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A metodologia ECO Build surge como um aperfeiçoamento da metodologia ECO FCT e é igualmente consequência de uma Dissertação de Mestrado Integrado em Engenharia Civil pela Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa (UNL). Em 2012, Pedro Sousa, apresenta “Contributo para a Construção de Sistema de Certificação” (Sousa, 2012), documento onde desenvolve as linhas base deste sistema.

O sistema Eco Build pretende relacionar o processo construtivo dos edifícios, de um modo simples e eficaz, às boas práticas de sustentabilidade, de modo a possibilitar que esse processo alcance um elevado nível de eficiência por parte das soluções construtivas adotadas.

António Miguel Saial Calixto 49 A sua metodologia de avaliação baseia-se nas três vertentes do desenvolvimento sustentável: vertente ambiental (Conforto e Bem-estar; Envolvente; Gestão Ambiental; Gestão de Recursos; Projeto e Planeamento), social (Gestão da Sociedade) e económica (Gestão de Custos e Soluções Económicas).

Figura 4.15 – Fatores de avaliação – Sistema ECO BUILD

O fator “Conforto e Bem-estar” está associado ao interior do edifício e às medidas tomadas tanto na fase de construção como na fase de utilização/ocupação, de maneira a tornar o ambiente habitacional mais sustentável.

A “Envolvente” abrange a fase de planeamento e construção, analisando o exterior do edifício e a área local onde este será implantado.

O fator da “Gestão Ambiental”, associa o interior e exterior do edifício nas fases de planeamento, construção e utilização/operação. Através da análise deste fator podemos ter uma noção da ligação entre o edifício e a área circundante, bem como a influência que este tem para o local da sua implantação.

A “Gestão de Recursos” é o fator mais importante deste sistema, abrangendo as fases de planeamento, construção e utilização/operação. Este fator, através das medidas tomadas, interliga os fatores de “Conforto e Bem-estar”, “Envolvente” e Gestão Ambiental”.

Por fim, dentro da Vertente Ambiental, surge a “Avaliação do Projeto e Planeamento”. Este fator interliga todos os outros, nas diversas fases, sendo que se os fatores anteriormente referidos tiverem uma boa ponderação, este reforça as medidas anteriormente tomadas.

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Na Vertente Social, tem-se o fator “Gestão da Sociedade”, que interliga o edifício com o meio social circundante. Este fator torna-se fundamental para que os próprios ocupantes possam usufruir de certos aspetos relacionados com as suas vivências socioeconómicas e na ligação destes com a sociedade, de modo a ter um dia-a-dia cada vez mais sustentável e amenizado.

A Vertente Económica contempla o fator de avaliação da “Gestão de Custos e Soluções Económicas”, abrangendo todas as medidas tomadas anteriormente aplicadas para cada fator das outras duas vertentes estudadas. Desta forma, a avaliação da “Gestão de Custos e Soluções Económicas” funciona como um resultado a nível económico dos outros fatores, podendo demonstrar os custos/proveitos das medidas anteriormente estudadas, refletindo o benefício da sua utilização no processo de construção (Sousa, 2012).

Quadro 4.11 – Fatores, áreas e ponderações dos sistemas de avaliação (ECO BUILD)

Fator de A valiação Áreas de Avaliação Ponderações (% )

Conforto e Bem-estar Ambiente Interno 14

Envolvente Ambiente Externo; Integração Local 14 Gestão Ambiental

Cargas Ambientais e Impacte no ambiente Externo; Gestão da Construção; Controlo do

Edifício

17

Gestão de Recursos Água; Energia; Materiais 24

Projeto e Planeamento Inovação; Planeamento 5

Gestão da Sociedade Aspetos Socioeconómicos e Políticos 8 Gestão de Custos Construção; Uso e Habitação; Sociedade 18

Adaptado de “Sistema de Avaliação e Certificação” (Lucas, 2012)

A cada uma destas áreas de avaliação, correspondem uma série de parâmetros, definidos por comparação com os restantes sistemas existentes, bem como pelo cumprimento dos requisitos legais estabelecidos internamente.

A distribuição das ponderações deste sistema é feita segundo a estruturação do mesmo. Assim sendo, para cada vertente, fator, área, parâmetro e critério de avaliação são atribuídas ponderações de acordo com o grau de importância dada segundo os princípios de sustentabilidade. Neste sentido, entre as três vertentes do desenvolvimento sustentável atribui- se maior peso (74%) à vertente ambiental. Esta percentagem revela a enorme importância dada aos problemas ambientais decorrentes do processo da construção face ao contexto global.

Para que um edifício seja considerado minimamente sustentável, tem de cumprir as percentagens definidas como mínimos admissíveis por cada área de avaliação. Os níveis de certificação do sistema ECO BUILD foram estabelecidos com base no estudo de alguns dos

António Miguel Saial Calixto 51 sistemas anteriormente abordados e estudados e com o objetivo de fazer com que um edifício possa atingir um nível de desempenho cada vez mais sustentável. O valor final (AVALIAÇÃO FINAL) é obtido depois de ser efetuada uma soma à sequência de ponderações relativas aos critérios, parâmetros, áreas, fatores e vertentes de avaliação. As várias etapas de ponderação permitem um minucioso resultado final.

Figura 4.16 – Classes da certificação – Sistema ECO BUILD (Adaptado de Sousa, 2012).

Na sua avaliação, o sistema “ECO BUILD” adota um processo ativo e de monitorização contínua, exigindo um acompanhamento sistemático no decurso dos trabalhos de construção. A aplicabilidade deste sistema passa pelas fases de planeamento, construção e utilização/operação, permitindo uma análise bastante abrangente que possibilita antecipar decisões a nível de planeamento, que na fase de construção possam ser aplicadas com o objetivo de melhorar a utilização/operação do edifico. Trata-se de uma ferramenta de avaliação que, de forma simplificada, recorre a uma folha de cálculo baseada numa simples “checklist”, com preenchimento simplificado (“SIM” ou “NÃO”), consoante se cumpra ou não determinado critério de avaliação.