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Kvantitativ metode - spørreundersøkelse

3.2 Valgt metodebruk

3.2.2 Kvantitativ metode - spørreundersøkelse

Na construção social deste trabalho junto às clínicas-escola odontológicas, o ponto de partida foi a demanda provocada. Entende-se por demanda provocada, segundo Saldanha e Carvalho (2003), apud Saldanha (2004), como sendo a solicitação inicial que parte do Ergonomista (pesquisador ou profissional), que procura a instituição para propor desenvolver um estudo que possa identificar temas que se transformem em demanda gerencial. Neste caso, tal demanda provocada é constituída de um conjunto de hipóteses de demandas formuladas a partir do conhecimento da pesquisadora a respeito do assunto adquirido em situações de referências práticas ou teóricas e de suposições a respeito da realidade daquela instituição ou situação característica e que supunha ter acolhida naquela organização.

A partir da decisão da pesquisadora (mestranda em Engenharia de Produção - Linha de Pesquisa em Ergonomia - e odontóloga às vésperas de duas décadas de formada, portanto com conhecimento teórico-prático acerca do universo clínico desta profissão e de suas implicações à saúde ocupacional) de conhecer a atual atividade dos estudantes de odontologia em uma Clínica-Escola de Universidade Pública e, ao contato com dois espaços de trabalho: Clínica- Escola Odontológica de uma universidade federal tomada como situação de referência externa (pesquisa-piloto); e Clínica-Escola Odontológica de uma universidade federal definida como situação de foco (onde se deu o aprofundamento deste estudo de caso), foram se configurando demandas, construídas coletivamente.

Nas construções metodológicas que possibilitaram a construção social foram adotados recursos e ações adicionais necessários ao contexto dialético e plural característico do itinerário da análise ergonômica do trabalho. Estas ações metodológicas transcorreram no início, durante e após a pesquisa de campo como preconizam Vidal (2003) e Saldanha (2004):

Ações metodológicas de antecipação e planejamento:

• Mapeamento dos interlocutores (identificação das pessoas a serem contatadas e sensibilizadas, como fundamento sóciotécnico da ação ergonômica)

• Protocolo de solicitação de pesquisa ao comitê de ética em pesquisa (carta de encaminhamento); elaboração de termo de consentimento livre e esclarecido; e declaração da pesquisadora de compromisso, respeito e sigilo aos sujeitos da pesquisa

• Articulação junto ao departamento de odontologia providenciando documentações de aval dos gestores para dar início à pesquisa

• Agendamentos e planejamento para realização de observações (construção e adaptação de roteiros de ação conversacional, bem como de ferramentas de pesquisa a serem aplicados)

• Preparação de slides e material para reuniões de contato e apresentação, focando o público-alvo e os objetivos da pesquisa

Ações metodológicas de execução:

• Conduta de esclarecimentos progressivos ao contato com os interlocutores • Escuta respeitosa e ampliada dos indivíduos em foco

• Anotações das informações autorizadas, observações, registros fotográficos, filmagens, aplicação de diagrama e checklist

Ações metodológicas posteriores à coleta de dados

Elaboração de relatórios a quente (hot report), imediatamente às informações colhidas

Elaboração de relatórios a frio (cold report), transcrevendo gravações e anotações colhidas, inserindo elementos e impressões que a pesquisadora julgou importantes como situações características da atividade

• Restituição e validação (apresentações periódicas aos grupos de trabalho das análises parciais e gerais dos dados colhidos para discussão e validação)

Os contatos iniciais com os sujeitos da pesquisa ocorreram com esclarecimentos progressivos (falas elaboradas pela pesquisadora que se apresentava, dizia a que veio, como e o que iria fazer) criando um “ambiente afetivo e cognitivo compartilhado, tornando as interações mais simétricas no campo relacional e evitando barreiras com os interlocutores”, Vidal (2003). Estes contatos firmados através de recorrentes conversas compartilhadas com os gestores, professores, alunos e funcionários das instituições revelaram, em sua concretude, uma categoria de acesso gradativo. Isto é, esta forma de aproximação da pesquisadora com as pessoas dos setores das clínicas-escola odontológicas possibilitou, gradativamente, livre acesso às instalações internas a fim de encontrar o momento adequado de realizar as ações conversacionais no qual os sujeitos da pesquisa estivessem em clima de predisposição a firmar diálogos, sentindo-se “à vontade” para falar de suas vivências e condições de trabalho. Para esclarecimento conceitual metodológico, ações conversacionais são diálogos e interlocuções firmados entre os pesquisadores em ergonomia e os sujeitos da pesquisa seguindo-se roteiros dinâmicos e flexíveis de questões pertinentes à atividade, reconstruídos progressivamente, sempre com o objetivo de aprofundar o conhecimento de detalhes fundamentais ao entendimento do contexto em que os fatos se inserem (conceito firmado a partir dos escritos de Vidal (2003) e Saldanha (2004)).

Ao aplicar o método de ação conversacional, a pesquisadora anotava as falas dos interlocutores e abria espaços de conversa de modo a que eles revelassem suas vivências e suas impressões sobre o que ocorria em sua rotina de trabalho, incluindo informações complementares e situações não rotineiras, que pudessem trazer elementos esclarecedores acerca do trabalho real no estágio supervisionado. Estas anotações foram, logo depois de encerrada a ação conversacional, pré-organizadas na forma de um “relatório a quente”, no qual as informações não anotadas foram revisadas e registradas. Em seguida, foi elaborado um “relatório a frio” com todas as informações organizadas e ordenadas de modo a permitir um futuro tratamento dos dados colhidos através da tabulação de dados em uma matriz de inclusão de comentários, tornando-se ferramenta de análise ergonômica. Durante a pesquisa de campo nas clínicas-escola pôde-se constatar como o método evoluiu; as pessoas sentiram- se “à vontade” para falar sobre assuntos de certo modo “privativos”, mas de algum modo

conectados aos problemas reais e às dificuldades por elas enfrentadas (de fato, começaram timidamente, porém aos poucos foram sentindo-se mais seguras, revelando autonomia em seus “atos de fala" ricos em significados).