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No processo de concepção de mapas, uma das variáveis interdependentes que mais traz consequências ao potencial do mapa enquanto meio de comunicação é a definição da escala (DENT et al. 2009; SLOCUM et al. 2009). A escala, ou proporção de redução dos detalhes do mundo real, é um fator crítico no projeto de mapas porque determina a seleção, generalização e representação das feições (DENT et al. 2009). Dentre os fatores que controlam a definição da escala, pode-se destacar o propósito do mapa, isto é, ‘qual a necessidade do usuário ao interagir com o mapa?’, o formato da mídia de apresentação e o nível de detalhamento da informação para atender a demanda do usuário (SSC, 2005; DENT

et al. 2009). Portanto, a escala apropriada será a que permite representar, com legibilidade, na

mídia selecionada, as informações relevantes para atender às demandas do usuário do mapa. O propósito dos mapas de SINGRA é auxiliar o motorista desenvolver a manutenção em rota em áreas urbanas pouco ou não conhecidas. Assim, a necessidade do usuário está em compreender as informações apresentadas pelo sistema, de maneira a realizar com eficiência e

eficácia cada tarefa que compõe a fase de manutenção em rota, especialmente a tarefa tática, a qual tem o efeito de sobrecarregar o sistema de processamento da informação humano.

Segundo Lavie et al. (2011), os mapas de sistemas de guia de rota, em geral, contêm informações irrelevantes à tarefa de navegação, e isto dificulta o motorista compreender as informações essenciais para a manutenção em rota. Quanto maior a densidade de informação em uma interface, maior é a carga mental gerada no motorista e, consequentemente, menor é a usabilidade do sistema (BURNETT; DONKOR, 2012; LAVIE; ORON-GILAD, 2013). Além da densidade de informação, Quaresma e Moraes (2011) apontam que o tamanho reduzido da mídia é outro fator que contribui para a ocorrência de problemas de usabilidade nas interfaces de SINGRA. Para que uma interface visual possa ser eficiente, uma importante característica é que a interface seja equilibrada, isto é, o mapa não deve apresentar excesso e tampouco falta de informação (HO; LI, 2004; MARQUES et al. 2012). Outro aspecto é evitar a produção de mapas complexos, e isto corresponde a representações que dificultam a compreensão do conteúdo de interesse, seja por não estarem adequadas às necessidades dos usuários ou por apresentarem projetos gráficos inadequados (PUGLIESI et al. 2013).

Sendo assim, no intuito de produzir mapas eficiente e eficazes para atender às demandas dos motoristas na manutenção em rota, fez-se a seleção das escalas para os mapas do protótipo de SINGRA em duas grandes etapas. Na primeira, o objetivo foi responder a seguinte questão: ‘Os mapas exibidos pelos sistemas de guia de rota disponíveis no Brasil são apresentados em quais escalas, e o nível de detalhe dos mapas pode ser considerado apropriado para auxiliar o motorista na tarefa de maior demanda cognitiva, a tarefa tática?’. Na segunda etapa, o objetivo foi realizar uma análise visual de mapas projetados em diferentes escalas, em função dos diferentes estágios da fase de manutenção em rota, para identificar se o nível de generalização estabelecido ao mapa auxilia o motorista a cumprir as metas que possui em cada um desses estágios.

Para responder a questão da primeira etapa, realizou-se um teste em campo um conjunto de três sistemas de guia de rota vendidos no Brasil. O teste foi realizado pelo experimentador da pesquisa, a partir da navegação em automóvel por rotas urbanas, com cada sistema selecionado. Os sistemas utilizados exibem mapas em mídia de pequeno formato, com dimensão entre 4,3” e 5”. Os resultados revelam que os sistemas não selecionam valores similares de escala para os mapas, ainda que a mídia seja de tamanho similar, mas sim adotam uma grande amplitude de valores, variando entre 1:2.000 e 1:15.000, nos 300 metros finais até a manobra. Os resultados também apontam que os sistemas alteram a escala do mapa em função da distância do automóvel até a manobra, sem considerar o tipo de tarefa de navegação

realizada ou o nível de complexidade da manobra. Outro aspecto é o fato dos mapas não serem generalizados com a redução da escala, o que se constatou foi apenas a omissão de alguns elementos associados às feições do mapa como, por exemplo, a toponímia de vias. A partir da identificação do conjunto de informações que os mapas exibem, associada a falta de generalização que apresentam, concluiu-se que os sistemas apresentam mapas com baixa legibilidade ao instruir o motorista na tarefa de navegação. Além disso, constatou-se que o excesso de informação nos mapas não é condizente ao limite de armazenamento da memória de trabalho humano. Os resultados obtidos nesse teste oferecem indícios de que o uso de SINGRA comercias, exibindo mapas em diferentes escalas, possa estar sobrecarregando o sistema de processamento do motorista, e isso pode trazer implicações negativas no trânsito. A descrição completa dos procedimentos desse teste, a análise e discussões dos resultados estão apresentadas no Apêndice A, em forma de artigo. Este artigo foi submetido, aceito e publicado no periódico ‘Revista Brasileira de Cartografia’ (v.1, n. 66. p- 195-207, 2014).

Para realizar a segunda etapa, fez-se a projeção das quadras da cidade de Álvares Machado, na tela do monitor de 7”, considerando os valores de escalas identificados na etapa anterior, mas apenas para os valores variando de 1:2.000 a 1:15.000, os quais corresponderam ao automóvel localizado a 300 metros ou menos da manobra (Apêndice A). Fez-se a projeção das 13 manobras da rota experimental nas diferentes escalas, para três instantes da navegação: o automóvel posicionado a mais de 100 m da manobra, representando a tarefa de manutenção em trecho de rota, o automóvel posicionado a 100 m ou menos da manobra, representando o início da tarefa tática, e o automóvel posicionado imediatamente depois da manobra, representando o fim da tarefa operacional. Optou-se por representar o início da tarefa tática por ser a tarefa de maior demanda cognitiva para o motorista, portanto, crítica para a usabilidade de mapas de SINGRA. Deve-se ressaltar que o projeto cartográfico adotado para os mapas na realização dessa análise visual é o proposto por Marques (2011), pois se trata de um projeto construído com base nos princípios da comunicação cartográfica. Os resultados obtidos na análise visual (Apêndice B), sugerem que mapas exibidos na mídia de 7” em escala maior que 1:3.000 podem não ser eficientes para auxiliar no estágio de pré-visualização, pois o mapa não favorece o motorista formar uma imagem mental do leiaute da próxima manobra. Por outro lado, mapas exibidos em escala menor que 1:6.000 podem não ser eficientes para auxiliar no estágio de identificação, por prejudicar a relação de distância até a manobra, a qual é estabelecida entre a posição automóvel na rota e a posição da manobra na via. Além disso, mapas exibidos em escala menor que 1:6.000, na mídia de 7”, apresentam problemas de legibilidade, por ocorrer coalescência entre alguns símbolos do mapa, como entre a seta de

manobra e o automóvel, o que pode dificultar a compreensão da direção da manobra. Para corroborar os apontamentos dessa análise visual, bem como adotar escalas similares às empregadas para os mapas de SINGRA comerciais, optou-se por pré-selecionar quatro escalas para os mapas do protótipo de SINGRA, quais sejam 1:1.000, 1:3.000, 1:6.000 e 1:10.000.