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Na dimensão ética evidenciamos nos discursos dos professores três aspectos: a perspectiva de trabalhar em conjunto com pais, direção e coordenação; o compromisso ao ensinar; e a compreensão de exercer a prática docente com autonomia. Nesta dimensão os professores tanto da área urbana quanto do meio rural revelaram os mesmos elementos representacionais, entretanto, apenas a autonomia foi mais evidenciada pelo grupo da área rural.

a) Trabalhar em Conjunto

Os professores do meio urbano e da área rural parecem demonstrar que a prática docente não é apenas responsabilidade sua, mas percebem que sua prática também depende do trabalho em conjunto desenvolvido com a direção, a coordenação e os pais.

A seguir, apresentamos uma conversa entre os professores do meio urbano que contempla suas compreensões sobre a relação da prática docente com a equipe diretiva da escola,

Há a questão entre a sala de aula e a nossa direção da escola, né? Aqui o que a gente ver é o seguinte, tá em sala de aula passou do portão prá cá, tá dentro do colégio, ninguém tá nem ai, se aprende ou não. E a questão da educação não se resume só ao professor não, são muitas pessoas trabalhando por um único objetivo, que é colocar o pessoal para aprender mesmo [...] Se o pai não vem à escola, e a escola também deixa pra lá, ai pronto! A gente tem uma turma aqui, esse 6° B, não adianta, o que se pode fazer com essa turma ai? Os meninos não querem nada, a gente chega não tá a coordenadora, não tá a supervisora. Gente! Pelo amor de Deus! O que vocês vão fazer para ajudar a gente a botar esses meninos pra aprender alguma coisa? (P4UfII).

Concordando com o relato, o outro professor confirma,

Esse é mais um ponto também. (P5UfII).

Durante a conversa, outra professora da segunda fase do ensino fundamental põe-se de acordo e disse,

A responsabilidade é todinha só em cima do professor e a coordenação só se livra e

diz: “ah, eu não posso fazer mais nada”. E a direção também. E o professor vai

resolver o que? Tem que ter um trabalho em conjunto. (P3UfII).

Nesta sucessão de falas, todos os professores envolvidos não se contiveram e entraram ao mesmo tempo na discussão, falando de uma só vez, concordando um com o outro com o ponto que estava sendo discutido. O que nos pareceu que trabalhar em conjunto com a equipe diretiva está fortemente nos conteúdos representacionais dos professores sobre a prática docente.

Parece-nos que existe entre os professores a necessidade de articular o trabalho da coordenação e direção escolar à prática docente. Revelam que há questões relacionadas aos alunos que necessitam da intervenção da coordenação, conforme abordou a professora da área urbana. Lamenta-se que na escola a tarefa de educar não é realizada em conjunto – professores e equipe diretiva – mas, se restringe apenas ao professor, enquanto a coordenação e a direção se eximem desta responsabilidade, ocasionando o isolamento das partes que compõem a escola.

Esse pensamento de que a prática docente também exige o trabalho conjunto com os coordenadores e direção passa pelo que Libâneo (2004) defende “quem coordena tem a

responsabilidade de integrar, reunir esforços, liderar, concatenar o trabalho de diversas pessoas” (LIBÂNEO, 2004, p.215). Libâneo (2004) propõe papéis ao diretor e ao coordenador dentro do espaço escolar, cujo primeiro, é responsável por ter a visão de conjunto, articulada e integrada com os vários setores da escola mesmo que administrativa, mas entendendo-se também que tem uma conotação pedagógica. Quanto ao segundo, responde pela integração e articulação do trabalho pedagógico-didático dos professores. Em síntese, o papel tanto de um quanto do outro, é pôr em ação de forma integrada e articulada atividades de liderança, motivação, comunicação e coordenação (LIBÂNEO, 2004), o que talvez se assemelhe ao que os professores da escola urbana revelam.

Os professores também demonstram preocupar-se com a valorização dada pela coordenação e direção à quantidade, deslocando das práticas educativas a qualidade de ensino. Esta ideia pode ser vista no relato que se segue:

Por parte da coordenação eu acho que não há cobrança pela qualidade, só há cobrança de quantidade para o aluno ser aprovado, só isso e não há muita qualidade não, só quer saber se foi aprovado. (P6Ui).

