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5.1 Konkurrenter

5.1.1 Konkurrerende konsepter knyttet til Dolphin Duo

Considerando que tecnologia na saúde é a intervenção usada para promoção, prevenção, diagnóstico ou tratamento de doenças, incluindo medicamentos, equipamentos, procedimentos e protocolos médicos, segundo Serviço Nacional de Saúde da Inglaterra – NHS. As pessoas estão cada vez mais utilizando dos serviços na área saúde devido a tantos avanços tecnológicos, assim como ao acesso aos serviços que possuem por intermédio dos planos médicos.

Travasso e Martins (2004) traçam fatores determinantes para a utilização dos serviços, em que a influência de cada um está associada ao tipo de serviço (hospitalar, ambulatorial ou de clínica) e se são de cunho preventivo, curativo ou de reabilitação. Os fatores estão ainda relacionados aos prestadores devido a recursos estruturais disponíveis, especialidade atendida,

nível de complexidade, disponibilidade de oferta de serviços, modo de remuneração e acesso ao local, bem como, aos profissionais médicos devido à idade, sexo, tempo de graduação e experiência na área, especialidade médica e forma de pagamento.

Sendo assim, a área da saúde tanto no Brasil como no exterior vem sofrendo com os altos gastos. A área está vivenciando uma progressão sem precedências de gastos, especialmente no emprego de tecnologias, resultado de usos indiscriminado de tecnologia. Os Estados Unidos, por exemplo, é o país que está em primeiro lugar em gastos per capita com assistência médica segundo dados da The Commonwalth Fund (2010). Apesar das altas somas de recursos gastos na saúde pelo país norte-americano não se verifica a mesma evolução na expectativa de vida de sua população e consequentemente da melhora da qualidade de vida.

Uma das razões para os aumentos exorbitantes dos gastos, além da demanda pelos serviços, está na política de pagamento praticada na área da saúde. No Brasil o sistema predominante é o pagamento por procedimento. Política esta, que favorece o uso indiscriminado da tecnologia resultando em grandes somas de recursos gastos, especialmente pelas operadoras de planos de saúde, no pagamento de médicos e prestadores de serviço em geral. A política de remuneração por procedimento pode instigar conflitos de interesses entre operadora e prestador, uma vez que um é pagador e o outro recebedor.

Diante do cenário na saúde, surgiu o problema de pesquisa como sendo a investigação do processo de utilização tecnologia em procedimentos cirúrgicos, dentro de hospitais, no qual operadoras tentam controlar e gerenciar o seu uso. O objetivo central constitui-se como sendo descrever e analisar o processo decisório e os conflitos para utilização de tecnologias utilizadas em procedimentos cirúrgicos em prestadores de serviços para a saúde suplementar.

Com o estudo de caso aplicado a um Hospital materno infantil da cidade de Ribeirão Preto conseguiu-se avaliar e mapear todo o processo para utilização de tecnologia dentro do Hospital, permitindo identificar os principais pontos problemáticos. As ferramentas utilizadas foram as entrevistas, análises de contratos e dos manuais de auditoria.

O resultado alcançado foi a elucidação de que o médico é o principal ator na utilização de tecnologia, embora sofra restrições a todo momento pela operadora. É o médico que solicita e realiza o procedimento no Hospital, tendo seus interesses não somente na melhora da qualidade de vida do paciente, mas também no sistema de remuneração empregado que contempla ganhos por procedimento, ou seja, quanto mais procedimento o médico realizar mais ganhos acumulará.

gastos ocasionados pelo médico sob análise, se estão ou não dentro dos parâmetros da especialidade. Uma forma de parametrizar os gastos médicos é verificar a incidência de exames solicitados.

Uma alternativa para diminuir a ação médica no uso da tecnologia e consequentemente no aumento dos gastos é a alterar a política de remuneração para o sistema de pagamento por performace. Envolvendo o profissional no risco e comprometimento da gestão dos custos, poderá forçar o médico a ser mais eficiente para ter valorização em seus honorários.

O médico não tem noção de que quanto mais incentiva o gasto da operadora, para estimular ganhos individuais, maior será o sinistro e consequentemente não permitirá que a operadora no futuro, repasse ou contemple melhores remunerações para a área médica. Ou seja, o médico usando mais tecnologia, estará contribuindo para a piora de seus rendimentos.

Em paralelo o Hospital caminha também objetivando garantir seus ganhos, nos gastos que os pacientes internados terão e que serão pagos pela operadora.

O sistema de informação imputa algumas limitações operacionais para a operadora impedindo-a que faça o acompanhamento on line do que está sendo utilizado dentro do Hospital. As análises dos usos de tecnologia só ocorrerão bem depois do evento já ter ocorrido.

