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KAPITTEL 4 ADAPSJON

4.2 S KUESPILLEREN

Actualmente, os sistemas e ferramentas de avaliação e reconhecimento da construção sustentável têm como principal objectivo garantir a sustentabilidade dos edifícios durante todo o seu ciclo de vida (planeamento e concepção, construção, operação e demolição), promovendo e tornando possível uma melhor interligação entre os parâmetros ambientais, sociais, funcionais e económicos [83].

Estes sistemas visam promover a utilização de práticas e métodos de construção que aumentem a sua durabilidade e rentabilidade, reduzindo simultaneamente os impactes ambientais negativos do edifício, e aumentem a qualidade de vida, saúde e bem-estar dos seus ocupantes. Salientam ainda estes sistemas, a importância de práticas ecológicas ao nível dos edifícios.

Na fase de concepção do projecto mostra-se necessário responder a muitas e distintas questões, às quais os métodos de avaliação permitem estabelecer uma estrutura e definição de prioridades, ao mesmo tempo que fornecem também estratégias de actuação às equipas de projectistas [82].

A maioria dos sistemas de avaliação ambiental de edifícios é constituída por um conjunto pequeno de categorias, as quais agregam uma série de indicadores de desempenho.

A cada um destes indicadores/critérios está atribuída uma pontuação, a qual é contabilizada desde que a totalidade das condições desse indicador sejam cumpridas. Além dos créditos pontuáveis, existem, também, pré-requisitos para a maioria das categorias, os quais devem ser obrigatoriamente cumpridos, caso contrário o edifício nunca poderá vir a obter uma avaliação positiva.

Os critérios avaliados nos sistemas de avaliação da sustentabilidade na construção estão relacionados com aspectos construtivos, climáticos, ambientais e sociais incidindo no interior da edificação, na sua envolvente próxima e na sua relação com a cidade e o meio ambiente global [83].

No entanto, para que estas avaliações não se tornassem um processo moroso e pouco atractivo, tendo em conta o facto de serem sistemas voluntários, as metodologias existentes abordam a sustentabilidade de uma forma holística, baseando a avaliação em critérios que são considerados mais importantes para atingir os objectivos da avaliação [83]. Um indicador pode avaliar o comportamento de uma solução face a um ou mais objectivos do desenvolvimento sustentável, isto é, um indicador pode agregar um ou mais critérios de sustentabilidade, simplificando desta forma a estrutura de avaliação. Por exemplo, o indicador de proximidade de transportes públicos é um parâmetro que avalia a possível redução de utilização de automóveis privados, avaliando, desta forma, a possibilidade de reduzir o consumo de energia e a emissão de gases poluentes.

Na maioria dos sistemas de avaliação, os indicadores de desempenho são ponderados, isto é, os vários indicadores duma estrutura de avaliação têm importâncias (pesos) distintas, retratando, desta forma, os principais problemas ambientais locais. Dentro do mesmo sistema, nem todos os indicadores têm a mesma importância, e o mesmo indicador pode ter uma relevância distinta consoante o local de implementação do novo edifício.

Esta variabilidade do peso de cada indicador e parâmetro é um factor que dificulta o processo de avaliação, uma vez que o peso (ponderação) dos indicadores pode não ser fixo, dependendo do contexto político, legislativo (normas e regulamentos), tecnológico, cultural, social, económico e ambiental de cada país ou de cada região.

Segundo Mateus e Bragança (2004) [84], outra dificuldade é que “na avaliação da sustentabilidade de soluções construtivas podem ser abordados vários indicadores que nem sempre estão correlacionados entre si e que não se expressam na mesma grandeza. Por outro lado, o modo como cada um dos indicadores e parâmetros influencia a sustentabilidade não é

consensual nem imutável ao longo do tempo. Assim, é difícil expressar a sustentabilidade em termos absolutos, através de um valor que integre todos os indicadores analisados e que permita a classificação do objecto analisado, relativamente à sua sustentabilidade”. Por exemplo, uma solução que apresente um desempenho ambiental elevado (com baixos consumos energéticos, baixas emissões de gases poluentes, elevada percentagem de reciclagem de resíduos, elevada utilização de materiais ecológicos, entre outros) e que não cumpra as exigências funcionais mínimas, não poderá ser avaliada positivamente. Por outro lado, uma solução que cumpra todas as exigências funcionais, que tenha um desempenho ambiental bastante elevado e que consequentemente represente um custo de construção excessivo, ultrapassando significativamente o custo da solução construtiva tradicional, não poderá ser considerada sustentável, pois o seu custo descomedido constitui um entrave à sua implementação [84].

Assim, a sustentabilidade na construção de edifícios deve ser avaliada tendo em conta a construção convencional, ou seja, deve ser avaliada em comparação com a prática corrente dum determinado país ou local. Desta forma, é possível analisar se as soluções adoptadas, para todo o ciclo de vida do edifício e de acordo com os critérios de avaliação de sustentabilidade, têm um desempenho superior ou inferior ao da solução de referência [83].

Esta é a principal razão para que a maior parte dos sistemas de avaliação só possa ter reflexo às escalas local ou regional, pois a prática corrente num país pode não ser prática corrente noutro.

Em resultado das dificuldades mencionadas, não existe actualmente uma metodologia que seja internacionalmente aceite, uma vez que as abordagens e ponderações dos indicadores não podem ser iguais para todos os países e para todos os casos. Este problema prende-se com a subjectividade associada ao conceito “sustentabilidade”, os objectivos para atingir o desenvolvimento sustentável num país podem ter uma importância distinta noutro. As diferenças políticas, tecnológicas, culturais, sociais, económicas, territoriais e geográficas levam a que as necessidades ambientais, bem como as necessidades das populações sejam diferentes, não sendo possível uma utilização directa de um sistema de avaliação concebido para outro país.

No sistema LEED (Estados Unidos da América), por exemplo, existe um indicador pontuável relativo à aquisição de recursos materiais regionais. Um edifício será pontuado se a origem dos materiais utilizados não ultrapassar os 800km de distância até ao local da obra.

Neste caso, impor um limite superior de 800km é um indicador de sustentabilidade, mas se transpuséssemos essa medida para Portugal não faria sentido algum, uma vez que não se impunha nenhuma melhoria relativamente à prática corrente.

No entanto, apesar de existirem diferentes abordagens em diferentes sistemas de avaliação e certificação da construção sustentável, existem certos pontos em comum entre esses sistemas. Em geral, são analisadas, de uma maneira ou de outra, as mesmas categorias de projecto e de desempenho: local, água, energia, materiais, cargas ambientais, qualidade do ambiente interior e gestão/manutenção.