2 Journalistikk som
4.2. Kvalitativ analyse
Descreveremos inicialmente o perfil profissional da equipe multiprofissional de APH móvel que participou desta pesquisa, de forma a atender ao primeiro objetivo específico deste estudo. A seguir, abordaremos a vivência desta equipe multiprofissional no suporte avançado de vida em APH móvel e na assistência ao adulto em situação de PCR, com a identificação das categorias de análise ou temas, procurando a compreensão do que representa para este grupo o trabalho na unidade móvel de APH e, por fim, a vivência do cuidar do adulto em uma situação de PCR.
5.1 Perfil sociodemográfico e profissional da equipe multiprofissional
A Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, por ser uma instituição pública, mantém o ingresso de seus funcionários por meio de concurso público e esta foi a forma pela qual todos os sujeitos da equipe estudada assumiram seus respectivos cargos na instituição, ou seja, os condutores de veículos de urgência terrestre, os enfermeiros e os médicos.
Foram entrevistados 16 profissionais, sendo sete médicos, cinco enfermeiros e quatro condutores de veículo de urgência terrestre.
As características sociodemográficas correspondem à idade, sexo, estado civil, religião, número de filhos, tempo de formação profissional e capacitação para o trabalho em emergências.
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Tabela 1 – Caracterização do perfil sociodemográfico e profissional dos condutores de veículos de urgência terrestre da USA - SAMU de Ribeirão Preto, 2005
PERFIL DEMOGRÁFICO PERFIL PROFISSIONAL
CONDUTORES DE VEÍCULOS DE URGÊNCIA TERRESTRE IDADE ANOS ESTADO CIVIL RELIGIÃO N° DE FILHOS ESCOLARI DADE EXERCÍCIO PROFISSIONAL CURSO TÉCNICO/PROFIS SIONALIZANTE CARGA HORÁRIA SEMANAL TEMPO DE ATUAÇÃO NO APH MÓVEL (ANOS) CURSO DE ATUALIZAÇÃO EMERGÊNCIA NOS ÚLTIMOS 3 ANOS
CVU 01 41 Casado Católica 01 1° grau
Incompleto 22 Direção defensiva ambulância 44 09 Sim CVU 06 43
Outro Católica 01 1° grau
Completo
25 Direção defensiva ambulância
44 14 Sim
CVU 09 38 Viúvo Católica 02 2° grau
Completo
15 Direção defensiva ambulância e Téc. Contabilidade
44 09 Sim
CVU 13 35 Casado Católica 01 2° grau
Completo
17 Direção defensiva ambulância e mov. produtos perigosos
44 09 Sim
Na Tabela 1, que se refere aos condutores de veículo de ugência, verifica-se a faixa etária de 35-43 anos, sexo masculino, estado civil variável (02 casados, 01 viúvo e 01 outro), a religião católica.Com relação ao número de filhos notamos que todos têm filhos, e que varia de 01 a 02 filhos. Quanto à formação profissional, o nível de escolaridade dos condutores de veículos de urgência terrestre variou desde 1º grau incompleto até 2º grau completo.
Em relação ao tempo de exercício profissional, os condutores de veículos de urgência terrestre estão entre 15-25 anos, com habilitação profissional como motorista de veículos de transporte de pacientes, todos têm cursos de direção defensiva para ambulância, previsto na legislação em vigor (Código Nacional de Trânsito) e na Portaria nº 2048/GM (Brasil, 2002 b). Um, ainda, possui curso técnico de contabilidade e outro curso de transporte de produtos perigosos. O tempo de atuação desses profissionais no APH móvel variou de 9 a 14 anos. Cumprem uma jornada de trabalho de 44 horas semanais, em escala de serviço mensal de 12x36 horas, sendo um deles no horário diurno, dois no horário noturno e um folguista.
Quanto aos motivos que levaram estes profissionais a trabalhar no APH móvel, além do convite da chefia, destacou-se a vontade de conhecer e desenvolver um serviço novo.
