Andre semantiske ordninger
2.4 Kvasiordninger og kvasiforenklingsordninger
questionários62, a grande maioria (80%) avalia positivamente a formação em RMS, afirmando que esta possibilita a aquisição de conhecimentos, habilidades e competências para a efetivação do modelo assistencial previsto pelo SUS. Há uma pequena parcela que avalia que a RMS possibilita parcialmente essa aquisição (13,33%).
No que tange às principais contribuições da formação para a aquisição de competências para a efetivação do modelo assistencial, os residentes referem os seguintes aspectos, representados no gráfico a seguir:
Gráfico 3: Competências e saberes adquiridos na RMS Fonte: Pesquisa de campo.
62 6,67% não responderam a questão referente à avaliação da formação em RMS. 40% 13,33% 20% 20% 6,67% 33,33% 20% 6,67%
Trabalho intersetorial na saúde
Trabalho em educação, prevenção e promoção em saúde Reflexão/diálogo mutiprofissional sobre as práticas em saúde Metodologias de planejamento participativo
Mobilização comunitária/controle social Gestão e diretrizes da atenção básica/APS Reforma Sanitária/militância
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A efetivação de interfaces entre as profissões envolvidas na atenção em saúde consiste na competência citada pela grande maioria dos residentes (73,33%), o que se evidencia no desenvolvimento do trabalho multiprofissional/interdisciplinar e de processos integrados de reflexão/diálogo sobre as práticas em saúde. Em seguida, totalizando 40% das competências referidas, estão aquelas que abarcam as dimensões da atenção e do trabalho em saúde que transcendem a assistência voltada para a recuperação, quais sejam: o enfoque para a educação, prevenção e promoção em saúde (20%), para a mobilização comunitária/controle social (20%) e para a intersetorialidade (6,67%).
Este aspecto das competências adquiridas está relacionado com a organização dos processos de trabalho/ensino, conforme abordado anteriormente. Em especial, a vivência mais marcante é a construção conjunta e coletiva das ações em saúde, em especial aquelas que se articulam em torno da perspectiva de campo, pois abrangem as abordagens grupais voltadas para a realidade do território e da população atendida. Compreendemos que, deste modo, a RMS favorece a aquisição de competências direcionadas para a diversificação de estratégias assistenciais em saúde, como discutimos anteriormente no item 2.3, com base no modelo assistencial previsto na lei orgânica de saúde.
Podemos identificar também, com menor frequência (26,67%), competências e saberes que fazem referência à atenção básica, tal como as diretrizes e a gestão dos serviços (20%) desse nível do SUS, juntamente com a utilização de metodologias de planejamento com enfoque participativo (6,67%). A apreensão da Reforma Sanitária aliada à militância em saúde foi também abordada como uma competência adquirida na RMS, porém em menor número (13,33%). Consideramos que estes dados merecem atenção, tendo em vista que, apesar da formação estar voltada para esta área do SUS, as competências referentes especificamente à atenção básica são pouco enfatizadas. Contudo, podemos considerar que a efetivação de interfaces profissionais e a ênfase para a promoção e prevenção em saúde guardam coerência com as diretrizes colocadas para o trabalho das equipes de atenção básica, bem como compõem o processo de afirmação da integralidade, conforme discutido anteriormente (item 3.1).
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Os depoimentos dos residentes e preceptores entrevistados também reforçam a ênfase para as competências relativas ao trabalho coletivo em saúde, assim como o direcionamento deste para a materialização das diretrizes do SUS:
“O profissional que sai da residência é impossível ele entrar de uma forma e sair igual, aquilo mexe muito contigo, esse trabalho integral, a parte do ensino, tu ter os currículos integrados, profissionais de várias áreas, de unidades diferentes, de realidades diferentes. Na própria unidade de saúde, tu fazer os seminários de campo, que mistura todos os residentes da unidade. Isso tudo contribui. A gente sai com uma preparação para trabalhar em saúde, para conhecer SUS, para conhecer tudo o que já foi construído. Para conhecer todos os problemas que têm que serem modificados e também conhecer todos os princípios, integralidade, universalidade, equidade, isso tudo a gente vai se aproximando e vai fazendo essa aproximação prática e teórica” (Residente 4).
Outro aspecto das contribuições da formação em RMS consiste na qualificação que esta proporciona para o trabalho profissional dos assistentes sociais, em especial para a atuação diretamente na atenção básica. Sobre este aspecto, os depoimentos da totalidade dos preceptores e de residentes (4 de 4 de cada subgrupo) enfatizam a configuração atual dessa área do SUS e as tendências para o trabalho da profissão, marcadamente sobre as restrições atuais de participação nas equipes de ESF e as possibilidades de inserção nos NASFs.
