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Kvalitetskonkurranse i differensierte produkt

A atitude do indivíduo frente ao risco é outra variável utilizada para diferenciar os primeiros adotantes de tecnologia. Entende-se por risco a situação onde a distribuição da probabilidade de possíveis resultados é calculável e conhecidos. Enquanto incerteza refere-se a uma situação em que os resultados possíveis são identificáveis, mas a distribuição de probabilidade de resultados não é conhecida, ou ainda, refere-se a uma situação em que os resultados possíveis de um determinado evento é desconhecido e incalculável (KNIGHT, 1921; HÉBERT; LINK, 1988).

As alterações nas preferências da demanda, ou ainda, as barreiras ao livre comércio capazes de alterar o ambiente institucional constituem fonte de incerteza. Enquanto que, a volatilidade dos preços de insumos e preços de venda do produto constitui o risco econômico que o agricultor enfrenta na tomada de decisão. Outra fonte de risco está relacionada à variação das condições edafoclimáticas da região de produção. O risco é uma variável crucial para a tomada de decisão sobre a introdução de uma técnica, mesmo quando seus resultados potenciais já são amplamente conhecidos. Os pequenos agricultores são particularmente suscetíveis e avessos ao risco, especialmente aqueles cuja sobrevivência imediata depende, diretamente, do resultado da produção corrente (BUAINAIN et al., 2002). Os trabalhos empíricos conduzidos por Kirk et al., (2010) e Dadi et al. (2004) e Abdulai et al. (2008) verificaram o efeito negativo e significativo da aversão frente ao risco na probabilidade de adoção de tecnologias.

3.1.3.7. Localização

A localização da propriedade rural é outro fator determinante da adoção de novas tecnologias na agricultura. Propriedades rurais localizadas em regiões com agroindústria, estradas, serviços e mercados desenvolvidos têm maior possibilidade de adotar novas tecnologias e explorar seus recursos do que aqueles localizados em regiões de fronteira que não contam com infraestrutura (BUAINAIN et al., 2002). Segundo Cropper et al. (2001),

construir estradas, por exemplo, facilita o acesso a mercados e, por conseguinte, aumenta a probabilidade de que as áreas contíguas sejam ocupadas pelo uso agrícola. A pesquisa de Sunding e Zilberman (2001) indica que as fazendas localizadas mais próximas de centros regionais apresentaram maior probabilidade de adoção de tecnologia.

Resultados empíricos de Abdulai e Huffman (2005) mostraram que na Tanzânia as propriedades rurais localizadas mais próximas aos mercados apresentam maior probabilidade de adotar cruzamento de raças bovinas com o objetivo leiteiro do que as fazendas localizadas em áreas isoladas. No caso da pecuária bovina brasileira, dados do Censo Agropecuário 2006 mostraram que a grande maioria dos estabelecimentos rurais que adotavam práticas de rastreamento animal estava localizada em regiões com a presença de frigoríficos habilitados para a exportação (VINHOLIS et al., 2011).

3.1.3.8. Tamanho

No caso da agricultura, o tamanho da propriedade é fundamental e é uma variável amplamente utilizada nos estudos de adoção de tecnologia (GEROSKI, 2000; SUNDING; ZILBERMAN, 2001; BAER; BROWN, 2007; BOCQUET et al., 2007; GALLIANO; ROUX, 2008; GALLIANO; OROZCO, 2011). Esta variável pode ser relevante na medida em que há suposição de que grandes glebas podem permitir maior flexibilidade nas decisões de produção, maior acesso a recursos discricionários e melhores informações, maiores oportunidades para testar novas práticas e maior habilidade para lidar com risco e incertezas (SOUZA FILHO, 2001).

