• No results found

3 Teori: Kulturarvsbegrepet i den offentlige samtalen

3.6 Kulturarv i tre diskurser

A instituição educacional foco desta pesquisa é uma escola pública localizada em uma cidade de grande128 porte da região sudeste do Brasil. Nessa cidade há uma rede ampla de escolas públicas, o que poderia favorecer o desenvolvimento da pesquisa. No entanto, como nosso interesse se voltava para o ensino da língua espanhola, a oferta dessa língua pela escola e a concordância da direção da escola para a observação e a gravação das aulas de língua espanhola foram os critérios que levamos em consideração na seleção da instituição foco. Assim, a possibilidade de escolher uma instituição foi limitada, pois, na cidade em que desenvolvemos a pesquisa, a maioria das escolas públicas não oferecia a língua espanhola na grade curricular.

A escola em questão atende alunos da educação infantil ao ensino fundamental II. Nessa escola, a língua estrangeira é ofertada para alunos do ensino fundamental II, ou seja, do 6º ao 9º ano. Inicialmente, agendamos uma reunião com a direção dessa escola. Nesse primeiro contato, apresentamos o projeto a ser desenvolvido e esclarecemos algumas questões referentes a esse projeto, como objetivos e metodologia a ser adotada.

128

É considerada cidade de grande porte, segundo classificação do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e

Na ocasião, a direção da instituição nos indagou sobre a apresentação do referido projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, e, então, confirmamos que já contávamos com a aprovação dessa instância para realizar a pesquisa. Nesse sentido, a instituição, ciente de suas corresponsabilidades como instituição coparticipante da pesquisa, mostrou-se a favor do uso de sua infraestrutura e nos concedeu autorização para proceder à realização de atividades previstas na pesquisa para serem desenvolvidas em seu espaço físico.

Essa escola conta com uma estrutura de funcionamento favorável para o trabalho do professor. Essa perspectiva de atuar em um espaço que conta com condições adequadas, ou até mesmo significativamente apropriadas, para a prática educativa pode ser inferida no relato de um professor que, ao se referir a essa escola, enuncia para outro professor: “Aqui você está no céu”. Esse enunciado parece assinalar um imaginário de que estar nessa escola, na qual observamos aulas de língua espanhola para construção do corpus, é estar no paraíso.

Essa escola, se comparada à maioria das instituições educacionais públicas da cidade, parece apresentar-se como referência no imaginário de quem atua ou pretende atuar na área da educação, e também para os responsáveis por crianças e por adolescentes que buscam uma instituição escolar para estes. Essa escola dispõe de condições, supostamente, ideais para o ensino e a aprendizagem como, por exemplo, sala ambiente para as aulas de língua estrangeira.

A nosso ver, esse fato não pode garantir o compromisso do professor com sua prática docente, entendemos que a responsabilidade do professor para com seu objeto de trabalho não se sustenta pela lógica do que a escola pode lhe oferecer, como, por exemplo, ter ou não ter certo equipamento tecnológico. Trata-se, novamente, de pôr em foco a relação com o saber como possibilidade para o professor lidar com o que lhe é endereçado na sala de aula.

No que se refere à língua estrangeira, a escola também se diferencia das demais escolas públicas, pois oferece a seus alunos uma experiência com três línguas estrangeiras: espanhol, francês e inglês. A partir do último ano do ensino fundamental I, 6º ano, os alunos começam a estudar uma língua estrangeira como componente curricular obrigatório, o que se estende até o final do ensino fundamental II, ou seja, durante o 7º, 8º e 9º ano.

Vale ressaltar que o ensino da língua estrangeira, nessa escola, funciona com turmas que são divididas da seguinte maneira: no 6º ano, uma parte da turma se volta para o estudo do espanhol e a outra parte estuda francês, no 7º ano, os alunos que cursaram espanhol no 6º ano passam a estudar francês e vice-versa, no 8º ano e no 9º ano, os alunos passam a ter contato com a língua inglesa. Com essa estrutura de divisão das turmas, o professor, normalmente, tem na sala de aula no máximo quinze alunos, o que pode constituir para o professor uma situação favorável para o desenvolvimento de atividades pedagógicas, por exemplo.

No que se refere ao espaço físico, trata-se de um espaço bem conservado que periodicamente passa por manutenção. Para as aulas de língua estrangeira, a escola dispõe de sala ambiente com mobiliário adequado e com equipamentos como aparelho de áudio, data show e notebook. Essa sala conta com recursos didático-pedagógicos que, de certa forma, podem facilitar o trabalho do professor. Ainda, há na escola laboratórios voltados para a prática pedagógica de diferentes áreas de conhecimento como geografia, história, ciências, língua portuguesa, matemática, informática e arte.

A escola selecionada também conta com espaços em que os professores podem se reunir por áreas de conhecimento após ministrarem suas aulas. Assim, tem-se uma sala para professores de cada disciplina do currículo, como, por exemplo, uma sala para língua portuguesa, outra para matemática, outra para ciências, outra para história, outra para geografia e outra para língua estrangeira, etc.

Dessa forma, os professores têm a possibilidade de discutir questões específicas de seu campo de atuação com seus pares. Essa estrutura de uma sala para os professores de cada disciplina parece corroborar para que o conhecimento se apresente de modo compartimentado, mas, por outro lado, há na escola momentos em que os professores de todas as áreas são convocados para participarem de reunião coletiva em que é possível pensar na possibilidade de desenvolver trabalhos de forma interdisciplinar.

Outro ponto que observamos se refere ao plano de trabalho do professor na escola. Não se trata de um professor que simplesmente comparece na escola para ministrar sua aula e que tem sua jornada de trabalho concluída ao término dessa aula. A instituição requer desse professor o envolvimento com outras atividades, como participação em reunião de área, com professores que trabalham com a mesma disciplina, participação em reunião de diálogo com professores de todas as disciplinas,

atendimento a alunos em horário extraclasse, atendimento a pais, planejamento de aulas e, ainda, participação em projetos que a escola oferece.

Para compor seu quadro de professores, a escola realiza concurso público, quando se trata de vaga para quadro efetivo ou processo seletivo simplificado, quando a vaga é destinada para contratação temporária. Em ambos os casos, é solicitada uma formação específica na área ao candidato que busca ocupar a posição de professor, e, conforme edital, pode ser solicitado também que o professor tenha um curso de pós- graduação – especialização, mestrado e/ou doutorado.

O ingresso na instituição ocorre após aprovação em prova didática e prática, com realização de entrevista com o professor e a avaliação de seu currículo profissional e acadêmico. Nessa perspectiva, a suposição da falta de formação do professor, tão fortemente citada em muitos espaços educativos como impedimento para o trabalho do professor, parece não se sustentar no caso em questão.

Ainda, observamos que a escola conta com o trabalho do setor de serviço social, do setor de educação especial e do setor de psicologia escolar que, quando necessário, atendem a alunos que precisam de um acompanhamento mais próximo.

Portanto, conforme exposto, a escola se caracteriza por alguns diferenciais que não são comuns à maioria das escolas públicas, e que, embora não eliminem o aspecto contingente do contexto escolar, sinalizam condições que podem favorecer o trabalho do professor, o que não implica garantias. Nesta pesquisa, trata-se do trabalho de uma professora de língua espanhola como passamos a apresentar no próximo ponto.