (ACP_ASIM),
denominado “Medical Profissionalism Project” (Projeto de Profissionalismo Médico), cujo intuito é o de redefinir o profissionalismo médico, como um compromisso da medicina com a sociedade. Tal compromisso envolve, da parte dos médicos, a necessidade de colocar os interesses dos pacientes acima dos seus próprios, de demonstrar alta competência e integridade e de fornecer conselhos tecnicamente abalizados à sociedade. Considerando que os serviços de saúde mostram-se prejudicados pela explosão da tecnologia, por mudanças nas forças de mercado, por problemas nos pagamentos dos serviços médicos, por bioterrorismo e globalização, o Projeto propõe uma volta aos princípios de cura hipocráticos, de forma que “a profissão médica deve lutar com complicadas forças políticas, leigas e mercadológicas.” (p.244), assumindo uma série de compromissos de responsabilidade, tais como: competência profissional e constante atualização; honestidade com o paciente, informando-o não só do tratamento proposto mas também de seus efeitos adversos e até mesmo de erro médico, caso esse exista; absoluto sigilo de informações, excluindo-se as que possam por em risco outras pessoas; relação amistosa com o paciente, preservando sua intimidade e não se aproveitando da sua fragilidade para fins sexuais; colaboração com outros profissionais com intuito de manter uma qualidade adequada de tratamento, mas não se aproveitando da facilidade em dispor da tecnologia para efetuar tratamentos desnecessários ou de risco; lutas por acesso mais amplo da população nos tratamentos médicos necessários, bem como por acesso indiscriminado da
população aos meios de saúde; parcimônia nos gastos com a saúde; um conhecimento científico baseado somente em evidências e experiência profissional do médico, fazendo frente de maneira adequada aos interesses das indústrias farmacêutica, de equipamentos médicos e das companhias de seguros os quais nem sempre são compatíveis com os interesses dos pacientes; e, finalmente, luta pelo cumprimento de responsabilidades profissionais suas e de outros colegas médicos, mesmo nos casos de processos judiciais legais.
Ahlzen e Stolt (2003) descrevem o “Programa de Medicina Humanística” (1998) do Instituto Karolinska de Estocolmo, que se propõe a trazer para a prática clínica uma medicina mais humanizada, por meio de cursos em nível de graduação e pós-graduação que incluem tanto matérias de ciências humanas (história, filosofia, teoria literária e arte e semântica) quanto propriamente artes (literatura, teatro, arte, música e dança), com a idéia de que “as matérias humanas devem fazer parte da prática médica e da prática de pesquisas médicas para que os clínicos possam ver a importância das ciências humanas no seu próprio trabalho” (p. 1041).
Siegler (2002) cita sete violações do profissionalismo, de acordo com a
American Board of Internal Medicine, (abuso de poder, arrogância, ganância,
deturpação do discurso do outro, falta de conscientização, prejudicar alguém, conflitos de interesses) e alguns aspectos positivos compilados pela Acreditation
Council of Graduate Medical Education (respeito, integridade, consideração pelas
pessoas e o colocar os interesses dos pacientes e da sociedade acima dos seus próprios). Avalia que o profissionalismo está na dependência de virtudes inerentes ao próprio indivíduo, mas julga possível ensinar ao jovem estudante de medicina uma ética baseada em virtudes, já que “o desenvolvimento dos valores profissionais é influenciado pelos valores inerentes ao próprio sistema de saúde” (p. 405).
Pellegrino (2002) considera que a humanização deve fazer com que os médicos estabeleçam com seus pacientes não uma relação de caráter comercial ou mercadológico, não uma relação de contrato de trabalho ou de mera aplicação de conhecimentos técnicos, mas uma relação que passe pela retomada dos valores morais, das virtudes, já que acredita que uma medicina calcada na ética, baseada na virtude, o médico não verá seu paciente “como cliente, como consumidor, como segurado ou como qualquer outra transformação industrializada ou comercializada da antiga e respeitada palavra paciente” (p. 382).
Soberon-Acvevedo, Garcia-Viveiros e Narro-Robles (1994) chamam a atenção para a necessidade de se estender as relações médico-paciente também para as relações entre instituições médicas e enfermos, entre médicos e coletividade e entre médicos e governo. Observa que na época atual, como a medicina institucional adquiriu uma grande importância transformando-se em organizações grande poder, torna-se mais importante discutir a relação instituição médica/enfermo do que a própria e clássica relação médico/paciente. Assim, argumentam, será possível garantir os direitos dos pacientes nas instituições, tais como os catalogados na “Declaração dos direitos do paciente” da “Associação Americana de Hospitais” (consideração e respeito, informação adequada e completa, confidenciabilidade, discrição e privacidade, transferência de hospital no caso de necessidade, autorização pessoal para ser incluídos em protocolos de pesquisa, acesso às contas hospitalares, orientação adequada pós-alta, conhecimento adequado das normas hospitalares vigentes). Da mesma forma, estaria garantida a dimensão humanística do médico especialista em saúde pública, o que inclui o proporcionar informações fidedignas aos que realizam e põem em prática políticas e planos de saúde; respeitar as particularidades e costumes sócio-culturais das comunidades e países
para os quais trabalham; ajudar a interpretar as políticas de saúde e tomar decisões, equilibrando os interesses e os direitos dos indivíduos com aqueles que são comuns à sociedade.
É neste ambiente institucional – as organizações hospitalares – que várias das questões mais significativas do tema da humanização foram se revelando no decorrer da história da medicina até os dias atuais.