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Kunnskapsbasert forvaltning

In document Interessekonflikter i forskning (sider 133-139)

É sabido que, nas atividades cotidianas do ensino de ciências, o livro didático (LD) participa de modo bastante significativo do processo de aprendizagem nas escolas. Saber como tais instrumentos abordam o componente ambiental educativo ou como sugerem atividades sobre o tema se faz importante na busca de um melhor entendimento de como se dá a inserção desse processo no ensino de ciências.

Sendo considerado instrumento fundamental na prática pedagógica, o LD é visto como suporte aos conhecimentos e aos métodos de ensino de diversas disciplinas e matérias escolares sendo, sobretudo, considerado veículo de valores ideológicos e culturais (BITTENCOURT, 2004). Dessa forma, os educadores reconhecem que ele exerce uma função mediadora na construção do conhecimento durante o processo de ensino-aprendizagem nas escolas brasileiras. Na opinião de

Concordam plenamente 17% Concordam 39% Nem concordam nem discordam 33% Discordam 11%

Fernandes (2005), tal fator é relevante, sobretudo, na rede pública de ensino, carente de outros materiais didáticos, fazendo com que os professores acabem por apoiar suas atividades pedagógicas quase que exclusivamente neles.

Na opinião de Freitas e Rodrigues (2007), os livros didáticos são os instrumentos mais utilizados ou, por muitas vezes, os únicos utilizados em sala de aula no Ensino Fundamental, apresentando importante função na mediação da construção do conhecimento. Reconhecendo que os LD se constituem como elementos de interferência na incorporação da EA nas aulas de ciências, parti do pressuposto de que a análise de como esse material de apoio, proposto pelo Ciência em Foco, buscou incluir a EA no contexto do ensino de ciências deve ser relevante para o conhecimento de como a EA acontece nas escolas do DF.

Sabe-se que, no Brasil, desde a década de 1930, vêm sendo desenvolvidas formas embrionais do importante Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), como processo em direção à avaliação criteriosa do livro didático adotado nas escolas públicas brasileiras. No entanto, apenas a partir de 1996 suas atividades foram efetivamente sistematizadas e regularizadas. O PNLD analisa e avalia pedagogicamente o material didático que é adquirido pelo Ministério da Educação e distribuído às escolas públicas.

A análise dos livros didáticos adotados nas escolas tomou por base critérios como adequação à série, clareza do texto, qualidade dos elementos pictóricos, atualização e relevância das informações. Conforme ressaltado por Vasconcelos e Souto (2003), o processo de produção, escolha e avaliação do livro didático envolve “uma complexidade de agentes, um gigantesco mercado de consumo e, principalmente, um objetivo de incalculável valor social: a melhoria da qualidade de ensino” (p. 100), o que faz Corrêa (2000) considerar que, provavelmente, nenhum material escolar sofreu tanto com as influências das leis de mercado na busca de seguir os princípios e economia da sociedade que atravessou tendo sempre por objetivo atingir um público certo.

Em uma função maior, Núñez et ali (2003) afirmam que o livro didático vem sendo considerado como o principal controlador do currículo, orientando, em sua composição, o conteúdo e sua sequência e as atividades de aprendizagem, bem como o processo de avaliação para o ensino de ciências, reforçando-se assim, a ideia de representação da comunidade científica no contexto escolar. Entretanto, Megid Neto e Fracalanza (2003) consideram que, da forma como é idealizado, “o LD

não corresponde a uma versão fiel das diretrizes e programas curriculares oficiais, nem tampouco uma versão fiel do conhecimento científico” (p. 154). O livro didático do Ciência em Foco, por se tratar de um material ainda não submetido a análise do PNLD, não se apresenta qualificado nesses parâmetros. O mesmo pode ser dito em relação aos conteúdos ambientais educativos contidos nos LD, pois neles é encontrada uma diversidade de tendências representantes dessa ou daquela vertente de EA ou, na maioria das vezes, um agrupamento de representações de várias vertentes que, por vezes, são contraditórias.

Para Núñez et ali (2003), o LD deveria dialogar com outros tipos de saberes, como uma obra aberta, problematizadora da realidade, que dialoga com a razão para o pensamento criativo. Mas como proceder desta maneira no caso de um saber ambiental amplamente contextualizado em um livro didático genérico e estrangeiro à região em que foi adotado?

Megid Neto e Fracalanza (2006) classificaram três maneiras pelas quais os professores fazem uso do livro didático em suas atividades pedagógicas. Um primeiro grupo reúne os professores que utilizam simultaneamente várias coleções didáticas para planejamento anual de suas aulas. Um segundo grupo utiliza o LD como apoio às atividades de ensino-aprendizagem (leitura de textos, realização de exercícios, fonte de imagens, entre outros) e um terceiro grupo o utiliza como fonte bibliográfica própria ou para aprendizagem dos alunos.

As unidades didáticas propostas pelo programa Ciência em Foco devem ser utilizadas durante o processo de aprendizagem como estimuladoras do processo de construção de conhecimento durante as investigações e execuções de experimentos em sala de aula, constituindo-se, dessa forma, num instrumento de extrema relevância para o aprendizado proposto. O conteúdo de seu LD buscou, sob a forma de manual ou roteiro, dotar o aluno de autonomia em seu aprendizado. Percorre, para tal, em sua proposição, os caminhos do método de uma ciência indutivista: observação de fenômenos, levantamento de hipóteses, teste das variáveis e construção e socialização do conhecimento.

