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Krav til tillatelse for å etablere holdingforetak

Bakhtin é um dos primeiros autores que critica as ideias discutidas por Saussure (ou por seus alunos) no Curso de Linguística Geral. Primeiramente, Bakhtin reconhece que a língua é social, já que os fatos sociais criam relações e formas de atender as necessidades de comunicação através dela. Ao mesmo tempo, distancia-se de Saussure ao considerar a fala como elemento importante da manifestação dos indivíduos nas diversas situações sociais, e desta forma, valoriza a língua. (BRANDÃO, 2012)

A língua deduz-se da necessidade do homem de expressar-se, de exteriorizar-se. A essência da língua, de uma forma ou de outra, resume-se à criatividade espiritual do indivíduo. Aventuraram-se, e continuaram-se a aventar, outras variantes das funções da linguagem, mas o que permanece característico é uma não ignorância absoluta, por certo, mas uma estimativa errada das funções comunicativas da linguagem; a linguagem é considerada do ponto de vista do locutor como se este estivesse sozinho, sem uma forçosa relação com os outros parceiros da comunicação verbal. E quando o papel do outro é levado em consideração, é como um destinatário passivo que se limita a compreender o locutor. (BAKHTIN, 2000, p. 289)

A partir dessas e de outras críticas o filósofo apresentaria conceitos que viriam constituir os pilares de uma reflexão sobre a natureza social da linguagem, do discurso e do sujeito, tais como interação, enunciado, dialogismo, entre outros. Assim, o autor no diz também que:

Nos cursos de linguística geral (até nos cursos sérios com o de Saussure), os estudiosos comprazem-se em representar os dois parceiros da comunicação verba, o locutor e o ouvinte (quem recebe a fala), por meio de um esquema dos processos ativos da fala no locutor e do processo passivo de percepção e de compreensão da fala no ouvinte. Não se pode dizer que esses esquemas são errados e não correspondem a certos aspectos reais, mas quando estes esquemas pretendem representar o todo real da comunicação verbal se transformam em ficção científica. (BAKHTIN, 2000, p. 290)

Ainda em relação ao papel dos parceiros do ato de comunicação, Bakhtin discute as ideias que preconizam o papel estático e estanque dos parceiros em posições ativas (locutor) e passivas (ouvinte/receptor). Para ele, as posições são mais complexas do que aparentam. Na perspectiva do ouvinte passivo, esse autor afirma que ele assume também uma atitude responsiva ativa. Sua concordância, aceitação parcial ou total, sua discordância, não-aceitação parcial ou total implica em um processo que se desenvolve mutuamente.

Essa interação de interpretação de uma fala é sempre acompanhada de uma atitude responsiva ativa já prevista na elaboração da fala do locutor. Nas suas palavras, “[...] toda compreensão é prenhe de resposta e, [...] forçosamente produz: o ouvinte torna-se locutor.” (BAKHTIN, 2000, p. 290). Na fala do locutor já estão presentes as atitudes responsivas ativas do ouvinte. A fala desse locutor, assim, considera importante o posicionamento e a identidade desse parceiro no processo de comunicação. A fala, dessa maneira, é direcionada com uma intencionalidade negociada pelo processo dialógico.

Essas considerações revelam a importância que o autor dá ao processo comunicativo e ao papel dos parceiros. O outro como parte integrante da troca verbal revela a dinâmica

comunicativa considerando questões que envolvem a produção de sentidos ligada à época histórica, às situações sociais e comunicacionais e a inter-relação entre esses parceiros. Assim, o autor revela que “[...] é obvio que a coletividade linguística, a multiplicidade dos locutores são fatos que não podem ser ignorados.“ (BAKHTIN, 2000, p. 290)

Bakhtin dá importância especial ao ato de comunicação na medida em que considera os estudos linguísticos não restritos ao enunciado, mas também ao seu contexto de produção. Daí, “[...] a essência do problema, liga-se à questão de saber, como a realidade determina o signo, como o signo reflete e refrata a realidade em transformação.” (BAKHTIN, 1988, p. 41) Assim, Bakhtin explora em que medida as questões linguageiras se relacionam às questões históricas e sociais que compõem o discurso.

Desta forma, a interação verbal passa a representar objeto central dos estudos de Bakhtin. Como o teórico dá razão especial ao processo de comunicação, os interlocutores passam a desempenhar um papel primordial revelando a relação entre o linguístico e o social. Essa perspectiva se integra à noção de que a fala e a enunciação são construídas a partir da relação com o outro e o conteúdo é orientado socialmente através desses interlocutores, pois “[...] cada época e cada grupo social têm seu repertório de formas de discurso na comunicação sócio-ideológica.” (BAKHTIN, 1988, p. 43) Em outras palavras, as formas de dizer e de construir relações comunicativas e sociais são desenvolvidas por grupos e comunidades discursivas ao longo da história destes. Essas formas de dizer são dinâmicas e se desenvolvem com e pela utilização da linguagem formando a cultura e a história dessas sociedades.