Ainda, segundo a Tabela 1, observamos que todos os condutores de veículos de urgência terrestre referiram participação em eventos científicos nos últimos três anos.
73 Tabela 2– Caracterização do perfil sociodemográfico e profissional dos enfermeiros da USA - SAMU de Ribeirão Preto, 2005
PERFIL DEMOGRÁFICO PERFIL PROFISSIONAL
CARGA HORÁRIA SEMANAL ENFERMEIRO IDADE ANOS ESTADO CIVIL RELIGIÃO N° DE FILHOS ANOS DE FORMAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO E OUTROS APH OUTRAS ATIVIDADES TEMPO DE ATUAÇÃO NO APH MÓVEL (ANOS) CURSO DE ATUALIZAÇÃO EMERGÊNCIA NOS ÚLTIMOS 3 ANOS EN 10 39 Casada Não Relatou 01 17 SP. e UTI 20 0 08 Sim
EN 12 43 Divorciada Cristã 02 21 UTI, Adm. Hosp. e
Mestrado
40
30 10 Sim
EN 14 42 Casada Católica 0 19 Licenciatura, SP,
Adm. Hospitalar
20 20 10 Sim
EN 15 44 Solteira Católica 0 19 Enf. Trab, Enf.
Trauma e Mestrado
40 30 10 Sim
EN 16 47 Divorciada Cristã apostólica 02 22 Enf. em Pediatria 40 0 09 Sim
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Na Tabela 2 de profissionais enfermeiros entrevistados, verificamos que a faixa etária variou de 39 a 47 anos, predominando a religião católica e o estado civil variável (sendo 02 casadas, 02 divorciadas e 01 solteira). Quanto ao número de filhos, apenas uma delas relatou não possuí-los; as demais têm número de filhos que variou de 01 a 02. Em relação à formação profissional, observou-se alto grau de especialização, assim distribuído: uma enfermeira com Especialização em Saúde Pública e Enfermagem em UTI, uma com Especialização em Administração Hospitalar, Enfermagem em UTI e Mestrado, uma com Especialização em Saúde Pública, Licenciatura e Administração, uma com Especialização em Enfermagem do Trabalho, Enfermagem do Trauma e Mestrado e, finalmente, uma com Especialização em Enfermagem Pediátrica.
Quanto ao tempo de formação, esta variou de 17 a 22 anos de trabalho e o tempo de atuação no APH móvel foi de 08 a 10 anos.
No que se refere à carga horária de serviço na USA – SAMU, observamos que houve uma variação de 20 a 40 horas semanais, sendo que uma das enfermeiras exerce, ainda, a função de Coordenadora de Enfermagem.
Os principais motivos de estas enfermeiras trabalharem no APH móvel foram o interesse e a identificação com as atividades desenvolvidas e a possibilidade de, à época, aumentarem a carga horária de trabalho de 20 horas semanais para 40 horas semanais para a maioria delas, significando uma ganho financeiro melhor. Hoje todas são unânimes em manifestar prazer e realização profissional nesse tipo de assistência em situação de urgência.
As enfermeiras que trabalham em situações emergenciais têm que estar em constante atualização e capacitação, fato este bem evidenciado nesse grupo entrevistado. A maioria dessas profissionais se preocupa em participar de eventos
científicos com o objetivo de se atualizar. É importante ressaltar, também, que no grupo de enfermeiros investigados dois têm pós-graduação stricto sensu (Mestrado) que visa à capacitação e à pesquisa na área de urgência e emergência, denotando envolvimento e comprometimento com o tipo de atividade desenvolvida na prática assistencial.