Concordando com esta assertiva, a outra professora se insere na conversa e fala sobre um país, cujo índice de analfabetismo estava alto, mas com o investimento na formação dos professores e a preocupação com a qualidade de ensino e não com a quantidade, a educação progrediu,

Agora a gente já teve exemplo, é que agora não lembro mais em que país foi, mas eu vou tentar rever essa reportagem pra trazer aqui, de um país em que o índice de analfabetismo estava altíssimo. (P1UfII).

A professora da educação infantil do meio urbano interagindo na discussão relembrou,

É a Coréia, deu um salto imenso na educação. (P2Ui).

A outra professora do ensino fundamental da área urbana que fomentou a conversa continuou,

Porque eles investiram na formação do professor, então colocou o professor para estudar, ai pronto! Depois eles começaram a cobrar, porque se houve um investimento na formação então eles querem um resultado, e eles não querem um resultado de quantidade não, eles querem resultado de qualidade, e qualidade mesmo, né? Inclusive há avaliações periodicamente pra ver se o aluno realmente está aprendendo, adquirindo conhecimento como deve ser. Mas veja, se aconteceu isso é porque a administração teve um olhar e disse que viu que o problema está na formação, ou seja, na carência de conhecimento. Por outro lado, a administração

pode até oferecer, porque a gente não há o que reclamar, pelo menos da segunda fase a gente reclama, mas nem sei porque a gente acaba sendo passivo diante da situação. [...] Enquanto que a primeira fase que é a base, as pessoas estão preocupadas, mas é uma preocupação que vai devagando, porque ela não tem exatamente o conhecimento. Ela não sabe exatamente aonde está o problema e as vezes sabe, mas não sabe intervir. Ela sabe que há um problema, sabe que o problema está no professor, porque está no professor? Porque eu sou professora e eu reconheço que quando eu não preparo uma aula boa a minha aula não é boa, mas quando eu planeja a minha aula eu vejo uma sequência, ai é totalmente diferente, mas ainda dá tempo. Mas, será que todos fazem isto? Então, onde está o problema todos nós sabemos, como resolver, procura-se resolver mas, não há uma atividade, não há assim, vamos dizer, um acompanhamento sequencial, faz um encontro hoje, traz uma pessoa que mostra isso e no próximo já é outro que não tem nada haver com o primeiro, viu, ai quebra. E vai passando ano, ano, ano e continua do mesmo jeito. Tá entendendo? Então assim, a grande dificuldade é a falta de compromisso da administração, não é? Olhe, é tão importante o papel da administração, porque ela trabalha não só com o professor, mas com o aluno, então se ela perceber que uma sala não está rendendo bem, ela vai conversar com aquela sala, vai procurar saber quais os problemas e tudo mais, se o professor não está se dando bem com aquela turma, ela vai conversar com o professor, então ela é um elo de ligação, né? Então se esse elo estava fora, está quebrado como é que a gente vai fazer um trabalho. É um elo de ligação entre o professor, aluno e família, né? Então se não existe este elo não tem como haver trabalho em conjunto. (P1UfII).

Ao concordar com o que estava sendo colocado, a outra professora do ensino fundamental do meio urbano concluiu dizendo,

E a prática pedagógica vai lá pra baixo. A prática pode ser a melhor do mundo, se não tiver uma interação entre estes três ai... (P4UfII).

A insistência sobre ter a coordenação e a direção escolar à frente do trabalho pedagógico ainda persiste na discussão entre os professores, quando continua a conversa entre eles,

Tanto é que se ele faltar, a coordenação, a administração vai sentir falta porque os alunos vão ficar pelos corredores, mas os alunos não sentirão falta dele, quem sente é a coordenação que não tem um trabalho, tá entendendo? Vamos dizer, voltado pra isso, se tivesse planejamento, acompanhamento, cobrança, então o professor vai faltar e eu vou sentir a falta dele porque ele não veio, mas por outro lado, eu enquanto coordenadora ou supervisora, posso fazer isso pra suprir esta necessidade de hoje. (P1UfII).

