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Korrelasjon mellom innhold av polyfenoler og NF-  B-aktivitet

Nas Escrituras, e em especial, na literatura sapiencial, o “ímpio ” ([v'r') é o oposto do “justo” (qydc;). Diante do conselho dos justos, os ímpios não ficarão de pé (Sl 1,5) porque por conduta negativa, pelo que pensam, falam e fazem, prejudica m a comunidade e a si mesmos (Is 57,20-21), ameaçam a vida de seus compatriotas (Jr 5,26; Pr 12,6) e matam pessoas inocentes (2Sm 4,11). As vítimas são muitas vezes os pobres (Sl 37,14; 82,4) e os justos (Sl 11,2; 37,12.32).

A palavra “ímpio ” ([v'r') aparece 26 vezes no livro de Jó, proferida duas vezes por Elifaz, duas vezes por Baldad, três por Sofar, doze vezes por Jó, quatro por Eliú e três por Deus. Esse levantamento revela que esse personagem é significativo para o autor.

Os interlocutores de Jó, ao falarem do ímpio, acentuam de forma vaga o castigo que se abaterá sobre ele: o futuro será efêmero (20,5) e desastroso (11,20; 18,5); o tormento o atingirá (15,20), sua tenda desaparecerá (8,22; 20,26.29) e a terra se insurgirá contra os lucros de sua casa (20,27-29). Uma única vez Elifaz faz uma denúncia: “ele enchia de bens suas casas, enquanto o conselho dos ímpios se afastava de Shaddai” (22,18).

A fala de Jó sobre os ímpios, pelo contrário, é muito concreta. A terra está em seu poder (9,24), eles são ricos, vivem bem (21,7), com a prosperidade em suas mãos (21,16), fazem-se proprietários de terras férteis (24,6) e ninguém extingue a lâmpada de sua felicidade (21,17). Essa forma de falar pode ser interpretada como inveja de Jó ao constatar a prosperidade dos ímpios, como aparece no Salmo 73. No entanto, essa suposição deve ser descartada pelo fato de ele não estar pleiteando salvação e resgata, mas instrução (6,22-24). A denúncia que faz não se refere a um simples enriquecimento e prosperidade dos ricos,

mas o fato de acontecer isso às custas de numerosas vítimas, principalmente as mais indefesas. No capítulo 24, Jó faz uma descrição da prática do ímpio embora esta palavra não apareça no hebraico, mas a tradução dos LXX fala de asebeis. As vítimas dos ímpios, os /as pobres, perdem a terra, vêem seu rebanho roubado e são obrigadas a se colocar à margem da sociedade, sujeitando-se a um trabalho escravo para garantir o pão para seus filhos. Vivem como escravas, trabalhando nos campos daqueles mesmos que roubaram suas terras e não encontram aí o necessário para o alimento, o vestuário e a moradia. Como continuam endividadas, seus filhos lhes são arrancados como penhora. Expressam sua dor através de gritos, mas ninguém as ouve (24,2-12). Essa realidade não é simplesmente constatada por Jó, mas ele mesmo passa por essa experiência. Ele é uma vítima dos ímpios: encontra-se entregue a injustos e nas mãos de ímpios (16,11-14). Esse texto tem semelhança com ao lamento do salmista que expõe a Deus sua situação (Sl 22,18- 22). É dentro dessa condição de vítima, dominado pelos ímpios, que Jó procura mostrar a seus interlocutores que todo o progresso desses homens e a segurança em que vivem é um dado de realidade que contradiz a doutrina da retribuição que defendem e os ensinamentos que ele mesmo conheceu e guardou.

Ao analisar a palavra “ímpio”, é preciso ver outras palavras que a acompanham. Só assim será possível compor um quadro que revele quem é ele.

Elifaz coloca em correspondência o ímpio com #yrI[', o “poderoso/ violento” (15,20). Essa mesma correspondência aparece em 27,13, num pronunciamento de Jó para dizer o que Deus lhes reserva. Diante da insensibilidade de seus interlocutores, Jó afirma que não pediu para que ele o arrancasse da mão do “inimigo” (rc'), nem solicitou resgate das mãos dos tiranos (~yciyrI[') (6,23).

O #yrI[ é o “inimigo” (rc') que persegue e despedaça Jó, rangendo os dentes e flechando-o com os olhos (16,9). O rc' impede sua chegada ao tribunal para reivindicar justiça e denunciar a violência, barra a sua estrada e despoja-o de sua dignidade. Sua tenda encontra-se cercada, como uma cidade murada, por aqueles que pretendem sitiá-la. Jó apresenta uma imagem de cerco militar (19,7-12)216 para falar de sua situação. O inimigo que provoca esse cerco é denominado por dWdg>. Esta palavra significa grupo saqueador, tropa, e geralmente se refere àqueles que tomam parte em uma investida militar.217

Outra palavra que aparece relacionada com ímpio é @nEx' (15,34) A palavra aparece no coletivo: “assembléia de ímpio” (@nEx' td;[]). A noção fundamental da palavra @nEx' é de inclinar-se para o que não é certo. O adjet ivo denota homem ímpio, alguém que se esquece de Deus e vive em oposição a tudo o que é direito (Jó 17,8). Esse termo aparece oito vezes em Jó e o @nEx' é uma ameaça á sociedade.218 O fato de aparecer como coletivo, está relacionado com quem participa de uma assembléia, assembléia, para tomar decisões que afetam a vida social.

A palavra “ímpio ” está relacionada com a casa do nobre (bydIn"- tybe) e com o injusto/ iníquo (lywI[). A palavra lywI[ aparece somente três vezes nas Escrituras, e é Jó que a utiliza afirmando que se encontra como sua presa (16,11) e é por ele desprezado (19,18). Em 9,24, a figura do ímpio aparece ligada à face de seus juízes (h'yj,p.vo-ynEP.) que estão cobertas, impedindo não só que o direito do inocente prevaleça, mas condenando- o como perverso (9,20).

O levantamento acima permite ampliar a visão sobre o ímpio. As denúncias pronunciadas por Jó, a partir de sua própria situação de vítima, muitas vezes em forma de

216 Schökel e Sicre Diaz, Job, p.286-288. 217 Harris, Dicionário. p.244-245. 218 Harris, Dicionário. p.498-499.

lamento, mostrando a violência e injustiça praticadas pelo ímpio contra os mais fracos na escala social, só são possíveis de serem efetuadas por grupo muito forte e significativo, detentor do poder político e econômico, sustentado por um aparato militar relevante. As diferentes palavras que estão em relação aos ímpios mostram esse fato. O ímpio é um coletivo, “assembléia” (@nEx' td;[]), poderoso e violento (#yrI['), integrando casa de nobres (bydIn"-tybe), respaldado por seus juízes (h'yj,p.voo) e gente iníqua (lywI[), conta com um aparato militar (dWdg> ), protege-se por uma massa compacta dos seus escudos (wyN"gIm' yBeG: ybi[]B;) (15,26). Em uma palavra, é inimigo (rc') do povo e conta também com os que se deixam subornar (15,34).

Esses dados estão de acordo com a presença de um grande império no país, o império persa. O sistema político-administrativo que adotaram era diferente do império babilônico e ganhou em clareza e coerência. Nas províncias, o governo era exercido por governadores persas ou nativos, responsáveis diante dos chefes das satrapias, e através dos quais os sátrapas prestavam contas ao grande rei. A ordem hierárquica era extremamente severa. Os imperadores persas eram déspotas e, diante deles, todos eram tidos como escravos.

Esse período caracterizou-se por uma severa crise socioeconômica, resultado do novo sistema de taxação imposto pelos persas. O sistema tributário não era homogêneo no que diz respeito à cobrança de impostos. A partir do reinado de Dario (522-486 a.C.), exigia-se dos judeus que pagassem os impostos não mais com uma porcentagem de sua produção agrícola, mas em dinheiro. Nos períodos de seca ou de declínio dos preços no mercado, os proprietários rurais eram obrigados a se endividar e a hipotecar sua

propriedade.219 Todas as satrapias eram obrigadas a pagar o imposto em prata. O cálculo era feito com base na área de terra cultivável e em sua fertilidade. Além do imposto, foi mantido o antigo sistema de “doações”, que eram estritamente determinadas e sempre pagas em mercadoria. Quase todas as satrapias tinham que fornecer ao Império taxas fixas de cereal, animais, armas, pessoas e alimentação para tropas aquarteladas na satrapia.220

Além dos impostos, os persas tinham interesse nas terras dos povos conquistados. Eles introduziram o arrendamento de suas terras a altos funcionários e dignatários em troca da prestação de serviços, especialmente o serviço militar, como foi apresentado anteriormente.

As referências ao modo de agir do ímpio, como aparecem no livro de Jó, e os dados históricos do período persa, época em que foi escrito o livro, permitem identificar o ímpio, inimigo do povo israelita, aqueles que estavam a seu serviço do império persa, principalmente no exército e nas administrações encarregadas de arrecadar os tributos.