Assim, a política pública, no decorrer de sua implantação, buscou, com esse instrumento:

[...] dotar ainda mais esse cidadão de um conhecimento que lhe dê autonomia para compreender e posicionar-se diante das principais questões que afetam a humanidade e a comunidade local Fazem parte dessa discussão as questões ambientais, o uso de novos medicamentos e

combustíveis ou ainda a clonagem e o consumo de alimentos transgênicos, por exemplo. (INSTITUTO SANGARI DO BRASIL, 1997, p. 10).

As unidades constituintes dos temas de ensino foram estruturadas em módulos, e cada um desses foi composto por 16 aulas idealizadas para serem desenvolvidas em duas horas-aulas cada uma.

Apesar de a proposta do programa ter sido concebida para o desenvolvimento em quatro unidades por série, a Secretaria de Educação do Distrito Federal, no intuito de adequar os conteúdos do CF à sua proposta curricular, adotou apenas as três unidades temáticas descritas a seguir:

Quadro 6 - Unidades temáticas dos livros do programa Ciência em Foco do Distrito Federal, 2008

Ano/série Unidade 1 Unidade 2 Unidade 3

6º/5ª Universo Ecossistemas Terra, Sol e Lua

7º/6ª Mundo microscópico Diversidade das plantas Diversidade dos animais 8º/7ª Composição dos alimentos

Nutrição e locomoção nos organismos humanos

Regulação e reprodução no organismo humano 9º/8ª Materiais e suas

propriedades Mecânica Luz e ondas

Fonte: Livro do Professor. São Paulo: Sangari do Brasil, 2007.

Cada unidade foi constituída seguindo uma estrutura de aporte ao docente, como pode ser vista no quadro a seguir:

Quadro 7 – Estrutura de aporte às atividades docentes proposta pelo Ciência em Foco

Apresentação Geral da Unidade

Por que estudar o

tema

Oferece justificativa em relação à importância social do tema, na vida das crianças e em relação a aprendizagens importantes no campo das ciências.

Objetivos da unidade

Explicita as expectativas de aprendizagem dos alunos, o que possibilita ao professor maior clareza em suas intervenções no desenvolvimento de cada atividade. Os objetivos podem ser adaptados segundo o histórico de cada classe, seu percurso anterior e suas especificidades. O importante é que o professor oriente o desenvolvimento das atividades de forma coerente com as decisões tomadas.

Visão geral da unidade

Apresenta as aulas e a lógica didática utilizada para definir a sequência de atividades, por que estão assim propostas e de que forma podem garantir que atinjam os objetivos. Nesse item, o professor pode saber de antemão a natureza das atividades propostas e como se articulam.

Projeto CTC Sugestão de uma sequência ampla de atividades a serem pensadas e criadas no

Articulação com outras

áreas

Sugere uma série de atividades que potencializam a integração com outras áreas do conhecimento, além de explicitar a articulação presente nas atividades das unidades com as áreas de Língua Portuguesa e Matemática. As possibilidades de articulação são muitas e devem ser definidas considerando-se o projeto pedagógico e curricular de cada escola.

Materiais

Apresenta todos os materiais utilizados ao longo da unidade e inclui orientações para sua aplicação e manipulação corretas segundo critérios exigentes de segurança e de consciência ambiental. [Grifo nosso]

Centro de distribuição

Oferece recomendações gerais sobre a disposição e a organização dos materiais no decorrer da unidade, para possibilitar seu uso de forma adequada pelos alunos.

Avaliação

Após a última aula, o professor tem à sua disposição uma sequência de atividades planejadas com a intenção de realizar uma avaliação final das aprendizagens dos alunos. Esta proposta de avaliação deve se somar à avaliação processual realizada no decorrer das unidades.

Fonte: Instituto Sangari do Brasil, Cadernos de formação, 2008.

Os LDs (do professor e do aluno) propostos pelo programa Ciência em Foco apresentam-se organizados em temas que se baseiam em questões ou pequenos textos iniciais para cada aula. O livro do professor consta de uma série de pré-textos elaborados na intenção de subsidiar o trabalho docente em sala de aula. Na região central das páginas do livro didático do professor, em menor escala, encontra-se a réplica do exemplar do aluno, mantendo, inclusive, a diagramação das páginas para que o professor possa localizar exatamente o assunto no livro do aluno. Assim, o exemplar do professor possibilita que ele tenha acesso ao livro didático do estudante. Tais informações podem ser observadas nas figuras 11 e 12 a seguir:

Figura 11 – Aspecto da organização do livro didático, exemplar do professor.9

Figura 12 – Livro do Aluno10

9

Observar, na região central em coloração rósea, o livro do aluno. Em torno dessa área, as recomendações feitas aos professores sobre o conteúdo da aula, objetivos, materiais, entre outras. Foto de Roni Ivan Oliveira, 2008.

10

Observar: na região central proposição da atividade de investigação. Na região periférica as explicações das atividades ao professor. Foto de Roni Ivan Oliveira, 2008.

O livro do aluno encontra-se organizado da seguinte maneira:

1) Tema: A aula se inicia quando o aluno é geralmente solicitado a observar

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