• No results found

KULTUR

In document 2021 2025 (sider 103-113)

HELSE OG OMSORG

DEL 12 KULTUR

Nascido no ano de 1943 em Lisboa, José Carlos Coelho Rocha Pereira filho de Carlos Rocha Pereira e de Maria Coelho Pereira pertencia a uma família directamente ligada às artes gráficas. Seu pai, com atelier em casa, desenvolvia vários projectos neste âmbito e Rocha acabaria por ser absorvido por esta tendência criativa. Aos 6 anos já se envolvia naquilo que viria a ser a sua principal ocupação, assistindo atentamente ao trabalho que o pai desenvolvia em casa e desfolhando com interesse os livros da Graphis31 e

Gebrauchsgraphik. [fig.48] Foi este acompanhamento familiar

que lhe serviu de principal orientação para a sua formação em design e aos 14 anos já concebia stands, especialmente durante as férias, enquanto estava no atelier Zeiger. No ano seguinte, viajou para Londres onde ocupou múltiplos cargos (desde jardineiro a cozinheiro) e o único trabalho que teve com alguma relação ao design foi a decoração de montras. Quando voltou a Portugal, frequentou o curso de pintura decorativa na escola António Arroio, no entanto, devido aos contactos que já tinha tido com a cultura artística (e pela proximidade com o trabalho do seu pai e tio), a pas- sagem nessa escola foi pouco enriquecedora. Como se não fosse suficiente, frequentava ainda aulas nocturnas, o que limitava o contacto com outros estudantes da mesma área. Deste modo, Carlos Rocha teve um curto percurso ao nível da formação, consciente disso procurou “auto formar-se”, nomeadamente através de inúmeras assinaturas de revistas e livros (o seu gosto pessoal pela história do Design viria a torná-lo num coleccionador nato de obras prestigiantes). Durante o ano de 1961 e 62, trabalhou em arquitectura com Eduardo Anahory32 (1917-1986) no seu atelier pessoal,

onde adquiriu importantes conhecimentos ao nível da arquitectura. No ano de 1963 teve a sua primeira aventura no mercado especializado do design, como director de arte da “Marca”33 (Centro Técnico de Desenho Industrial

e Propaganda) até cerca de 1969, ano em que desenvolve a campanha para a TAP. [fig.49, 50]

31 Publicação anual baseada em variadas áreas (design de comunicação, publicidade, fotografia, cartazes, logos, packaging, identidade corporativa entre outras) que viria a tornar-se uma das principais fontes de conheci- mento para Carlos Rocha.

32 Posteriormente na dissertação, encontra-se um subcapítulo reservado a Eduardo Anahory.

33 Lá trabalho com Franklin França (que mais tarde viria a trabalhar na Letra Design durante 5 anos) e Orlando Costa (director e copywritter da agência).

fig.48

revista Gebrauchsgraphik, 1930

flickr/uniteditions

fig.49

campanha TAP, Carlos Rocha, 1969

arquivo

fig.50

campanha TAP, Carlos Rocha, 1969

46

“A experiência aí foi muito interessante, logo no início, devido ao facto de eu ser o único criativo que estava lá o dia todo, passei num curto espaço de tempo a controlar o processo criativo. Passado um mês já era eu que distribuía o trabalho aos colegas que estavam em part-time. Foi aliciante esse tempo que estive na Marca, trabalhei com clientes muito importantes na altura, exemplo da Nestlé, da TAP e etc” (Rocha, 2008a, pp.60-61).

No período entre 1964 e 68 cumpriu simultaneamente serviço militar, e por ter sido apanhado 4 vezes a trabalhar na Marca em vez de cumprir as suas obrigações militares, foi punido com uma pena de prisão de 81 dias. Ainda durante a década de 60, conquista o primeiro de muitos prémios na sua carreira, para a revista Control (Espanha) com anúncios para agências de publicidade (1965). Em 67 consegue dois primeiros prémios nos anúncios a cor e três menções honrosas nos anúncios a preto e branco (grande Prémio de Publicidade do Diário de Lisboa). É assim, de

grande importância destacar também a notoriedade de Carlos Rocha no âmbito da publi- cidade. Em 1970 consagra-se como director criativo da Hora (agência de publicidade que presentemente tem o nome de McCann Erikson-Hora) onde permaneceu durante dois anos. Aí desenvolveu a campanha da Schick (na altura concorrente da Gilette) e trabalhou outros produtos de grande consumo, criando uma aproximação com a publicidade que até aí nunca tinha tido.

Em 1972 fundou o gabinete Letra Design (Estúdio Técnico de Comunicação Visual) e no ano seguinte esteve presente na 2ª Exposição do Design Português – INII - FIL. Carlos Rocha fundou em 76, juntamente com outros nomes influentes do design português (José Brandão, José Rocha, Robin Fior, José Santa Bárbara, António Garcia, entre outros) a Associação Portuguesa de Designers. Nesta, viria a ser membro da direcção durante vários anos no período entre 1976 e 2005.

Ainda na década de 80 consegue novos prémios, entre eles o concurso para o novo logótipo do BCP, o concurso para a nova imagem da Bolsa de Valores de Lisboa (1983) e na mesma área para a Promindústria – Grupo Caixa Geral de Depósitos (em 1984). Quatro anos mais tarde, expõe na VI Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira (exposição de design gráfico) onde lhe é atribuído o prémio logótipo, altura em que vence também o primeiro prémio no concurso da imagem do BANIF (Banco Internacional do Funchal). Em 1990 é convidado para desenhar o símbolo do INE, ano em que recebeu um dos prémios mais relevantes da sua carreira: o Prémio Nacional de Design na vertente gráfica. Três anos mais tarde conseguiu o primeiro prémio no concurso da nova imagem para a EDP e em 1995 ganhou o concurso para o projecto do stand de lançamento dos novos eléctricos e autocarros da Carris. No final da década de 90 participou na Exposição dos Prémios Nacionais de Design 98/99 – CPD, mas só voltaria a expor novamente em 2004, desta feita na Trienal de Milão (Exposição de Arquitectura e Design de Portugal). Resultado da completa carreira que construiu e dos muitos prémios ganhos, Carlos Rocha foi convidado com frequência para inúmeros júris

Campanha desenvolvida por Carlos Rocha para promover a agência Hora que viria a ser publicada na revista

Photographis (Suíça).

fig.51

folheto de promoção à agência Hora, Carlos Rocha, 1970

47

de importantes concursos de design. Prova da sua notoriedade, foram os diversos projectos publicados em conceituadas revistas, tais como: Gráfica 70 (Portugal), Control (Espanha), Photographis (Suíça) e Rotovision (Reino Unido). Actualmente mantém-se como director criativo na Letra Design onde continua activo nos vários projectos do atelier, deixando a sua marca nos trabalhos e aumentando o rico espólio que vem construindo.

fig.52

logo-símbolo Promindústria, Carlos Rocha

48

4.4.1 CRONOLOGIA - PERCURSO, PRÉMIOS E MENÇÕES

1960-62

In document 2021 2025 (sider 103-113)