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TILNÆRMET PERMANENT LASTKOMBINASJON

10.1 Krav til minimumsarmering

Lívio Lima de Oliveira (2007: 11) considera a L&PM Pocket como a maior coleção de livros de bolso do país, por causa da periodicidade do seu catálogo e das estratégias de distribuição e comercialização ligadas exclusivamente à coleção. Ele acrescenta que a L&PM também edita livros em formatos convencionais, mas cita Ivan Pinheiro Machado, um dos seus sócios, o qual afirma que o maior lucro vem da coleção de bolso. Oliveira ainda menciona algumas estratégias editoriais e comerciais dessa editora:

Pinheiro Machado retomou estratégias do século XIX exclusivas para esse tipo de livro para fazer com que sua coleção chegasse a tal posição no mercado editorial brasileiro. Os livros são vendidos não só em livrarias, mas também em bancas de jornal, farmácias e supermercados. Os livros, assim, são facilmente encontrados nas cidades médias e grandes e em vários pontos. Há também uma estratégia específica em rodoviárias e aeroportos, cujos pontos-de-venda são abastecidos sempre. Além disso, a coleção tem destaque nesses pontos, já que os livros ficam em totens específicos, onde cabem vários títulos e são de facílima identificação e localização. (OLIVEIRA, 2007: 11)

De acordo com dados informados pela própria L&PM Editores, em sua página na Internet106, sua fundação aconteceu em 24 de agosto de 1974, por Paulo de Almeida Lima e Ivan Pinheiro Machado. Localiza-se em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Nesta época, durante a ditadura militar, notabilizou-se por publicar alguns clássicos de ideologia contrária ao autoritarismo e à repressão, como o personagem Rango , de seu primeiro lançamento, que se tornou símbolo da resistência à ditadura militar, criado por Edgar Vasques, cartunista e desenhista. A publicação de textos dos senadores Paulo Brossard e Pedro Simon, e também do deputado Teotônio Vilela acompanhavam aquela tendência. Posteriormente, essa empresa alcançou projeção nacional, graças à publicação de obras de autores como Millôr Fernandes, Josué Guimarães, Luis Fernando Veríssimo e Woody Allen.

Na década de 1990, diante de um cenário difícil por causa da recessão econômica e da concorrência com multinacionais, a L&PM passou por grandes dificuldades, até que, em

106 Disponível em: <http://www.lpm-

editores.com.br/v3/site/default.asp?TroncoID=805133&SecaoID=845253&SubsecaoID=384748>. Acesso em 24 de dezembro de 2008.

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1997, a editora iniciou o projeto da coleção L&PM Pocket, de livros de bolso, que salvou a empresa da falência, correspondendo até hoje ao seu projeto mais importante. Sobre esta coleção, a própria L&PM registra seus quatro pilares: textos integrais, alta qualidade editorial e industrial, preços baixos e distribuição total , atingindo todo o Brasil . Esta editora

publicou dois romances de John Steinbeck em português: Ratos e homens (Of mice and men), de 2005, e O inverno da nossa desesperança (The winter of our discontent), de 2006, traduzidos por Ana Ban.

Ivan Pinheiro Machado (2009), editor da coleção L&PM POCKET107, afirma que, dentre os critérios para seleção de obras para serem traduzidas e publicadas, em conformidade com o projeto editorial da L&PM, está o critério da edição de grandes autores modernos, clássicos e contemporâneos. Obviamente, trata-se de um critério de seleção reconhecido no sistema literário de partida (EVEN-ZOHAR, 1990: 47-59). Sobre o grau de influência da Editora no processo de revisão, edição e publicação, Machado (2009) destaca que:

primeiro, a L&PM contrata aqueles que ela acredita serem tradutores de primeiríssima linha. As traduções, ao chegarem na editora, passam por uma revisão crítica. Muito poucas são as traduções devolvidas por insuficiência técnica, mas sempre há dúvidas, e melhorias que são realizadas aqui na L&PM.

Machado (2009) também expõe um dos critérios para a seleção de autores:

Um autor expressivo, um prêmio Nobel, é uma razão suficiente para ser cobiçado por um editor. Ratos e homens é uma novela curta, uma obra-prima do autor e deu origem a um grande filme. É um livro que menos do que um sucesso comercial é um livro que qualifica o catálogo do editor.

O prestígio de dada obra é uma das justificativas para que ela seja selecionada para ser traduzida e comercializada, conforme destaca Even-Zohar (1990: 59). Assim, o critério apontado por Machado está em consonância com Even-Zohar. John Steinbeck aparece ao lado de outros autores importantes, como enfatiza Machado (2009):

a editora decidiu colocar em sua coleção de bolso grandes autores modernos e contemporâneos, entre outros títulos e gêneros. Steinbeck foi selecionado com Faulkner, Hemingway, Fitzgerald, Henry Miller e outros autores mais recentes como Voneguth, Tom Wolfe, Truman Capote, Norman Mailer, Salinger e muitos outros.