Mas, ninguém quer entrar em sala de aula, eu fico impressionada. (P2UfI).

Mas tem que ver, a prática docente, tá falando docente, ou na prática pedagógica de maneira geral? Porque a prática docente, tá certo, pode tá fazendo em sala de aula, agora a pedagógica, como ela falou, é a prática que vai envolver todo mundo aqui. Eu acho que o objetivo da prática pedagógica é formar o cidadão da melhor forma possível, esse é o objetivo principal. (P4UfII).

Mas porque a nossa prática docente, ela recebe muita influência do que está fora [...] A gente não tem como entrar na sala de aula, olhar para um aluno e esquecer o que está fora dela não. (P1UfII).

Mas tem que ver, a prática docente, tá falando docente, ou na prática pedagógica de maneira geral? Porque a prática docente, tá certo, pode tá fazendo em sala de aula, agora a pedagógica, como ela falou, é a prática que vai envolver todo mundo aqui. Mas porque a nossa prática docente, ela recebe muita influência do que está fora [...] A gente não tem como entrar na sala de aula, olhar para um aluno e esquecer o que está fora dela não. (P1UfII).

A partir de todo este diálogo, evidencia-se, portanto, entre os professores que a prática docente compreende também o apoio da direção e coordenação escolar. Para os professores, as orientações administrativas e pedagógicas advindas destes setores da escola refletem em suas ações dentro da sala de aula. A equipe diretiva torna-se para estes professores um “elo de ligação” entre as várias instâncias da escola (professor, aluno, família), mas quando este “elo” é rompido, o trabalho em conjunto é comprometido, conforme expressa uma das professoras da segunda fase do ensino fundamental.

Na discussão, a professora acrescenta que a prática docente recebe influências do que é desenvolvido pela equipe diretiva fora da sala de aula. Complementando a conversa, a professora que atua na primeira fase do ensino fundamental da área urbana deixa claro que a equipe diretiva tem receio ou talvez apresente resistência de aproximar-se dos alunos para a realização de algum tipo de trabalho. O que não deveria acontecer, na perspectiva da outra professora da segunda fase do ensino fundamental, já que a prática pedagógica envolve a todos que fazem parte da escola, deste modo, todos devem está focado em um objetivo comum “formar o cidadão da melhor forma possível”.

O frágil desempenho do trabalho da direção e da coordenação escolar percebida pelos professores mostra-se um obstáculo à prática docente, entre elas, os professores destacam: a precária comunicação entre escola e família, a falta de trabalho da coordenação pedagógica com os alunos indisciplinados ou a frágil iniciativa de coordenadores e diretor em coordenar determinados trabalhos administrativos e pedagógicos dentro das escolas.

Então, em se tratando do trabalho da coordenação e direção, a falta de organização expressa em normas, regras, rotinas, atribuições de responsabilidades e a falta de dispositivos para lidar com a indisciplina dos alunos interferem na qualidade das atividades de ensino. Neste sentido, Libâneo (2004) coloca que quem coordena tem a responsabilidade de “articular as relações interpessoais na escola e entre a escola e a comunidade” (LIBÂNEO, 2004, p.216). Portanto, o diretor enquanto dirigente principal da escola tem a visão do conjunto, articula e integra os vários setores e o coordenador responsável pela integração e articulação

do trabalho didático-pedagógico junto com os professores. Esta integração ou articulação a que o autor se refere é denominada pelos professores como “elo de ligação”.

Encontramos no grupo de professores da área rural esta mesma ideia exposta pelos professores do meio urbano: a necessidade de uma direção e coordenação à frente do trabalho administrativo e pedagógico da escola. É evidente entre os professores que um dos atributos relacionados à prática docente é o trabalho coletivo entre gestão e corpo docente, o que vem a ser denominado pelos professores da área rural de “apoio” ou “trabalhar em conjunto”.

Trabalhar em conjunto, né? Trabalhar junto com a direção da escola. (P7Ri). A gente tá desde o inicio do ano e não houve a reunião com os pais, né? Nem sei se é com eles [com a direção e a coordenação], por esse lado, porque num sei se é eles que têm que fazer a reunião. (P8RfI).