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Tabela 3 – Caracterização do perfil sociodemográfico e profissional dos médicos da USA- SAMU de Ribeirão Preto, 2005
PERFIL DEMOGRÁFICO PERFIL PROFISSIONAL
CARGA HORÁRIA SEMANAL MEDICOS IDADE ANOS ESTADO CIVIL RELIGIÃO N° DE FILHOS ANOS DE FORMAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO E OUTROS APH OUTRAS ATIVIDADES TEMPO DE ATUAÇÃO NO APH MÓVEL (ANOS) CURSO DE ATUALIZAÇÃO EMERGÊNCIA NOS ÚLTIMOS 3 ANOS
ME 2 35 Casado Católica 02 11 Anestesiologia e
Doutorado
20 24 06 Sim
ME 3 42 Casado Não relatou 01 17 CCP e Mestrado 20 Não relatou 09 Sim
ME 4 43 Casado Católica 01 19 UTI e Doutorado 40 20 10 Sim
ME 5 38 Solteiro Católica 0 13 CV 20 12 10 Sim
ME 7 49 Casado Católica 03 25 Cardiologia 20 12 09 Sim
ME 8 47 Divorciado Espírita 02 20 CG e CV 40 20 10 Sim
ME11 35 Casado Católica 01 10 CCP 20 24 3a e 6m Sim
Na equipe médica estudada, observou-se variação da faixa etária entre 35 e 49 anos e predominância do estado civil casado e da religião católica. O número de filhos variou de 01 a 03.
Quanto à formação profissional, observou-se, também, alto grau de especialização na equipe médica entrevistada: um com Especialização em Anestesiologia e Doutorado, um com Especialização em Cirurgia de Cabeça e Pescoço e Mestrado, um com Especialização em Terapia Intensiva e Doutorado, um com Especialização em Cirurgia Vascular, um com Especialização em Cirurgia Geral e Vascular e cursando o Mestrado, um com Especialização em Cirurgia de Cabeça e Pescoço e, finalmente, um especializado em Cardiologia.
O tempo de formação profissional dos médicos entrevistados variou entre 10 e 25 anos e o tempo de atuação no APH móvel entre 3 e 10 anos, sendo a carga horária na USA variável entre 20 e 40 horas semanais, com predomínio de 20 horas semanais.
Quanto ao motivo que os levou a trabalhar neste tipo de atividade, predominou a identificação com o tipo de trabalho e assistência.
É relevante também o aspecto da participação em eventos científicos de atualização em urgência e emergência, sendo que todos demonstram participar regularmente destes eventos. Ainda, três dos sete médicos entrevistados são pós- graduados (Mestrado e Doutorado), evidenciando interesse na constante capacitação e no desenvolvimento de pesquisas, colaborando com o crescimento científico na área vivenciada.
Uma vez caracterizado o perfil da equipe multiprofissional que atua na unidade móvel de suporte avançado de APH móvel do SAMU de Ribeirão Preto, passaremos a apresentar a análise do objetivo principal deste estudo, procurando
compreender e descrever pelos depoimentos que emergiram quais as percepções dessa equipe multiprofissional acerca do APH móvel. Além disso, como esta equipe vivencia a atenção ao adulto numa situação de PCR, analisamos quais os sentimentos e emoções são mais freqüentes ao lidar com essa situação. Por fim, procuramos identificar quais as reações desses profissionais em virtude dos agentes estressores a que são submetidos, durante o atendimento a vítimas de PCR em ambiente pré-hospitalar.
As questões norteadoras para o alcance dos demais objetivos deste estudo conduziram à análise das entrevistas, com a equipe multiprofissional do SAMU, que foram centradas nos temas seguintes: o trabalho no APH móvel, sentimentos e emoções na assistência ao adulto em PCR e, por fim, identificação dos agentes estressores no ambiente de trabalho e possíveis reações de estresse no atendimento pré-hospitalar de adultos, vítimas de PCR.
5.2 Análise das falas dos entrevistados
Após realização da leitura flutuante e análise categorial, os temas emergentes foram agrupados em 04 (quatro) categorias e 10 (dez) subcategorias, as quais foram analisadas e discutidas nesta mesma seqüência ora descrita, conforme demonstrado a seguir.
