4. PSYKOSOSIALT ARBEIDSMILJØ
4.3. En lærende organisasjon
Quer o volume de dados recolhidos, quer a proposta de trabalho do projecto DynCoopNet, exigiam uma base de dados que permitisse a integração e a exploração da informação histórica. Mais do que ter um repositório dos dados recolhidos, o objectivo era trabalhar com um software flexível e polivalente, especialmente em dois importantes domínios: na integração de dados provenientes de tipologias documentais variadas, e por isso com níveis de informação muito diferentes (letras de câmbio e correspondência
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comercial); e permitir que os resultados de pesquisa fossem exportados para softwares especializados, quer em análise de redes, quer em análises geográficas (como os Sistemas de Informação Geográfica).
A equipa optou por trabalhar com o software desenvolvida pelo grupo de Joaquim de Carvalho na Universidade de Coimbra, o TimeLink24. Criado no âmbito de investigações de natureza micro-histórica, o TimeLink é um modelo de base de dados centrado no indivíduo, pelo que apresenta um grande potencial de análise prosopográfica e de redes. A organização da informação é feita em torno do indivíduo, ao qual são associadas funções, atributos e relações.25
Foi necessário, proceder a uma adaptação da base de dados às necessidades específicas de pesquisa do projecto e às características do corpus documental, mas desde o início a base de dados comprovou a sua flexibilidade, à medida que a equipa foi desenhando a grelha de recolha de dados, primeiro para as letras de câmbio e, posteriormente, para a correspondência comercial. Esta grelha é construída num processador de texto, o JEdit, no qual os dados vão sendo introduzidos e organizados em função do agente, e sempre de acordo com a fonte documental.
24 In timelink.fl.uc.pt
25 Para uma descrição técnica do TimeLink, assim como para uma apresentação de todas as suas
potencialidades de apliação à investigação histórica, consultar a tese de mestrado de João Carvalho, “Time Link: a evolução de uma base de dados prosopográfica”, Coimbra, 2010.
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Figura 5 – Transcrição de uma letra de câmbio no JEdit.
Relativamente às letras de câmbio, a primeira informação é retirada para uma linha identificativa do documento, da qual consta a cota de arquivo26, a data e o local de emissão. Seguem-se os atributos da letra de câmbio, que podem incluir o número da via; o valor que deverá ser pago; o valor do câmbio; a data de pagamento; o local de pagamento; a forma de pagamento (em contado; em livrança ou depósito no banco); e a aceitação ou rejeição da letra (que podia ser aceite, aceite sob protesto, protestada, ou endossada). De seguida, são registados todos os intervenientes, através das suas funções: “beneficiário”, “tomador”, “dador”, “pagador”, “cobrador”, “endossado”, “representantes” destes, e ainda “referidos”. A cada um destes actores podem ser agregados os atributos (profissão, género, cargo, título, local, etc.), e as relações estabelecidas entre si (familiar, comercial, financeira, confiança, sociabilidade, etc.).
Desenhar a grelha de recolha de dados para a correspondência comercial foi um processo bem mais complexo, e no qual foi necessário ter sempre bem presente os objectivos do projecto. Dada a riqueza e a complexidade da informação contida numa só carta, facilmente seríamos compelidos a retirar tudo, textualmente, comprometendo a
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própria metodologia de análise. Desta forma, apesar de terem sido amplamente recolhidos todos os dados de carácter mercantil e financeiro (que nos dão uma ideia da conjuntura), a informação foi sendo extraída com a consciência de que procurávamos identificar agentes e analisar as relações estabelecidas entre estes.
Figura 6 – Transcrição de uma carta no JEdit.
À semelhança das letras de câmbio, também cada carta é precedida de uma linha identificativa da cota de arquivo, data e local de emissão, sendo logo de seguida identificados o emissor e o receptor. A informação é então estruturada em “eventos”, que podem ser o envio de uma encomenda; a ordem de pagamento de uma letra de câmbio; um pedido de empréstimo; pedidos de informações; aconselhamento de um parceiro ou de um negócio; falência de uma companhia, etc. Dentro de cada evento, devidamente datado, são registados os intervenientes, aos quais se associam, de acordo com o mesmo processo das letras de câmbio, atributos, funções e relações. No entanto, dado o teor qualitativo das cartas, muito mais descritivas, foi necessário criar mais categorias. As funções multiplicaram-se, como por exemplo, “comprador”, “intermediário”, “fonte de informação”, “agente de seguros”, etc.; aos atributos acrescentámos o de “reputação”; e as relações também se revelaram mais complexas (“colaboração”, “aviso”, “suspeição”, etc.). As informações de contexto, que não são relativas a um indivíduo, mas sim a uma conjuntura, foram registadas sob a forma de “tópicos”, e agrupadas segundo temas: “preços”, “produtos”, “clima”, “risco”, “notícia”,
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“câmbio”, etc. Embora pareçam dissociadas dos agentes, estes dados estão na base da compreensão das suas tomadas de decisão enquanto indivíduos, e das suas dinâmicas enquanto rede. Após a leitura integral da carta, é feito um breve sumário de conteúdos que fica associado ao cabeçalho.
Terminado o processo de introdução dos dados no JEdit, os ficheiros são processados por um programa de “tradução” que identifica possíveis erros. Após as correcções necessárias, a informação é, então, importada para o TimeLink, sendo de imediato passível de pesquisa.
Figura 7 – Página de apresentação da base de dados online DynCoopNet-pt27. Tratando-se de uma base de dados de carácter prosopográfico, no TimeLink, a informação visível encontra-se organizada em torno de indivíduos, relativamente aos quais podemos consultar as respectivas biografias.
27 A base de dados do DynCoopNet-pt encontra-se acessível para pesquisa no endereço
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Figura 8 – Página da ficha biográfica de Cosme Ruiz Embito na base de dados on line DynCoopNet-pt.