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4. PSYKOSOSIALT ARBEIDSMILJØ

4.5. Kontekst

Considerando o objectivo da presente tese de doutoramento, o de colocar o enfoque analítico no espaço, foi necessário fazer passar o TimeLink por um outro processo de adaptação.

Assim, o nosso primeiro desafio metodológico foi tentar que o lugar ocupasse um papel central numa base de dados construída a pensar no indivíduo. Não queremos com isto dizer que a base era inadequada ao nosso objectivo, pois apesar da perspectiva de análise ser espacial, o objecto de estudo desta tese são redes, e as redes que aqui vão ser analisadas são construídas por homens e pelas relações que estes estabelecem. Tratava-se antes de ressalvar que estes homens não estão imóveis, que estas redes ocupam um determinado espaço, que constitui por si mesma uma variável a ter em consideração. E é uma variável que exige ser considerada como entidade própria, autónoma. Daí exigir uma solução metodológica própria:

“But we easily achieve to understand that the agent is a very mobile creature: he’s born in one place, marries in another, the head office of his business stays in a different one, and he exercises his activitites in diverse places and commercial hubs. How to deal with it? How to

49 connect an individual to a territory in this so mobile world in which the main characteristic of the networks under study is precisely the dynamism, the complexity and self-organized schemes, most of the times unruled and undisciplined?” (POLÓNIA, BARROS, e NOGUEIRA 2010)

Em termos da informação dada pelas letras de câmbio, as referências geográficas não apresentaram grandes problemas de categorização, pelo que, de uma forma geral, podemos identificar três tipos de lugar: local de emissão, local de pagamento, e local enquanto atributo de um indivíduo.

Relativamente à correspondência, para além dos locais do remetente e destinatário, encontramos uma série de referências geográficas envolvidas nos mais diferentes contextos. Desta forma, foi necessário criar uma estrutura, semelhante à dos agentes, que nos disponibilizasse a informação dada pela fonte, relativa a um determinado lugar, num determinado contexto. Assim, para além da identificação do local, a este podiam ser ainda agregados atributos, como a “tipologia” e a “função” de determinado lugar, e estabelecidas relações entre lugares.

A “tipologia” categoriza o local de acordo com o contexto em que aparece na fonte: “praça comercial”, “praça financeira”, “centro produtor”, “porto”, “praça de seguros”, “escala”, etc.. A “função” surge associada à tipologia e esclarece a função que o local exerce num determinado evento, explícita por determinado documento: “venda de sal”, “compra de pimenta”, “feira de câmbio”, “produção de açúcar”, “escala na rota da Índia”, etc. Relativamente às relações, estas podem ser estabelecidas com indivíduos, ou entre lugares. Um exemplo do primeiro caso é o do documento que refere que estão sediados num determinado local agentes de representação de um mercador ou de uma companhia. Aqui, na ausência dos nomes desses indivíduos, o espaço assume a função de agente de representação estabelecendo uma relação com o mercador, ou a companhia.

O processo de adaptação que descrevemos até agora é apenas ao nível do registo da informação, nos campos que são criados no processador de texto. De seguida, foi necessário que o TimeLink, a base de dados, respeitasse esta nova apresentação dos dados. Assim, à semelhança do que acontece com as pessoas, que são identificadas individualmente e agregadas, de forma a serem construídas as biografias, também os lugares passaram a apresentar a sua própria ficha biográfica.

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Figura 9 – Página da ficha biográfica de Lisboa na base de dados on line DynCoopNet- pt.

Num primeiro passo, todas as referências geográficas foram agregadas a uma entidade espacial, ou seja, todas as referências “Lisboa” foram agregadas numa só “Lisboa”, de forma reunir toda a informação que a base de dados tem sobre este lugar. Este processo apresentou alguma complexidade e não foi sempre linear. Apresentamos alguns casos mais problemáticos, como o de Lyon (França), e Léon (Espanha), que na documentação, na maior parte das vezes são registados simplesmente como “leon”, sendo necessário analisar o contexto da referência na fonte. Aconteceu também com Piacenza (Itália), que em castelhano é “Plasencia”, e que aparece escrito com tantas variações, muitas delas abreviadas, que naturalmente podiam ser confundidas com

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Palencia (Espanha) ou Plaisance (França). Um outro caso prende-se com a evolução do próprio nome do lugar, como no topónimo “abra de graça” que se referia a “Le Hable de Grâce”, ou seja, Le Havre (França).

