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Kontraktenes incentivarrangement

4.1 Relasjonelle aspekter

4.1.4 Kontraktenes incentivarrangement

Conforme já detalhamos antes, com o intuito de coletarmos dados para nossa pesquisa, elaboramos um curso de formação continuada em um ambiente virtual de aprendizagem53 disponibilizado em uma plataforma de ensino via web. A plataforma Moodle possibilitou a disponibilização de conteúdos e materiais (textos, vídeos, links, e-books, entre outros) e a interação dos participantes e pesquisadores por meio de ferramentas síncronas e assíncronas como:

 o fórum: que proporcionou discussão sobre temas, textos e vídeos; trocas de informações, experiências e opiniões entre todos os participantes (ver figura 16); disponibilização de materiais como páginas simples de texto e páginas em HTML, acesso a arquivos em diferentes formatos (DOC, PPT, áudio, vídeo) e a links externos (URLs), livros eletrônicos;

51 Os dados sobre a professora são referentes ao ano de 2012.

52 Na rede estadual, houve um período em que as crianças ingressavam no Ensino Fundamental a partir do 2º

ano/antiga 1ª série.

53 Como já descrito no capítulo Caminhos Metodológicos, mais especificamente, em: 2.2.1 A ACIEPE, o Moodle

Figura 15 - Ícone que antecedia os fóruns de discussão, notícias e livre.

Fonte: <http://www.moodle.ufscar.br/course/view.php?id=2395>

Figura 16 - Trecho com comentário de uma das atividades realizadas pela turma do 1º ano do EF da professora Ana quando a pesquisadora estava realizando a observação participante na sala de aula.

Fonte: <http://www.moodle.ufscar.br/mod/forum/discuss.php?d=42546>

 o diário: uma atividade de reflexão pessoal que podia ser atualizada diariamente, sendo visualizada apenas pelo próprio participante e pela pesquisadora/ professora da turma, como vemos no trecho escrito em 08/04/2012 pela professora Ana:

Figura 17 - Trecho de registro feito na ferramenta Diário.

Fonte: <http://www.moodle.ufscar.br/mod/journal/report.php?id=75864>

Nessa ferramenta, de cunho mais pessoal, cada participante pode escrever suas impressões, opiniões, dúvidas, angústias que sempre foram comentadas pela pesquisadora.

Figura 18 - Ícone que possibilitava acessar a página do diário para escrever ou editar.

Fonte: <http://www.moodle.ufscar.br/course/view.php?id=2395>

Esta ferramenta, bastante utilizada pelos participantes, foi mantida na segunda etapa do curso com reflexões mais pessoais, principalmente relacionadas a questões que são impostas pela escola, por exemplo, a cobrança quanto ao uso do material didático do Programa Ler e Escrever.

 o bate-papo: ferramenta em que os participantes estabeleceram um diálogo por escrito e on-line (1) com data e horário, previamente marcados, ou acessaram as conversas já realizadas (2), conforme figura a seguir:

Figura 19 - Página de acesso ao chat.

Fonte: <http://www.moodle.ufscar.br/mod/chat/view.php?id=73151>

Figura 20 - Ícone que possibilitava o acesso à sala de bate-papo ou chat.

Fonte: <http://www.moodle.ufscar.br/course/view.php?id=2395>

O bate-papo não foi utilizado na segunda etapa, porque na anterior a participação foi diminuindo a cada semana e as discussões ficaram restritas a dúvidas que também eram postadas no fórum ou nas mensagens individuais encaminhadas à professora. As justificativas dos participantes sobre a dificuldade de participação no horário marcado, ainda que esse tenha sido escolhido pelo grupo como o mais adequado, a presença cada vez mais reduzida deles e as discussões realizadas conduziram à exclusão da ferramenta chat na

segunda fase do curso. Por outro lado, o fórum foi mantido por possibilitar a participação e a interação de todos nos horários e locais mais adequados à rotina de cada um.

