• No results found

Kostnader  ved  sekundærtraumatisering  og  utbrenthet

2.3.   Kostnader  ved  sykefravær

2.3.1.   Kostnader  ved  sekundærtraumatisering  og  utbrenthet

A partir da análise que fizemos dos estudos anteriores, no item 3.4 deste trabalho faremos uma comparação entre os dados coletados nos trabalhos anteriores realizados com alunos da EAESP-FGV e aqueles aqui encontrados. Assim como na apresentação dos dados deste trabalho começaremos nossa comparação a partir dos dados demográficos que traçam o perfil da população estudada. Como nosso estudo ocorreu após dois anos daquele realizado por Ferreira (2002) esperávamos que os dados fossem semelhantes, já que pouco tempo se passou para que houvesse uma mudança do perfil dos alunos da Escola.

Tabela 55: Distribuição de gênero dos alunos pesquisados.

ORIGEM DOS DADOS MASCULINO FEMININO

COVRE, 1991. 85,4% 14,6%

FERREIRA, 2002. 61% 39%

NOSSO TRABALHO 62% 38%

Fonte: Covre (1991) e Ferreira (2002)

A partir da tabela 55 notamos que os dados referentes ao gênero dos alunos pesquisados tanto por Ferreira (2002) quanto por este trabalho são bastante semelhantes, conforme era esperado.

Tabela 56: Distribuição com relação à faixa etária dos alunos pesquisados. ORIGEM DOS DADOS 20 A 22 23 A 25 26 A 28 29 A 31 32 A 34 35 A 37 > DE 37 COVRE 24,6% 46,7% 18% 5,8% 4,1% - 0,8% FERREIRA 20 a 23 > de 23 92% 8% NOSSO TRABALHO 93% 7%

Fonte: Covre (1991) e Ferreira (2002)

Assim como ocorreu com relação ao gênero, os alunos pesquisados tanto por nós quanto por Ferreira (2002) se encaixam na mesma proporção e na mesma faixa

etária. Deste modo, podemos afirmar que em dois anos o perfil dos alunos pesquisados não sofreu grandes transformações, mesmo porque o período de tempo transcorrido foi curto.

Tabela 57: Distribuição dos alunos pesquisados com relação ao número de funcionários das empresas em que exerciam algum tipo de atividade profissional no momento da pesquisa.

TAMANHO DA EMPRESA NOSSO TRABALHO COVRE

Até 100 funcionários 41,6% 23,5%

101 a 500 funcionários 6,4% 16,3%

Acima de 500 funcionários 52% 60,2%

TOTAL 100% 100%

Fonte: Covre (1991)

Dados por nós considerados como demográficos, mas que analisados com base nas transformações econômicas e organizacionais das quais falamos no item 2.3, as comprova, são aqueles da tabela 57. Isto porque no trabalho realizado por Covre (1991) com alunos de graduação em 1976, 60% deles trabalhavam em empresas com mais de 500 funcionários. E apenas 23,5% trabalhavam em empresas que contavam com até 100 funcionários. Em nosso trabalho, realizado após as reestruturações organizacionais, 41,6% dos alunos pesquisados trabalhavam em empresas cujo quadro era de até 100 funcionários. Apesar da maioria (52%) ainda trabalhar em empresas com mais de 500 funcionários, esta transformação nos dados indica que as empresas menores se multiplicaram o que corrobora com a mudança de cenário que falamos anteriormente. Inclusive pelo aumento de negócios no setor de serviços e também de empresas ponto com.

Tabela 58 - Distribuição dos alunos pesquisados pelo tipo de empresa em que exerciam sua atividade profissional no momento da pesquisa.

TIPO DE EMPRESA NOSSO TRABALHO COVRE

Nacional 51% 67,4%

Estrangeira 47% 26,5%

Mista 2% 6,1%

TOTAL 100% 100%

Fonte: Covre (1991)

Mais uma vez por meio da comparação de dados demográficos é possível demonstrar as mudanças organizacionais das quais já falamos. Se em 1976 a maioria dos alunos pesquisados (67,4%) por Covre (1991) trabalhava em empresas nacionais, não podemos deixar de dizer que este dado também foi observado por nós. No entanto, o que chama atenção comparando os dois conjuntos de dados é que em nosso trabalho a distância em termos de freqüência de resposta das empresas nacionais para as estrangeiras é de três pontos percentuais. Já nos dados coletados por Covre (1991), no ano de 1976, esta distância era de 40,9%. Notamos a partir disso que a competitividade organizacional realmente se acirrou nestes últimos 28 anos, com a entrada de um maior número de empresas estrangeiras no mercado.

