2. Inntekts- og gjeldsforhold
2.1. Lån, stipend og inntekter i studenthusholdningene
No Seminário 18 (1971/2009), Lacan apresenta de forma insistente a separação da escrita e do significante, já que ele afirma que a primeira não é cópia da segunda: “Só remonta a ele [ao significante, grifo nosso] ao receber um nome, mas exatamente do mesmo
modo que isso acontece com todas as coisas que a bateria significante vem a denominar, depois de as haver enumerado” (LACAN, 1971/2009, p. 114). E para garantir que seu
discurso seja entendido, o psicanalista reafirma mais uma vez que o significante está no simbólico e a escrita no real.
Ainda com base nessa separação entre a escrita e o significante, no seminário, livro
20: mais, ainda, que foi realizado no ano seguinte à redação do artigo Lituraterre (2001/2003), Lacan afirma: “A escrita não é de modo algum do mesmo registro, da mesma
cepa, se vocês me permitem esta expressão, que o significante” (LACAN, 1972-1973/2008,
p. 35). A saber, esta passagem encontra-se na terceira aula do seminário, na qual ele irá se debruçar sobre a maneira como a função da escrita deve ser situada no discurso analítico.
Nesta aula, Lacan apresenta logo de início uma distinção entre escrito e a leitura, ou pelo menos ao que normalmente se pode vir a pensar sobre o que seria uma leitura. Isto fica claro com o exemplo da publicação dos seus Escritos, onde confidencia que os tinha como sendo para não serem lidos. Pois, por mais que estejamos inclinados a conceber a leitura de uma letra como sendo semelhante a uma leitura de uma carta, não se trata do mesmo.
Uma boa leitura de uma letra se encontra num para além, tal como se faz no discurso analítico em que se lê para além do que o sujeito foi incitado a dizer. Aqui se trata de uma postura clínica que Lacan nos instiga a adotar diante da fala do sujeito, no sentido de promover uma separação entre significante e significado, dando ênfase ao primeiro. Principalmente no que concerne à interpretação do inconsciente, o que corrobora com o fato de que Freud, em Interpretação dos sonhos, sugere que os sonhos devem ser lidos de semelhante forma a uma escrita hieroglífica, ou chinesa, em outras palavras, uma escrita em que o desenho se encontra incorporado em sua expressão. Para Lacan essas imagens de sonhos devem ser tomadas como letras e lidas como tal.
Mas a quê este para além se refere, na boa leitura? Antes de abordarmos esta questão, vamos primeiro, junto com o ensino de Lacan, refletir sobre a função do escrito no discurso analítico. Este último foi fundado por ele por uma articulação precisa. Algo que se escreve
com letras, barras e traços, mas que serve para lembrar que o discurso analítico foi fundado pelo campo da fala (ELIA apud COSTA; RINALDI, 2007).
Curiosamente, para explicar as funções deste discurso analítico que se funda na fala, Lacan irá recorrer às três letras fundamentais de sua escrita algébrica (idem, 2007). Primeiramente o a que apesar de ser nomeado por ele de objeto, no final trata-se de uma letra. Em seguida o A, que ele usa para designar o lugar do Outro, apesar de que ao fazê-lo não se remete ao sentido estrito da letra. Isto só vai acontecer com a duplicação deste lugar com o S, ou seja, com o significante do Outro barrado, S (A barrado). Na realidade, Lacan com essa letra S introduz a dimensão do significante que serve para sustentar o lugar do Outro como barrado, pois “como lugar ele não se aguenta, que ali há uma falha, um furo, uma perda” (LACAN, 1972-1973/2008, p. 34). É justamente por causa desta perda que o objeto a vai funcionar. Por fim, o Φ como a terceira letra e que representa a designação do falo em sua função de significante.
Então, Lacan irá discernir o que destas letras se introduz na função do significante, tendo sempre em vista a linha do discurso analítico.