Algumas tecnologias são indivisíveis e superam a capacidade de utilização eficiente em pequenas propriedades. Sua utilização eficiente depende do acesso por meio de leasing ou uso cooperativo, condições que nem sempre estão presentes. Além do arranjo institucional específico, também podem requerer elevados custos com capital fixo, tornando-se inacessíveis para pequenos proprietários. Exemplos dessas tecnologias são aquelas que incorporam equipamentos caros e indivisíveis, tais como grandes colheitadeiras; ou mesmo demandam gastos elevados com aprendizagem e treinamento de mão-de-obra. Conforme apresentado anteriormente, quando o nível de organização dos pequenos agricultores é baixo, o acesso e uso eficiente destas tecnologias também é baixo (SOUZA FILHO et al., 2011). Em geral, existe elevado grau de correlação entre tamanho e outras variáveis, tais como condições

de acesso ao crédito, grau de capitalização, participação em programas governamentais, endividamento, informação e qualidade do solo, o que dificulta a análise do efeito isolado desta variável (GEROSKI, 2000; VICENTE, 2002; SOUZA FILHO et al., 2011). Karshenas e Stonemam (1993) e Galliano e Orozco (2011) sustentam que as grandes empresas têm maior acesso aos recursos financeiros, beneficiam-se das economias de escala e de escopo, possuem uma força de trabalho com habilidades superiores, possuem melhor acesso à informação e são menos avessas ao risco com relação à adoção de uma nova tecnologia. No caso da adoção da rastreabiliade, o uso de tecnologia da informação para dar suporte e facilitar a implementação está associado a grandes empresas (PINTO et al.16, citados por GALLIANO; OROZCO, 2011, p. 382).

Apesar das vantagens apontadas na literatura, a implantação da rastreabilidade tem um custo e nem todos os agentes se beneficiam igualmente dos ganhos da adoção (KHER et al., 2010). Pequenas empresas enfrentam a desvantagem do elevado custo, enquanto que grandes empresas podem se confrontar com as deseconomias de escala decorrentes dos custos administrativos (SODANO; VERNEAU, 2004). Na análise dos determinantes da adoção da rastreabilidade por produtores de pêras em Portugal, Souza-Monteiro e Caswell (2009) encontraram relação positiva entre o tamanho da propriedade rural e a adoção de práticas de rastreamento. Neste caso, o tamanho da propriedade foi relevante, pois o custo com treinamento de mão-de-obra é elevado. A adoção de tecnologia de informação por fazendas na região nordeste dos EUA, particularmente e-marketing, está positivamente correlacionada com o tamanho da propriedade (BAER; BROWN, 2007). No entanto, Kirk et al. (2010) verificaram que esta variável não foi significativa para explicar a adoção de culturas anuais não tradicionais voltadas para exportação na Guatemala.

Tamanho da firma também apresentou relação positiva e significante na adoção voluntária de programas de gerenciamento ambiental no México (MONTIEL; HUSTED, 2009), na adoção de rastreabilidade eletrônica por empresas de alimento na França (GALLIANO; OROZCO, 2011) e na adoção da certificação ISO 9000 em empresas do leste europeu e da Ásia central (CORREA et al., 2010). Bayo-Mariones e Lera-lópez (2007) alertam para a forma de mensuração desta variável para captar seu efeito. No caso de adoção de tecnologia da informação por empresas espanholas, incluindo o setor agrícola, o ‗número de empregados‘ utilizado como proxy para o tamanho da empresa não apresentou resultado

16 PINTO, D. B.; CASTRO, I.; VICENTE, A. A. The use of TIC‘s as a managing tool for traceability

significativo, enquanto a proxy, ‗número de estabelecimentos‘ mostrou efeito positivo sobre a probabilidade de adoção.

O tamanho do rebanho, expresso em número de cabeças, é outra medida utilizada para expressar o efeito da escala de produção na adoção de novas tecnologias. O tamanho do rebanho influenciou positivamente a adoção de cruzamento de raças para a produção de leite na Tanzânia (ABDULAI; HUFFMAN, 2005). Abdulai et al. (2008) verificaram que a escala de operação em sistemas mais intensivos era determinante e estava positivamente correlacionada com a aquisição de informação, a adoção e a intensidade de adoção de novas tecnologias agrícolas na Tanzânia. A certificação SISBOV/TRACES requer investimentos que independem do tamanho do rebanho, a exemplo do tempo de aprendizado do sistema de rastreamento, do trâmite de documentos, do processo de vistorias e aquisição de software. Assim, medidas que permitam captar o efeito da escala de produção pode ser um importante fator para explicar a adoção da certificação.