2. Bemerkungen zum romantischen Literaturverständnis und seinen Zusammenhang mit dem
2.1. Ein kurzer historischer Überblick über die Entwicklung des Kosmopolitismus
Dentro de sua proposta de divulgação da Escola de Educação Física e dos conteúdos em voga na área, neste período histórico, as Jornadas vinham atingindo seus objetivos. Vários professores de reconhecida competência deram cursos; a Igreja, por meio da participação de freiras nos eventos, marcou presença, aprovando a ação; os jornais noticiaram os eventos; diversos alunos participaram ativamente das atividades. Com tantos pontos positivos sendo ressaltados nestes eventos, seria esperada a continuidade deste evento; contudo, a sua interrupção, em 1962, causa um certo estranhamento. O que teria causado a suspensão das Jornadas?
Além disto, o currículo do curso passou por novas mudanças, pelo menos em relação à dança. Apesar desta mudança ser relativamente simples, merece várias considerações, frente às fontes por mim consultadas. Somando-se a este fato, várias mudanças estruturais ocorridas na Escola de Educação Física de Minas Gerais, no ano de 1962, levam-me a fechar um primeiro momento, iniciando-se outro mais conturbado.
É importante, até aqui, ressaltar que não se pode reduzir a compreensão de uma instituição escolar ao seu programa de ensino. Se assim fosse, diríamos que os cursos da Escola de Educação Física de Minas Gerais, neste período, não ofereciam a prática da dança. Contudo, a dança esteve presente, expressando-se na disciplina Ginástica Rítmica, no Jornal “Educação Física”, nas Jornadas Internacionais, nas
vidas e nas atuações profissionais de Eva Tiomno, Maria Yedda, Vera Soares, Odette Meirelles e Guiomar Meirelles Becker; enfim, a dança saiu da zona de
sombra134 e saltou aos olhos, por meio de fontes encontradas, produzidas e aqui mobilizadas.
Na seqüência, um outro momento na história da Escola e, principalmente, na história da dança em seus tempos e espaços. A partir daqui, as histórias se entrelaçam num enredo mais complicado, impondo limites aos personagens, mas não os impedindo de construir suas práticas. Como a dança esteve presente neste cenário em mudança?
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3 A DANÇA EM MEIO AOS NÓS DA TRAMA
Após Klauss Vianna se mudar para a Bahia, parece que a dança em Belo Horizonte perdeu parte de seu vigor do período anterior. A única referência que se tem da dança na capital mineira é a continuidade dos trabalhos de Carlos Leite135. Um novo estímulo apareceu com a abertura da “Escola de Dança Moderna Marilene Martins”, em 1969. Este assunto será abordado no próximo capítulo.
O período de grandes investimentos na Escola de Educação Física, relatado no capítulo anterior, parecia estar numa caminhada ascendente. Na primeira página da 4ª edição do informativo “Educação Física”, temos o artigo: “Integral Apoio do
Governo às Obras da Nova Sede da Escola de Educação Física”. Neste artigo,
afirma-se que o Governo do Estado tinha a intenção de construir a nova sede da Escola próxima ao Parque da Gameleira. Em outro artigo desta edição do Jornal, comenta-se sobre uma mensagem que o Governador enviou à Assembléia Legislativa, com referência à Escola de Educação Física de Minas Gerais, na qual são dadas informações sobre a situação da instituição no ano de 1959.
Por força de convênio firmado entre o Comando Geral da Polícia Militar e a Diretoria desse estabelecimento, funciona a Escola de Educação Física, em caráter provisório, no Departamento de Instrução.136Mantida por subvenção estadual, oriunda da Loteria do Estado, a Escola assegurou o funcionamento dos diversos cursos que mantém, apresentando a matrícula total o expressivo número de 112 alunos, distribuídos da seguinte maneira: 49 na 1ª, 34 na 2ª e 9 na 3ªsérie do Curso Superior de Educação Física; 14 no Curso de Educação Física Infantil e 2 no Curso de Medicina Especializada.
135 Não encontrei outras pesquisas que pudessem elucidar novas produções na área da dança em
Belo Horizonte, exceto a pesquisa de Arnaldo Alvarenga.
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Departamento de Instrução da Polícia Militar, localizado no bairro da Gameleira, em Belo Horizonte.
Além do apoio ao Jornal “Educação Física” e às Jornadas Internacionais137, o Governo concedeu bolsas de estudos aos alunos de cidades do interior de Minas, assim como incentivou a abertura da “Casa da Universitária”:
Bolsas de Estudo – Aos alunos do interior do Estado concedeu o Govêrno bolsas de estudos, cumprindo-nos assinalar que, adotada a medida, diversas professoras dos estabelecimentos de ensino oficiais puderam freqüentar os Cursos de Educação Física.138
Durante os anos de 1960 e 1961, contando, ainda, a Escola de Educação Física de Minas Gerais com recursos financeiros, criou ela a “Casa da Universitária”, com o objetivo de dar às alunas bôlsistas acomodações e proteção adequadas, casa essa que estêve sob a supervisão direta da Direção da escola e que trouxe reais benefícios às suas pensionistas.139
No início da década de 60, a Escola continuava sendo objeto de crítica de cidadãos contrários à instituição. No jornal “O Diário” de 11 de abril de 1961, o jornalista Malagueta, em sua seção “Grão de Pimenta”, utilizou um fato favorável à Escola para provocar aqueles a quem chamou de “adversários embuçados, mas renitentes e obstinados”140. Relatou sobre o caso de dois alunos formados na Escola de Educação Física de Minas Gerais e que foram classificados em primeiro e segundo lugares em um concurso de seleção para professores do Centro Educacional de Brasília.
