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KAPITTEL 5 KLIPP

5.3 S ØMLØS KLIPP

O mercado das novas habitações encontra-se actualmente saturado, motivando a aposta crescente no mercado da reabilitação de edifícios por parte dos intervenientes do sector da construção. Contudo, a reabilitação não deve ser vista apenas como uma alternativa à situação actual do mercado da construção habitacional, mas sim como uma necessidade face à ineficiência do actual parque construído, uma vez que este se encontra, de forma geral, degradado e com diversos problemas ao nível da eficiência energética, da eficiência hídrica e do conforto ambiental.

No decorrer deste trabalho foi possível verificar que a construção tradicional em Portugal se encontra bastante desviada dos conceitos e padrões de eficiência que se adequam à construção sustentável, tendo em conta as condições de habitabilidade gerais oferecidas.

O parque habitacional português caracteriza-se pela elevada ineficiência energética, provada pelos consumos de energia verificados nos últimos anos no sector doméstico e pelos resultados da classificação energética dos edifícios existentes avaliados pela ADENE. Grande parte dos edifícios não responde às necessidades de conforto térmico dos seus ocupantes, levando-os à utilização de equipamentos adicionais para melhoria do conforto ambiental no interior das habitações. A falta de aproveitamento da iluminação natural, em parte resultante do mau planeamento urbanístico e concepção dos edifícios contribui também para o aumento dos consumos de energia que se pode agregar ainda a incorrecta utilização de equipamentos eléctricos e de iluminação artificial, contribuindo para um ainda maior consumo de energia.

Os edifícios de habitação mais correntes caracterizam-se, também, pela sua ineficiência hídrica, comprovada pelo consumo de água potável acima da média europeia, pela sua fraca qualidade do ar interior, pelo insuficiente conforto acústico e pela reduzida durabilidade, bem como deficiente e regular manutenção.

O próprio sector da construção consome uma elevada quantidade de produtos e materiais de construção, os quais possuem uma significativa energia incorporada e provocam uma substancial emissão de gases, contribuindo para o efeito de estufa. Além disso, este sector produz ainda uma percentagem bastante significativa de resíduos, cuja valorização e reciclagem tem vindo a ser desprezada até há bem pouco tempo.

Conclui-se, ainda, que a maioria dos problemas correntes que ocorrem nas habitações deve-se sobretudo a erros de projecto, a escolhas inadequadas na fase de concepção, à

insuficiente exigência legislativa em certos aspectos da construção habitacional, a erros de execução e a escolhas e hábitos inadequados dos utilizadores.

Os métodos de concepção e de construção, praticados correntemente de forma incorrecta na construção portuguesa, podem ter um efeito prejudicial na saúde dos ocupantes dos edifícios e dar origem a custos de manutenção, aquecimento e refrigeração consideráveis, afectando desproporcionadamente os idosos e os grupos sociais mais desfavorecidos. A alteração dos modos de concepção, construção, reabilitação e demolição do ambiente construído, aproximando-os aos conceitos de sustentabilidade, pode, por conseguinte, permitir melhorias significativas no desempenho ambiental e económico das cidades e na qualidade de vida da população.

Embora os edifícios recentemente construídos comecem a aproximar-se e a enquadrar- se mais aos conceitos da sustentabilidade, devido à legislação implementada referente à eficiência energética, estes são ainda uma minoria. Além disso, o aumento da eficiência energética não resolve todos os problemas existentes neste tipo de edificação, referidos ao longo da dissertação. Acresce ainda o facto do processo de substituição dos edifícios existentes levar um tempo considerável até se observar um impacto positivo significativo.

Pode então concluir-se, que a reabilitação dos edifícios de habitação existentes é a via mais rápida e eficaz para que o parque construído português atinja maiores níveis de sustentabilidade. Além disso, própria reabilitação é só por si uma actividade sustentável, uma vez que ao mesmo tempo que melhora as condições de habitabilidade no interior dos edifícios, reduz também os impactes ambientais originados pela construção nova e pelas demolições, reduzindo a extracção de matérias-primas e produção de resíduos. Reforça ainda o contributo para a conservação do património histórico e cultural do local, aumentando o sentimento de identificação e bem-estar da população perante a cidade.

Contudo, para solucionar os problemas correntes do nosso parque habitacional é necessário que o processo de reabilitação se torne mais completo, eficaz e corrente. Os processos de reabilitação não se podem restringir à reabilitação física e estrutural dos edifícios, como forma de resolução das anomalias visíveis. A reabilitação tem de ser vista e entendida como um processo global, que deve abranger e resolver todas as características negativas de cada edifício ao longo de todo o seu ciclo de vida.

Isto apenas será possível através da adequação do processo de reabilitação com a construção sustentável, uma vez que este tipo de construção aborda todos os parâmetros relacionados com a dimensão ambiental, social e económica de um edifício.

Concluiu-se, igualmente, que a forma mais adequada de enquadrar a reabilitação tradicional na construção sustentável é através dos sistemas de reconhecimento da sustentabilidade na construção, uma vez que, não existindo legislação sobre esta matéria, pode considerar-se que estes sistemas são os mais completos e fidedignos, pois são elaborados por equipas de especialistas (equipas multidisciplinares) e têm sido estudados, trabalhados e actualizados continuamente desde a criação do conceito.

Os sistemas de avaliação e de certificação da construção sustentável são sistemas voluntários e os seus modelos disponibilizados em documentos bastante extensos e por vezes complexos para os intervenientes que não se encontram devidamente esclarecidos e formados nesta temática. De realçar que além do factor referido, os intervenientes no sector da construção, por diversas vezes, apenas iniciam a fase de certificação após a finalização do projecto, situação que não garante a eficiência pretendida pela construção sustentável, que se ajusta mais a todo o ciclo de vida de um edifício.

Neste sentido esta dissertação considerou necessário o desenvolvimento de uma ferramenta de apoio ao processo da construção de edifícios, com vista a reforçar o seu nível de eficiência no âmbito da sustentabilidade. Como tal, foi desenvolvida uma proposta de

checklist que adapta o processo de reabilitação à construção sustentável. A checklist pretende,

assim, contribuir para que o processo de reabilitação sustentável de edifícios se torne de mais fácil execução e se enquadre com os sistemas de reconhecimento da sustentabilidade na construção.

Conclui-se ainda que, para além da reabilitação de edifícios não ser uma actividade incentivada (directa ou indirectamente), a reabilitação sustentável é uma actividade que também não está muito desenvolvida e difundida no sector da construção em Portugal, esperando-se, por isso, que esta checklist contribua para a disseminação do conceito, através da sua simplicidade e clareza, tornando-se um incentivo à realização deste tipo de reabilitação, sobretudo pelo facto de estar enquadrada com os sistemas de avaliação e de certificação existentes.