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Kapittel 3 Forskingsmetode og datagrunnlag

3.4 Kvalitativt intervju

Discorrer acerca do homem, em Plotino, é falar da alma; via de conseqüência,

perquirir sobre a origem do homem é compreender o mecanismo de “queda” da alma.

Por fim, tratar da salvação da alma é entender como ela, a partir do mundo material,

empreende a viagem de retorno ao Uno.

De acordo com o licopolitano, as almas individualizadas estavam, na origem,

associadas à Alma Universal, a terceira hipóstase. É o que se depreende da Enéada, VI,

4, 14, citada por Reale (1994, p. 498):

Mesmo antes que ocorresse o nosso nascimento, nós estávamos lá em cima: éramos outros homens, individualmente determinados e também deuses, almas puras, com o Espírito juntamente com o Ser, inteiras, partes da Realidade espiritual sem confins e sem cisões, mas pertencentes ao todo; tanto é verdade que até hoje não estamos separados dele.

Em tal estado, a alma é capaz de conhecer, intuitivamente e através do Espírito,

o próprio Bem. Unida ao Espírito e ao Bem, a alma tudo conhece, tendo, ademais, plena

consciência de si. Se o Uno é a fonte primeira de luz, o Intelecto, que vem depois dele e

é inteiramente luminoso, pode ser comparado com o Sol, ao passo que a alma, por

Ora, se assim é, por que as almas descem aos corpos, quando poderiam, pela

theoria, permanecer contemplando a segunda hipóstase, da qual recebem luz? Por que abandonam tal estado de plenitude em troca de uma condição enfermiça e dolorosa, que

é a da existência humana? A primeira razão para que isto ocorra é a própria lei da

processão, segundo a qual a Alma Universal, a fim de expressar todas as possibilidades

que lhe são inerentes, deve engendrar não só o Universo em geral – através da alma do

cosmos – mas, também, todos os seres viventes particulares – dentre os quais, o homem

– através das almas particulares. O grande objetivo de toda esta operação é nada menos

do que a plenificação do desenvolvimento da infinita potência do Uno. De fato, se a

Alma Universal pudesse permanecer como puro pensamento, não se distinguiria do

Espírito; de igual modo, se as almas particulares pudessem permanecer como espíritos

particulares, não estariam, elas, aptas a assumir a função que lhes toca na grande peça

cósmica, qual seja, a de ordenar e reger as coisas sensíveis. Portanto, esta “descida” não

é voluntária, mas inserida no bojo de um projeto maior.

Inobstante a degradação do mundo material, Plotino chega a ter uma visão

otimista da descida da alma. Isto porque o contato com o mundo corpóreo faz com que a

alma sofra a experiência do mal, o que terá o condão de nela aguçar a consciência do

bem e desenvolver todas as virtudes que jazem em seu âmago. Além disso, estará, ela,

contribuindo, com sua descida ao mundo material, para que as potencialidades do Uno

adquiram concretude em todos os âmbitos da existência. Por outro lado, entende, o

licopolitano, que a descida à seara corpórea não deixa de ser uma expiação, por conta de

um desejo, da alma, de “retirar-se na individualidade”, de “pertencer a si própria”, o que

a faria prisioneira de corpos individuais e particulares (Enéada, V, 1,1).

Esta pretensão de auto-suficiência, este “orgulho cheio de audácia” (CLOTA,

do Uno, o mal somente pode consistir em um desejo de romper os laços originários com

Ele, ruptura, esta, que unicamente pode ocorrer no nível da alma, já que é, no âmbito

dele, e somente aí, que o ser, e o não ser, se tangenciam e tocam. Daí porque, para

Plotino, separar-se do corpo é um recolher-se em si mesmo, mantendo-se imune às

paixões (Enéada I, 2, 5).

Ao lado disso, tem-se que a alma, quando já sediada em um corpo, tende a

devotar excessivo cuidado a este mesmo corpo, tornando-se serviçal das coisas

exteriores e se esquecendo de si mesma e de sua origem, isto é, de Deus (Enéada, IV, 8,

4). Este é, efetivamente, o grande delito praticado pela alma individual e que caracteriza

o ser humano. “A única causa da total ignorância de Deus consiste em apreciar as coisas

terrenas e desprezar o próprio ser” (Enéada, V, 1,1).

O apego do homem, à matéria, é, assim, a causa de seus infortúnios. Entretanto,

é curioso observar que, embora associe a matéria ao mal, Plotino, na polêmica

antignóstica, afirma, contrariamente aos seus antagonistas, a positividade do mundo

físico. Como compreender esta aparente contradição? Ora, para Plotino, a matéria ocupa

a instância mais inferior de todas, abaixo da terceira hipóstase, não sendo possível,

depois dela, ter lugar qualquer outra coisa. Ela é o oposto do Uno: enquanto este é auto-

suficiente, pleno e do qual todos os entes dependem, a matéria é carente de plenitude,

incompleta: o seu modo de existir é caracterizado pela privação, a passividade e, por

extensão, pelo mal. Nada obstante, como já se afirmou algures, se inexistente a matéria,

a alma não travaria contato com o mal e, por conseguinte, não desenvolveria as suas

máximas virtudes, privando-se, assim, da redentora epistrophê, do ardentemente

almejado retorno à sua verdadeira pátria. Em outras palavras, o caminho salvífico da

alma começa no corpo, daí a positividade da instância material. Se o corpo é o cárcere e

escapar do seu império. Ademais, para Plotino, a instância material é um reflexo –

pálido, é verdade - do inteligível, que é perfeitamente bom e belo; sendo reflexo, não

tem luz própria, e sendo reflexo de algo bom e belo, não pode ser ontologicamente má,

como asseveravam os gnósticos.

Portanto, embora Plotino, tal como Platão, conceba o corpo como uma tumba

(sema) ou um cárcere (phroúra) da alma, não parece correto inferir, disso, uma

depreciação da matéria à maneira gnóstica. A matéria, como já se asseverou acima,

participa de um complexo modelo explicativo da realidade e do homem, denominado

descendente, ou por via de participação, no âmago do qual os entes materiais ocupam

uma posição secundária, porém necessária. Neste quadro, Plotino não atribui ao

káthodos, ou queda da alma no corpo, um sentido marcadamente negativo, ou mesmo como sendo, esta, a causa do mal em um sentido estrito, como o faziam os gnósticos. O

que torna a alma real e dolorosamente caída não é o káthodos em si, mas o

esquecimento de sua origem, que experimenta ao capitular aos encantos do mundo

material e conceber, este último, como sendo a única realidade. Para esta alma, olvidada

de si, o corpo é, efetivamente, um cárcere, já que suas asas, apegadas à terra, se fizeram

atrofiadas. Entretanto, este processo não deriva, de modo inevitável, do káthodos; ao

revés, é algo não natural, verificado, somente, por culpa da alma, que deveria ter

guardado uma distância prudente do corpo, restringindo-se ao seu papel de ordenadora e

governante daquilo que, na ordem dos seres, vem depois dela (SANTA MARÍA, 2005,

p. 118-119). A salvação, malgrado isso, sempre está ao alcance da alma – e, por

conseguinte, do ser humano - que se disponha a, relembrando sua procedência,