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Konklusjoner og oppsummering av konsekvensutredningen

1. Presentasjon av Hydro

1.4 Konklusjoner og oppsummering av konsekvensutredningen

Investigar as origens genealógicas sobre as quais se assenta a proposta da igualdade no modelo civilizatório ocidental moderno, é deparar-se novamente com os ideais ascéticos e suas imposições moralizantes sobre a vida. É um olhar sobre origens niilistas reativas de ressentimento, de rebaixamento e de aniquilamento da vida em sua diversidade de manifestações. É deparar-se com uma idéia “essencial” necessária para que os fracos, os portadores da vontade de rebanho, os zeros somados, possam suportar a tragédia da existência que se desenvolve em meio à luta. A luta em Nietzsche faz parte do jogo da vida. Está colocada na relação com a vontade de poder pela possibilidade de dominação. Não está colocada para o aniquilamento do outro como forma de imposição, de igualdade, de homogeneização do diferente, mas no sentido de promover a vida intensamente, na sua multiplicidade de possibilidades e diversidades.

De acordo com o filósofo, a igualdade, anunciada por religiões ou defendida por correntes políticas, é uma idéia astuta. Desde os primeiros tempos, a noção de equilíbrio de forças teria regulado as relações humanas. Para conservar a própria existência, os indivíduos mais fracos procuraram associar-se. Vivendo gregariamente, esperavam enfrentar os que, mais fortes do que eles, pudessem vir a ameaçá-los. Por outro lado, os adversários – fossem indivíduos ou grupos -, sempre que tivessem forças equivalentes, concluíam a paz e estabeleciam contratos entre si. Assim surgiu a noção de direito.(MARTON, 2000, p. 148).

Portanto, a igualdade é a própria manifestação niilista da vontade de poder presente nos fracos, ressentidos diante da vontade de potência que move o dinâmico combate em que a vida se renova a cada instante. É a possibilidade de destruir o diferente enquanto possível ameaça e questionamento dos padrões morais que confinam a vida nos limitados horizontes do rebanho. Desta perspectiva nasce, a partir da “doutrina da igualdade”, o conceito de justiça, para que os fracos, os ressentidos possam proteger-se, equilibrar, amordaçar as forças que movem o combate vital. É o próprio instinto de conservação que move o rebanho na busca de igualdade e de justiça.

A justiça (eqüidade) tem origem entre homens de aproximadamente o mesmo poder, como Tucídides [...] corretamente percebeu: quando não existe preponderância claramente reconhecível, e um combate resultaria em prejuízo inconseqüente para os dois lados, surge a idéia de se entender e negociar as pretensões de cada lado: a troca é caráter inicial da justiça. [...]. A justiça é, portanto, redistribuição e intercâmbio sob o pressuposto de um poderio mais ou menos igual: originalmente a vingança pertence ao domínio da justiça, ela é um intercâmbio. [...]. A justiça remonta naturalmente ao ponto de vista de uma perspicaz autoconservação, isto é, ao egoísmo da reflexão que diz: “por que deveria eu prejudicar-me inutilmente e talvez não alcançar a minha meta?. (NIETZSCHE, 2000/E, p. 70).

Para Nietzsche os fracos, ressentidos, portadores da “vontade de igualdade”, possuem-na como suprema virtude. Movidos pela necessidade da conservação, mentem, tiranizam, impõem verdades na perspectiva de igualar o não igual, eliminar as diferenças, rebaixar a vida diminuindo a intensidade de forças em constante movimento. Então, os valores morais impostos pelos ideais ascéticos fazem da igualdade seu estandarte de luta, por uma sociedade mais justa, fraterna, solidária. Revela-se contundentemente a metafísica da filosofia socrático-platônica, aliada à teologia e transformada em ideal político de construção de utopias, de projetos de um mundo-do-além de felicidade e paz, conquistado simplesmente pela harmonia dos opostos, o que diante da dinâmica das forças cosmológica e fisiológica revelam o profundo antagonismo, sendo possível, somente pelo aniquilamento das forças vitais participantes do vir-a-ser vital.

[...]. Promotor da vida em coletividade, o indivíduo mais fraco em momento algum poderia abrir mão dela. Por isso, instituiria maneiras de agir e pensar universalmente válidas, censuraria toda a originalidade, reprovaria toda e qualquer mudança. Exigiria ininterruptamente a vitória de cada um sobre si mesmo, para que a sociedade se fortalecesse. Igual entre iguais, o animal de rebanho talvez até cresse que os homens são todos irmãos. (MARTON, 2000, p. 149).

