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4 Metode

4.1 Kvalitativt case-studie

UPSCALE (CONTINUAÇÃO)

Salas de Reuniões Reuniões,

banquetes menores Recursos audiovisuais permanentes, divisórias limitadas 0,2 – 0,4 x Número de UHs

Sala de Reunião Executiva Reuniões para

escalões mais altos de empresas Separação de outras salas de reuniões, instalações de audiovisuais internas à sala, acabamentos em padrão superior 12- 20 pessoas Auditório Palestras, apresentações, debates Piso inclinado ou escalonado, assentos fixos, instalações de audiovisual permanentes 0,2 – 0,8 X Número de UHs

Fonte: ADAMS; PENNER; ROBSON, 2013, p. 355, tradução nossa, grifo nosso / Adaptado por Felipe Corres Melachos, 2013.

A abordagem de programa acima explicita uma preocupação com as áreas onde os eventos e/ou reuniões acontecem propriamente ditas, enquanto que os arquitetos paulistanos Andrade, Brito, e Jorge (1999), têm uma preocupação tanto com as áreas principais quanto com as áreas de apoio. Esta preocupação diferenciada com os itens mais ínfmos do programa pode ser interpretada como um

impacto latente da forte tradição racionalista presente em arquitetos paulistanos formados em meados do século XX.

Com relação à localização, demandas constantes por parte de incorporadores indicam que o pavimento térreo é o preferencial em termos de logística e operabilidade. Entretanto, esta solicitação nem sempre é possível em hotéis centrais, especialmente em São Paulo, onde os terrrenos centrais com potencial para tais empreendimentos são exíguos (JULIANO, 2006). Quando o terreno é desfavorável, o que resta aos arquitetos é buscar o pavimento mais próximo ao térreo para tais áreas. Tal postura é recorrente no mercado arquitetônico paulista, mas dificulta a resolução das questões de logística e operabilidade, e implicações da legislação para rotas de fuga (SÃO PAULO, 1992).

As preocupações de Andrade, Brito, e Jorge (1999) são consonantes com o mercado paulista ao afirmar que os pavimentos mais vantajosos para as áreas de eventos se localizam no térreo ou em níveis adjacentes. As enormes caixas de circulação vertical protegida exigidas pela legislação (SÃO PAULO, 1992) para áreas de eventos a um ou dois pavimentos de distância do térreo, por si só, já implicam em um dispêndio de área construída muito contestado no mercado imobiliário. Sua adoção frequentemente gera discussão no processo projetual, em estúdios paulistanos.

Porém, apesar destas recomendações, nem sempre é possível ter a área de eventos nestes pavimentos desejáveis. Terrenos com condições geológicas desfavoráveis, dimensões diminutas, e/ou legislação impeditiva são constantes nas disputadas áreas centrais de São Paulo. Visitas ao Hotel Jaraguá, por exemplo, revelam que este empreendimento mantém as áreas de eventos divididas em três subsolos, e no 4º pavimento, justamente por apresentar um terreno pequeno. Além disso, as alterações na estruturação do prédio foram enormemente dificultadas por questões de patrimônio histórico.

Entretanto, o mercado de hotéis centrais upscale americanos tende a aceitar com mais facilidade esta segmentação das áreas de eventos em pavimentos diferentes. Adams, Penner, e Robson (2013) admitem que muitas vezes esta é a única maneira de inserir o programa desejável no terreno desejado. O Grand Hyatt de Washington, por exemplo, tem sua área de ventos de aproximadamente 3000 m² distribuída em três níveis e opera com índices satisfatórios de lucratividade.

Esta separação em níveis é, inclusive, uma das duas opções para áreas de eventos propostas por Adams, Penner, e Robson (2013). Além da disposição clássica, em um ou dois pavimentos adjacentes ao térreo conforme os escritos de Andrade, Brito, e Jorge (1999), a disposição das áreas de eventos no térreo é favorável aos conceitos anterimente explanados sobre disposições concêntricas das áreas públicas de hotéis em relação ao lobby. A Figura2.47. ilustra uma diagrama exemplificando tal disposição, assim como a relação tida como ideal pelos pesquisadores brasileiros, sobre as relações entre cada espaço desta ramificação de áreas públicas.

Neste diagrama ficam evidentes as preocupações dos pesquisadores paulistanos acerca de áreas de apoio, a serem tratadas na seção posterior deste capítulo. A Figura 2.48, ilustra a planta esquemática do pavimento térreo do Hotel Transamérica em São Paulo, um hotel upscale que somente nas ultimas duas décadas se tornou um hotel central em função das dinâmicas urbanas da capital paulista, configura um exemplo claro da aplicação de tais conceitos em arquitetura edificada, com toda a área de eventos ocorrendo de maneira concêntrica em relação ao lobby.