Assim, além destas atividades de interação no fórum e no diário, foi disponibilizada no ETPA a atividade de avaliação, Tarefa, que, na primeira fase do curso, contou com reflexões sobre a teoria discutida no curso e sua relação com a sala de aula e a construção de um projeto de letramento e, na segunda, com reflexões sobre a aplicação do projeto de letramento com uma turma do primeiro ano do Ensino Fundamental.

A maior vantagem da criação desse ambiente virtual de aprendizagem foi o fato de todo o material, além das conversas, das discussões, das tarefas ficarem registrados, podendo ser consultados a qualquer momento durante a realização do curso e, ainda, continuarem disponíveis, após a realização desse, para a coleta de dados da nossa pesquisa.

Para participar da segunda etapa do curso foi necessário que os participantes aplicassem o projeto de letramento, planejado na primeira etapa, preferencialmente, em uma sala de aula do primeiro ano do Ensino Fundamental. Diante desse contexto, decidimos participar de um desses projetos na sala de aula de primeiro ano do Ensino Fundamental, como já observado anteriormente.

Dessa forma, quanto ao procedimento utilizado, realizamos uma pesquisa participante já que esta implica na participação do pesquisador no contexto (em nosso caso, no AVA, por meio das reflexões e interações com os professores alfabetizadores, e na sala de aula do primeiro ano do Ensino Fundamental em que um dos projetos de letramento foi desenvolvido) e dos participantes no processo de pesquisa (os mesmos participaram das discussões no AVA e geraram dados para o ambiente quando aplicaram seus projetos de letramento na sala de aula). Segundo Ezpeleta (1984, p. 40) a pesquisa participante é a conjunção da observação participante com a participação da pesquisa num projeto popular, pois falar em pesquisa participante implica falar em classes populares. Ainda nesse sentido, a autora retoma Rodrigues Brandão (1984) ao dizer que a “observação participante possibilita formas de interação entre o pesquisador e o sujeito, permitindo uma abordagem pessoal e abrindo fontes de informação que nenhuma outra técnica tornaria possível.” (EZPELETA, 1984, p 40).

A observação participante na sala de aula iniciou-se ao mesmo tempo que a segunda fase do curso no AVA com o objetivo de possibilitar um contato pessoal e mais próximo do pesquisador com o fenômeno pesquisado, conforme Lüdke e André (1986),

permitindo ao observador uma maior aproximação da perspectiva dos sujeitos, ou seja, da sua visão de mundo. Porém, a segunda etapa do curso finalizou antes do encerramento da aplicação do curso, fato este que já era esperado, pois conforme afirma Tinoco (2008) no trabalho com projetos de letramento é preciso reorganizar, entre outros fatores, a utilização do tempo escolar porque por mais que o planejamento seja fundamental, a abertura para mudanças durante o processo, a flexibilidade das etapas do projeto e o aproveitamento das oportunidades são características desse tipo de trabalho e isso significa que o tempo nem sempre é previsível.

Ainda que haja críticas quanto ao fato de que a observação participante possa provocar alterações no ambiente ou no comportamento das pessoas e ainda levar a uma visão distorcida da realidade, Lüdke e André (1986), baseados em Guba e Lincoln (1981), afirmam que estas alterações são pequenas. Outro fato importante nessa observação participante é que, desde o início, a identidade da pesquisadora e os objetivos do estudo foram revelados para o grupo.

Durante a observação participante, também foram realizadas anotações descritivas para “registrar objetivamente os detalhes do que ocorreu no campo” (BOGDAN e BIKLEN, 1994, p. 152) e reflexivas, ou seja, mais relacionadas ao ponto de vista da pesquisadora, suas ideias, preocupações. Algumas destas anotações foram feitas durante a aula, outras, logo após, já que “quanto mais próximo do momento da observação, maior a sua acuidade” (LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p. 32).

A triangulação foi feita a partir dos dados coletados tanto no ambiente virtual de aprendizagem (por meio dos fóruns, bate-papo, diários, tarefas) quanto na escola (as anotações feitas durante as observações e as atividades de escrita desenvolvidas com o projeto de letramento), como veremos no próximo capítulo.