Mas a questão que obrigou a uma maior reflexão foi a das escalas. Naturalmente, as referências geográficas não apresentam todas a mesma escala, pelo que podemos encontrar desde referências ao nível de ruas, como “calle de Toledo” (Madrid), até referências a continentes, como “africa”. Neste processo de identificação e agregação de lugares, optou-se pelo critério de incluir as partes no todo, ou seja os elementos geográficos que compõem determinado espaço, como as ruas ou as praças, passaram a integrar a ficha do lugar. Assim, na biografia de Madrid podemos encontrar o topónimo “calle de toledo” e “carrera de san Jerónimo”; na biografia de Barcelona, “carrer de villarroel”; na de Sevilha, os topónimos “alcaiceria”28 e “gradas”29; e em Lisboa, o “carmo”.

Como resultado desta adaptação, o TimeLink passou a integrar mais uma funcionalidade: a georeferenciação. Através de uma ligação directa ao GoogleMaps30, o TimeLink atribui automaticamente coordenadas geográficas a todos os locais, visualizando-se a posição atribuída ao lugar no GoogleMaps. No entanto, este processo é sempre controlado pelo utilizador, sendo sempre necessária uma confirmação das coordenadas, que são apresentadas como sugestão de georeferenciação e, por isso, sempre passíveis de correcção. Em termos de trabalho de investigação isto representou um segundo processo de georeferenciação de todos os lugares, o que levantou novas questões. De uma forma geral, todas elas se resumem na já referida questão das escalas. Já mencionámos o caso das ruas e dos continentes, aos quais juntamos agora os países, como os topónimos “alemanha”, “itália”, e “frança”, e as regiões, como “berberia”, “flandres”, “bretanha”, “andaluzia”, “algarve”, “costa da inglaterra”; etc. O desafio era o de converter em pontos referências geográficas que eram representativas de áreas. Um das soluções encontradas foi permitir que, no mapa fornecido pelo GoogleMaps, seja feita uma georeferenciação por polígono, e não apenas por um ponto.

28 Alcaiceria era uma zona de mercado junto à catedral de Sevilha (TRILLO DE LEYVA 1991; OTTE

1996).

29 Antiga Calle de Gradas ficava junto à catedral de Sevilha e era um local de reunião de mercadores e

banqueiros (TRILLO DE LEYVA 1991; OTTE 1996).

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Esta questão deve ser entendida como de natureza técnica, pois todos estes topónimos apresentam uma certa coerência identitária, a nível geográfico, e até histórico, e por isso são passíveis de análise por si mesmos. No entanto, ao nível dos instrumentos de exploração e de visualização, representam um desafio e, por isso consideramos ser pertinente apresentar estas questões, que fizeram parte, e tomaram o tempo de reflexão e implicaram tomadas de decisão inerentes a esta tese.

Todo este processo permitiu que na base de dados existisse um novo universo de pesquisa: as “Geoentidades”. Estas entidades geográficas, devidamente georeferenciadas, permitem consultar todas as informações relativas a cada uma delas, encontradas nas diversas fontes documentais. Desta forma, para cada local, podemos obter o número de vezes que é referido na documentação; conhecer os indivíduos que nalgum momento tenham ocupado esse espaço (número de indivíduos, nome, função desempenhada); e consultar todas as tipologias e funções que lhe foram atribuídas. Toda esta informação é apresentada numa sequência cronológica que nos permite analisar o papel que um determinado espaço desempenhou na dinâmica da rede em estudo.

Por último, o TimeLink permite a exportação directa dos resultados de pesquisa, sob a forma de ficheiros compatíveis, para os softwares dos Sistemas de Informação Geográfica.

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54 II – A análise espacial da rede de negócios – os lugares