CATEGORIAS
A O trabalho no APH móvel avançado
B Os sentimentos e emoções da equipe multiprofissional de APH móvel
C Identificação dos agentes estressores no atendimento à PCR D Reações de estresse no atendimento à PCR
SUBCATEGORIAS
A1 Desafio / Satisfação pessoal e realização profissional A2 Capacitação permanente
B1 Angústia e ansiedade pelo desconhecido
B2 Envolvimento emocional
B3 Presença de populares / Família no local de atendimento à PCR B4 Conhecimento Técnico / Trabalho em equipe
C1 Situação de risco de morte / Emergência
C2 A morte como sentimento de frustração e tristeza C3 Temperatura ambiente / Esforço físico
D1 Alterações físicas e/ou psicológicas
CATEGORIA A: O TRABALHO NO APH MÓVEL AVANÇADO
De acordo com os relatos dos entrevistados, trabalhar no APH móvel avançado é um desafio que apresenta dificuldades e riscos, porém com a possibilidade de satisfação pessoal, pelo fato de gostarem desse tipo de atividade, ou seja, trabalhar com urgência e emergência. As falas também revelaram que para o trabalho no APH móvel avançado há a necessidade de capacitação permanente, objetivando a qualidade na assistência.
A análise dessa categoria permitiu-nos dividi-la em duas subcategorias que passamos a descrever a seguir:
SUBCATEGORIA A1: Desafio / Satisfação pessoal e realização profissional
- prá mim é um grande desafio ... e é a possibilidade de ser
útil numa hora em que as pessoas precisam muito de uma ajuda de alguém capaz (...) (EN15)
- prá mim é um grande desafio ... devido às diferentes
ocorrências ... diferentes tipos de atendimento e a própria característica do serviço (...) (EN10)
- uma opção (...) de serviço ... e um desafio de ... manter o
tônus e o aprendizado e o treinamento constante pro atendimento de urgência (...) (ME7)
- apesar dos riscos ... me sinto bem (...) gosto de trabalhar na
ambulância e me sinto a cada dia aprendendo mais (...) (CVU1)
Explicando melhor: “desafio”, segundo o Novo Dicionário Aurélio, é o nome que se dá ao 1. ato de desafiar; 2. provocação, porfia; 3. cantoria em duelo, mais violenta do que a cantoria comum. O ato de desafiar não é menos marcado por violência do que o desafio. Desafiar significa: 1. propor duelo ou combate a; 2. instigar, excitar, incitar, provocar; 3. fazer face a, afrontar, arrostar; 4. desinquietar, tentar; 5. chamar a desafio; 6. provocar-se ou instigar-se mutuamente (KIRSCHBAUM, 2002).
cada elemento da equipe de trabalho, no sentido de abordar o cuidado em APH móvel avançado, como uma atividade complexa e delicada, e que torna-se no mínimo, uma tarefa instigante, uma vez que envolve diversas situações de atendimento, as quais implicam agir com rapidez e eficiência.
O trabalho em urgência/emergência é ressaltado também como realização e prazer, pela variedade de atuações que permite ao profissional estar sempre em contato com atividades novas e com pessoas diferentes, como referidos nos depoimentos a seguir:
- primeiramente é uma ... realização profissional visto que eu
gosto desse serviço de urgência e emergência ... e além do que é uma ... atividade médica sem muita rotina ... com eventos que não se repetem... o que deixa o trabalho motivante ... estimulante por si só (...) ( ME3)
- é muito bom ... é muita satisfação pessoal ... acima de todas
as dificuldades... mas é um blende de emoção ... de tristeza ...de loucura ((risos)) ... acho que é um pouco de tudo ... mas é muita satisfação apesar de TODAS AS DIFICULDADES (...) (EN14)
- de um modo geral ... uma satisfação importante prá mim ...
sempre gostei de urgência na parte médica e me realizo completamente com esse tipo de serviço (...) (ME8)
- prá mim é uma satisfação muito grande em tá podendo
participar de uma equipe totalmente qualificada prá trabalhar para tal ... e eu fazer parte dela ... prá mim é uma satisfação muito grande a tipo de ... ajudar as pessoas e a tipo de aprendizado também (...) (CVU9)
Paralelamente ao desafio, os entrevistados percebem também uma satisfação pessoal e realização profissional nesse tipo de atividade.