A auditoria da operadora só controla quando possível, a realização do evento, mas os usos decorrentes da liberação do procedimento não (por exemplo, controla-se se determinado procedimento será realizado, mas não o uso de um medicamento mais caro ou material durante a fase de internação). Assim, mesmo o sistema adequando as mudanças e exigências do setor, não são suficientes para que ocorra uma plena gestão dos usos de tecnologia dentro do Hospital. É como se a Operadora assinasse um cheque em branco a partir do momento que faz a liberação do procedimento, não sabendo o que poderá vir a partir dali.

A alternativa para tal é mudar também os padrões de remuneração dos procedimentos, caminhando para políticas que incentivem o Hospital a atuar mais na gestão do uso de tecnologia, compartilhando os riscos com a operadora. E uma das políticas de remuneração que condiz com esta realidade são os pagamentos por pacote. Os benefícios vão além do controle do uso da tecnologia, permeando também uma simplificação nos trabalhos da auditoria médica e pagamento médico, uma vez que se tira a variabilidade da cobrança.

A auditoria ficará atenta somente se o procedimento cobrado em pacote está nos moldes estabelecidos para tal. E para o pagamento médico é verificar se o que foi cobrado no pacote condiz com o valor acordado.

Ao mesmo tempo em que a remuneração por pacote é benéfica, há o seu lado pernicioso. A premissa do pacote é de se ter procedimentos com pouca variabilidade. O problema é quando há uma variabilidade muito grande nos procedimentos.

Para procedimentos como parto e cesárea, a exemplo do que pode ser verificado na pesquisa, é altamente recomendável para o Hospital em análise, pois não se tem grandes oscilações, e mesmo ocorrendo, pode-se optar pela cobrança de conta aberta ( por procedimento). O problema do pacote fica para casos de UTI. Casos de UTI possuem uma variabilidade muito grande de procedimentos, materiais, medicamentos e gases.

Em uma experiência do próprio Hospital no empacotamento de internações de UTI com um convênio mostraram isso. O custo de manutenção e monitoramento é grande. A contrapartida foi o dimensionamento do valor prevendo um extra para casos complicados eventuais. Tanto para a operadora como para o Hospital não está sendo benéfico.

A alternativa para caso de alta variabilidade seria a remuneração por performace, política pouca adotada no Brasil e sem registro no Hospital em estudo. Além também de se parametrizar os indicadores que permitissem a adoção da política.

No caso do pacote de UTI, poderia criar um mecanismo de remuneração do Hospital quando comprovado benefício gerado à operadora. O benefício gerado seria uma comprovada redução de custos em medicamentos e materiais, utilizando por exemplo, medicamentos genéricos ou controlando o uso de materiais sem necessidade. Cria-se um protocolo de redução e constado a economia, a operadora beneficia o Hospital remunerando melhor suas diárias de UTI.

As operadoras por outro lado, estão repassando suas ineficiências operacionais para o hospital. Atrasando as liberações das internações ou prorrogações, impede que o Hospital fature. É assim uma clara evidencia da ineficiência operacional por parte da operadora que não consegue administrar a demanda por serviços de auditoria e ao mesmo tempo controlar o uso das tecnologias. O Hospital assim amarga os prejuízos.

Além de compartilhar as ineficiências operacionais, o Hospital precisa ter fôlego financeiro suficiente para bancar a utilização de tecnologia. Entre a data de utilização e recebimento pode chegar a sessenta dias. É um fator importante, pois os gastos já foram realizados, enquanto que as receitas ainda não entraram.

É preciso que a cadeia produtiva, independentemente de qualquer coisa, se una para consolidar o mercado e garantir a sobrevivência do setor privado. A evolução da medicina e da tecnologia ligada à área da saúde, bem como a forte regulação que o setor de saúde

suplementar vem passando, operadoras, hospitais, médicos e demais profissionais envolvidos na prestação de serviço precisam unir forças.

Pelo que pode ser notado, as exigências por parte do paciente, amparado pela ação do estado, está se criando condições, no qual em pouco tempo não haverá mais espaço para empresas de pequeno porte. Será necessário a consolidação de cadeias produtivas eficientes e eficazes, prontas para atuarem no setor cada vez mais competitivo.

Os crescentes gastos na saúde precisam ser repensados de forma que haja uma racionalização da utilização das tecnologias. Perdeu-se a noção do princípio básico da saúde que é da qualidade de vida. Porém o que se verifica são as decisões permeadas pelos ganhos financeiros. A preocupação reside na sobrevivência do modelo de indústria da área da saúde que está se criando em detrimento do paciente.