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É importante lembrar que Ivan Pinheiro Machado (IPM), em entrevista a Cláudio Willer (CW)108, manifestou seu gosto pessoal por John Steinbeck, junto a outros nomes de autores, o que evidencia o papel de influência do editor na seleção dos autores/obras para tradução e publicação:

CW Editores são leitores. Fale de suas leituras, suas preferências, sua vida cultural. IPM Meu trabalho me impõe uma leitura que nem sempre seria a minha opção de

lazer e/ou estudo. Mas de qq [sic] forma eu, embora suspeito, sou fã da linha editorial da L&PM. Gosto de ler quase tudo. Tive momentos inesquecíveis lendo dezenas de romances de Balzac (para editar a Comédia Humana), gosto muito de todos os beats, dos policiais noir como Hammett, Chandler, David Goodis. Adoro Tolstoi, principalmente Guerra e Paz, Dostoiévski e o maravilhoso Crime e castigo . Curto os americanos Hemingway, Fitzgerald, Faulkner, Steinbeck, Norman Mailer, Paul Auster, John Dunning. Gosto de quadrinhos, de Hugo Pratt, Guido Crepax, Breccia (...).

O papel decisório sobre a seleção das obras a serem traduzidas, a partir da alegação da tradutora Ana Ban, que traduziu Of mice and men, pela L&PM, parece ser mais ativo por parte da editora, enquanto que o tradutor tem um papel mais passivo:

geralmente a editora passa o livro para o tradutor, que aceita ou não o trabalho foi o que aconteceu neste caso. É bastante raro a proposição [sic] partir do tradutor apesar de isto acontecer, como foi o caso do livro Flush , de Virginia Woolf, também da L&PM, também traduzido por mim (BAN, 2008)

A necessidade de renovar a linguagem das obras em novas traduções, tornada obsoleta devido ao tempo, é comprovada pelo testemunho de Machado (2009) em relação a Of mice and men:

nossa idéia na coleção L&PM POCKET é sempre renovar. Isto significa fazer novas traduções, de acordo com a visão e a, digamos, terminologia da nossa época. O fato de existirem outras traduções [de Érico Veríssimo, 1940 e 1968, e de Myriam Campello, 1991, por exemplo] não influenciou em nada, pois a decisão foi relativa à obra de Steinbeck e não em relação às traduções de Steinbeck. Mesmo porque a tradução de E. Veríssimo é datada e a outra eu não conheço.

Com base nessa afirmação, fica evidente que a editora L&PM entende a tradução como reescritura, pois, quando Machado (2009) expõe um dos princípios dessa editora como a idéia de sempre renovar , fica nítida a necessidade de atualização das traduções, ou seja,

108 WILLER, Cláudio. Ivan Pinheiro Machado: A leitura no Brasil e os pockets da L&PM Editores (entrevista

de Ivan Pinheiro Machado a Cláudio Willer). Agulha Revista de Cultura, n. 65 Fortaleza e São Paulo setembro/outubro de 2008. Disponível em: <http://www.revista.agulha.nom.br/ag65machado.htm>. Acesso em 20 de março de 2009.

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novos textos construídos de acordo com a subjetividade do tradutor, mas sem perder de vista o autor e a cultura de partida. A questão lingüística aparece nesse depoimento como um motivo explícito para se fazer uma nova tradução: a atualização da linguagem. Desse modo, a editora deve publicar essas reescrituras conforme algumas expectativas do sistema literário de chegada: o público, sua cultura, seu tempo etc. O foco na recepção, ou na cultura de chegada brasileira, fica bem claro quando Machado (2009) declara que:

nossa responsabilidade é fazer um trabalho intelectualmente correto, fiel e, pelo menos, tentar passar para o nosso idioma a intenção do autor no que se refere ao linguajar dos personagens. Se há uma deliberada transformação no linguajar, temos que aproximar esta idéia do nosso público no nosso idioma, para que ele identifique, através desta deturpação da língua, o nível social (no caso de Ratos e

homens) ou, quando é o caso, a etnia do personagem.

Ao expor sobre a questão do dialeto do texto de partida ( uma deliberada transformação no linguajar ), Machado (2009) reconhece que não há como reproduzir essa linguagem integralmente, pois ele indica que temos de aproximar esta idéia do nosso público no nosso idioma (ênfase adicionada). Logo, parece certo afirmar que haverá alterações/manipulações referentes ao texto de partida, constituídas no texto de chegada, tais como: omissão de trechos, acréscimos, a opção por uma linguagem mais formal ou menos formal (dependendo do caso, norma-padrão ou desvios da norma-padrão etc.) e transcrição de trechos ou fragmentos do texto de partida (por problemas de intraduzibilidade cultural, por exemplo) etc.

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4. ANÁLISE COMPARATIVA DE TRÊS TRADUÇÕES DE OF MICE AND MEN:

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