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Obrigada.

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Realmente você foi surpreendida com muitas novidades e suas dúvidas são pertinentes, mesmo porque uma mãe que zela por seus filhos tende a se preocupar com eles.

Percebemos, pelo que nos relatou, que seus outros filhos estão crescidos, portanto, já faz tempo que você lidou com amamentação, fraldas, mamadeiras e todo o cuidado que uma criança pequena necessita. Certamente você ainda sabe o que é “melhor” para seus filhos e educar é sempre um desafio, é oferecer à criança um ambiente propício e esperar que ela se desenvolva. A educação não é um processo linear e requer atenção às necessidades da criança, sendo que o mais importante é o amor e a segurança transmitidos a ela.

Você nos fez indagações sobre voltar ao trabalho e deixar a Isabel com a babá, com sua irmã ou em um berçário. Certamente, sua filha possui uma forma peculiar de se comunicar com você, através dos gestos dela, de seus olhares, do seu sorriso, de suas brincadeiras, de seu choro, dentre outras atitudes, que são as linguagens utilizadas por ela para mostrar a você como se sente. Sugerimos, então, que atente para estes “pequenos” detalhes. Olhe para ela como uma “pessoinha” única, que desse modo se comunica com você também de forma única, e assim você poderá perceber como, onde e com quem ela se sente melhor. Observe como a Isabel se sente quando está com a babá e com a sua irmã. Ela se dá bem com elas? O que você imagina que um berçário poderá oferecer à sua filha que elas não podem oferecer? Chegará uma hora em que será inevitável a ida da Isabel para a escola e esse momento é quando já não podemos mais oferecer o mesmo que uma escola. Antes disso, sua filha deverá estar com quem melhor possa lhe propiciar segurança e confiança. Como mãe cuidadosa, que nos parece ser, você saberá o que é mais adaptado às necessidades da Isabel.

Sobre a sua preocupação em voltar ao trabalho e parar de amamentar, gostaríamos de esclarecer que voltar ao trabalho

não significa necessariamente parar de amamentar. Você poderia, por exemplo, amamentar a Isabel antes de ir ao trabalho, ao voltar e antes do bebê dormir. Você pode também fazer a “ordenha manual”, ou seja, guardar o leite materno para que ele seja dado a Isabel no decorrer do dia. Vale lembrar que é preferível que o leite materno seja oferecido no copinho ou na colher e não na mamadeira, pois a força que o bebê necessita fazer para sugar o leite na mamadeira, é muito menor do que quando ele mama no peito, e esta facilidade pode fazer com que ele não queira mais mamar no peito. Pode ser difícil mesmo no começo, introduzir o leite no copinho, pois a criança ainda não está acostumada e ela ainda não consegue segurar a língua no “lugar certo” para facilitar a introdução da colher ou do copinho.

Para que você mantenha o estímulo necessário para a produção do leite, sugerimos que retire o leite de 3 em 3 horas ou pelo menos massageie as mamas ao longo do dia.

Como você deve saber, o leite materno é fonte de vitaminas fundamentais para a criança e ajuda a desenvolver seu sistema imunológico. Além disso, a amamentação é o primeiro vínculo que a criança estabelece com a mãe e um vínculo importante de modo que, caso deixe de amamentá-la; não será só do leite materno que ela sentirá falta, mas de todo o aconchego que a amamentação proporciona. Portanto, quando você amamenta a Isabel, ela sente o seu corpo, seu calor, seu cheiro, se sente segura nos seus braços e tudo isso é mais do que se alimentar, é um modo de relação afetiva e muito especial que está ocorrendo entre vocês. Contudo, esta relação afetiva só fará bem para a Isabel se estiver fazendo bem para você, assim cabe somente à você decidir qual é o momento de parar de amamentar.

Em relação à introdução do leite na mamadeira, você está preocupada, pois a Isabel não se adaptou. Isso é muito comum, pois como a mamadeira não tem a mesma textura, calor e o

aconchego que o mamar no peito; realmente será difícil para ela mudar, mesmo com todo o seu esforço e cuidado.

Talvez você possa verificar se o bico da mamadeira agrada a Isabel. Pode ser que esteja saindo leite em excesso ou em pouca quantidade; há também a possibilidade dela não gostar do leite que lhe foi oferecido e trocar por outra marca; pode ser uma boa opção. Ela pode, inclusive, não gostar de leite, então, quem sabe alternar com derivados dele – iogurte, queijos etc – seja uma boa sugestão, pois são bons complementos alimentares e, em um outro momento, você pode voltar a inserir o leite.

Outra boa sugestão seria incentivar o pai, ou outra pessoa, a oferecer a mamadeira à Isabel, pois se for você a oferecer, provavelmente ela não aceitará, já que está acostumada a mamar no seu peito, além do que sentirá o cheiro do seu leite. O pai poderia também aproveitar esta oportunidade para estreitar seu vínculo com ela.

Sua experiência com seus outros três filhos, apesar de tê-los criado em outros tempos, com certeza a ajudará nesta difícil e “nova” tarefa de ser mãe. Claro que muita coisa mudou desde então: nossos costumes, nossa forma de enxergar a educação, e nós mesmos mudamos a cada dia, além do que, agora você é mãe e avó.

Esperamos ter ajudado no esclarecimento de algumas dúvidas pertinentes à educação. Contudo, não temos respostas mágicas e prontas para educar, pois cada bebê é único e como tal deve ser tratado em sua existência que lhe é peculiar. Sua educação deve atentar às necessidades e peculiaridades da própria Isabel, pois sendo sensível a ela é que você encontrará o “melhor”. Vale ressaltar que a educação é um processo que se constrói na relação entre a criança e os pais e, portanto, não existem regras universais ou educação perfeita; então não cobre isso de você ou de sua filha.

Estamos enviando junto com esta carta, dois textos que podem lhe ajudar nesta nova fase de adaptação da vida da Isabel.

Colocamo-nos à sua disposição para novos esclarecimentos e indicamos a você um site sobre dúvidas pertinentes à amamentação, onde você poderá, inclusive, trocar experiências com outras mães. Aproveite: www.amigasdopeito.com.br.

Estagiários do Centro de formação de psicólogos Profª responsável: Fabíola Freire

Carta nº 5: Modos de correção à criança muito pequena