• No results found

Kosthold, overvekt og fedme hos barn og unge

In document Innspill til neste folkehelsemelding (sider 33-36)

Kapittel 2. Barn og unge

2.2 De største utfordringene nå og i tiden fremover

2.2.6 Kosthold, overvekt og fedme hos barn og unge

Falamos anteriormente, no primeiro exemplo, de uma espécie de incompatibilidade, de uma ruptura entre as ideias primordiais e a realização composicional. Negamos uma relação de causalidade entre o pensamento primordial e a obra final. Entretanto, isso não significa afirmar uma anterioridade absoluta da criação artística a toda e qualquer reflexão teórica ou especulação. É o que afirma Nouri (2010, p. 27) ao criticar uma certa compreensão da Estética como “abordagem teórica da obra de arte, uma ciência do sensível, um desenvolvimento teórico sobre a arte e a obra de arte, um saber e uma ciência das obras de arte, tendo ligações estreitas com a filosofia da arte.” Segundo o autor, tal noção estabelece uma separação

rigorosa entre prática e teoria, entre a obra a e a reflexão estética, como se a criação artística emanasse de um gesto arbitrário, do “vazio ou de uma força transcendental, (...) como se a obra de arte não fosse fruto de seu tempo e de sua cultura” (Ibidem). Deve-se, portanto, admitir alguma anterioridade ao ato de criação, com a condição de não confundi-la com nenhuma causa primordial.

Deleuze (2007) afirma que o artista vivencia, no momento imediatamente anterior ao ato de criação, uma espécie de caos. Trata-se de um estágio do processo no qual tem-se a manifestação de um conjunto elementos que, apesar de ainda não serem os que realmente estarão em jogo no ato da criação, são componentes fundamentais da gênese temporal de uma criação.

Para demonstrar esse argumento, o filósofo aborda, a seguinte passagem das reflexões de Cézanne:

Para pintar uma paisagem, devo descobrir antes de tudo as bases geológicas, pense que a história do mundo data do dia em que dois átomos ou dois redemoinhos se encontraram, duas danças químicas se combinaram. Esses enormes arco-íris, esses grandes prismas cósmicos, este nosso amanhecer por cima do nada(...). Sob essa fina chuva, respiro a virgindade do mundo. Um sentido

agudo dos matizes me invade. Me sinto colorido por todos os matizes do infinito. Nesse momento eu e meu quadro somos um só ser. Somos um caos irizado. Vocês veem, não pintei nada ainda.

Chego em frente ao meu motivo, me perco nele, sonho, vagueio. O sol me penetra de maneira surda como um amigo distante que aquece minha preguiça, a fecunda. Germinamos. Me parece, quando a noite cai, que não pintarei e que jamais pintei. A noite é necessária para que eu possa desprender meus olhos da terra, desse canto da terra em que estou fundido (...). Para pintar uma paisagem, devo descobrir antes de tudo as bases geológicas, uma boa manhã, a manhã seguinte, lentamente as bases geológicas me aparecem, camadas se estabilizam, os grandes planos da minha tela. Desenho ali mentalmente o esqueleto pedregoso, vejo aflorar as pedras embaixo da água, nubla-se o céu, tudo cai verticalmente. Uma pálida palpitação envolve os aspectos lineares. As terras vermelhas brotam de um abismo. Começo a separar-me da

paisagem, a vê-la. Me retiro dela com um primeiro esboço geológico, a geometria, medida da terra. (CÉZANNE, apud

Esse texto descreve o que Deleuze chama de véspera, de um “antes de pintar” que parece eterno. Cézanne relata uma experiência em que se sente diluído no espaço e no tempo, sente-se afetado pelos matizes do infinito. Ele está perdido diante do quadro, e ainda não há sequer um traço sobre a tela, ele sente que nunca pintou.

Deleuze (2007, p. 31) afirma que esse momento tem seu movimento: ele funda o olho. Não se trata do surgimento de ideias, mas de uma experiência singular da visão. De acordo com o filósofo, há dois aspectos do momento caos na criação. Primeiramente, se sentindo diluído na paisagem, perdido diante de seu próprio motivo, o pintor não vê nada. É necessário que a noite caia e que ele se separe da paisagem para que, aí sim, num segundo momento, ele comece a vislumbrar, ver, antever e entrever sua obra.

Trata-se de uma espécie de gênese do esboço: atravessar essa véspera da criação, é o que permitirá ao pintor esboçar, “medir a terra”, “desenhar mentalmente”. Isso, que poderíamos chamar também de pré- composição, é apresentado detalhadamente no texto por Deleuze. Na pré- composição o artista primeiramente se sente perdido. Ele é atravessado por uma infinidade de sensações, flerta com mares, montanhas, rios de toda natureza, mas está inerte. Porém, em um segundo momento, “as camadas se estabilizam”, algo se fixa. Já é possível especular, planejar. Surgem rabiscos de todo tipo.

A força desse processo pode ser encontrada nas palavras do compositor Silvio Ferraz. A certa altura de sua reflexão sobre o rascunho ele diz:

“Grande parte das ideias musicais que tenho nasce de desenhos. Não é preciso que estes desenhos sejam feitos em algum pedaço de papel e, na maior parte das vezes, estes desenhos podem ser

imaginários; outras vezes, o desenho se esconde por detrás de

uma partitura grosseira, sem detalhes. Costumo encontrar ideias

musicais quando desenho alguma coisa, em um cruzamento do som com a imagem”. (FERRAZ, 2007, p. 5).

Pelas palavras de Ferraz, no rascunho surge algo de uma visibilidade da obra por vir. Aqui o compositor já se refere à “ideias musicais”, atrelando seu surgimento ao exercício do rascunho. A obra começa a aparecer. Já não se trata de ideias num sentido geral, abstrato do termo, mas de uma aparição.

Esse momento em que a obra aparece é narrado também por Mozart:

“(..) mesmo quando se trata de uma peça longa, eu posso ver a totalidade dela através de um único olhar na minha mente, como se ela fosse um quadro ou uma pessoa bonita; não ouço absolutamente nada em minha imaginação como sucessão – isso vem mais tarde – mas tudo de uma só vez. É uma festa rara! Todo o processo de inventar corre em mim como se fosse uma linda e forte corrente. Mas o melhor de tudo é ouvi-la de uma só vez”. (MOZART, apud EHREBZWEIG, 1977, p.158).

Trata-se de um relatado muito parecido ao de Cézanne. Ambos são atravessados por algo intenso – o colorido dos “matizes do infinito” ou “uma linda e forte corrente” – que dispara uma visão. Também no caso de Mozart, essa visão é remetida unicamente a um primeiro momento, pois o problema da escuta e da sucessão se apresentarão depois.

Pode-se perceber que esse momento que descrevemos já possui uma série de elementos passíveis de serem apropriados por uma reflexão intelectual. Essa “gênese do rascunho”, tal qual apresentamos, já possui uma objetividade, já se permite ser formulada, já é lugar de pensamento. Retomarei esse ponto ao abordar minha experiência composicional.

Porém, por mais que esse momento de pré-composição se trate, como diz Mozart, de uma “festa rara”, ainda não temos a obra. Resta ainda buscar os elementos necessários para que ela surja.

In document Innspill til neste folkehelsemelding (sider 33-36)