2. Teoretisk perspektiv
2.2 Kunnskapsledelse
2.2.2 Kunnskapsutvikling
Seguindo a mesma metodologia utilizada no primeiro capítulo, passaremos agora ao exame das principais ideias da sociologia fundada no marxismo, tendo em vista ser a teoria sociológica preponderante no Estado social.
Os filósofos do Estado social voltam seus esforços para o estudo do pensamento filosófico levando em conta o seu condicionamento histórico e social. Assim, mostram uma nítida superação das ideias iluministas e positivistas que defendiam a neutralidade e a objetividade do direito.
É de grande valia entender a linha de pensamento desses principais teóricos, pois significa compreender a transformação filosófico-sociológica quando da passagem do Estado liberal para o Estado social. Os teóricos do marxismo conferem ampla importância ao proletariado e à luta de classes e buscam a superação da sociologia do conhecimento típica do Estado liberal.
Os teóricos do marxismo defendem a subversão do sistema capitalista. Não obstante não tenham alcançado seu objetivo, suas ideias deram importante contribuição à sociologia, em virtude da relevância atribuída à classe operária.
Curioso notar que até mesmo no contexto do nascente Estado social a sociologia do conhecimento ainda tem a postura de uma ciência da sociedade objetiva e sem vínculos sociais. Somente em momento posterior que ela vai assumir como é importante para a ciência social conhecer o ponto de vista do proletariado.
Na realização da Segunda Internacional93, tanto o marxismo quanto o positivismo eram ideologias presentes. De fato, a ideologia positivista acabou por penetrar na doutrina do movimento operário socialista à época da Segunda Internacional. Nesta organização, chegou- se a constatar a existência de concepções acerca do marxismo com uma teoria puramente científica, livre de ideologias.
Nesse período de comunhão de ideias adversas, a corrente da esquerda revolucionária de Rosa Luxemburgo escaparia da influência positivista. Ela não acreditava na pretensão positivista de colocar a ciência acima das classes, afinal a sociedade é composta de classes, interesses e aspirações. Para Rosa, um liberalismo e moral abstratos são pura ilusão e o conhecimento é mais visível pelo ponto de vista do proletariado, enquanto classe revolucionária que é94.
Nesse período, Bernstein ocupa um lugar de destaque porque não procura reduzir o marxismo a uma ciência natural da sociedade. Ao contrário, reconhece a oposição entre o marxismo e o positivismo. Para Bernstein, não é possível conhecimento científico puro na concepção do socialismo, pois este é a expressão de uma luta de classes. E o conflito de interesses não pode protagonizar conhecimento científico neutro.
Já o marxismo historicista tem em Lukács, Korsch, Gramsci, Goldmann seus principais precursores. “O termo marxismo historicista designa uma corrente metodológica no
93 A Internacional socialista é uma organização global de partidos sociais democratas, socialistas e trabalhistas. Atualmente congrega em torno de 162 partidos e organizações de todo o mundo. Foi fundada em 1889, pela facção marxista após a cisão da Associação Internacional dos trabalhadores, sendo por isso também chamada de Segunda Internacional. Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/Internacional_socialista>. Acesso em: 12 nov. 2008.
94 LOWY, Michael. As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen: marxismo e positivismo na
seio do pensamento marxista que se distingue pela importância central atribuída à historicidade dos fatos sociais”95.
Lukács foi um dos principais representantes dessa corrente. Ele entendia que os limites do conhecimento decorrem da situação objetiva de classes. Apenas as classes que participam do processo de produção (a burguesia e o proletariado) seriam capazes de compreender o movimento da vida social. Sua visão é a de que o conhecimento está diretamente ligado à postura de classe. E o ponto de vista do proletariado é o mais objetivo e cientificamente elevado, pois essa classe é o sujeito e objeto do conhecimento.
Tais autores consideram o método marxista bom por ter o ponto de vista do proletariado como base. O ponto de vista dessa classe não é a consciência empírica de seus membros, e sim o sentido tornado consciente da situação histórica da classe.
Após a Primeira Grande Guerra surge Lucien Goldmann para quem a base para a formação de uma nova sociologia do conhecimento era encontrar um fato social que se relacionasse com os interesses de cada grupo social. E nas ciências humanas Goldmann prega o proletariado como classe universal.
