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5.3 Styringspakken til nye Asker

5.3.5 Kulturelle systemer

A derivatização da celulose pode ser conduzida através de reações

heterogêneas, isto é, sem a solubilização da celulose, ou reações

homogêneas, a partir do biopolímero dissolvido em algum solvente. Ambos os

tipos de reações apresentam vantagens e têm limitações, em relação às

propriedades dos produtos, custo de produção, impacto ambiental, entre

outros. Estes temas serão abordados a seguir.

A derivatização de celulose em escala industrial é realizada sob

condições heterogêneas de reação, ou seja, não ocorre inicialmente a

dissolução da fibra. Por exemplo, a acetilação de celulose é realizada a partir

de uma mistura de anidrido acético, como reagente acetilante e ácido sulfúrico,

como catalisador. Em meio heterogêneo, a reação é governada principalmente

por fatores estruturais que controlam a acessibilidade da celulose, como Ic, GP,

área superficial e porosidade. Isto é, a derivatização é controlada pela

celulose, a reação em condições heterogêneas é iniciada nas regiões amorfas,

mais acessíveis, prosseguindo, gradativamente, nas regiões cristalinas, mais

ordenadas e menos reativas. A Figura 1.12 ilustra as regiões acessíveis e mais

reativas nas cadeias da celulose submetidas à reação em condições

heterogêneas.

Figura 1.12. Grupos hidroxilas acessíveis em reações em condições

heterogêneas: superfície (Dawsey, 1994).

O processo heterogêneo é bastante conhecido e aplicado

industrialmente, além de ser considerado simples ao se comparar com o

processo homogêneo, porém alguns problemas são enfrentados devido à baixa

reatividade das regiões cristalinas.

Problemas operacionais (Toyoshima, 1993):

1) O consumo energético do processo é relativamente alto, como por

exemplo, na etapa de acetilação; para separar o excesso de anidrido acético e

do acido acético produzido ao decorrer da reação, além da necessidade de

neutralizar o ácido sulfúrico usado como catalisador. Esta reação é

extremamente exotérmica e, portanto, o consumo de energia para controlar a

Problemas com relação às propriedades dos produtos (Callais, 1986):

1) Degradação da cadeia polimérica, devido à hidrólise ácida,

gerando produtos de baixo GP e alta polidispersividade;

2) Dificuldade do controle de reação, que dificulta a obtenção direta

de produtos com GS baixo. Ou seja, monoacetatos ou diacetatos são

produzidos a partir da hidrólise parcial de triacetatos (Bogan e Brewer,

1985);

3) Substituição irregular ao longo da cadeia, com regiões amorfas

mais substituídas do que as regiões cristalinas, devido à acessibilidade

das primeiras e ao caráter heterogêneo da reação, resultando em

produtos de baixa solubilidade, alto índice de agregação e propriedades

mecânicas irregulares (Edgar et al., 1998).

Uma alternativa para minimizar, ou suprir os problemas acima

mencionados é a derivatização da celulose em condições homogêneas de

reação, isto é, a celulose é inicialmente solubilizada para posterior

derivatização. No meio homogêneo, sob condições adequadas, os grupos

hidroxilas encontram-se igualmente acessíveis, conforme ilustrado na Figura

1.13, pois a solubilização inicial causa a quebra das ligações intermoleculares.

Figura 1.13. Grupos hidroxilas acessíveis em reações em condições

A derivatização sob condições homogêneas de reação dá origem a

varias vantagens, entre as quais (Dawsey, 1994; Diamantoglou e Kundinger,

1995;Philipp, 1993; El Seoud e Heinze, 2005):

1) Baixa degradação da cadeia polimérica;

2) Baixo consumo de reagentes, pois as reações são, em muitos

casos estequiométricas, ou necessitam excesso razoável, entre 50 a

200% de anidrido, por exemplo;

3) Controle do grau de substituição, podendo sintetizar diretamente acetatos de qualquer GS, além de empregar condições reacionais

brandas para a obtenção de derivados com altos GS;

4) Uniformidade da distribuição dos substituintes ao longo da cadeia,

levando a produtos com alta solubilidade e propriedades bem definidas;

5) Possibilidade de reações regiosseletivas, ou seja, derivatização

preferencial em uma hidroxila da UAG.

Limitações

Reações homogêneas são bastante estudadas no meio acadêmico,

porém não são empregadas em escala industrial. Alguns fatores contribuem

para este fato e dentre eles podemos destacar o alto custo dos reagentes e o

consumo de energia para a reciclagem dos componentes de solvente

(eletrólito/solvente). Por exemplo, na reação em o LiCl/DMAc, após a

precipitação do produto, o DMAc pode ser parcialmente recuperado por

destilação. Ainda não há relato sobre a reciclagem de LiCl, o reagente mais

Em resumo, as modificações necessárias nas reações de derivatização

da celulose, sob condições homogêneas de reação, vão ao encontro dos

princípios da química verde, pois tem por objetivo diminuir o gasto de

reagentes e de energia, através do aumento da eficiência da reação e

reciclagem dos componentes do sistema de solvente. Pretende-se alcançar tais

objetivos pela otimização das três etapas do processo, ou seja, a ativação da

celulose, sua dissolução e a derivatização do polímero solvatado.

Ativação: O processo de ativação é uma etapa de extrema importância

para se obter uma dissolução eficiente. Durante esta, as moléculas de solvente

penetram nas regiões intra- e intercristalinas da celulose tornando a superfície

dos cristalitos e as cadeias das regiões cristalinas mais acessíveis ao reagente.

Outro objetivo da ativação é a eliminação de água intercristalina da celulose,

substituindo-a por moléculas de solvente. Contudo, a não realização desta

etapa dificulta o processo de dissolução e gera soluções com alto índice de

agregação, além de água residual. A formação de agregados cria regiões de

derivatização heterogênea, gerando produtos com propriedades inferiores e de

difícil reprodução. Entre os esquemas de ativação de celulose destacamos a

troca por solventes (tratamento da celulose intumescida por água por metanol e

depois DMAc (Callais, 1986; Dawsey e McCormick, 1990), e ativação por

aquecimento sob pressão reduzida (El Seoud e Marson, 1999).

Dissolução: Após a etapa de ativação, admite-se que o solvente esteja

em contato com a superfície dos cristalitos e que o passo subsequente seja a

Esta etapa é bastante complexa e envolve: fusão (hipotética) das regiões

cristalinas para um estado altamente elástico; transição das regiões amorfas

em estado altamente elástico; interação desses estados com o solvente; e a

formação de soluções diluídas de cadeias solvatadas de celulose (Myasoedova

et al., 1991).

O processo de dissolução depende de vários parâmetros e condições

experimentais. Por exemplo, para se obter uma solução de celulose límpida e

sem a formação de agregados no sistema de solvente LiCl/DMAC, diversos

fatores são necessários: a utilização de uma concentração maior que 6% de

LiCl em DMAc (McCormick et al., 1985), a concentração celulose/solvente, e a

estrutura supramolecular do biopolímero.

Derivatização: Uma vez obtida uma solução de celulose, a reatividade

desta pode ser explorada para a produção de diversos derivados, como por

exemplo, ésteres, éteres, carbamatos, entre outros.

Neste trabalho o principal objetivo foi a derivatização da celulose sob condições homogêneas de reação. Desta forma, consideraremos a celulose em solução e descreveremos as três etapas supracitadas mais detalhadamente