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Os tempos de amadorismo também podem ser compreendidos como um período em que a iniciação esportiva ocorria de forma desinteressada, permitindo com que o aspirante a atleta explorasse diversas modalidades, mesmo quando tivesse que se especializar em alguma. Amaury Antônio Pasos iniciava carreira promissora no voleibol, chegando a ser campeão brasileiro da modalidade e convocado para a seleção brasileira, pela qual disputaria os Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964. Mas teve que recusar a convocação, pois também defendia a seleção de basquetebol, com a qual disputou a mesma edição olímpica e conquistou medalha de bronze.

Fonte: CBB

Nascido em São Paulo no dia 11 de setembro de 1935, Amaury passou boa parte da infância e adolescência na Argentina, onde completou sua escolarização e começou a dar os primeiros arremessos. Teve uma iniciação esportiva generalista, praticando diversas modalidades na Associação Cristã de Moços (ACM), embora seu interesse fora maior pela bola laranja.

Ainda aos quinze anos, ingressou em uma equipe adulta de basquetebol da sua cidade, mas pouco jogou, pois não conseguiu impressionar. Por volta dos dezessete anos, retornou ao Brasil com a família e deu continuidade à prática esportiva no Clube de Regatas Tietê. A boa estatura o levou à prática do voleibol e a fazer parte da equipe principal do clube. Mas suas aptidões também chamaram a atenção de Oscar Guaranha, técnico de basquetebol que o integrou à equipe juvenil da modalidade. Entusiasmado com o potencial de Amaury, Guaranha dispôs-se a ensinar-lhe os fundamentos do jogo, até que a acelerada evolução do jovem chegou ao conhecimento do técnico Mario Amâncio Duarte, que não só quis leva-lo para a equipe principal do Clube Tietê, como apresentá-lo ao técnico Renan Togo Soares, o Kanela, que em 1954 selecionava os doze jogadores que iriam disputar o Campeonato Mundial do Rio de Janeiro naquele ano. Segundo Duarte, Amaury não passaria da primeira fase de testes, mas para a sua surpresa, o atleta conseguiu não só ficar entre os doze, como ser o titular, um dos maiores pontuadores e sagrar-se vice-campeão do torneio.

Amaury conta que juntamente com alguns atletas de sua geração introduziu um estilo de jogo semelhante ao que os norte-americanos já faziam, baseado em contra-ataques rápidos e arremessos por cima da cabeça, os jump shots. Isso teria contribuído para que o basquete brasileiro desse um importante salto evolutivo rumo à conquista dos títulos e da condição de potencia mundial, diz o pós-atleta.

Peça importante nos planos de Kanela, Amaury passou a marcar presença nas convocações seguintes, e em 1956 participou de seu primeiro desafio olímpico, os Jogos de Melbourne. Na ocasião, machucou o tornozelo e desfalcou a equipe nas últimas quatro partidas, terminando a competição na sexta colocação. O infortúnio seria compensado três anos depois com a conquista do Campeonato Mundial no Chile e da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Roma um ano mais tarde.

Amaury recorda que embora a seleção brasileira fizesse parte da elite do basquete mundial naquele momento, ela era extremamente carente de estrutura material e conhecimento técnico. Os únicos recursos que sua geração tinha a disposição eram vontade e criatividade. Ao lado de Wlamir, Rosa Branca e Sucar, Amaury compunha a base da seleção que em 1963 entraria para a história do esporte brasileiro, sagrando-se bicampeã mundial, não deixando dúvidas de que acima das questões estruturais havia um grupo de jogadores dotados de notável talento e das qualidades que mensionou.

Vieram os Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964, mas a final do torneio acabaria ficando entre os soviéticos e os norte-americanos, e o Brasil novamente com a medalha de bronze. A maioria dos atletas que compunha a seleção norte-americana na década de 1960 estariam entre os melhores jogadores da NBA poucos anos depois. Semelhantemente, os soviéticos traziam seus melhores e mais bem treinados soldados/atletas, os quais se destacavam principalmente pela estatura, força física e pela vontade de representarem os interesses da ideologia socialista.

Amaury ressaltou que em sua época não havia o profissionalismo que é praticado hoje, o que o obrigava a desempenhar atividades profissionais paralelamente à prática esportiva. Ainda que recebesse alguma gratificação por ser atleta, esta não era suficiente a sua subsistência. Transferido para o Sírio, passou a trabalhar como treinador de categorias de base no Clube, mesma função que desempenhou no Tênis Clube Paulista. Era formado em

Fonte: GEO-USP

Educação Física quando passou a lecionar em colégios tradicionais de São Paulo como o Arquidiocesano, São Luis e São Miguel, além de Escolas Municipais. Embora sua dedicação à carreira como atleta de clube não fosse diária, conciliar compromissos profissionais com a prática esportiva nunca fora uma tarefa simples. Sempre que convocado para a seleção, Amaury tinha que deixar o trabalho em segundo plano, pois os períodos de preparação e competição podiam levar meses inteiros, implicando em problemas com as instituições de ensino.

A condição de atleta de seleção brasileira à época trazia consigo uma conotação patriótica e voluntariosa em que representar o país era, em si, uma espécie de gratificação para o atleta. Amaury recorda que sustentou o quanto pode essa condição, até que a necessidade de sustento da família fez com que repensasse suas prioridades e passasse a elaborar o encerramento da carreira atlética. Essa decisão já havia sido tomada no início dos anos 1970 quando foi convidado pelo então presidente do Corinthians, Wadi Helou, a jogar pelo clube paulista. A intensão do presidente era reunir grandes nomes do basquetebol brasileiro em sua equipe, trazendo prestígio e visibilidade à modalidade dentro do clube. Em 1973 Amaury encerrou definitivamente a carreira atlética, deixando também de lecionar logo em seguida para cuidar dos negócios da família. Voltou às quadras em 1982 para dirigir a equipe do Monte Líbano e entre os anos 1990, juntamente com alguns colegas de seleção, engajou-se em um projeto de preparação de jovens jogadores de basquetebol chamado Grupo de Iniciação ao Basquetebol Infantil (Gibi). A saudade do jogo ainda o levaria a participar dos torneios masters, onde pôde reativar a adrenalina competitiva e a conquistar títulos na mesma categoria.

O maior reconhecimento por seu trabalho no esporte veio em 2013 com a indicação para a classe do Naismith Memorial Basketball, o hall da fama do basquetebol internacional. Hoje em dia, Amaury desfruta do papel de avô e, habituado à rotina esportiva, ainda participa de competições de golfe e compartilha sua experiência no projeto Gibi.