Barroso explica o materialismo histórico que Marx articula ao desenvolver o conceito essencial à sua teoria:
O materialismo histórico assentou que as crenças religiosas, filosóficas, políticas e morais dependiam da posição social do indivíduo, das relações de produção e de trabalho, na forma como estas se constituem em cada fase da história econômica96.
Por fim, o marxismo racionalista da Escola de Frankfurt, com sua Teoria Crítica é particularmente radical na recusa da doutrina positivista de uma ciência social "sem
95 LOWY, Michael. As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen: marxismo e positivismo na
sociologia do conhecimento. 8.ed. São Paulo: Cortez, 2003, p. 127.
96 BARROSO, Luis Roberto. Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática
pressuposições", "livre de julgamentos de valor" ou "axiologicamente neutra", que pretendesse se limitar à coleta e classificação de fatos puramente empíricos, como se a seleção dos fatos e sua reconstrução teórica não implicasse necessariamente certas pressuposições a certa orientação97.
A Teoria Crítica da Escola de Frankfurt abarca um movimento de franca e aberta crítica à ciência jurídica tradicional, no que se refere à sua busca por neutralidade, objetividade, cientificidade, etc. Pelo contrário, fundava-se na nova premissa de que o direito não está dissociado da atuação dos sujeitos sociais, sejam eles legislador, juiz, juristas.
A teoria crítica, portanto, enfatiza o caráter ideológico do direito, equiparando-o à política, a um discurso de legitimação do poder. O direito surge, em todas as sociedades organizadas, como a institucionalização dos interesses dominantes, o acessório normativo da hegemonia de classe98.
Seus principais autores foram Horkheimer e Marcuse no curso dos anos 1930 e Adorno, após a Segunda Guerra.
Marcuse entende que a base crítica da Teoria Crítica não é o proletariado, mas sim a essência humana que foi negada e oprimida pelo capitalismo. Assim, essa teoria não estaria vinculada a uma classe social específica, mas a todas as classes que comungassem dos mesmos valores99.
Outro traço fundamental da apropriação de Marx por Marcuse refere-se à perspectiva de transformação social para a realização histórica da emancipação do homem como diretriz do trabalho do pensamento. Tomando distância da perspectiva positivista que afirma a neutralidade de uma teoria social “científica” que se limita a descrever aquilo que é e a investigar as relações de causalidade que lhe são subjacentes, a perspectiva marxiana parte
97 LOWY, Michael. As aventuras de Karl Marx contra o Barão de Münchhausen: marxismo e positivismo na
sociologia do conhecimento. 8.ed. São Paulo: Cortez, 2003, p.145.
98 BARROSO, Luis Roberto. Interpretação e aplicação da Constituição: fundamentos de uma dogmática
constitucional transformadora. 6.ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 315. 99 LOWY, op.cit., p.153-166.
explicitamente de uma orientação de valor, qual seja, o da emancipação do ser humano e da realização histórica da liberdade100.
Horkheimer percebia a vocação da classe proletária para o conhecimento da verdade. Porém, acreditava que essa vocação poderia ser dificultada pelas condições históricas. Considerava que o proletariado não constituía uma tomada de consciência correta, na medida em que houvesse confronto entre os interesses pessoais e os da classe. Isso geraria obstáculos para o avanço de uma autêntica consciência de classe101.
Já Adorno não concorda com Marcuse e Horkheimer. Adorno não se preocupou com a consciência revolucionária do proletariado e centrou seus estudos na ordem ética e racional como fundamentos da verdadeira consciência.
A principal contribuição a se retirar da pesquisa acerca dos teóricos do marxismo consiste na necessidade de reflexão sobre a relação entre o conhecimento e os pontos de vista de diversas classes. A tendência explicitada em quase todos os autores citados, que abordaram o Estado social, foi de considerar o ponto de vista do proletariado como o mais adequado para a compreensão da sociedade.
Dessa forma, fica claro que o trabalho humano e a união do proletariado têm grande valia nesse período histórico, do Estado social, quando há o rompimento com o positivismo e a valorização da dignidade humana, da solidariedade e da igualdade substancial.