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In document NAF orum (sider 41-44)

Tendo em conta a análise das entrevistas aos habitantes locais e aos visitantes sistematizámos uma série de tipologias de alojamento existentes nas regiões visadas, assim como a perceção que deles têm estes dois grupos.

A província de Nampula apresenta várias tipologias de alojamento dispersas por diversas localidades. Ente elas destacamos os hotéis, as residenciais, as pensões e os quartos arrendados.

Na cidade de Nampula encontram-se vários hotéis que ocupam o topo da oferta quanto à qualidade: Hotel Girassol, Hotel Millenium, Hotel Lúrio, City Hotel, Hotel Nampula, Hotel Executivo, Hotel Record, Hotel Atlas, Hotel Pérola. Observa-se ainda um número indeterminado de pensões, residenciais (como a Residencial Expresso) e lugares de arrendamento na cidade. Perto da cidade encontra-se também um empreendimento turístico chamado Montes Nairucu (localizado nos montes com o mesmo nome), que um hóspede do Gurué classifica de acessível, ao contrário do hotel Millenium. Na Ilha de Moçambique, os entrevistados apontaram o Hotel Ouinpipi e o Hotel Vila Sans; no outro lado do espectro estão as casas de hóspedes, que constituem casas antigas que a comunidade local reabilitou e equipou para fins turísticos, e hostels.

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Um habitante local (HL6) constatou que os hotéis de maior qualidade são demasiado caros para os moçambicanos e os alojamentos mais baratos possuem uma qualidade reduzida. Para o nacional é mais barato fazer turismo fora do país: por exemplo, a estadia num 5 estrelas na África do Sul fica por mil rands [73 euros] dia, enquanto que esse preço não cobre uma dormida no Millenium de Nampula.

Quanto à província em geral as possibilidades são diversas. Os hotéis encontram-se preferencialmente em zonas turísticas mas não só, ainda que fora destas sejam difíceis de encontrar. Fora desses lugares mais turísticos, nas pequenas localidades existem, essencialmente, pensões, residenciais, quintas (estabelecimentos com maior capacidade que costumam estar situados nos arrabaldes dos centros urbanos e outros espaços rurais e recebem eventos como casamentos, entre outros) e até cabanas para arrendar. Nalguns casos, não existem espaços de hospedagem e um entrevistado colocou a hipótese do uso de tendas.

Na província da Zambézia, o cenário geral é semelhante.

Em Alto-Molocué, a casa dehoniana ocupa um lugar especial no contexto do alojamento da localidade. Só existe um hotel, o Kapulana, e dois em construção. As restantes opções são as pensões, como a pensão Estrela, a pensão Fambaone, a pensão Céu Azul, a pensão Nutiol e a pensão Saturno, as quintas e casas de arrendamento. Segundo um padre (S1) e um habitante local (HL15), não se encontra um lugar sossegado como a casa dehoniana nem com as condições que esta oferece.

Um entrevistado (HL17) acrescenta que, do que viu e do que ouve, as pensões, quintas e casas de arrendamento estão a aumentar a qualidade, até porque antes não eram “condignos” e agora começam a ser.

Em Quelimane, a oferta é variada e numerosa. Começa nos hotéis: Um de Junho; Chuabo; Milénio; Villa Nagardas; Flamingo; Bosi e Manilo. O hotel Elite está ainda em fase de construção. Temos ainda os hotéis na praia de Zalala, no distrito de Nicoadala, mas perto o suficiente para muitos considerarem parte da oferta da cidade de Quelimane. A isto acrescentamos as residenciais, como a Júpiter e a Milénio, e pensões, como a Moderna, Ideal, Quelimane e a Januário.

Um entrevistado (HL25) referiu ainda que se planeia construir um hotel de 5 estrelas na cidade. Para outro entrevistado (HL10), os hotéis da cidade não são tão caros como os de Maputo, e enumera alguns hotéis de qualidade acessíveis, alguns em Zalala e dois na cidade: o Flamingo e o Chuabo.

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Nas imediações de Milevane, os entrevistados só referiram a existência de dois locais que oferecem alojamento para além da casa dehoniana: uma casa de hóspedes no Mugema, num lugar onde se cruzam estradas para o Alto-Molocué, Gurué e Malema, com 7 a 12 quartos, e uma casa de religiosas em Milevane, muito perto dos padres.

No Gurué, não se estabeleceu um único hotel, o que torna mais fácil apontar a superioridade do empreendimento dehoniano, tendo em conta a falta de qualidade das instalações e serviços que costuma pontuar os outros tipos de estabelecimento hoteleiro. Aqui, apenas existem as pensões Monteverde, Ruela, Ponto Final e Gurué; as hospedarias, Januário e Licungo e o motel Gurué. Existem, ainda, pequenos empreendedores que constroem residências para arrendar.

Quanto à qualidade, um habitante local (HL31) afirma que os funcionários destes locais não têm formação específica no atendimento, que a alimentação disponibilizada não é a melhor, que há falta higiene e a falta de limpeza da roupa da cama é tão grande que as pessoas preferem levar os seus próprios cobertores. Além disso, referem que é preciso suportar a poluição sonora, já que alguns estabelecimentos são vizinhos de bares.

Os hóspedes da casa dehoniana do Gurué partilharam a sua opinião sobre os estabelecimentos em que ficaram alojados nas províncias de Nampula e Zambézia. Dois hóspedes (VFT1) ficaram alojados num hostel e numa casa particular na Ilha de Moçambique, que classificaram como cara para a qualidade da oferta. Referem que os quartos podem ser maiores que no Gurué, mas não há água quente e a casa de banho é separada por uma cortina de bambu do resto do quarto. Um terceiro hóspede (VFT2) ficou hospedado em dois lugares em Nampula: o hotel Millenium, que ele considera ser demasiado caro para o que oferece (120 dólares/noite), e os Montes Nairucu, que considera acessível para a oferta, limpo e num contexto paisagístico agradável. Aliás, este hóspede julga que os preços são inflacionados em todo o país. Outro hóspede (VFT3) conhece alguns estabelecimentos na cidade, nomeadamente a pensão Gurué e o alojamento Januário, que frequentou nos anos de 2011 e 2012, durante três dias por mês. Quando classificou numericamente as várias componentes destes estabelecimentos, as condições do quarto, casa de banho e espaços comuns foram as mais baixas (abaixo ou igual a 7), enquanto a alimentação, o atendimento, a segurança dos bens pessoais e até a higiene ficaram bem classificados.

No resto da província da Zambézia há grandes investimentos, como os lodges, com o exemplo do Mopeu Coco Lodge, o Zalala Beach Lodge, o Pebane Fishing Lodge e Domínio Lodge (em Milange, ainda em construção), e pequenos investimentos, como as pensões, as residenciais e

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as guesthouses. Mas muitos distritos não possuem oferta de alojamento, pelo que o turista precisa de acampar ou alojar-se junto da comunidade local.

Por fim, apenas um entrevistado (HL29) nomeou casas religiosas não dehonianas que acolhem visitantes: uma casa de irmãs no Gurué. Mas destacou que muitas o fazem atualmente por falta de financiamento externo, como via de autosustentabilidade.

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