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7. Laster

7.2 Deformasjonslaster i betong

7.2.1 Kryp

Houve uma clara mudança da atitude intelectual do homem diante da natureza a partir do século XVII. Embora possa se afirmar que o homem em virtude de sua sobrevivência sempre estabeleceu uma relação de apropriação em face do meio ambiente, essa apropriação não refletia como passou a refletir, na modernidade, a supremacia do homem sobre a natureza.

Descartes, segundo MacIntyre (2001), é o autor que no século XVII estabelece uma fronteira que marca o início da transformação da relação entre o homem e a natureza. Esse autor desenvolve o método que permite ao homem abandonar o pensamento orgânico da antiguidade e estudar os diversos elementos que compõe a natureza de forma isolada. A filosofia descartiana era a “expressão de uma concepção físico matemática” (AZEVEDO, 2014), fundada em aferição do estado das coisas a partir de variáveis matemáticas.

Antes de Descartes, em toda antiguidade e como prolongamento do pensamento grego, o homem era parte da natureza (animal), sendo racionalidade usada para observá-la para que assim conhecesse a si mesmo, se autodeterminar. Por meio da contemplação da natureza, chamada à época de physis o homem grego determina o que é o certo, a melhor forma de agir, o agir virtuoso, que é determinado pela ordem natural das coisas (a forma como os fatos se encadeiam dentro do meio natural). Logo, dentro do paradigma da antiguidade clássica o homem e a natureza se imbricam para constituírem um só organismo. (AUBENQUE, 2008;

ARISTÓTELES, 1996).

Contemporâneo de Descartes, Francis Bacon (2003) constrói uma ideia de progresso que se refere ao domínio humano em relação à natureza, no sentido de que a investigação, a transformação e a utilização das forças naturais permitem ao homem ter uma vida confortável e feliz. Mais tarde, Kant (2004) concentra-se em deslocar o homem para o centro do mundo, distinguindo-o da natureza, colocando-o como ser superior e independente. Compreensão que pode ser encontrada na Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, de 1972, quando informa em seu primeiro proclama que “O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente [...]” (ONU, 1972, on-line).

Dentro do turbilhão da era moderna e do iluminismo, a ciência permite ao homem crer que tem o domínio da natureza e que aquilo que ainda não foi por ele dominado é porque ainda não foi estudado e esquadrinhado suficientemente. Há a crença que existe uma fórmula matemática para solucionar todo e qualquer problema que a natureza possa causar ao homem. Toda a filosofia clássica, do estado das coisas é substituída pelos princípios matemáticos, leis, que a governam.

Ao largo dos séculos XVIII e XIX, verifica-se a consolidação de uma razão intertemporal que mede calcula e explora a natureza, a qual passa a ser compreendida, a partir do que se pode chamar de paradigma do cientificismo, como uma simples matéria. Logo, passível de ser fragmentada, testada e sujeitada a toda espécie de cálculos e experiências. A partir daí propagou-se, uma verdadeira superstição da ciência que fez nascer o “dogma do progresso ilimitado, a doutrina do better-and-bigger”, do melhor e maior (AZEVEDO, 2014, p.33).

O cientista, nesse novo paradigma, fixa-se nas questões que se impõe à matemática, desconsiderando tudo que está para além dela (MACINTYRE, 2001). Essa visão enseja a criação de um horizonte simultaneamente ilimitado e sem retorno, em que a descoberta conduz à próxima descoberta e a natureza se reduz ao que é passível de ser medido. “A matemática passa a ser o paradigma da ciência, aplicando seus métodos à física, à química, à biologia, à geologia e à astronomia” (AZEVEDO, 2014, p. 34). Tenta-se usar a matemática para prever inclusive a dinâmica das relações sociais.

O cientificismo exprime a convicção de que as ciências (físicas e matemáticas) constituíam o caminho para solucionar todos os problemas humanos,

sendo assim consideradas como as verdadeiras ciências. A filosofia e as ciências humanas foram em parte absorvidas pelos cálculos matemáticos e o que não pode ser matematizado foi relegado ao status de não ciência (MACINTYRE, 2001). Junto a esses fatores, preleciona Veiga-Neto (2014), que o surgimento de uma sociedade industrial que alça as questões econômicas ao topo das preocupações humanas, faz com que a natureza, antes, sistema orgânico, torne-se fornecedora de recursos para o consumo e produção. Essa nova relação entre homem e natureza polariza-se em torno do problema da satisfação das necessidades do homem, ou seja, a natureza torna-se o celeiro humano (ALIER, 1992). Visão, que depois de alguns anos, acabou por gerar grandes prejuízos à natureza. Prejuízos que se configuram em impactos e desastres globais, base empíricas da construção dos discursos ambientais.

Os problemas ecológicos, vivenciados pelo homem na atualidade, são reflexos dessa concepção filosófica de natureza surgida no renascimento (SASS, 2008). Se o homem moderno acreditava que através do seu domínio sobre a natureza poderia desenvolver um crescimento econômico, de produção de bens consumo ilimitados, de domínio da natureza como pregou Francis Bacon (2003), hoje, o contemporâneo homem ressente-se diante da evidência de que seu sucesso de dominação revela a fragilidade das condições naturais.

A contemporaneidade é o berço da crise dessa visão cientificista, há o esboço de uma consciência da necessidade de se estabelecer limites na utilização da natureza como celeiro, mas prolonga-se a dúvida e a relutância em traçá-los (MACINTYRE, 2001). Alimentando o paradigma cientificista, encontram-se ainda teóricos que defendem a desnecessidade de limites no uso de recursos naturais insistindo que a tecnologia é portadora da solução para toda e qualquer aparente escassez (ASCELRAD, MELLO e BEZERRA, 2009).

Encontra-se diante de uma crise dos conceitos produzida a partir da visão renascentista de dualidade, homem e natureza como entes separados e o homem no domínio da natureza (cientificismo) e uma perspectiva nova, em que a natureza e o homem são parte de um ecossistema, se integralizam no que se pode denominar meio ambiente. Essa nova visão tem vária vertentes que não se assemelham muito à concepção Grega de respeito do homem em relação à natureza, enquanto pertencente a ela. Esse novo meio ambiente que contém homem e natureza pode ser compreendido como uma construção conceitológica voltada para a gestão mais

eficiente da vida.

Pela teoria da ecogovernamentalidade, todas as verdades, científicas ou não, sobre como se deve agir em relação ao meio ambiente, seriam compreendidas como instrumento de governo da vida do ser humano. Ainda que pareça ter o homem compreendido a importância da natureza per si, esta compreensão na verdade coloca o homem como superior em sua relação com a natureza servindo esta, tal como compreendido no renascimento, como fornecedora de recursos para a sobrevivência do homem; ou do modelo econômico por ele adotado para viver em sociedade.

4.2. A CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE ECOPOLÍTICA E DE