2. Universitetssentre – fremvekst og utforming ved UiO
2.2 Konteksten for senteropprettelser i Norge
Os artigos das regiões inter-tropicais foram analisados em relação ao país nos quais se deram as pesquisas, obtendo-se os seguintes resultados (Fig. 10): Brasil – 93 (34,19%), México – 32 (11,76%), Costa Rica – 18 (6,62%), “Indonésia” (englobou: Indonésia, Malásia, Singapura, Sumatra e Bornéu) – 18 (6,62%), Uganda – 13 (4,78%), Austrália – 12 (4,41%), Panamá – 11 (4,04%), Equador – 8 (2,94%), África – 6 (2,21%), Colômbia – 6 (2,21%), Kenia – 6 (2,21%), Bolívia – 5 (1,84%), Guiana Francesa – 5 (1,84%), Belize – 4 (1,47%), Madagascar – 4 (1,47%), Porto Rico – 4 (1,47%), Tanzânia – 4 (1,47%), Índia – 3 (1,10%), Peru – 3 (1,10%),
Camarões – 1 (0,37%), Gabão – 1 (0,37%), Gana – 1 (0,37%), Guiana – 1 (0,37%), Honduras – 1 (0,37%), Jamaica – 1 (0,37%), Nicarágua – 1 (0,37%), Niger – 1 (0,37%), Paraguai – 1 (0,37%), Sri Lanka – 1 (0,37%).
Figura 10: Total de publicações sobre o tema “borda” por país, dentre os periódicos contendo pesquisas desenvolvidas nas regiões intra-tropicais.
A partir destes resultados, podemos verificar um elevado número de estudos para o Brasil em relação aos outros países. A inclusão de 13 periódicos de publicação brasileira, sendo que praticamente todos os demais periódicos constituíam publicações de regiões extra-tropicais, pode ter gerado este resultado. Ao contrário do que possa parecer, o uso intenso de periódicos da região extra-tropical não foi devido a algum viés do método ou a uma livre determinação do autor, mas ao fato de não terem sido encontrados artigos referentes ao tema “borda” nos periódicos publicados nos demais países da região inter- tropical nos si t es de busca utilizados na presente revisão bibliográfica. Este fato pode ser
explicado pela hipótese de que muitos dos países da região inter-tropical não possuem veículos (periódicos) de divulgação internacional.
Outros locais, como o México, a Costa Rica e a “Indonésia” (que englobou pesquisas realizadas em: Indonésia, Malásia, Singapura, Sumatra e Bornéu), apresentaram um elevado número de publicações em relação aos demais países da região inter-tropical.
O México e a Costa Rica tiveram estes resultados provavelmente devido à sua proximidade aos Estados Unidos da América e conseqüente facilidade de estudos por pesquisadores deste país, que não apenas é extremamente desenvolvido cientificamente, como também destina uma grande quantia em dinheiro para as pesquisas científicas. Os países, no entanto, apresentaram realidades diferentes, de forma que a maior parte dos estudos realizados no México foram feitos por meio de parcerias com instituições de pesquisa nacionais, enquanto que, na Costa Rica, esse quadro foi invertido, e a maior parte dos estudos foi realizada exclusivamente por instituições de pesquisa estrangeiras.
A “Indonésia” certamente apresentou um elevado número de estudos em relação aos demais países, por ainda apresentar muitas áreas com ecossistemas naturais. E, neste caso, houve um predomínio de estudos realizados com a presença de instituições de pesquisa nacionais.
Essa distribuição heterogênea dos estudos entre os países pode estar revelando três fatos importantes: (i) o possível descaso dos países em relação à preservação de seus ecossistemas nativos, revelando uma necessidade de conscientização sobre a importância da questão; (ii) o baixo poder econômico e/ou o baixo desenvolvimento científico desses países, levando a colocação desse tipo de tema em segundo plano, o que revela a necessidade de parcerias e ajudas financeiras estrangeiras para que esses países sejam capazes de desenvolver pesquisas e preservar seus ecossistemas; (iii) os pesquisadores desses países têm publicado seus trabalhos apenas em revistas locais e de difícil acesso, o que certamente prejudica a difusão e o aproveitamento do conhecimento ali gerado.
Independentemente de qual seja a hipótese mais acertada, ou de que as três estejam corretas, é importante ressaltar os prejuízos que essa heterogeneidade pode estar revelando, já que alguns ecossistemas extremamente importantes em relação à
biodiversidade e ao fato de ainda possuírem áreas extensas preservadas, vêm sendo destruídos sem que haja a compreensão do seu funcionamento e a possibilidade de conservação, ou mesmo de posterior restauração. Esta realidade é ainda mais nítida na África e na Ásia e é merecedora da atenção mundial, já que a devastação desses ecossistemas representa um prejuízo, não apenas para as populações locais, mas para toda a dinâmica do Planeta e para toda a humanidade.
Dentre os 272 artigos encontrados para a região inter-tropical, 174 (63,97%) foram realizados por, ao menos, um pesquisador pertencente a uma instituição nacional de pesquisa científica, enquanto 98 (36,03%) foram realizados apenas por pesquisadores pertencentes a instituições estrangeiras de pesquisa científica (Fig. 11).
Figura 11: Total de publicações sobre o tema “borda” da região inter-tropical realizadas por instituições nacionais e internacionais.
Os valores encontrados demonstram que existe um número bastante elevado de pesquisa sendo conduzidas em países inter-tropicais sem que haja a presença de instituições locais de pesquisa (36,03%). Este quadro torna-se um pouco preocupante se pensarmos que a região inter-tropical apresenta uma elevada biodiversidade ainda pouco
explorada, o que nos leva a refletir sobre a possibilidade de novas descobertas em todas as áreas da Ciência e sobre quem deterá esse conhecimento e os benefícios trazidos por ele. Além desse possível prejuízo vivenciado pelos países da região inter-tropical, esse quadro reflete problemas ainda mais profundos, que envolvem não apenas o meio científico com suas instituições e pesquisadores, mas também questões políticas e econômicas. Estas questões vão desde a falta de incentivos e financiamentos à pesquisa científica até os possíveis prejuízos econômicos provenientes dessa abertura das riquezas naturais aos estudos realizados por instituições estrangeiras, sem a presença de instituições nacionais em conjunto, e conseqüente detenção do conhecimento sobre as riquezas locais em mãos alheias aos interesses do país.
Felizmente, a realidade verificada no Brasil foi bastante diferente da realidade dos países inter-tropicais. Dos 93 artigos publicados para a região inter-tropical brasileira (latitudes acima do trópico de Capricórnio, 23°26’22’’S), apenas oito (8,60%) deles foram realizados exclusivamente por instituições de pesquisa estrangeiras, sendo sete na Amazônia e apenas um na Mata Atlântica. Este cenário nos mostra que, ao menos no período estudado (1990 a 2007) sobre o tema “borda”, tem sido verificado o intenso desenvolvimento de parcerias entre instituições de pesquisa científica nacionais e estrangeiras, especialmente na Amazônia.