Para traçarmos um perfil económico-social das localidades em que as casas dehonianas se inserem, utilizaram-se as informações concedidas pelos habitantes locais nas entrevistas.
Na província de Nampula pratica-se o comércio, a agricultura, a exploração mineira, a extração de água mineral, a pesca, o artesanato e o turismo.
A cidade de Nampula é dominada pelo comércio, que em pequena escala é praticado na rua por moçambicanos, que vendem o produto das suas terras, amendoim torrado, bolos, combustível e peixe que compram no litoral (distritos de Angoche, Moma e Memba), “só para não ficarem parados à espera que o pão caia na boca” (HL8). O comércio em maior escala, com base em armazéns e lojas, está nas mãos de nigerianos, somalianos e outros estrangeiros.
A agricultura é a base económica da população de toda a província, que produz e frequentemente vende na rua e em mercados. O distrito de Malema é considerado o celeiro de Nampula, e cujo produto chega a Nampula através do comboio. O comboio também chega de Nacala, o principal porto da província. Nos distritos de Mogovolas e Nacala-velha, os naturais realizam a mineração de pedras preciosas, e os estrangeiros negociam a exportação. Em Moma, opera a segunda empresa de extração em Moçambique, a Kenmare, numa área de areias pesadas. Dois entrevistados (HL1 e HL7) falam em visitantes e até em turistas que passam na zona por causa das areias pesadas. Nos montes Nairucu, em Rapale, a alguns quilómetros de Nampula, procede-se à extração de água mineral. Apenas se referem a uma indústria, a de cimentos, presente em Nampula e Nacala.
Já na Ilha de Moçambique, distrito (dividido entre parte insular e continental) que conta com 48 839 habitantes (censo de 2007) (HL35), as principais atividades económicas são a pesca, o turismo, o comércio e o artesanato. O entrevistado (HL35) aponta para a baixa qualidade de serviços na Ilha, mas os provedores dos serviços encontram-se cada vez mais consciencializados
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para a melhoria da qualidade e as entidades distritais estão a desenvolver soluções nesse sentido.
O distrito do Alto-Molocué tem cerca de 42 mil habitantes segundo o censo de 2007 (HL21). Aqui pratica-se a agricultura, dominantemente de subsistência, e comércio, principalmente o de pequena dimensão com o produto da machamba (termo moçambicano para terrenos cultivados). Pode-se encontrar também na vila, a pouca distância da casa dos padres, uma fábrica de castanha de cajoeiro e uma fábrica de algodão, atualmente fechada. No distrito, as pedras e metais preciosos, como o ouro, são minerados pela população em locais como Chapala, Mutala e Aroupinha (uma mina aparentemente fechada). Poucos têm um emprego, por conta de outrem, e normalmente sob a alçada do estado. Por exemplo, 92 pessoas trabalham no concelho municipal, e recebem um salário mínimo de 2598 meticais (cerca de 64 euros). Acrescenta-se ainda a empregabilidade na saúde, educação e nas poucas lojas que se estabeleceram na vila. O distrito tem ainda um fundo de desenvolvimento local financiado pelo governo que permite a criação de mais emprego (HL21). Existem ainda outros projetos sociais, nomeadamente o Projeto Vila Milénio, que tem como objetivo o desenvolvimento rural do distrito, financiando projetos particulares (HL23).
Em Milevane, a principal atividade reportada é a agricultura, principalmente a produção de feijão. Este é cultivado três vezes ao ano e providencia mais lucro às famílias que, no passado, o trabalho nas fábricas de chá do Gurué, que no seu auge (12 fábricas) eram o grande empregador da região, com trabalhadores do Gurué, Nauela (onde Milevane se insere) e Gilé. Agora, as pessoas apresentam-se bem vestidas, e há motas (antes não havia) e muitas bicicletas na comunidade local.
No distrito de Gurué, residem 297 936 habitantes e na cidade cerca de 50 000 habitantes (HL32). A paisagem do Gurué está definitivamente marcada pela produção do chá, ainda que poucas fábricas estejam em funcionamento atualmente: apenas 4 das 12 fábricas ativas no auge da produção, correspondentes a quatro UPs (unidades de produção) - UP5, UP6, UP9 e UP10 (HL32). Eram de propriedade portuguesa antes da independência, e os entrevistados não conseguem concordar entre si se atualmente as UPs são da propriedade de indianos ou moçambicanos, mas concordam que a gestão efetiva é realizada pelos primeiros. Um entrevistado (HL33) queixa-se da falta de cuidado dos novos gestores em relação aos antigos, deixando património construído arruinar-se e as plantas envelhecerem. A produção é exportada para o Malawi, a relativa pouca distância do distrito, e para outros países através do porto de
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Nacala. A agricultura constitui a força deste distrito. Para além do chá, produz-se milho, soja, cebola, alho, tomate e banana (HL31), e ainda o pré-processamento do feijão-boere. Ainda que este distrito tenha uma produção muito elevada, a população sofre de má-nutrição, por falta de educação alimentar (HL32). Várias organizações, como a Visão Mundial, tentam intervir nesse campo. Além disso, incentivam a frequência da escola. Da 1ª à 7ª classe a educação é gratuita.
Há ainda o engarrafamento de água (Água Metilile). A exploração mineira era uma realidade, mas a mina foi encerrada em 2004 (HL14).
Quelimane, cidade com 193 343 habitantes (segundo o censo 2007, HL25), está muito ligada ao coco, à sua produção e processamento (sabão, óleo, …) sobretudo a partir do coco seco (copra), por empresas como a Alif Química, a Geralco, a Zambeze, a Madal e a Boror (as três últimas também produtoras). Só da Madal são exportados todas as semanas dois contentores de óleo para a Suíça (S2). Outras fábricas operam na cidade, no processamento de produtos agrícolas, como as três fábricas de arroz, e em produções não alimentares, como os têxteis, plásticos (baldes, copos, chinelos, …) e tijolos. Todavia, as fábricas são poucas, e a maior parte da população dedica-se à pequena agricultura, usando as zonas menos povoadas da cidade e os arredores. O pendor agrícola é ainda notado pela presença de cooperativas de camponeses. Naturalmente o comércio é praticado, principalmente o de rua, na venda de pequenas coisas: “frutas, bolinhos, sumos, outros vendem comida” (HL27)
Os entrevistados também referiram algumas das atividades económicas presentes na restante província. Tal como muitas das localidades e distritos mencionados, na província dominam a agricultura e pecuária de sustento familiar. Como complemento mais usual surge o pequeno comércio. Como “a nível nacional há falta de emprego. Então a maioria prefere ocupar e fazer negócios. Das 5 às 10 estão na machamba, a produzir. Das 10 h para a frente ficam na banca a fazer negócios. Alguns são estudantes e estudam à noite. Acha que a principal atividade económica é negócio.” (HL28), mas também a extração mineira e a pesca no litoral, ambos normalmente de cariz artesanal. A indústria é limitada em número e em tipologia de produção, com “bens para o consumo. Comida, óleo, transformar milho em farinha, feijão em bolachas, …” (HL28) e algumas fábricas fecharam nos últimos anos. A produção do coco ultrapassa geograficamente o distrito de Quelimane, no que era uma das maiores produções mundiais. Porém, os coqueiros estão a ser gravemente afetados por uma doença. Por fim, foi reportada a existência de exploração de madeira.
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