3. METODE
3.4 Kvantitativt studie – Spørreundersøkelse
Nossa opção metodológica, como já mencionamos, é por uma pesquisa de abordagem qualitativa, que segundo Ludke e André (1986, p.18) desenvolve-se “numa situação natural, é rica em dados descritivos, tem um plano aberto e flexível e focaliza a realidade de forma complexa e contextualizada”.
Nessa abordagem de pesquisa, a realidade histórica é a fonte direta dos dados, o pesquisador é seu principal instrumento, os dados coletados são descritivos, o processo é mais importante que os resultados, a apreciação dos dados tem uma tendência indutiva, e a definição que as pessoas apresentam das situações é de fundamental importância (BOGDAN; BIKLEN, 1994). Para Minayo, esse tipo de abordagem responde a questões muito particulares e:
[...] se ocupa [...] com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes. Esse
conjunto de fenômenos humanos é entendido aqui como parte da realidade social, pois o ser humano se distingue não só por agir, mas por pensar sobre o que faz e por interpretar suas ações dentro e a partir da realidade vivida e partilhada com seus semelhantes. (MINAYO, 2011, p. 21).
Ainda segundo essa autora, “a abordagem qualitativa se aprofunda no mundo dos significados e esse nível de realidade não é visível, precisa ser exposta, interpretada, em primeira instância pelos próprios entrevistados” (MINAYO, 2006 apud MINAYO, 2001, p. 22).
Como método de investigação que nos possibilite responder nossa questão de pesquisa, elegemos o Estudo de Caso, por apresentar-se como o mais adequado à compreensão de nosso objeto de estudo: a construção do saber pedagógico dos licenciandos de Ciências Biológicas da UFC, no âmbito das metodologias de ensino desenvolvidas por eles enquanto bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID.
O Estudo de Caso é utilizado quando selecionamos um objeto de pesquisa e queremos obter “grande quantidade de informações sobre o caso escolhido e, consequentemente, aprofundando seus aspectos” (MATOS; VIEIRA, 2001, p. 45-46). Corroborando com as referidas autoras, assim o define Yin (2010, p. 39-41):
O Estudo de Caso é uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo em profundidade e em seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes. [...] E esse fenômeno engloba importantes condições contextuais – altamente pertinentes ao fenômeno em estudo.
Para Yin (2010), o método Estudo de Caso não é apenas uma forma de “pesquisa qualitativa”, mesmo que possa ser reconhecida entre a variedade de opções da pesquisa qualitativa. “[...] Além disso, os estudos de caso não precisam sempre incluir a evidência observacional direta e detalhada, marcada por outras formas de pesquisa qualitativa” (p. 41).
Na perspectiva de Yin (2010), pode-se dizer que a necessidade diferenciada dos Estudos de Caso surge do desejo de entender fenômenos sociais complexos e que o referido método permite que os investigadores retenham as características holísticas e significativas dos eventos da vida real.
O Estudo de Caso teve origem em pesquisas médicas e, posteriormente, tornou-se uma tradição no campo da Sociologia, do Direito, da Ciência Política, da Administração, da Psicologia e da Psicanálise (ALVES-MAZZOTTI, 2006). Em Educação, aparece nas décadas de 60 e 70, mas com um sentido muito estrito: estudo descritivo de uma unidade, seja ela uma escola, um professor, um grupo de alunos, uma sala de aula. Os procedimentos dos estudos de
caso são, em geral, incluídos entre os modelos pré-experimentais de pesquisa, com objetivo de exploração inicial de uma temática, ou seja, destinam-se a levantar informações ou hípóteses para futuros estudos (ISAAC, 1974 apud ANDRÉ, 2005).
Sua caracterização mais distintiva é a ênfase na singularidade, no particular. O objeto de estudo será examinado como único, uma representação singular da realidade, que é multidimensional e historicamente situada (ANDRÉ, 2005). Uma investigação caracteriza-se como um estudo de caso se “surge do desejo de compreender fenômenos sociais complexos” e “retém as características significativas e holísticas de eventos da vida real” (YIN apud ALVES-MAZZOTTI, 2006, p.645).
Enquanto método de pesquisa, o Estudo de Caso pode ser único ou múltiplo. Para Yin (2001), os Estudos de Caso único são mais comuns. São aqueles que focalizam apenas uma unidade, um indivíduo, um pequeno grupo, uma instituição, um sistema educativo, um programa, uma turma, ou um evento. E é nessa classificação que situamos nossa pesquisa. Ao passo que os Estudos de Caso múltiplos consideram dois ou mais estudos conduzidos simultaneamente, visando à comparação entre os casos, podendo inclusive serem extremos, para se ter a compreensão de um fenômeno.
A partir das contribuições de concepções teóricas de Yin (2010), Alves-Mazzotti (2006) e André (2005) em relação ao método Estudo de Caso, pudemos compreender que é o objeto de estudo que define a escolha do método de investigação.
Ainda em relação ao método de pesquisa é preciso que o situemos em relação ao Paradigma19 no qual a investigação se insere. A nosso ver, nesse caso particular, é o Paradigma Interpretativo ou Compreensivista, uma vez que: “essa corrente teórica, como o próprio nome indica, coloca como tarefa mais importante [...] a compreensão da realidade humana vivida socialmente [...]” (MINAYO, 2011, p. 22-23).
Os autores compreensivistas não se preocupam em quantificar e em explicar, e sim em compreender o fenômeno:
Compreender relações, valores, atitudes, crenças, hábitos e representações, a partir desse conjunto de fenômenos humanos gerados socialmente, compreender e interpretar a realidade. O pesquisador que trabalha com estratégias qualitativas atua com a matéria-prima das vivências, das experiências, da cotidianeidade e também analisa as estruturas e as instituições, ma entendem-nas como ação humana objetivada. Ou seja, para esses pensadores e pesquisadores, a linguagem, os símbolos, as práticas, as relações e as coisas são inseparáveis. Se partirmos desses elementos, temos
19 Adotamos aqui a concepção de Paradigma apresentada por Miranda (2005). Segundo a autora, um paradigma
epistemológico se constitui nas contradições histórico-sociais e na aceitação de diversas lógicas, o que desencadeia novas contradições, as quais são condições inerentes à produção do conhecimento.
que chegar aos outros, mas todos passam pela subjetividade humana. (MINAYO, 2011, p. 25).
Na perspectiva do Paradigma Interpretativo, uma investigação nunca é neutra, isto é, isenta de valores. Os resultados de qualquer investigação são sempre influenciados pela interação pesquisador/pesquisado, sendo o conhecimento resultado da atividade humana, que nunca pode ser vista como uma verdade definitiva, mas ao contrário, está sempre se modificando, pois se busca entender o mundo pelo olhar do outro (GUBA, 1990 apud ALVES-MAZZOTTI, 1996).
Considerando o objeto de nossa pesquisa, os objetivos que pretendemos alcançar e as questões que buscaremos responder, entendemos que a abordagem qualitativa se apresenta como a mais adequada para a realização desse estudo e que o Estudo de Caso, inserido no Paradigma Interpretativo de investigação, se constitui, pelas características ora apresentadas, como Método potencialmente favorável para atender os propósitos expressos para este trabalho.