A linguística como campo que introduziu o significante, encontrou a sua sustentação no discurso científico, o que lhe permitiu introduzir uma distinção na fala entre o significante e o significado. Algo que, para Lacan, já aparecia de forma espontânea, ou seja, quando falamos não só produzimos significações, mas a própria fala só encontra suporte na função de significação. Por meio do discurso científico é possível distinguir a dimensão do significante, porque somente por meio dele é que se institui o ato de colocar o que se ouve como não tendo relação alguma com o que isso significa (ELIA apud COSTA; RINALDI, 2007). Assim, pelo discurso científico apresenta-se uma distinção entre o significante e o significado, o que nas palavras de Lacan: “que o significante só se coloca como não tendo nenhuma relação com o significado” (LACAN, 1972-1973/2008, p. 35). É com base nesta separação que a distinção,
proposta por Lacan, entre escrita e leitura vai se apoiar.
Lacan vai trazer uma questão sobre o efeito da escrita em um discurso, mas especificamente o que se produz por este efeito. O psicanalista afirma que o que pode nos introduzir na dimensão da escrita é percebemos o fato de que o que se ouve é o significante e não o significado, ele também apresenta uma distinção no que diz respeito à leitura, porque o que se lê não é o significante. Mas a partir do que se ouve deste é que algo, enfim, poderá ser lido.
Se há alguma coisa que possa nos introduzir à dimensão da escrita como tal, é nos apercebermos de que o significado não tem nada a ver com os ouvidos, mas somente com a leitura, com a leitura do que se ouve de significante. O significado
não é aquilo que se ouve. O que se ouve é significante. O significado é efeito do significante. (LACAN, 1972-1973/2008, p. 39)
Aqui encontramos a resposta ao questionamento levantado por nós anteriormente, já que uma leitura não ocorre em função de um significante que não se lê, mas naquilo que se ouve deste. Sobre o significado, Lacan comenta que ele é o efeito do significante, efeito este que não possui relação com o que se ouve, mas sim, com a leitura que se realiza a partir do que se ouve do significante.
Dito isso, outras questões podem se fazer presentes: A que leitura Lacan está se referindo? Existe mais de uma forma de leitura de um escrito? Um indício dessas respostas pode ser encontrado nesse Seminário 20, pois ele, através de sua antiga noção de barra, apresenta um comentário a respeito do não-compreendido, o que como veremos é caro ao nosso tema sobre o sinthoma joyciano.
Tendo isso em vista, nos voltamos para esta passagem em que Lacan aborda a barra, que se encontra entre S e s do seu tão conhecido algoritmo, como algo que não pode ser de maneira alguma compreendido, mesmo que ela venha a receber um significado. Este último ponto nos serve de claro indício da separação entre o significar algo e compreendê-lo. Avançando um pouco mais com Lacan, ele vem a afirmar: “A barra, como tudo que é da escrita, só tem suporte nisto – o escrito, isso não é algo para ser compreendido” (LACAN,
1972-1973/2008, p. 40).
Com base nisso é que Lacan irá abordar a não-compreensão em torno dos seus
Escritos, em contrapartida, a oportunidade de explicá-los viria justamente desta ausência de compreensão.
Somente sobre esta barra é que, segundo Lacan, todos os efeitos do inconsciente encontram suporte. Mais do que isso, se não fosse a barra nada poderia ser explicado, já que toda explicação encontra seu fundamento na função da barra. Como o exemplo da linguística que sem a barra nada poderia explicar sobre a linguagem. O que não é nenhuma novidade no ensino de Lacan, já que ele havia apresentado anos antes, no escrito A instância da letra, um acento sobre a barra que separava significante do significado: “A temática dessa ciência (a linguística, grifo nosso), por conseguinte, está efetivamente presa à posição primordial do significante e do significado, como ordens distintas e inicialmente separadas por uma barreira resistente à significação” (LACAN, 1966/1998, p. 500). Sendo que esta barreira
resistente à significação pode vir a ser transposta pela operação da metáfora.
O que vemos de novidade sobre a barra, no Seminário 20, diz respeito à produção do escrito, porque para Lacan a barra seria justamente o ponto no qual se dá a oportunidade de
que se produza o escrito, seja qual for o uso da língua (ELIA apud COSTA; RINALDI, 2007).
Lacan insiste novamente que a barra só encontra seu suporte na escrita, porém, acrescenta: “no que a relação sexual não se pode escrever” (LACAN, 1972-1973/2008, p.
