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6. TILPASNINGSMULIGHETER INNENFOR IFRS 9

6.2 H VILKE PRODUKTER OG STRATEGIER KAN BLI MINDRE ATTRAKTIVE UNDER IFRS 9, OG HVORDAN KAN

6.2.1 Kredittkort og andre trekkrettfasiliteter

As teorias fonológicas não lineares surgiram como forma de reação à tradição da fonologia gerativa padrão de Chomsky & Halle (1968), as quais tentaram incorporar três tipos de fenômenos: estrutura silábica, acento e tom. No momento inicial da teoria gerativa, as descrições fonológicas caracterizavam-se por uma organização linear dos segmentos. A interação entre fonologia e o resto da gramática limitava-se a uma interface com a sintaxe, pois o output do componente sintático era o input do componente fonológico. Os trabalhos de Goldsmith (1976), sobre tom, e os de Liberman (1975), Prince (1975) e Liberman e Prince (1977), sobre acento e ritmo, são considerados os iniciadores do movimento da fonologia não linear.

72 Exemplos extraídos de Mateus (1983, p. 217).

73 Mais adiante nesta seção, nas partes dedicadas às teorias da Fonologia Prosódica e Fonologia Métrica,

enquanto que as ideias iniciais de Liberman e Prince originaram a teoria métrica. As duas teorias (a autossegmental e a métrica) apresentam em comum a ideia de organização hierárquica dos constituintes prosódicos. Segundo Massini-Cagliari (1999a), essas novas teorias não negaram totalmente a fonologia gerativa padrão, mas acrescentaram à teoria de Chomsky e Halle uma nova dimensão. Além das teorias autossegmental e métrica, foi proposta uma teoria que desse conta da interação entre o sistema de regras fonológicas e os outros componentes da gramática (modelo lexical), e uma teoria que, além disso, cuidasse da interação com a sintaxe, a semântica e o discurso (fonologia prosódica). Para os fins a que se pretende este estudo, utilizam-se as teorias da Fonologia Prosódica e da Fonologia Métrica, apresentadas a seguir com mais detalhes.

3.2.1 Estudos sobre Fonologia Prosódica

A presente subseção pretende expor os principais trabalhos da área da Fonologia Prosódica, já que é essa a teoria que deu principal suporte à análise dos dados deste estudo. Sendo assim, em um primeiro momento, são apresentadas algumas considerações sobre o início desta teoria, a partir dos trabalhos de Selkirk (1980, 1984), para, em seguida, serem apresentados os estudos posteriores aos de Selkirk (NESPOR; VOGEL, 1986) e os últimos estudos acadêmicos na área (TONELLI, 2009; 2014; FERREIRA, 2012).

A Fonologia Prosódica é uma teoria fonológica não linear que trabalha com uma organização hierárquica dos constituintes prosódicos. Diferentemente do que ocorria na fonologia gerativa padrão de Chomsky e Halle (1968), na qual as descrições fonológicas caracterizavam-se por uma organização linear dos segmentos, na teoria prosódica a organização dos constituintes prosódicos em níveis hierárquicos consegue explicar o caráter gradiente do acento, ou seja, a capacidade de este apresentar diversos graus de proeminência. Como exemplo dos vários graus de proeminência que uma palavra pode apresentar, pensemos em PB no vocábulo “pós-graduação”, no qual se observa uma proeminência no prefixo “pós” e duas proeminências na palavra “graduação”, uma representada pelo acento primário na sílaba “ção” e outra localizada na sílaba “gra”, conforme mostra o esquema a seguir:

(50)

pós + graduação = pós-gràduação

A partir dessa nova dimensão nos estudos linguísticos (organização dos constituintes prosódicos em níveis hierárquicos), Selkirk (1980) foi quem iniciou os estudos de Fonologia Prosódica. Outro trabalho de renome da autora foi o publicado em 1984, que traz uma versão mais aprimorada de seu estudo de 1980.

Selkirk (1980, p.1) inicia seu texto afirmando que o intuito de seu estudo é apresentar uma teoria que leve em consideração “a suprasegmental, hierarchically

arranged organization to the utterance, not a simple linear arrangement of segments and boundaries”74. Ela afirma ainda que essa organização hierárquica será denominada

estrutura prosódica, a qual é organizada em constituintes.

Em Linguística, um constituinte é uma unidade complexa, em que se desenvolve uma noção binária de dominante e dominado (BISOL, 1996, p. 243). Todo constituinte pressupõe um cabeça e um ou mais dominados. É assim que surge a ideia de hierarquia dos constituintes dentro da Fonologia Prosódica. Por exemplo, o elemento prosódico pé (Σ) domina o elemento imediatamente inferior na categoria prosódica (a sílaba).

Sendo assim, Selkirk (1980, p.2) expõe as categorias prosódicas que podem existir nas línguas, organizando-as em hierarquias (quadro 4):

These prosodic categories are the syllable, the foot, the prosodic word, the phonological phrase, the intonational phrase and the utterance. It will also be argued that there is not an isomorphism between prosodic structure and syntactic structure.75

As categorias mencionadas anteriormente se organizam da seguinte forma:

74 “uma organização suprassegmental arranjada hierarquicamente para o enunciado, não um simples

arranjo linear de segmentos e fronteiras”.

75 “Essas categorias prosódicas são a sílaba, o pé, a palavra fonológica, a frase fonológica, a frase

entoacional e o enunciado. Ainda será argumentado que não há isomorfismo entre estrutura prosódica e estrutura sintática.”

Fonte: Massini-Cagliari (1995, p.102).

Para definir sílaba (σ), Selkirk (1980, p.12) faz uma longa exposição sobre a estrutura interna deste constituinte. A autora afirma que “the syllable is a unit with a

place in the prosodic hierarchy, and that it has its own internal hierarchical structure.

[…] the syllable is a domain for the application of phonological rules”.76

Após definir a sílaba, Selkirk (1980) apresenta algumas características do pé (Σ). Segundo ela, esse constituinte prosódico é uma unidade imediatamente superior à sílaba. De acordo com Selkirk (1980), se a sílaba é ela mesma um pé, ela será acentuada. Se o pé for bissilábico, a sílaba acentuada será o elemento forte. Por fim, não se tem um pé, quando houver uma sílaba fraca. Sendo assim, percebe-se que a relação entre os constituintes prosódicos da sílaba e do pé é bem próxima, uma vez que para delimitarmos este dependemos da relação forte/fraco (strong/weak) daquela.

Selkirk (1984, p.31) também apresenta o constituinte prosódico do pé, porém relacionado às questões do padrão acentual. Segundo ela, “The foot is a suprasyllabic

unit, usually smaller in size than the word that has played a central role in the description of stress patterns in the framework of ‘metrical phonology’”.77

O próximo elemento na hierarquia prosódica dos constituintes é a Palavra Prosódica ou Palavra Fonológica (ɷ). Selkirk (1980, p.14) afirma que no nível da palavra prosódica o que é levado em consideração é a proeminência do acento: “... the ɷ

76

“a sílaba é uma unidade com um lugar na hierarquia prosódica, e que tem sua própria estrutura hierárquica interna. [...] a sílaba é um domínio de aplicação de regras fonológicas.”

77 “O pé é uma unidade suprassilábica, geralmente menor em tamanho do que a palavra, que tem exercido

um papel central nas descrições dos padrões acentuais na ‘fonologia métrica’.” Proposta de Selkirk (1980)