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Kost-nytteanalyse

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2.3 Økonomi

2.3.1 Kost-nytteanalyse

Os Açores são um arquipélago de nove ilhas no meio do Atlântico Norte, estendendo-se quase em linha horizontal com Lisboa e Washing- ton, D.C., e repartindo-se em três grupos. Sentinelas do Atlântico (o "Mar Tenebroso"), os Açores viram partir as caravelas para a des- coberta das Índias, e saudaram o regresso de Cristóvão Colombo da sua viagem de 1492.

São as únicas protrusões no hemisfério norte da crista monta- nhosa submarina que se estende entre a Islândia e o Antártico [1]. 0 fascínio pela sua beleza natural e origem vulcânica e pela sua situação geográfica já levaram a que aí se tenha querido situar o Jardim das Hespérides dos Gregos, os restos da perdida Atlântida de Platão, ou mesmo o Paraíso (também perdido) de Adão e Eva.

Quer a mitologia, quer a sua situação "estratégica" têm tido, de resto, muito a ver com a sua história e a dos seus habitantes. Vários mitos e lendas se ligaram com a descoberta dos Açores, de da- ta aliás controversa. Segundo Martin Benhaim, um arcebispo do Porto teria descoberto a ilha de Antilha no ano de 734 (na fuga aos mouros que do norte de Africa haviam invadido a Península Ibérica), onde com seis outros bispos e muitos outros cristãos fundaram as Sete Ci- dades [2]. Outras lendas de terras fantásticas, que a tradição im- plantava cada vez mais para ocidente, eram a das Ilhas Afortunadas e a da Ilha Nova, o mito do Brasil e da Califórnia, e outros lugares que prometiam sempre abundantes (e geralmente fáceis) riquezas [1]. Nomes como^ a Lagoa das Sete Cidades ou o Monte Brasil lembram ainda hoje, em São Miguel e na Terceira, alguns daqueles mitos de outrora. A situação geográfica dos Açores e a construção de novos mitos estão ainda na origem da sua descoberta e da sua colonização, assim como da emigração dos açoreanos para outras terras mais ocidentais.

A descoberta do arquipélago

Um certo mistério envolve ainda hoje a tardia (re)descoberta e colonização dos Açores, em cujas origens estariam, porém, razões bem mais práticas e concretas: a vontade do Infante de manter os seus conhecimentos e os seus planos bem defendidos da cobiça de castelha- nos, catalães, genoveses e venezianos. Os Açores, como a Madeira, viriam a ser importantes plataformas para as conquistas de praças no norte de África e para a expansão colonial portuguesa.

A ilha de Santa Maria, a mais oriental, foi a primeira a ser descoberta, em 1432; situa-se a cerca de 1120 km da costa portugue- sa. Muito próxima de Santa Maria (e com ela constituindo o grupo oriental) fica São Miguel, a maior das nove ilhas. No extremo opos- to do arquipélago fica a pequena ilha das Flores, situada a cerca de 1600 km de Portugal e apenas a 2100 km da Terra Nova (já bem próxi- ma, portanto, de meio caminho entre o velho e o novo mundo), e perto dela o Corvo [1]. No meio, e relativamente próximas entre si, ficam as restantes ilhas - o grupo central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial).

Quando começaram a ser (re)descobertas, as ilhas dos Açores não eram habitadas. A sua colonização, de este para oeste, começaria apenas sete anos mais tarde, servindo então como importante expe- riência de povoamento e exploração mercantil [3]. Primeiro foram colonizadas Santa Maria (1439) e São Miguel (1444). Mas o Infante D. Henrique procurava uma passagem para a índia não apenas contor- nando a costa de África, mas também através de uma tentativa de atingir a Gronelândia [4]. Foi no regresso da Terra Nova, após uma dessas tentativas, que Diogo de Teive descobriu as ilhas das Flores e Corvo, completando assim, um quarto de século mais tarde, o reco- nhecimento do arquipélago [5].

A colonização dos Açores

Os primeiros colonos de Santa Maria e São Miguel eram, na sua quase totalidade, do sul de Portugal (era particular do Algarve); tanto incluíam bons velhos cristãos, como "cristãos-novos" (muçulma- nos e, provavelmente, judeus) mais ou menos forçadamente convertidos ao catolicismo - uma condição imposta pelo Infante D. Henrique. In- cluídos estavam também alguns ex-presos e alguns (poucos) escravos. A maioria dos restantes açoreanos primitivos provieram da Flandres, Bretanha, Escócia, Irlanda e Itália. Uns eram refugiados de guerras e perseguições políticas, outros eram simples aventureiros, alguns eram mesmo ricos mercadores e negociantes de outras potências marí- timas como Génova ou Veneza [1].