Mendes e Morrone (2002) colocam que o trabalho, como fonte de prazer, pode ser uma das razões pelas quais ele ganha tanta importância na vida do indivíduo e faz com que a maioria dos trabalhadores não perca o desejo de continuar produzindo. Além disso, vê-se nessa atividade a oportunidade de realização e de identidade, colaborando para a alicerçar o indivíduo como sujeito psicológico e social.
Por outro lado, esses autores afirmam, também, que o trabalho pode ser simultaneamente, fonte de prazer e de sofrimento, implicando numa contradição que é guiada por um movimento de luta do trabalhador em busca constante de prazer, evitando-se o sofrimento, com a finalidade de manter seu equilíbrio psíquico, sendo essa a dinâmica responsável pela saúde psíquica.
Assim, o prazer profissional é buscado no cuidado relacional e na afirmação naquilo que ele tem de humano e de suave. Dessa maneira, o trabalhador, no próprio contexto de trabalho, abre espaços para as brincadeiras, para o riso e para o estético, apesar de toda a precariedade existente. Isso significa que no enfrentamento da morte de todos os dias há sempre um espaço maior para o movimento, para a criatividade e para a exaltação da vida (RAMOS, 1996).
SUBCATEGORIA A2: Capacitação permanente
- aqui a gente trabalha salvando vidas ... então eu acho que
me empenhei muito em aprender ::: procurar sempre tá pesquisando ... sempre tá perguntando ... sempre tá sabendo o que tá acontecendo durante os atendimentos ... eu acho que isso fez bem prá mim (...) (CVU13)
- é a obrigatoriedade de prestar uma assistência qualificada ...
estar capacitado ... ajudando as pessoas num momento de grande sofrimento em sua vida ... com alteração de toda a sua rotina diária (...) (EN12)
- é importante tá capacitado ... essa atividade exige
conhecimento técnico ... é importante entender a seqüência do atendimento (...) (ME4)
Nos serviços de urgência e emergência, a capacitação dos profissionais, seja por meio de cursos especializados ou pelo treinamento em serviço, mostra-se importante em virtude da necessidade de prestar assistência ao adulto em situações emergenciais, sendo este aspecto mencionado nas falas da equipe multiprofissional. A padronização no manejo da reanimação cardiopulmonar é o ponto fundamental na sobrevida de pacientes pós-parada cardiorrespiratória. Cursos que ensinam a padronização destes atendimentos, como os de suporte básico de vida (BLS) e os de suporte avançado de vida em cardiologia (ACLS), desenvolvidos
também pela Sociedade Americana de Cardiologia em conjunto com a Sociedade Brasileira de Cardiologia e o FUNCOR, já são amplamente difundidos no Brasil (CANESIN; GRION, 2001). Portanto, a necessidade de mudarmos alguns conceitos em nosso sistema de saúde pré-hospitalar é premente, colocando os profissionais da área de saúde e a sociedade de um modo geral em maior contato com a cadeia de sobrevida (por meio da realização de treinamento também para leigos) e disponibilizando maior número de equipamentos específicos para suporte ao atendimento desses pacientes. Somente assim, poderemos alcançar melhores taxas de sobrevida em pacientes pós-parada cardíaca.
Nos depoimentos, identifica-se também a idéia de que a oportunidade de novas aprendizagens e de sua comprovação na prática cotidiana, ou seja, o profissional oportuniza a demonstração na prática vivenciada do conteúdo aprendido de forma instantânea, sugerindo sobremaneira um prazer que compensa qualquer situação de risco ou sofrimento.
Em análise a essa subcategoria, é importante ressaltar que a vivência no processo de assistência ao adulto em situação de PCR, no APH móvel avançado, está articulada com a necessidade de uma educação permanente da equipe multiprofissional, de forma a garantir um cuidado emergencial qualificado.