Com relação aos dados diretamente ligados à carreira de um modo geral, temos algumas semelhanças e diferenças com os dados observados nos trabalhos anteriores. Começando com a replicação adaptada de duas questões de Covre (1991). A primeira delas perguntava aos alunos qual era a influência das disciplinas para o aperfeiçoamento da formação profissional e como já dissemos oferecia quatro opções aos alunos:

1. Conhecimento de técnicas e processos de trabalho. 2. Habilitação para análise de problemas da empresa.

3. Preparo para compreensão de questões de administração e economia. 4. Compreensão da realidade social total e seu relacionamento com a

Em nossa pesquisa adaptamos esta pergunta da seguinte forma: “Qual a influência das disciplinas aprendidas na Escola para o seu desempenho profissional?”. E também oferecíamos quatro opções:

1. Conhecimento de técnicas e processos de trabalho. 2. Habilitação para análise de problemas da empresa.

3. Preparo para compreensão de questões de administração e economia, de forma global.

4. Compreensão da realidade social total e seu relacionamento com a empresa.

Na pesquisa de Covre (1991) que foi realizada com estudantes da EAESP-FGV no ano de 1976 a opção mais escolhida foi a de número dois: habilitação para análise de problemas da empresa.

Neste trabalho, realizado com alunos da Escola 28 anos depois, a opção mais escolhida foi a de número 3: preparo para a compreensão de questões de administração e economia de forma global. Comparando as quatro opções oferecidas por Covre (1991) com aquelas disponibilizadas por este trabalho, esta foi a que teve uma maior modificação. A palavra global foi colocada intencionalmente, já que este é o tipo de conhecimento necessário ao desenvolvimento de uma carreira sem fronteira e não mais aquele conhecimento especializado e estanque. Como vimos no capítulo em que falamos das demandas das empresas o que se espera de um profissional não é que ele somente seja capaz de resolver problemas da empresa, mas que tenha uma visão global tanto com relação aos negócios da empresa quanto aos seus próprios objetivos.

A segunda questão de Covre (1991) que foi replicada e por nós adaptada se refere ao que se deveria visar, no Brasil, em um curso de Administração. As opções oferecidas por Covre (1991) eram as seguintes:

1. Formar técnicos especializados para áreas públicas e privadas. 2. Formar técnicos com um treinamento válido para qualquer área. 3. Formar técnicos que melhor atendam às indicações das empresas.

4. Elevar a qualidade profissional: desenvolver o espírito criativo do indivíduo.

A questão apresentada por Covre (1991) permaneceu com o mesmo conteúdo em nosso trabalho, no entanto as opções de respostas tiveram algumas modificações, como é possível verificar abaixo:

1. Formar profissionais especializados para cada uma das diversas áreas da organização.

2. Formar profissionais com um treinamento válido para qualquer área. 3. Formar profissionais que melhor atendam às indicações das

empresas.

4. Elevar a qualidade profissional: desenvolver o espírito criativo do indivíduo.

5. Formar profissionais que atendam à realidade da sociedade brasileira.

No trabalho realizado por Covre (1991) a opção com maior índice de escolha pelos alunos da graduação foi a de número 2: formar técnicos com um treinamento válido para qualquer área.

Em nossa pesquisa a maioria dos alunos pesquisados optou pela resposta de número 4: elevar a qualidade profissional: desenvolver o espírito criativo do indivíduo. Apesar da opção de número 2 ter sido a segunda mais escolhida pelos respondentes de nosso trabalho, a opção de número 4 demonstra que os alunos têm a idéia da necessidade do conhecimento cada vez mais geral e mutante. Isso porque ter um espírito criativo significa a possibilidade de ter soluções para diversos tipos de problemas e não somente para um como, por exemplo, aqueles que se referem à empresa.

Diante desta comparação das respostas coletadas por Covre (1991) e por nós podemos afirmar que em 28 anos houve uma mudança da representação social de carreira para estes alunos, especialmente no que se refere ao conteúdo necessário para que seja possível o desenvolvimento de uma trajetória profissional.