40). Aqui ele articula a função do escrito a sua tese de que não há relação sexual entre os sexos, isto é, aquilo que o discurso analítico tem demonstrado no que diz respeito a não relação entre a forma de gozo fálico do homem e a forma de gozo não-todo da mulher. O que vemos aqui é uma articulação fundamentada em um impossível, uma vez que, por jamais se poder escrever a relação sexual é que será possível escrever algo em seu lugar. Para citar as palavras de Lacan: “Tudo que é escrito parte do fato de que será para sempre impossível escrever como tal a relação sexual. É daí que há um certo efeito do discurso que se chama a escrita” (ibid, p. 40).
Retornando ao nosso questionamento sobre a leitura, encontramos na última parte da aula sobre a Função de escrito uma possível resposta, já que Lacan irá nos instigar a ler a obra
Finnegans Wake de James Joyce. O que de início pode parecer contraditório, porque ele comenta que se trata de uma escrita que: “se lê mal, ou que se lê de tráves, ou que não se lê” (LACAN, 1972-1973/2008, p. 42). Antes de entrarmos nisso, uma leitura do parágrafo completo se faz necessário:
Joyce, acho mesmo que seja legível – não é certamente traduzível em chinês. O que é que se passa em Joyce? O significante vem rechear o significado. É pelo fato de os significantes se embutirem, se comporem, se engavetarem – leiam Finnegans
Wake – que se produz algo que, como significado pode parecer enigmático, mas que é mesmo o que há de mais próximo daquilo que nós analistas, graças ao discurso analítico, temos de ler – o lapso. É o título de lapso que aquilo significa alguma coisa, quer dizer, que aquilo pode ser lido de uma infinidade de maneiras diferentes. Mas é precisamente por isso que aquilo se lê mal, ou que se lê de tráves, ou que não se lê. Mas esta dimensão do ler-se, não é ela suficiente para mostrar que estamos no registro do discurso analítico? (LACAN, 1972-1973/2008, p. 42)
Nessa passagem vemos claramente aquilo que Lacan vinha desenvolvendo, desde a primeira parte de sua aula sobre a função da escrita, a separação do escrito e a leitura. Ao referenciar o escrito de Joyce, ele traz a tona um exemplo de obra na qual se joga com a escrita de tal forma que a linguagem acaba por se aperfeiçoar. Um trabalho com o significante que se aproxima muito do discurso do analista, no que concerne à leitura de um lapso. Esta aproximação se deve ao modo como Joyce em Finnegans Wake toma os significantes, como se estes: “se embutirem, se comporem, se engavetarem” (LACAN, 1972-1973/2008, p. 42). Resultando, assim, em algo na esfera do significado que se aproxima ao enigma.
Como é de se imaginar a leitura de uma obra em que: “o significante vem a rechear o
significado” ((ibid, p. 42), se revela uma tarefa, segundo Lacan, impossível. Porque tudo
aquilo que poderia representar uma leitura de sentido, ou de compreensão, acaba caindo por terra por causa da multiplicidade de leituras que o significante dá margem. Justamente neste ponto é que Lacan irá fazer uma aproximação com a leitura do lapso, pois: “O de que se trata no discurso analítico é sempre isto – ao que se anuncia de significante, vocês dão sempre uma leitura outra que não o que ela significa” (LACAN, 1972-1973/2008, p. 43).
Sendo assim, chegamos a uma resposta ao questionamento de que se haveria mais de uma forma de ler. Com base nas multiplicidades de leitura de um escrito, que Lacan vai questionar a suposta continuidade entre a leitura e o escrito. Além disso fundamentar a hipótese, que pode ser encontrada de forma direta no Posfácio ao Seminário 11 (2001/2003), de que o escrito não é para ser lido. Algo que não está restrito aos achados de Lacan, como ele mesmo pontua, porque, muito antes dele, foi Joyce quem introduziu o escrito como não-a-ler.