O êxito desses dois ex-alunos em Brasília vem a calhar, porque coincide com nova onda contra a Escola, uma insidiosa e subterrânea articulação de intrigas visando à sua desmoralização e à dos seus responsáveis para, com isso, empolgá-la e afeiçoá-la às ambições de um pequeno grupo de oportunistas.
Este “grupo de oportunistas” seria formado por professores que haviam sido excluídos da Escola no período da sua fusão, em 1953. De acordo com o autor, a
137
Vale ressaltar que a V Jornada Internacional de Educação Física ocorreu em julho de 1962.
138 Jornal Educação Física, órgão oficial da Escola de Educação Física de Minas Gerais. Ano III, n.4,
outubro de 1959, p.7.
139
Of. 138/64 – Arquivo EEFFTO/UFMG.
140
partir deste fato, este grupo viria insistentemente promovendo ações no sentido de desmoralizar a instituição e seus professores.
Contra ela investe sempre que encontra “ensancha oportunosa” um grupo de pessoas bastante conhecidas nos círculos ligados à Escola, nos quais não puderam introduzir-se por razões de vária ordem. Não nos devemos esquecer de que a Escola de Educação Física de Minas Gerais resultou de convênio entre uma instituição católica que funcionava sob a égide do arcebispado e uma escola congênere oficial. Mas prevaleceram no acordo os rigores morais e a ortodoxia na seleção dos mestres que a escola católica adotava. Por isso nem todos os candidatos a cadeiras ou cargos na Escola de Educação Física puderam ter acesso ali e também por isso postaram-se a rosnar do lado de fora, de quando em vez investindo contra ela.
Para reforçar ainda mais uma boa imagem da Escola, o autor chega a afirmar que a mesma era considerada por técnicos, professores, educadores, ex-alunos, desportistas e estudiosos do assunto, um local de excelente categoria, podendo ser colocada em diversos aspectos como “acima da própria Escola Nacional de Educação Física que é tida como padrão”.141
No final do artigo, ratifica-se o descrédito às ações dos opositores, por ser a Escola assistida espiritualmente pelo Arcebispado e materialmente pelo Governo, além do seu prestígio e do alto padrão moral e intelectual dos seus mestres. Interessante ressaltar que depois das breves palavras sobre os ex-alunos vitoriosos no concurso em Brasília (motivo inicial da escrita do artigo) os mesmos não foram sequer relembrados no resto do texto, ficando à sombra da defesa feita à instituição.
Em 4 de junho de 1961, no “Jornal Estado de Minas”, é veiculada a notícia sobre a liberação de verbas para 50 bolsas de estudo que seriam ofertadas a alunos de várias cidades do interior de Minas Gerais, para que os mesmos pudessem fazer o curso em Belo Horizonte:
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Com a aprovação do orçamento da Escola de Educação Física de Minas Gerais, que contem uma verba destinada a Bolsas de Estudo, o governador Magalhães Pinto possibilitou a 50 candidatos do interior do Estado a efetuarem matrículas na Escola de Educação Física de Minas Gerais.
Esses alunos, uma vez formados, deverão voltar para suas cidades de origem, aonde permanecerão pelo prazo mínimo de dois anos, a fim de proporcionarem á sua comunidade oportunidade de se beneficiar dos conhecimentos profissionais que o governo do Estado lhes possibilitou adquirir, tudo de acordo com a cláusula quarta do contrato de trabalho celebrado entre o aluno bolsista e a Escola. O não cumprimento desse dispositivo implicará em indenização á Escola da importância equivalente ao valor da bolsa recebida.142
A princípio, a concessão das bolsas feita pelo Governo do Estado mostraria uma continuidade do apoio político que a Escola vinha recebendo desde o mandato de Bias Fortes. Já como novo governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto143, ao enviar verbas destinadas às bolsas dos 50 novos alunos do curso de Educação Física, estaria injetando recursos para a continuidade dos “bons trabalhos” da instituição. Todavia, este contexto mudou radicalmente.
Paralelo a este panorama que traçarei, a dança ganha novos contornos nesta versão apresentada. A partir de uma mudança curricular, algumas novas questões envolveram as práticas de dança. Além disto, novas fontes trouxeram informações que enriqueceram nosso entendimento do cotidiano vivido pelos nossos personagens. O cotejamento das fontes com a produção bibliográfica produzida sobre meu objeto de pesquisa trouxe novas revelações que lançaram luzes sobre a trama complicada que envolveu a Escola de Educação Física de Minas Gerais durante sete anos, ajudando-me a construir o panorama no qual a dança marcou presença.