Na esteira de denúncias do niilismo reativo presentes na perspectiva da igualdade, Nietzsche não poupa suas críticas ao socialismo. O socialismo constitui-se em corpo de idéias sistematizadas ensaiando seus primeiros passos ao longo da modernidade. Porém, um olhar genealógico nos permite ver a gênese das principais teses defendidas e levadas adiante pelo socialismo, nos pressupostos filosóficos da metafísica, bem como nas teses cristãs e teológicas. A racionalidade científica que desencadeia o socialismo na modernidade trabalha a partir dos ideais ascéticos moralizantes, como a “crença” no princípio da igualdade, da justiça e da solidariedade. A “crença” numa “natureza humana” que, participando da transformação da ordem vigente, levaria necessariamente o homem a se tornar bom, amável, distinto. De que a prerrogativa para banir todos os males que assolam a condição humana, seria o abandono da individualidade no seio da coletividade, reforçando assim ainda mais o instinto de rebanho. O socialismo, portanto, representaria a negação total da vida em sua

diversidade de possibilidades, de forma sistematizada, racionalizada, elevada a um grau de cientificidade que poderia almejar a levar o homem à utopia da perfeição.

Os socialistas querem o bem-estar para o maior número de possível de pessoas. Se a pátria permanente desse bem-estar, o Estado perfeito, fosse realmente alcançada, esse próprio bem estar destruiria o terreno em que brota o grande intelecto, e mesmo o indivíduo poderoso: quero dizer, a grande energia. A humanidade se tornaria fraca demais para produzir o gênio, se esse Estado fosse alcançado. Não deveríamos desejar que a vida conserve seu caráter violento, e que forças e energias selvagens sejam continuamente despertadas? (NIETZSCHE, 2000/E, p. 162).

O socialismo, a partir desta perspectiva, representa a tentativa de rebaixamento do instinto vital, pois se a vida se renova constantemente num combate incessante, significa dizer que a vida se alimenta da próprio vida, fenômeno perceptível fisiologicamente. A exploração da vida pela vida é inerente a todo vivente. Constitui função orgânica básica. Dirimir totalmente a exploração a partir da utopia de uma sociedade igualitária, justa, fraterna, é reprimir e impor violentamente sobre o corpo e o espírito uma felicidade de cordeiro, alimentar uma esperança de rebanho rumo à sociedade da perfeição. Nesta linha de análise, talvez seja possível dizer que o socialismo foi, na modernidade, a encarnação e a potencialização dos mais elaborados ideais metafísicos, teológicos e científicos na ordenação do instinto de rebanho.

O socialismo [...], ele precisa da mais servil submissão de todos os cidadãos ao Estado absoluto, como nunca houve igual; [...] não pode ter esperança de existir a não ser por curtos períodos aqui e ali, mediante o terrorismo extremo. Por isso ele se prepara secretamente para governos de terror, e empurra a palavra “justiça” como um prego na cabeça das massas semicultas, para despojá-las totalmente de sua compreensão [...]. O socialismo pode servir para ensinar, de modo brutal e enérgico, o perigo que há em todo acúmulo de poder estatal, e assim instilar desconfiança do próprio Estado. (NIETZSCHE, 2000/E, p. 255).

A sagacidade de Nietzsche na crítica que realiza ao niilismo socialista enquanto manifestação da moral dos escravos, do rebaixamento da vida, do ideal de rebanho, em pleno século XIX, contemporâneo que foi de Marx e Engels, os precursores do “socialismo científico”, é sintomático, na medida em que vai às raízes históricas e psicológicas do modelo civilizatório ocidental moderno. Os desdobramentos das experiências socialistas, no século XX, não deixam dúvida da pertinência e da potencialidade de sua análise, comprovando que o “socialismo científico”, coletivizador, não passava de uma moral de rebanho, negadora da vida, elevada a sua potência máxima. Que “a utopia socialista” pregada com ardor missionário teleológico, escatológico, nestes últimos duzentos anos do modelo civilizatório ocidental moderno e desastradamente colocado em prática, possa nos chamar a atenção para a perspectiva central da obra de Nietzsche, que é a vida em seus impulsos vitais, a vida unicamente como critério de avaliação da própria vida. “Viver? ... é repelir constantemente

para longe de nós tudo aquilo que deseja morrer. Viver? ... È ser cruel, impiedoso, para tudo que envelhece e enfraquece em nós e mesmo além.” (NIETZSCHE, 1976, p. 62).