Agora eu vejo assim, a questão de o grupo que trabalha com ele [com o diretor], entendeu? Que aqui já teve grupo melhor, a gente tinha um apoio maior. Ai sai mudando, mudando. (P9RfI).

Aqui, pelo menos, nós sentimos também a falta do apoio pedagógico mesmo, né? Eu não sei dizer que temos, que tá bom, que tá ótimo, porque pra falar a verdade nunca teve ótimo. Só que a gente precisa de mais apoio pedagógico, um acompanhamento mais intenso. (P8RfI).

Eu acho que o acompanhamento, como já falou, há uma falta de acompanhamento pedagógico. Eu acho que um acompanhamento mais próximo, por exemplo, por semana, e pessoas também mais capacitadas de fornecer o apoio necessário. (P10RfI).

Parece que o grupo de professores da área rural também mostra necessidade de uma equipe que direcione junto com eles as práticas educativas. A fala da professora da primeira fase do ensino fundamental da área rural parece demonstrar dificuldades de compreender quais os papeis de cada instancia da equipe diretiva ao relatar em um trecho da fala “a gente tá desde o inicio do ano e não houve a reunião com os pais [...] porque num sei se são eles que têm que fazer a reunião”. A dependência que os professores demonstram ter com a direção e a coordenação os impedem de realizar certas atividades, como uma reunião de pais que não acontece há meses porque a equipe diretiva não se organizou para desenvolvê-la. Outro fator que o professor da primeira fase do ensino fundamental da área rural elenca é sobre a constante mudança de coordenadores, lamentando-se pela equipe não permanecer, o que causa desconforto entre eles por terem que se habituar a cada equipe que se forma as novas formas de trabalho.

Os professores, tanto do meio rural quanto do urbano, parecem demonstrar que o trabalho em conjunto passa também pelo apoio dos pais. A sucessão de falas que se segue dos

dois grupos de professores não parte de uma ordem de conversa entre eles, mas apenas retiramos os discursos de cada grupo que acreditamos justificar essa compreensão entre ambos,

Trabalhar em conjunto, né? Trabalhar junto com pais dos alunos e a comunidade em geral. Eu acho que seja assim. (P7Ri).

Eu acho que é o apoio dos pais. Porque acho que o primeiro professor de uma criança é o pai e quando não há esse apoio não há uma boa educação. Quando o aluno chega na escola ele já chega com uma bagagem e quando ele não tem uma boa bagagem trazida de casa o professor sente muita dificuldade na aprendizagem. (P10RfI).

O apoio dos pais, esse é o primeiro ponto que a gente sente falta, né? Sente a necessidade. (P8RfI).

Eu concordo com ele sobre a falta de apoio dos pais. Assim porque sempre quando tem reunião eles comparecem, conversam, diz vou ajudar, vou ajudar, mas realmente a gente ver que no dia a dia os pais não estão. (P7Ri).

Tem muitos pais que num sabe nem se o filho tá lá na escola, né? (P8RfI).

Ter um apoio não é só no dia de uma reunião, tá ali e marcar presença não, é você acompanhar no dia a dia. Fica difícil! (P7Ri).

A maior dificuldade que eu acho é a falta de participação da família na vida educacional dos filhos. A gente ver que o aluno da família que participa e trabalha junto, o aluno deslancha. Mas, os que não, há uma dificuldade. (P2UfI).

Para os professores, a prática docente também se relaciona com o apoio dos pais e este apoio, fala a professora da educação infantil da área rural, não na limita apenas a reunião de pais, mas um acompanhamento intenso no dia a dia. Parecem compreender que o primeiro professor é o próprio pai, conforme afirma professor da área rural. Entende que o aluno chega à escola trazendo suas experiências de casa, àquele que “não tem uma boa bagagem trazida de casa”, o professor sente dificuldades de trabalhar. Mas, a família que participa e trabalha junto à escola, “o aluno deslancha”, diz a professora atuante da primeira fase do ensino fundamental do meio urbano. Então, suas falas denotam que a família que participa o aluno avança, mas aquele cuja família não participa, parece não progredir.