Lacan joga com as palavras introduz e intraduz, certamente uma homenagem ao estilo joyciano, mas que serve como referente à impossibilidade de leitura. Pois toda leitura abriga uma tradução. Segundo Mandil (2003), o prefixo negativo in de intraduz também pode ser tomado no sentido de elemento locativo, trazendo assim, uma ideia de “dentro, em”, o que para o comentador diz respeito a uma autotradução que o texto efetua.
Esta ideia de autotradução do texto nos é cara para o entendimento da ilegibilidade da obra Finnegans Wake, já que se trata de um texto em que a cada momento uma autoleitura se apresenta, porém sem que se acene a possibilidade de uma interpretação final. Assim, como Mandil (2003) comenta, é como se interpretação passasse a se fundamentar em um ajuste contínuo.
Retornando ao Seminário 20 (1972-1973/2008), a referência que Lacan irá trazer da leitura do grande livro do mundo, que também se faz presente no escrito do posfácio ao
Seminário 11 (2001/2003), nos serve como ilustração da hipótese de escrita como não-a-ler, assim, como veremos, uma autoleitura do inconsciente representada pelo lapso. Nas palavras de Lacan:
Vejam o vôo de uma abelha. Ela vai de flor em flor, ela coleta. O que vocês aprendem é que ela vai transportar, na ponta de suas patas, o pólen de uma flor para o pistilo de outra flor. Isto é o que vocês lêem no voo da abelha. No voo de um pássaro que voa baixo – vocês chamam isto um voo, mas, na realidade, é um grupo, num certo nível – vocês leem que vai haver tempestade. Mas será que eles, leem? Será que a abelha lê que ela serve à reprodução das plantas fanerógamas? Será que o pássaro lê o augúrio da fortuna, como diziam antigamente, quer dizer, da tempestade? (LACAN, 2001/2003, p. 43)
O discurso analítico vai ser referenciado nesta analogia, uma vez que, a leitura que se faz em torno do “escrito” do voo das abelhas e dos pássaros, sendo respectivamente no sentido de polinização e pressagio de tempestades, não passam de associações de significantes isolados com significados, o que sempre representa uma outra leitura daquilo que realmente significa.
Frente a essa ideia de uma outra leitura, Lacan irá abordar em sua analogia a possibilidade de que a andorinha leia a tempestade. Essa suposição de leitura do passarinho serve de gancho para aquilo que interessa ao discurso analítico, por conseguinte: “No discurso analítico de vocês, o sujeito do inconsciente, vocês supõem que ele sabe ler. E não é outra coisa, essa história do inconsciente, de vocês. Não só vocês supõem que ele sabe ler, como supõem que ele pode aprender a ler” (LACAN, 1972-1973/2008, p. 43). Note-se que
Lacan esta trazendo a questão da autoleitura para o inconsciente, a exemplo, como abordamos anteriormente, do lapso. Já que no lapso é como se o inconsciente estivesse interpretando, ou seja, promovendo uma autoleitura da intenção de significação (MANDIL, 2003). Porém, Lacan deixa uma ressalva, porque mesmo que haja a suposição de que o sujeito do inconsciente saiba, ou, então, aprenda a ler, apesar disso, aquilo que o analista viria a ensinar como forma de ler, não mantém relação alguma com aquilo que: “vocês possam escrever a
respeito” (LACAN, 1972-1973/2008, p. 43).
Tendo em vista a hipótese de separação da escrita e da leitura, Lacan vai realizar no
posfácio ao seminário 11 uma crítica ao processo de alfabetização, a qual ele vai se referir utilizando o neologismo: “alfabestificando-se” (LACAN, 2001/2003, p. 504). Para o psicanalista, o processo de aprendizagem de leitura da escrita fonética, em que a criança aprende a associar o som da letra G através de desenhos de girafas e gorilas, não tem relação alguma com a dimensão do escrito. Com efeito, diz Lacan: “Como se a criança, ao saber ler num desenho que se trata da girafa, e em outro, que é gorila que ela deve dizer, não aprendesse apenas que o G com que as duas se escrevem não tem nada a ver com ser lido, já que não responde ali a elas” (ibid).