Pazin Filho et al. (2003) relatam que o tempo é um fator extremamente importante, estimando-se que cada minuto do indivíduo em PCR, sem o devido atendimento, implica na perda de cerca de 10% de probabilidade de sobrevida. É imprescindível que todo profissional de saúde, em especial, os profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU-USA), tenha conhecimento atualizado e habilidades desenvolvidas para atuar diante da vítima em PCR, com as manobras básicas e avançadas que compõem o atendimento, evitando o caos e o
pânico, com vista a assegurar um atendimento com qualidade, melhor prognóstico e minimizando a ocorrência de iatrogenias durante a PCR. Por fim, é importante ressaltar o papel e a necessidade de cada elemento dessa equipe, ou seja, cada um dentro da sua categoria profissional compondo o atendimento à vítima no seu todo, cujo objetivo é oferecer um atendimento seguro e adequado.
CATEGORIA B: OS SENTIMENTOS E EMOÇÕES DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL FRENTE AO ATENDIMENTO À PCR, NA UNIDADE DE SUPORTE AVANÇADO DE VIDA DE APH MÓVEL
Para uma melhor compreensão, faz-se necessária a explicação de que há um local responsável no córtex cerebral, pela tomada de consciência das emoções que sentimos e, simultaneamente com a consciência dessas emoções, nosso organismo manifesta alterações orgânicas compatíveis. São respostas do sistema nervoso autônomo (SNA) ou vegetativo, por isso, chamadas de respostas autonômicas. Para a ocorrência dessas respostas autonômicas, sejam elas endócrinas, vegetativas (palpitação, sudorese, etc) ou motoras, há necessidade de um comando neurológico. Para tal, quem entra em ação são as porções subcorticais do sistema nervoso, tais como o hipotálamo e o tronco cerebral. Essas respostas são importantes, pois preparam o organismo para a ação necessária e comunicam nossos estados emocionais ao ambiente e às outras pessoas (POTTER; PERRY, 1998).
Os profissionais que trabalham no serviço de APH móvel avançado vivenciam os mais diversos sentimentos e emoções diante de diferentes tipos de atendimentos.
encontro entre o paciente crítico e a equipe de saúde, mas é aprofundada e expressada por meio dos sentimentos que afloram na situação de emergência (CONDORIMAY, 2003).
Sendo assim, no estudo desta categoria a mesma subdividiu-se em quatro subcategorias, demonstradas a seguir:
SUBCATEGORIA B1: Angústia e ansiedade pelo desconhecido
- é a parada cardiorrespiratória depende muito ... de qual é a
faixa etária mais ou menos (...) sendo um paciente de mais idade ou com uma doença crônica ... a reação da gente é mais tranqüila ou não ... uma parada numa criança ou adulto de forma inesperada ... por violência ... a reação é um pouco diferente com grau de ansiedade maior na identificação do motivo que levou à parada cardiorrespiratória ... não propriamente no atendimento que é a mesma coisa em linhas gerais (...) mas o inesperado da situação é que traz um certo grau de ansiedade prá gente (...) (ME3)
- é a gente assim ... hoje não ... mas antigamente a gente
sentia um friozinho na barriga ... a gente ficava nervoso ... ansioso ... até chegar no local (...) (CVU6)
- desafiar o desconhecido ... é ...talvez a possível sensação
passa a ser protocolado e não traz nenhum estresse na sua execução ... porém as adversidades dos locais ... residências ... ruas ... estradas ... é a causa de grande estresse ... grande angústia e ansiedade ... pois por muitas vezes as situações são muito inesperadas (...) (EN12)
- é um estresse ... porque você nunca sabe dos limites que vai
encontrar ... é uma adrenalina pura ... porque você sabe que é uma situação de maior risco pro paciente que você jamais pode falhar naquele momento ... porque a vida dele depende das suas ações (...) (EN15)
A ansiedade mantém-se fisiologicamente presente e carrega consigo o sentimento do medo, sua sombra inseparável. Fazem parte da natureza humana