Com a tomada de Ceuta em 1415, fechara-se o estreito de Gibral- tar aos mouros. As ilhas atlânticas, de que já haveria conhecimen- to, passaram a representar para o Infante D. Henrique uma plataforma importante para a expansão no norte de África (onde pensava poder vir a aliar-se às forças cristãs do Prestes João) e para a abertura de novas rotas comerciais.

Em 1439, sete anos após a (re)descoberta, o Infante designa Gonçalo Velho Cabral para chefiar a primeira expedição de coloniza-

ção da ilha de Santa Maria. Para engrossar a sua força de trabalho e os contingentes de colonos, Gonçalo Velho pede ao Infante que li- berte presos por crimes menores que, juntamente com alguns fidalgos e nobres aventureiros, embarcariam para Santa Maria. Com a prospe- ridade crescente do comércio em África, os pequenos portos de Santa Maria cedo deixam de poder abarcar as numerosas naus nele envolvi- das. Assim, em 1444, Gonçalo Velho faz-se a uma ilha mais ao norte, que baptiza como São Miguel por aí ter aportado no dia da festa do arcanjo desse nome, e aí deixa ficar mantimentos e colonos vindos de Santa Maria [1].

Nessa altura, na Europa, Joana d'Arc conduzia as suas tropas contra os ingleses, em plena Guerra dos Cem Anos. A Borgonha, um ducado central de França, era no entanto um aliado, embora incerto, dos ingleses, numa aliança forjada pelo casamento de Filipe-o-Bom com D. Isabel (uma Lencastre), filha de D. João I e irmã do Infante D. Henrique. A Flandres, com quem Portugal de há muito mantinha relações comerciais privilegiadas, era então uma possessão da Borgo- nha; subjugada a um domínio indesejado e despótico, que sujeitava a sua burguesia e nobreza a constantes e terríveis humilhações, via-se agora transformada em campo de batalha, naquela prolongada guerra entre franceses e ingleses.

D. Isabel consegue de seu irmão a concessão de asilo, nas ilhas dos Açores não habitadas, para numerosos refugiados flamengos, entre os quais se encontravam vários membros de famílias distintas. Foram as ilhas do Faial e de São Jorge que receberam o maior número de co- lonos directamente da Flandres [6]. Jobst van Huerter (Josse de Hurtere), senhor de Moerkerchen (e panadeiro da Duquesa D. Isabel [6]), seria nomeado capitão-donatário do Faial, Pico e São Jorge [1]. Jácome de Bruges, um conde flamengo que vivia há 20 anos no Porto ao serviço de D. Henrique, receberia deste em 1450 a capitania da Terceira [6]. A Graciosa seria entregue a Pedro Correia, um nobre português, cunhado de Cristóvão Colombo; Willem van der Haegen, um dos tenentes de Josse de Hurtere, seria encarregado de colonizar as Flores e o Corvo [1,7].

A estes capitães-donatários era dado o poder de povoar as ilhas com colonos da sua escolha, sob condição de serem católicos, o que poderia ter em vista, sobretudo, uma selecção entre os flamengos refugiados da Guerra dos Cem Anos [7]. Há no entanto indícios de que o judaísmo tenha sido tolerado nas ilhas, pelo menos durante algum tempo; a Terceira tem mesmo um cemitério judaico [1].

As pronúncias e coloquialismos que se podem ouvir hoje nas ilhas testemunham assim as suas diferentes colonizações. Betten- courts (que vieram das Canárias após terem trocado os seus direitos

de propriedade por terras nos Açores) e Drummonds (que pertenciam à casa real escocesa) [1]; ou ainda nomes como Silveira (tradução de van der Haegen), Brum (van der Bruyn), Rosa (Roose), Goulart (Go- vaert), Terra (van Aard Aertrycke), Bulcão (Bulscam), Armas (Herman) ou Pasteleiro [6], são alguns dos nomes de colonos primitivos (bre- tões, escoceses e flamengos) que podem ainda hoje ser encontrados (muitos deles em famílias com a doença de Machado-Joseph) nos Açores e na América do Norte.

A EMIGRAÇÃO DOS AÇORES PARA A AMÉRICA DO NORTE

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