Ainda no posfácio, Lacan irá se remeter ao tão conhecido chiste relatado por Freud em sua obra, Os chistes e sua relação com o inconsciente, em que dois judeus se encontram na estação da Galícia. Então, o primeiro pergunta para qual destino o segundo se dirigia, este responde que estava indo para a Cracóvia. De fato, o primeiro não se contenta e o acusa de mentiroso, justificando que a intenção desse, era fazê-lo acreditar que estava indo para Lemberg. Enquanto que, na verdade, estava realmente indo para a Crácovia.
Lacan ao se referir à função do escrito no discurso analítico faz menção a um chiste relatado por Freud em uma de suas obras consagradas aos mecanismos de linguagem. O que é curioso perceber, pois o momento da publicação deste posfácio poderia ser datado como pertencente ao período em que Lacan abordou o campo do gozo. É importante destacar essa passagem, porque nos remete ao fato de que apesar dos campos lacanianos poderem ser delineados em seu ensino, ainda assim, em nenhum momento, eles podem ser considerados como excludentes. Pelo contrário o campo do gozo inclui o campo da linguagem.
Retornando à história relatada por Freud, é na dimensão da fala do primeiro judeu para o segundo, que encontramos uma demanda de interpretação e uma pergunta sobre a verdadeira intenção, ou seja, “por que você mente para mim ao me dizer a verdade?”
(LACAN, 2001/2003, p. 504).
Intenção, no desafio esquiva-se, desafiando defende-se, recalca-se, recalcitra-se, tudo lhe servirá para não entender que o “por que você mente para mim ao me dizer a verdade?” da história – que se diz judaica, por ser o menos burro que fala – diz, igualmente, que é por não ser um livro de leitura que o guia de horários das estradas de ferro é o recurso, ali, mediante o que se lê Lemberg em vez de Cracóvia; ou então, que o que decide a questão, afinal, é o bilhete fornecido pela estação. (ibid, p. 504-505).
Todavia, Lacan vai deixar claro que não é na suposta leitura do guia de horário da
estrada de ferro que o impasse será resolvido, principalmente porque esta não seria a verdadeira função de um escrito nesta história. Tal como ele escreve:
Mas a função do escrito, nesse caso, não constitui o guia, e sim o próprio caminho da estrada de ferro. E o objeto (a), tal como o escrevo, é, por sua vez, o trilho por onde chega ao mais-de-gozar aquilo de que se habita, ou em que se obriga, a demanda de interpretar (LACAN, 2001/2003, p. 505).
Diante disso, vemos que para Lacan a função do escrito, neste caso de chiste, seria representada pelo caminho da estrada de ferro, o que se remete a mais de uma possibilidade de destino: Lemberg ou Cracóvia. É com base nisto que Mandil (2003) vai retomar à obra
Finnegans Wake, no sentido de um escrito em que cada palavra ou frase vai dar margem a uma multiplicidade de interpretações, mantendo assim em suspenso a demanda a interpretação.
A demanda a interpretação, como é possível perceber no questionamento feito pelo judeu ao outro, vai representar um aspecto fundamental, uma presença de mais-de-gozar, que, segundo Lacan, se chega percorrendo os trilhos da estrada de ferro, o objeto a. Assim, ele nos indica na função do escrito a presença do objeto a. Além, de um gozo no escrito, cuja presença serve para fundamentar a multiplicidade de leituras.
A partir dos anos 1970 e com base na impossibilidade de escrever formalmente a relação sexual, Lacan vai circunscrever a impossibilidade lançando mão ao escrito (KAUFMANN, 1996). Fazendo um percurso pelos grafos, matemas e, por fim, pela topologia. Sendo que, com base neste último, ele vai introduzir o nó borromeano como uma nova forma de escrita que serve, não para promover uma precipitação do significante, mas para servir de suporte do significante. Este será o sentido pelo qual iremos abordar junto à teoria lacaniana, no último capítulo, a obra escrita de James Joyce. Mas antes, iremos abordar no capítulo seguinte a topologia e, principalmente, a relação da escrita com o nó borromeano.
3 A TOPOLOGIA DO NÓ BORROMEANO
Uma significativa parte da obra de Lacan é marcada por um intrincado desenvolvimento topológico. O que exige de nós uma compreensão da topologia, ramo da