Para o teórico a palavra é dialógica por natureza, pois as vozes, os posicionamentos e os pontos de vista interagem-se nas relações sociais e no exercício da linguagem em um ato de comunicação. Desta forma, a linguagem desenvolve uma representação da realidade operando no distanciamento entre a própria realidade e o signo que a sinaliza. (BRANDÃO, 2012) O espaço que há entre esses dois domínios é ocupado pela ideologia. Nesse sentido, a ideologia é o elemento capaz de integrar o linguístico com o social.

É essa questão que evidencia a disputa dos pontos de vista e dos posicionamentos vivos na linguagem que tem por natureza uma dimensão dialógica. Nesse sentido, há um caminho que pode evidenciar a relação entre a língua e a fala pelo sistema ideológico. Portanto, podemos considerar que a Análise do Discurso é fundada nessa trajetória teórica e vinculada à noção de

enunciação, articulando a noção de ideologia para compreensão do fenômeno da comunicação verbal. Desse modo,

Como elemento de mediação necessária entre o homem e sua realidade e como forma de engajá-lo na própria a realidade, a linguagem é o lugar do conflito, do confronto ideológico, não podendo ser estudada fora da sociedade, uma vez que o processo que a constituem são histórico-sociais. Seu estudo não pode estar desvinculado das condições de produção. (BRANDÃO, 2012, p. 11)

Nesse sentido, essa tendência em Análise do Discurso, o estudo da relação entre o dizer e as condições de produção desse dizer, estabelecem a exterioridade do discurso como matéria fundamental. (ORLANDI, 1986)

Retomando a questão do dialogismo, Bakhtin (2000) o concebe como um princípio constitutivo da linguagem e a prerrogativa na construção do sentido. Assim, José Luiz Fiorin (2006, p. 24) afirma que “[...] o dialogismo é o modo de funcionamento real da linguagem, é o princípio constitutivo do enunciado.” Se a palavra do sujeito é atravessada pelas palavras do outro deduz-se que o sujeito seria influenciado e condicionado. Nesse sentido, as noções de Bakhtin referentes ao papel dialogal da língua abordam o processo de comunicação com base na relação entre os parceiros da comunicação de maneira dinâmica. Bakhtin irá ainda trabalhar a questão da alteridade do sujeito e sua construção identitária pelo desdobramento do eu no processo de interação verbal. Para o referido teórico, o sujeito do discurso se desdobra em três categorias: o eu-para-mim, o eu-para-o-outro e o outro-para-mim. (BAKHTIN, 2000). Nesse aspecto, o autor nos diz:

Pode colocar [...] que a palavra existe sobre três aspectos: [...] a palavra neutra da língua e que não pertence a ninguém; como palavra do outro pertencente aos outros e que preenche o eco dos enunciados alheios, e finalmente, com palavra minha, pois na medida em que uso essa palavra numa determinada situação com uma intenção discursiva, ela já se impregnou de minha expressividade. (BAKHTIN, 2000, p. 313)

Percebe-se que subjetividade e identidade constroem-se pelos referenciais teóricos, sociais, linguísticos, culturais, entre outros, de uma época numa determinada comunidade discursiva vivida. “Através da distinção, semelhança, contraste e, sobretudo, pela alteridade, que se constituem as identidades sociais e [...] as identidades discursivas.” (CORDEIRO JUNIOR, 2008, p. 58) Assim, é importante considerar os processos que compõem as comunidades

discursivas no tempo, a fim de compreender como essas visões influenciam o discurso do sujeito.

Os enunciados que constituem a comunicação verbal estão repletos dos enunciados anteriores e compondo o todo do discurso. O uso desses enunciados cotidianamente cria certas formas estáveis ou, relativamente estáveis, de circulação desses discursos. A esse fenômeno, Bakhtin nomeou de gêneros do discurso. Essa concepção pode ser melhor explicada por Mendes (2004, p. 116), segundo a qual “[...] os gêneros são determinados socialmente [...] são categorias maleáveis e em constante transformação.” Assim, os gêneros do discurso são formas de utilização da linguagem determinadas em situações sociais e discursivas específicas, sendo portanto dinâmicas, e sofrendo transformações em relação ao tempo, a cultura e aos costumes.

A Análise do Discurso considera, então, que o discurso não deve ser apenas estudado estritamente em relação ao seu funcionamento interno, mas também em relação à sua exterioridade, configurada pela formação ideológica e pelos fatores sociais e culturais. Maingueneau (2005), por exemplo, postula que o quadro das instituições em que o discurso é produzido o determina de sobremaneira. A partir de tal consideração, esse autor também delimita uma noção de interdiscurso, sobre a qual discutiremos posteriormente, a abordagem do conceito de polifonia, em sua acepção bakhtiniana.