4. TILKNYTNING TIL LAND – HVA KREVES FOR Å FÅ KONSESJON TIL
4.3. Konsesjon til Stadthavet
Segundo Ruth Benedict (1972), “a cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo”. Homens diferentes usam lentes diversas e, portanto, têm visões desencontradas das coisas. Por exemplo, a floresta amazônica não passa para o homem comum que vive na cidade – desprovido de um razoável conhecimento de botânica – de um amontoado confuso de árvores e arbustos, dos mais diversos tamanhos e com uma imensa variedade de tonalidades verdes. A visão que um índio Tupi tem deste mesmo cenário é totalmente diversa: cada um desses vegetais tem um significado qualitativo e uma referência espacial. Ao invés de dizer como nós: “encontro-lhe na esquina junto ao edifício X”, eles frequentemente usam determinadas árvores como ponto de referência. Assim, ao contrário da visão de um mundo vegetal amorfo, a floresta é vista como um conjunto ordenado, constituído de formas vegetais bem definidas. (In: Laraia, 1994)
33 Podemos adicionar aqui à teoria de Kroeber que dispomos do conhecimento não só de um sistema cultural
(relacionado apenas ao país onde vivemos), mas de outros sistemas culturais, uma vez que no mundo moderno é possível consultar conhecimentos de outras culturas facilmente através da tecnologia que possuímos.
A nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade. Por isto, discriminamos o comportamento desviante. O modo de ver o mundo, as apreciações de ordem moral e valorativa, os diferentes comportamentos sociais e mesmo as posturas corporais são assim produtos de uma herança cultural, ou seja, o resultado da operação de uma determinada cultura.
Devido ao que foi dito anteriormente, podemos entender o fato de que indivíduos de culturas diferentes podem ser facilmente identificados por uma série de características, tais como o modo de agir, vestir, caminhar, comer, sem mencionar a evidência das diferenças lingüísticas, o fato de mais imediata observação empírica. Assim, apesar da cultura ser imposta ‘de fora’ (Caws, 1994), ela faz parte de nossa identidade, já que envolve o passado, a educação, a família e os costumes, hábitos, tradições de nosso povo.
Por outro lado, é importante ressaltar que no processo de internalização da cultura, as diferenças entre dois indivíduos que pertencem à mesma cultura podem ser tão grandes ou maiores que dois indivíduos pertencentes a culturas diferentes. Assim, nenhum indivíduo é capaz de ser um sustentador ou transmissor da cultura relevante por completo.
Mas, como Taylor colocou (In: Goldberg, 1994),
A formação da identidade de uma pessoa está intimamente conectada ao reconhecimento social positivo – aceitação e respeito – dos pais, amigos, das pessoas amadas e também da sociedade como um todo. Um senso desenvolvido de identidade envolve ainda mais. Os seres humanos necessitam não só de um sentimento de pertencer a um grupo em relação à sociedade humana, principalmente quando se confrontam com a morte, quando precisamos nos sentir uma parte valorizada de um todo, que é o universo.
Segundo Caws (1994), identidade é “o que somos, de onde viemos. É o contexto no qual o que comemos, desejamos, opinamos e aspiramos faz sentido”. A identidade, tanto psicologicamente quanto logicamente, é uma relação reflexiva, uma relação de mim comigo mesmo, mas pode ser uma relação mediada: eu me relaciono comigo mesmo através da interação com os outros e com o mundo.
Cuche (1999) observa que as grandes interrogações sobre a identidade são sempre remetidas para as questões culturais: “Há o desejo de ver cultura em tudo, de encontrar identidades para todos. Vêem-se as crises culturais como crises de identidade”. Embora concordemos que não se pode confundir cultura e identidade, também entendemos
que não é possível dissociá-las, sob pena de deslocarmos o homem de seu ambiente de vivência, do seu ‘mundo da vida’.
Porém, como afirma Hall (2001), “a identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. Ao invés disso, na medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente”. A questão que se impõe é como um sujeito que, por um lado, é veiculado ao seu meio social, ao seu território e aos acontecimentos que se desenvolvem à sua volta e, por outro lado, é deslocado do seu espaço, fragmentado pelos movimentos de globalização e que não tem mais como referência a sua ‘cultura nacional’ ou a sua ‘nação’34 constrói e mantém sua identidade?
A identidade cultural de um indivíduo, embora seja um construto complexo, formado sob a influência de aspectos diversos, está sempre vinculada às culturas nacionais, a uma identidade ‘nacional’. Segundo Hall (2001), embora essa identidade não seja determinada por nossos genes, nós a adotamos como se fosse parte indissociável da nossa natureza essencial, como se tivéssemos nascido com ela. Mas a idéia de uma ‘cultura nacional’, assim como identidade cultural que advém dessa fonte, são construções simbólicas, formadas e transformadas no interior das relações sociais. A ‘nação’, desse modo, não é apenas uma entidade política que está circunscrita a um determinado território, mas um sistema complexo de representação cultural através do qual os indivíduos constroem e mantém as suas identidades. As culturas nacionais não são compostas apenas de instituições, mas de símbolos e representações, os quais ancoram o sujeito a uma identidade cultural ou nacional que o faz sentir-se acolhido como membro de um grupo, sociedade ou classe, ou algo maior, ao qual devota o seu sentimento e lealdade. Enfim, como Hall (2001) coloca: “... uma cultura nacional é um ‘discurso’ – um modo de construir sentidos que influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós mesmos”.