• No results found

Nesta seção do capítulo serão abordadas as áreas públicas e sociais de empreendimentos hoteleiros, com um enfoque específico, quando aplicável, a hotéis centrais de padrão superior em São Paulo. A justificativa da variação de aplicabilidade destes conceitos, ora mais genéricos, ora certeiramente específicos a hotéis centrais de padrão superior em São Paulo, se dá na hibridização recente (ADAMS; PENNER; ROBSON, 2013) que vem diluindo as diferentes variações de nicho hoteleiro. Por sua vez, esta natureza diluída é justamente potencializada pela diversificação de nichos do turismo e, consequentemente, de hotéis, conforme abordagem no capítulo um desta dissertação.

Por exemplo, alguns aspectos do lobby sastifazem ao hóspede unanimente como espaço de acumulação em frente ao balcão, enquanto que outros, são específicos ao público de hotéis centrais upscale em São Paulo. Não obstante esta aparente homogeneização, e também o fato de que normalmente a área de hospedagem ser usualmente a principal detentora de área construída no projeto de hotel, são justamente as pequenas especificidades nas áreas públicas e sociais que definem o segmento de mercado ao qual pertence o empreendimento hoteleiro.

Em função da decorrência de áreas públicas e sociais em várias porções do projeto de hotel, para melhor especificar cada uma delas esta seção foi dividida em subseções correspondentes a cada uma destas macro-áreas do projeto. São elas:

2.2.1.2.1. Pavimento Tipo; 2.2.1.2.2. Lobby; 2.2.1.2.3. Áreas de Alimentação; 2.2.1.2.4. Áreas de Lazer; 2.2.1.2.5. Área de Eventos; 2.2.1.2.6. Garagem.

2.2.1.2.1. PAVIMENTO TIPO

A subseção “2.2.1.2.1. Pavimento Tipo” trata justamente das áreas públicas e sociais presentes na área do projeto explicitada em seu título, os pavimentos tipo do hotel. Como as discussões acerca do pavimento tipo se aprofundaram consideravelmente na seção “2.2.1.1. Áreas de Hospedagem”, grande parte das áreas públicas e sociais desta porção do projeto já foram abordadas em seus pontos principais, mesmo que desempenhando uma função secundária.

Entretanto, restam algumas considerações a serem feitas no referente ao dimensionamento e qualidade espacial da circulação do pavimento tipo. Vivência profissional revela que o alto custo de terrenos em áreas centrais paulistanas na presente década, assim como a escassez de terrenos aptos nestas mesmas áreas (JULIANO, 2006), acaba por exigir o aproveitamento máximo da área construída.

Assim, independente da escolha de arquétipo de pavimento tipo37, a circulação acaba se tornando a mais enxuta e direta possível. Experiência profissional revela que os únicos acréscimos na largura de circulação em pavimento tipo são decorrentes das Normativas de Segurança do Corpo de Bombeiros e do Código de Obras Municipal (SÃO PAULO, 1992), assim garantindo a eficiência e segurança do hotel.

As diretrizes variam muito entre rede hoteleiras diferentes, mas de acordo com Andrade, Brito, e Jorge (1999), hotéis centrais de padrão elevado tendem a adotar circulações comuns em pavimento tipo com largura entre 1,80 m e 2,00 m. Pedro Paulo de Melo Saraiva (informação verbal, 2011) inclusive afirmou que a largura de 2,00 m é essencial para que não haja aglomeração indesejada de hóspedes e para que estes não impeçam o trabalho da governaça e serviço de quarto, normalmente munidos de seus carrinhos de serviços.

Um problema observado na ênfase de objetividade que reina suprema nesta área do hotel é sua conseqüente pobreza espacial. Inúmeros são os casos de pavimentos tipos com corredores retos, cegos e uniformes, conforme ilustrado no caso do Hotel Anhembi, em São Paulo (Figura 2.30). As exceções são os raros

37

Ver seção “2.2.1.1. Áreas de Hospedagem” para um aprofundamento em arquétipos de pavimento tipo de hotéis centrais.

hotéis em configuração de átrio como o Maksoud (Figura 2.31), ou casos pontualíssimos como ocorre no caso do “corredor bêbado” do Hotel Unique de Ruy Ohtake (Figura 2.32).

(a)

(b)

Figura 2.30: (a) Corredor longo e monótono do Hotel Anhembi em São Paulo, SP; (b) Planta do Pavimento Tipo do Hotel Anhembi em São Paulo, SP, mostrando a causa de tamanha monotonia na circulação comum destes níveis através, destacada em vermelho.

Fonte: (a) ADVISOR, Trip, 2013. Disponível em: <http://www.tripadvisor.com.sg/LocationPhotoDirectLink-g303631-d319936-i85236162-

Holiday_Inn_Parque_Anhembi-Sao_Paulo_State_of_Sao_Paulo.htmll>. Acesso em 19 fev. 2014. (b) MELACHOS, Felipe Corres. 2013. 1 planta.

(1) (2)

Figura 2.31: (a) Vista deslumbrante a partir dos corredores do pavimento tipo do Maksoud Plaza, em São Paulo, SP, conferem ao hóspede uma qualidade espacial somente possível nesta configuração de pavimento tipo. (b) Plana do pavimento tipo do Maksoud Plaza , em São Paulo, SP, com a área de circulação destacada em vermelho.

Fonte: (a) ADVISOR, Trip, 2013. Disponível em: <http://www.tripadvisor.com.sg/LocationPhotoDirectLink-g303631-d319936-i85236162-

Holiday_Inn_Parque_Anhembi-Sao_Paulo_State_of_Sao_Paulo.htmll>. Acesso em 19 fev. 2014. (b) MELACHOS, Felipe Corres. 2013. 1 planta.

(a) (b)

Figura 2.32. (a) Detalhe do corredor sinuoso, alcunhado por “corredor bêbado” por Ruy Ohtake, no pavimento tipo do Hotel Unique em São Paulo, SP. (b) Planta do pavimento tipo do Hotel Unique em São Paulo, SP, com o “corredor bêbado” destacado em vermelho.

Fonte: (a) OHTAKE ARQUITETOS, Ruy. 2007. 1 fotografia. (b) MELACHOS, Felipe Corres. 2013. 1 planta.

2.2.1.2.2. ACESSO E LOBBY

Esta subseção tem como intuito discutir as diferentes abordagens acerca das áreas públicas de acesso e lobby de um hotel, no referencial teórico desta dissertação. Estas duas áreas e seus respectivos espaços foram agrupados justamente por estarem tão intrinsecamente relacionados em hotéis centrais paulistanos de padrão superior. Isto é, estas duas áreas são complementares e muitas vezes se mesclam e interagem de maneira heterogênea.

Adams, Penner, e Robson (2013) são os únicos autores consultados a mencionar que a área externa de entrada do hotel estabelece os parâmetros para a imagem do hotel, juntamente com o lobby. Entretanto, Andrade, Brito, e Jorge (1999), delegam exclusivamente ao lobby esta responsabilidade.