Diante do exposto sobre o trabalho em conjunto, seja por meio do apoio da coordenação e direção da escola, seja através da família, compreendemos nas falas dos sujeitos, que a prática docente, embora seja responsabilidade do professor, suas ações em sala de aula também parecem ter uma forte relação com o que as demais instâncias das escolas desenvolvem em suas práticas.

b) Compromisso

O compromisso é outro elemento evidenciado nas falas dos professores e que está mais fortemente presente nas representações sociais sobre prática docente do grupo da área urbana. Assim se posiciona o grupo,

Uma palavra bem importante que eu acho que falta é o comprometimento, compromisso, né? Eu acho que isso é muito importante, tem professores que sinceramente... o comprometimento, o compromisso falta muito, em tudo, em tudo. Se comprometer com a aprendizagem do aluno, de seu trabalho, de ser pontual, de tudo isso, ser assíduo, é nesse sentido ai. Se comprometer de verdade com o trabalho que ele se destinou a abraçar. (P2UfI).

Porque muitos veem, veem assim... eu vou lá, dou minha aula, não interessa como, assino o ponto, preencho minha caderneta e vou em bora, pronto é isso daí. Mas, não tem a qualidade, não tem o compromisso, né? (P1UfII).

E assim, a escola pública todo mundo é capaz, mas coloca qualquer um lá pra dar e

eu digo: “minha gente, não é assim. É pouco, vamos oferecer uma coisa de

qualidade, os alunos vão fazer um vestibular”. (P2UfI).

Eu vejo assim, é muito simples dizer que os alunos não querem nada com a vida, tudo bem, muitos alunos não querem, mas eu vejo colegas descomprometidos. Na prática a gente vê muito isso, se critica muito o aluno, que o aluno não faz nada, mas será que o professor quer alguma coisa também? (P6Ui).

Para as professoras entrevistadas, o compromisso passa pela responsabilidade que assumem com a aprendizagem do aluno, a pontualidade, a assiduidade e a não limitar-se ao trabalho mecânico de dar a sua aula ou ao burocrático de preencher as cadernetas.

A esse respeito, Freire (1996) aborda que a prática docente não deve ser feita distante da ética. O autor coloca que “[...] transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador” (FREIRE, 1996, p.33). Esta ideia nos faz rever a fala da professora da segunda fase do ensino fundamental, sobre professores que se limitam dentro da escola apenas em preencher cadernetas, assinar seu ponto de frequência limitando, assim, a prática docente em atividades burocráticas ou técnicas enfraquecendo o seu caráter multidimensional. É onde, portanto, a outra professora da primeira fase do ensino fundamental questiona que não é toda pessoa capaz de dar aulas, mas é preciso professores comprometidos em oferecer um ensino de qualidade.

Durante a discussão coletiva, parece-nos que o aspecto autonomia foi evidenciado com menor frequência nas falas dos sujeitos. Mas, não deixou de ser pronunciada na fala de um professor da área rural,

Assim! No meu caso eu vejo o seguinte, que num sei que é porque o diretor é de lá

[na área rural onde os professores moram], mas a gente tem uma relação muito

boa, entendeu? E a gente tem autonomia de buscar o novo, de implantar mesmo. A gente não fica sem poder... se a gente tem uma estratégia, uma ideia boa, a gente coloca num papel, ele num interfere não, pelo contrário, ele apoia a oportunidade para que a gente possa desenvolver. (P9RfI).

Do ponto de vista de Freire (1996, p.107), “a autonomia vai se constituindo na experiência de várias, inúmeras decisões, que vão sendo tomadas [...] é neste sentido que uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade”, por isso que o autor defende que “ensinar exige liberdade”. Este pensamento parece assemelhar-se com o que o professor da área rural compreende sobre a autonomia. Para o professor, a autonomia relaciona-se a liberdade que o grupo tem em ‘’buscar o novo’’ e implantá-lo na prática docente, sem a interferência do diretor, que segundo o professor, os apoia para desenvolver as atividades que foram pensadas pelos professores.

4.4. Dimensão Afetiva: o ato de observar, emoções e o olhar sobre a diversidade na