A partir de nossas análises do trabalho de Tonelli (1996) encontramos duas questões cujas respostas obtidas pela autora tornaram-se interessantes de serem comparadas a alguns de nossos dados. Quando os alunos pesquisados por Tonelli (1996) foram questionados a respeito do significado do trabalho que realizavam no momento da pesquisa, pontuamos que as respostas traziam como conteúdo uma

característica bastante marcante do novo modelo de carreira: a aprendizagem. Este fato também ocorreu em nosso trabalho quando fizemos a mesma pergunta. Para os alunos pesquisados a atividade que realizavam no momento da pesquisa significava, em primeiro lugar, uma oportunidade de crescimento pessoal (40,5%) e em segundo lugar (29,4%) uma oportunidade de melhoria de conhecimentos. Tanto a primeira quanto a segunda opção têm implícitas em si a aprendizagem, afinal para que seja possível crescer como pessoa é necessário aprender coisas que vão além do conhecimento. É preciso aprender a se comportar, a ter determinados valores, ética, postura profissional e outras coisas que o conhecimento acadêmico ou técnico não contemplam. E a segunda opção refere-se diretamente à melhoria de conhecimento, portanto temos aqui uma confirmação daquilo que supúnhamos por meio do trabalho de Tonelli (1996). A representação de carreira para os alunos pesquisados contém a noção de aprendizagem, não só relacionada às necessidades da organização, mas também a aspectos mais amplos. Uma outra questão apresentada por Tonelli (1996), cujos dados confrontados com aqueles coletados por nós são interessantes, diz respeito ao que o aluno pesquisado mais gosta em seu trabalho. No trabalho da autora, a maioria das respostas sugeria a liberdade e a flexibilidade do trabalho como sendo características altamente valorizadas. Apesar, de não termos feito esta mesma pergunta em nosso questionário, consideramos interessante compara-la à pergunta: o que melhor define sucesso profissional para você? Isso porque, uma das opções desta questão era ter liberdade/autonomia. Como esta era uma questão que deveria ser respondida por ordem de prioridades, e tinha seis opções de respostas, apresentamos as seis opções com maior índice de escolha. E a opção que se referia à liberdade não foi a mais escolhida em nenhuma das seis posições. Este resultado se deveu ao fato das primeiras e segundas posições ficarem para a opção: realizar um trabalho significativo. E as quartas e quintas para a opção: bom relacionamento no trabalho.

Esta diferença de resultado pode ser devida à diferença da pergunta; talvez para os alunos pesquisados por Tonelli (1996) a liberdade era o que mais lhes agradava em seus estágios, porém isso não necessariamente significava que uma pessoa de sucesso era livre, que talvez isso fosse uma característica da fase de estágio, início da carreira, mas não do topo.

Já os dados encontrados por Ferreira (2002) em face àqueles encontrados neste trabalho são fontes de conclusões que poderíamos denominar de mais consistentes entre si. Isso porque Ferreira (2002) encontrou que para os alunos do último semestre do curso de graduação em Administração de Empresas da EAESP-FGV as características pessoais foram consideradas como o maior trunfo na busca de uma posição no mercado de trabalho. Para 43,01% dos alunos participantes deste trabalho, o modelo de carreira de sucesso é aquele que denominamos como do tipo self made man, o homem que se faz sozinho, pobre, sem qualificação, que trabalha muito, tem visão de negócio e obtém sucesso. Uma trajetória profissional em que as características pessoais parecem ter o maior peso para a obtenção do sucesso, algo que não se explica, parece não ter lógica e ser natural, inato àqueles que o têm. Portanto estes resultados se assemelham àqueles encontrados por Ferreira (2002). Um outro dado obtido por Ferreira (2002) é que para estes alunos, o segundo maior trunfo para o posicionamento no mercado de trabalho é um diploma de uma escola de 1ª linha. Dado que corrobora com aquele encontrado por nós quando perguntamos aos alunos pesquisados o principal motivo que os levaram a escolher a EAESP-FGV. Para 66,4% dos alunos a fama da EAESP no mercado foi o principal motivo para que a Escola fosse por eles escolhida. Assim, a imagem parece ser bastante importante para a carreira, segundo a visão destes alunos.