Dentre os depoimentos dos residentes, a totalidade dos sujeitos (4 de 4) refere que a formação realizada contribuirá para o trabalho em ambos os modelos, embora a maioria dos residentes (3 de 4) pondere sobre a necessidade de maior aprofundamento sobre a materialização do trabalho do assistente social em arranjos de apoio matricial:
“A nossa formação é mais para a assistência direta, agora no modelo NASF claro que contribui, porque você tem toda uma bagagem, mas eu acho que isso teria que ter uma formação a mais. É um modelo diferente, a gente está caminhando para isso, não adianta a gente querer o modelo anterior. A característica própria do Serviço Social contribui para isso, a própria residência, sempre trabalhar em equipe, trabalhar junto, com outros saberes e juntos constituir um saber, acho que o Serviço Social consegue trabalhar com isso bem, mas claro, tem que ter uma formação. Pegar uma pessoa que nunca trabalhou com isso para trabalhar no modelo de NASF, de matriciamento, não vai ser fácil. Até quando o pessoal começou a conversar aqui „olha, vamos implantar NASF‟, todo mundo começou meio a se arrepiar „Como é que vai ser?‟. Não sei, vamos ter que construir esse processo, não está pronto em lugar nenhum. (Residente 2).”
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Entre os preceptores, todos (4 de 4) avaliam positivamente a formação dos assistentes sociais nos programas pesquisados, referindo que esta oferece aportes para os egressos inserirem-se na atenção básica, nos diferentes modelos/serviços que a compõem. Demarca-se também que a metade dos entrevistados (2 de 4) referex a relevância da inserção de assistentes sociais nos NASF‟s, visualizando estes núcleos como espaços estratégicos para a ampliação da participação dessa profissão na ESF:
“Hoje a ESF está chamando o assistente social para trabalhar em matriciamento. É uma pena, mas é um espaço a ser conquistado. O que tem sido visto hoje? A maioria dos NASFs que estão sendo formados tem assistente social, os que não contrataram como primeiros profissionais acabaram depois tendo que contratar. Porque no desvendamento da questão social as equipes sentem falta de um profissional que tenha este tipo de preparação. Com toda a questão de mudança de modelo assistencial, não tem como tu não entender o sujeito como um todo. Eu acho que vai se provar, no decorrer do tempo, que esse profissional, ele tem que estar dentro da equipe mínima, mas a gente vai provar isso de forma mais lenta do que hoje está no discurso. Porque hoje tu estar dentro da equipe mínima da ESF é muito mais uma discussão corporativa, tu não tem construção, o assistente social não tem acúmulo nessa área, então esse acúmulo vai se dar quanto tu tiver implantado a ESF, tu tiver os NASFs funcionando, tu tiver eles com o assistente social e as equipes começarem a pedir que o assistente social tem que estar lá na ponta. (Preceptor 1)”
Os depoimentos sinalizam para a relevância de que as práticas profissionais desenvolvidas nas RMS possam ser alvo de sistematização e problematização, tendo em vista adensar a produção de referências teórico-práticas para a inserção do Serviço Social no âmbito da atenção básica. Em especial, o trabalho pautado no matriciamento tem mobilizado debates, dada a tendência de inserção da profissão nos NASFs, ao passo que são incipientes as produções que enfoquem experiências profissionais nessa área.
Além desses aspectos, buscamos também analisar, junto aos residentes, as contribuições da formação realizada em RMS para o exercício profissional que desenvolvem atualmente. Dentre os residentes que participaram da coleta por meio do questionário, parcela significativa (40 %) avalia que a formação contribui para a atividade profissional realizada atualmente63.
63 Para a análise destes dados cabe considerar que 40% dos residentes não haviam concluído a
residência, sendo que 6,67% dos egressos não exerciam atividade profissional no momento e ainda 13,33% dos sujeitos não responderam a esta questão.
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Dentre os egressos da RMS que referem exercer atividade profissional, a grande maioria (83, 33%) continua vinculada à área da saúde64. Dentre estes, a
metade trabalha diretamente no SUS65 e menor parcela (33,33%) desenvolve formação pós-graduada na área da saúde66. Os residentes entrevistados, egressos das RMS, também demarcam as contribuições da formação realizada para a atividade profissional desenvolvida atualmente, como podemos visualizar a seguir:
“Por exemplo, eu estou trabalhando na habitação, eu tenho muita noção de territorialização, assim como eu tenho muito claro a importância de um trabalho intersetorial. Enfim, o SUS é uma política publica muito completa, e de certa forma essa formação nos qualifica para trabalhar em qualquer outra política pública, por conta das suas diretrizes básicas, universalidade, direitos, várias coisas, eu consegui visualizar muitas coisas, principalmente nessa questão da territorialização.” (Residente 1)
“(...) eu estou trabalhando no SUS hoje por causa da Residência. Eu entrei na seleção, foram chamados vários assistentes sociais e o pré- requisito era ter experiência em Residência, nessa formação em Saúde Coletiva. Então já é uma forma, existem profissionais que já estão valorizando essa especialização e sabem do diferencial do profissional que se forma nessa área.” (Residente 4)
Em síntese, podemos destacar que a formação em RMS, na percepção dos assistentes sociais, possibilita a qualificação do trabalho profissional tanto para a atuação no SUS como para outros espaços sócio-ocupacionais. As experiências formativas proporcionadas pela RMS oferecem aportes para o trabalho interdisciplinar e em equipe, para a compreensão/reflexão das competências profissionais e para o desenvolvimento de ações assistenciais com diferentes enfoques, pautadas na interdisciplinaridade, entre outras competências, como a “noção de territorialidade”, destacada pelo depoimento anteriormente citado.