Algo importante de se notar tanto no diagrama da Figura 2.47, quanto na planta da Figura 2.48 é a divisão do salão ou ballroom. Estas divisões ilustram as possibilidades de seccionamento do grande ballroom, possibilitando assim que o hotel abrigue mais que um evento simultaneamente sem prejuízos mútuos. Enquanto esta possibilidade de divisão é inerente a insistência por flexibilidade na área de eventos, por parte de Andrade, Brito, e Jorge (1999), ela não é explorada a fundo. O contrário acontece nos escritos de Adams, Penner, e Robson (2013), onde as possibilidades de divisão de ballroom mais aceitas no mercado norte-americano no segmento são sintetizadas na Figura 2.49, a seguir.

Figura 2.47: Diagrama funcional da área de eventos.

Figura 2.48: Planta esquemática do Pavimento Térreo do Hotel Transamérica em São Paulo, onde a disposição da áreas de eventos deste hotel central upscale ocorre ao redor do lobby.

Figura 2.49: Exemplificação dos dois arquétipos principais de divisão de ballroom em hotéis centrais americanos. Na opção A, ocorre uma subdivisão maior do salão em salas menores, sendo assim necessário delegar mais área construída para circulação, apesar de maiores possibilidades de sublocação de espaço. Já na opção B, as sub-salas são maiores e menos área é delegada a circulação, e o ballroom é a principal forma de acesso a estas salas.

Fonte: ADAMS; PENNER; ROBSON, 2013, p. 362

Na figura acima, a opção A ilustra uma possibilidade na qual ocorre uma subdivisão maior do salão em salas menores, sendo assim necessário delegar mais área construída para circulação, apesar de maiores possibilidades de sublocação de espaço. Já na opção B, as sub-salas são maiores e menos área é delegada a circulação, e o ballroom é a principal forma de acesso a estas salas. Ambas as possibilidades são frequentes também no mercado paulista, onde os principais requerimentos para este espaço é que justamente haja a possibilidade de divisão, e que o espaço seja o mais regular possível. Estudos de Viabilidade realizados para o segmento que continham até mesmo uma face chanfrada, em função de terrenos angulosos e outras dificuldades projetuais, foram prontamente rejeitadas por clientes. Em fases mais avançadas de projeto, é predominante a exigência de

revestimentos que preservem a acústica do salão e suas potenciais subdivisões, especialmente no referente a pisos e divisórias.

Com relação ao dimensionamento destas áreas de eventos, sua ampla gama de dimensões existentes nos hotéis centrais paulistanos indica que não existem parâmetros ideais de dimensões para estas áreas. A premissa solicitada, enquanto desenvolvendo o projeto, costuma ser maximizar o tamanho da área de eventos. Entretanto, Andrade, Brito, e Jorge (1999) propõem uma relação direta entre tamanho do hotel e tamanho da área de eventos na passagem abaixo, onde a infra- estrutura maior é apontada como maior justificativa para tal relação.

Embora não haja qualquer parâmetro que relacione diretamente o número de apartamentos com as proporções das áreas de eventos, estas costumam ser menores em hotéis com pequeno número de apartamentos. Grandes centros de convenções, por sua vez, estão frequentemente associados a hotéis de maior porte. Hotéis maiores podem mais facilmente dar suporte a eventos que reúnem centenas ou milhares de pessoas e que demandam sistemas complexos de infra-estrutura e equipamentos, além de serviços de variadas naturezas. Apenas grandes hotéis podem proporcionar os serviços de hospedagem e alimentação nas proporções exigidas nesses casos (...) (ANDRADE; BRITO; JORGE, p. 134).

É também em função desta relação que se dá a utilização do número de UHs no dimensionamento das áreas de eventos por Adams, Penner, e Robson (2013), como pode ser visto na tabela 2.14. Se para estes autores americanos, a área de cada item programático da área de eventos se dá através de relações com a quantidade de quartos, para Andrade, Brito, e Jorge (1999), a área de cada porção da área de eventos se dá através de frações da área total destinada a eventos, assim como por índices de capacidade de pessoas adquiridos por meio de experiência profissional destes autores.

Por exemplo, Andrade, Brito, e Jorge (1999) apontam que as áreas do foyer correspondem a algo entre 20 e 40 por cento das áreas de salas e salões. Já para a recepção são recomendados de 0,7 a 0,8 m² por pessoa; para o auditório 0,7 a 0,9 m² por assento; para os banquetes 1 a 1,3 m² por assento; e para salas de aula 1,3

m² por assento. Estes índices, além de oriundos de experiência própria destes autores, são também fruto de levantamentos de programas de hotéis centrais paulistanos, como pode ser observado na Tabela 2.15 abaixo: