• No results found

Effekt av prosessert saft på NF-  B-aktivitet og analyse av innholdsstoffer

O segundo texto em que Elifaz aborda a questão da terra é o v. 28: Fixou morada (em) cidades destruídas,

casas (que) não são moradas para ele as quais foram destinadas para ruínas.

Este versículo está inserido na terceira parte do discurso, cujo objetivo é focalizar a figura do “ímpio ” ([v'r'). Na primeira estrofe desse conjunto (v.20-24), Elifaz procura mostrar como a vida do ímpio encontra-se constantemente ameaçada, pela vingança daqueles que foram espoliados devido à sua violência. Eles receberão a mesma moeda de volta: o saqueador “chegará” (WNa,Aby> ddeAv), usando a violência pela espada (br,x'-

ylea/) como resposta à violência que sofreu. Há um combate entre duas forças: a expressão rAdyKi (combate/ataque), uma hapax legómena, relacionado à expressão: “como um rei”, ilustra o ataque cuja vítima é o ímpio.

A estrofe seguinte (v.25-28), que continua o argumento contra o ímpio, aborda o crime cometido por ele. Elifaz mostra que a ação do ímpio é uma ação contra Deus. A sua arrogância é tal, que se vangloria de lutar e estender sua mão contra Ele. A expressão: “estender a mão” relaciona-se com poder contra um determinado inimigo. No texto, o ímpio age contra Deus e sua ação está diretamente ligada à ocupação da terra, mencionada no final da estrofe: “fixou morada em cidades e casas que não são suas”. Se elas não lhe pertencem, devem voltar para seus antigos donos.

Como foi analisado no segundo capítulo, o verbo fixar morada (!kv:) é traduzido na LXX, na maioria das vezes por kataskhnow em vez de simplesmente skhnow, armar barraca, numa proporção de dois para um. Embora não se saiba bem a razão da predominância da forma composta, uma das hipóteses é que a forma mais longa reforça e enfatiza a idéia de uma estada mais demorada ou permanente, em contraste com uma simples pousada à noite. Assim, o ímpio veio para ficar.

Ao falar em “cidades destruídas” e “casas em ruínas”, é possível interpretar o texto da seguinte forma: depois da guerra, com a vitória da Babilônia, as cidades foram destruídas e os habitantes ou morreram, ou fugiram ou foram conduzidos para o exílio, deixando as cidades em destroços e as moradias desabitadas. Com o domínio do estrangeiro e a ausência de lideranças locais, esses locais foram ocupados por pessoas estranhas, que não têm direito à herança. O “estranho ” (rz") se refere aos edomitas e outros grupos que souberam tirar partido do domínio da Babilônia sobre Judá, ocupando as terras. A referência “às cidades”, nesse v. 28, pode referir-se a um outro grupo de ocupantes, que tem

interesse maior voltado para os centros urbanos, locais que favorecem a administração e o comércio. Esse grupo é denominado como ímpio ([v'r'). Quem se interessaria por fixar morada em cidades, numa região destruída por guerras e empatar aí altos recursos? Esse interesse certamente não é de camponeses que precisam trabalhar para sobreviver e garantir a vida aos seus.

Por outro lado, a identificação desse grupo ([v'r') só pode ser feita analisando todo o livro. O que se sabe é o que se deduz dos discursos. Elifaz menciona a luta rebelde desencadeada pelo ímpio contra Deus, não de uma forma individual, mas coletiva, pela massa compacta dos seus escudos (v.26). Essa imagem é de um exército que chega e está disposto e pronto para vencer e, sobretudo, para manter seu poderio. Por trás das palavras do v.26 insinua-se que se trata de um exército em batalha, na qual o ímpio corre, com o “pescoço” protegido “atrás da massa compacta dos seus escudos”. A luta “contra Deus ” é a luta contra seu povo. O interesse de vencer e permanecer está diretamente ligado à implantação de um domínio que arranca do povo submetido tudo o que ele tem e que o país pode oferecer. Poder e enriquecimento estão juntos.

O tema da abundância e da fartura aparece no capítulo em estudo, quando Elifaz afirma que o ímpio vive “em paz”, sinal de sua prosperidade, atingindo um nível de bem- estar que o deixa em constante atenção contra um saqueador (15,21). O que ele acumulou torna-se visível em seu corpo, cheio de gordura, nas “faces” e no “lombo” (15,27). A abundância de iguarias de sua mesa contrasta com a escassez da mesa dos pobres.

A ação do ímpio, que vem de sua força militar, faz com que Elifaz o chame de #yrI[', aquele que “provoca terror”, “é poderoso, violento ”. Esta palavra está em paralelo ao rc' (6,23), que é “inimigo”, “adversário”, “agressor”, “hostil”, usada por Jó. Ele emprega esses dois termos (#yrI[ e rc') com uma linguagem jurídica que expressa sua situação de

opressão, que pode ser de escravidão ou perda de terra, que exige que alguém o salve (jlm) e compre sua liberdade (hdp). Todos os termos aplicados ao ímpio podem significar uma coletividade, expressa por @nEx' td;[] (uma assembléia de perverso), conforme o v.34, formada por um grupo de pessoas com funções diferentes e que integram o sistema violento

que impõe seu poder contra o povo. O ímpio ao usar sua força militar, não só “fixou morada em cidades destruídas”,

ocupou “casas que não são suas moradas”, mas invadiu terras férteis, das quais podia desfrutar dos bens que ela produzia. O v.32 aborda esse fato, ao falar do castigo que se abaterá sobre o ímpio: “sua palma não cresceu exuberante”. Ao usar o termo “palma dele” (AtP'ki), a referência volta-se para plantação. A existência de plantação “dele” mostra que houve uma invasão de terra, que também não é sua, da qual goza dos benefícios que a terra produz. A “palma ” ou “palmeira” faz lembrar a palmeira de tâmara, um produto básico na Mesopotâmia, comum no Egito e na Palestina. Neste país, ela cresce apenas na planície costeira e no vale do Jordão e nos oásis do deserto, como afirma Ex 15,27; Nm 33,9: Elim tinha doze fontes e setenta palmeiras. Trata-se de terra privilegiada, favorável à agricultura. A palmeira também é metáfora para dizer o que é excelso e elevado.

As referências sobre o ímpio que aparecem no capítulo 15 não permitem afirmar de quem Elifaz está falando. Os dados mostram que os inimigos do povo são dois: o estranho (rz") e o ímpio ([v'r'). Ambos exploram o povo e um lembra o outro. O fato de usar dois vocábulos pode indicar a existência de dois grupos distintos. Se rz" está mais ligado aos grupos que aproveitaram o domínio da Babilônia e o tempo do exílio, provavelmente o ímpio seja uma referência aos que, no momento, estão repetindo essa prática de ocupar o território e usar a violência para atingir seus objetivos.