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Na fase de diagnóstico foram identificadas algumas áreas que careciam de intervenção, nomeadamente o desenvolvimento da consciência da relação intrínseca entre a língua que se aprende e a cultura e, por conseguinte, a valorização dos conteúdos culturais a par dos restantes. Inicialmente apenas 19% dos alunos associavam a aprendizagem da língua inglesa ao

58% 71% 63% 38% 25% 33% 0% 0% 0% 4% 4% 4%

22. Reconheço que aprendo coisas novas em situações de contacto com a outra

cultura.

23. Sei que os membros de outras culturas se comunicam e comportam de maneira

diferente da minha.

24. Tenho conhecimentos básicos sobre os valores, práticas culturais e costumes da

outra cultura.

Indicador de conhecimentos

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conhecimento de uma cultura, sendo que depois da intervenção 100% dos alunos afirmaram ser importantes os conteúdos socioculturais na obtenção de uma aprendizagem efetiva. Cruzando estes dados com os obtidos no questionário de autoavaliação de competências interculturais (Gráfico 12), verificamos que aí 85% dos alunos consideram que conhecer apenas a língua pode não ser suficiente para entender as pessoas que a falam. Estes valores são indicativos de ter desenvolvido nos alunos a consciência da relação intrínseca entre a cultura e a língua que se estuda, tal como proposto nos objetivos deste projeto.

Outro aspeto diagnosticado foi a necessidade de desenvolver nos alunos capacidades de comparação e interpretação entre a cultura de origem e a cultura-alvo de forma a poderem compreender e lidar com a diferença e orientá-los na descoberta do Eu para entender o Outro. Assim, relativamente às suas representações iniciais da sua cultura e da cultura inglesa, 24% dos alunos concordavam reconhecer as semelhanças e diferenças entre ambas, ao passo que 75% afirmam o mesmo no questionário final. Este aumento significativo poderá ser indicador de ter desenvolvido nos alunos conhecimentos culturais de ambas as culturas e de que as atividades de comparação e reflexão entre culturas promovidas e enunciadas ao longo da Secção 2 deste capítulo permitiram desconstruir uma visão etnocêntrica da relação entre as duas, sendo esta característica essencial ao desenvolvimento de atitudes de respeito, entendimento e aceitação mútua.

Outra estratégia de ação delineada para este projeto após a fase de diagnóstico prendeu- se com a promoção de atividades possibilitadoras e motivadoras para o desenvolvimento da competência intercultural dos alunos. Quando questionados sobre os temas abordados nas aulas verifica-se no Gráfico 10 que foram do agrado de 100% da turma, e ainda que estes contribuíram para entender o comportamento das diferenças entre as pessoas na sua cultura. De referir ainda que 95% afirmam que os temas os sensibilizaram no sentido de não julgar os outros pelas suas diferenças e aceitá-los tal como são, indicando assim ter desenvolvido sentimentos de empatia, essencial à aquisição desta competência. Também no que se refere ao trabalho desenvolvido pela professora, verificámos no Gráfico 11 que 100% concordam que este foi útil no sentido de desenvolver a sua competência intercultural e que foram preparados de modo eficaz para entender as diferenças entre ambas as culturas, melhorando a sua capacidade de comunicação e respeito pela diversidade cultural e diferença individual, sendo este outro aspeto presente nos objetivos do projeto.

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Avaliando agora os dados recolhidos nos diários de aprendizagem e no questionário de autoavaliação de competências interculturais, também esses evidenciam a presença de alguns dos aspetos abarcados pela competência intercultural, bem como a capacidade de reflexão sobre as temáticas abordadas. Quando analisada a questão 3 do Gráfico 12, verificamos que 95% dos alunos afirmam que agora conseguem colocar-se no lugar do outro para ver o mundo desde a sua perspetiva e poder entendê-lo. Esta ideia também se encontra patente nos diários:

Figura 2 - Excerto do diário 12A

Voltando agora a atenção para a questão 12 do mesmo Gráfico, verificamos que 90% dos alunos concordam que existe mais do que uma maneira de se comportar, indicando assim abertura e aceitação face ao diferente e desconhecido. De igual modo nos diários encontramos esta evidência. Segue-se a Figura 2 que mostra um excerto do registo de um aluno que reflete sobre as diferenças individuais e conclui que apesar delas somos todos iguais.

Figura 3 - Excerto do diário 14A

Ainda no mesmo Gráfico, na questão 15, 95% afirmam desejar superar os mal- entendidos que os estereótipos podem causar, o que no meu entender torna evidente a capacidade de atuação perante situações de conflito ou mal-entendido e desenvolvimento da competência pragmática. Também nos diários podemos encontrar esta ideia:

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Figura 4 - Excerto do diário 3A

Para avaliar em que medida as aprendizagens adquiridas com recurso aos aspetos culturais lhes permitiram refletir e entender a maneira como atuam os outros, verificamos através da questão 8 que 90% dos alunos afirmam terem sido eficazes. Uma vez mais apresento um excerto de um registo do diário de aprendizagem de um aluno:

Figura 5 - Excerto do diário 1B

Focando agora a questão 11, verifica-se que 100% dos alunos concordam que ao fazer comparações entre culturas se dão conta das semelhanças e diferenças entre elas. Concluo que as atividades de análise, comparação e reflexão entre culturas surtiram o efeito desejado. Segue- se o exemplo de um registo no diário de aprendizagem onde se torna evidente esta reflexão:

Figura 6 - Excerto do diário 12C

No cerne do projeto encontrava-se ainda a capacidade do aluno refletir e conhecer-se a si próprio. Foram várias as evidências recolhidas ao longo dos 78 diários desta turma. Mostro o excerto de um registo no diário de um aluno que, após ter desenvolvido conhecimentos gerais sobre a temática Shopaholic, reflete sobre si e sobre a sua personalidade:

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Figura 7 - Excerto do diário 2D

Para terminar a avaliação desta turma, e ainda no que concerne ao questionário de autoavaliação de competências, resta ainda referir os resultados obtidos no que diz respeito aos indicadores de atitudes, destrezas e conhecimentos, muitos deles também presentes nos diários. A nível de atitudes verificamos através do Gráfico 13 que 100% dos alunos demonstram tolerância, vontade de expandir os seus conhecimentos culturais e abertura face a conhecer e entender a diversidade cultural. No meu entender estes são indicadores de ter desenvolvido nos alunos a competência geral de savoir-être, essencial à competência intercultural. A nível de indicadores de destrezas (savior-faire), verificamos no Gráfico 14 que 80% dos alunos afirmam serem capazes de identificar aspetos visíveis e não visíveis da outra cultura, 100% dizem também ter desenvolvido a consciência de que é necessário adaptar-se à nova cultura para evitar choque e mal-entendidos e, por último, 85% indicam serem capazes de utilizar estratégias que lhes permitem conhecer mais sobre a cultura alheia (savoir-apprendre). Ainda, a nível de indicadores de conhecimentos (savoir), o Gráfico 15 indica que 100% dos alunos afirmam reconhecer que aprendem coisas novas em situações de contacto com a outra cultura e que sabem que os membros das outras culturas se comunicam e comportam de maneira diferente da sua. Finalmente, 95% dos alunos afirmam possuir conhecimentos básicos sobre os valores, práticas culturais e costumes da outra cultura, muitas delas abordadas nas aulas lecionadas.