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Naqueles primeiros anos de funcionamento no Paraná, as três emissoras televisivas centravam suas produções – ainda exclusivamente locais, ao vivo e em preto e branco – em programas noticiosos, de esportes, de entretenimento em auditórios, e nos espaços comerciais; além de veicularem filmes estrangeiros e nacionais, seriados e desenhos animados importados. Elas seguiam, desta maneira, o modelo estabelecido na década de 1950 pelas estações pioneiras de São Paulo e Rio de Janeiro, basicamente. No conjunto do gênero tido como de entretenimento – que ocupava, diariamente, o maior espaço em cada programação – estavam incluídas as atrações musicais, teleteatros, telenovelas e infantis, entre outros. Como os canais paranaenses ainda não contavam com equipamento de videoteipe (VT), tudo era produzido e levado ao ar ao vivo; obviamente com exceção dos filmes, seriados e desenhos.

Segundo Baracho (2006, p. 44-45), os musicais recebiam especial atenção porque aproveitavam experientes cantores do rádio, que sabiam conduzir os espetáculos ao vivo – sempre passíveis de improvisos – e cativar também o público da televisão. Como não eram muitos os cantores, cantoras e humoristas em Curitiba e Londrina, para os programas de auditório, semanalmente eles eram contratados em São Paulo e em outras capitais para participarem das programações locais das emissoras Paranaense, Paraná e Coroados. Estas duas últimas, por pertencerem ao grupo de Chateaubriand, normalmente contavam com artistas ligados à TV Tupi, paulista ou carioca.

Com os modestos recursos tecnológicos disponíveis, as emissoras tinham enormes dificuldades para manterem-se em funcionamento. O Canal 6 usava, para seus programas noticiosos, o material produzido pela equipe do “coirmão” Diário do Paraná, enquanto que o Canal 12 mantinha parceria com os jornais Tribuna do Paraná e O Estado do Paraná, sendo que o “pagamento” era feito na forma de troca de anúncios. Os telejornais usavam a velha fórmula dos radiojornais, com dois apresentadores lendo intercaladamente partes dos textos informativos, só que agora em frente a uma câmera de TV. Ainda não se contava com reportagens externas, mas algumas entrevistas ao vivo eram realizadas nos estúdios.

Nos sábados e domingos, as emissoras entravam no ar mais cedo e apresentavam maior número de filmes de longa-metragem. Nos auditórios e estúdios das emissoras – onde

os programas e intervalos comerciais eram produzidos ao vivo – havia, quase sempre, um painel preto fixo que servia de fundo. Nele, eram colados cartazes com quadros e desenhos que ilustravam os diferentes programas no ar e os produtos anunciados; foi o modelo precursor do que mais tarde seria conhecido como cenário. Com o passar do tempo, começaram a ser usados slides de 35 milímetros e filmes externos sem som, sobre os quais os locutores faziam a narração do respectivo texto noticioso ou comercial (BARACHO, 2006, p. 58).

Sem muitos equipamentos e com poucos recursos técnicos e financeiros, ao final de 1963 e nos anos seguintes daquela década, as emissoras do Paraná baseavam a maior parte de suas programações na reprodução de seriados, desenhos e filmes importados e dublados. Entre eles, destacavam-se: Pepe Legal, Roy Rogers, Bat Masterson, Os Intocáveis, Tarzan, Os Jetsons, Histórias do Velho Oeste, Bonanza, Jim das Selvas, Aventuras Submarinas, Os Flintstones, Zé Colméia, Zorro, Os Três Patetas, e Dock Tracy.147 Estes e outros eram reprisados – em diferentes dias e horários das semanas – à exaustão pelos diversos canais, comportamento constantemente criticado pelos colunistas de jornais, que citavam o descontentamento dos telespectadores. Eles não imaginavam que aquela situação pioraria em pouco tempo, como consequência direta de um importante avanço tecnológico.

A programação completa da TV Coroados, por exemplo, que havia sido reformulada para a comemoração do primeiro aniversário da emissora, em setembro de 1964, era esta em uma terça-feira: 18h32 – “Cineminha Canal 3”; 18h50 – “Os Três Patetas”; 19h20 – “Atualidades Esportivas”; 19h30 – “Bolsa de Informações”; 19h40 – “Telenotícias Transparaná”; 19h50 – “Macedônia dita os Astros”; 20h00 – “Brother’s”; 20h30 – “Papai Sabe Tudo”; 21h00 – “Rip Cord”; 21h35 – “Divertimentos RS”; 22h40 – “Reportagem Social”; 23h10 – “Diário do Paraná na TV”.148 Em aproximadamente cinco horas de programação, cerca de metade das atrações ainda era composta por produções próprias e apresentadas ao vivo, índice que diminuiria bastante nos anos seguintes.

Muito antes das atuais e sofisticadíssimas telenovelas que a Rede Globo exporta para dezenas de países, as emissoras locais de televisão apresentavam os chamados teleteatros, outra atração herdada das experiências do rádio. Neles, poucos atores e atrizes – normalmente

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Eles ficaram conhecidos como filmes “enlatados”, porque naquela época eram transportados em latas para proteção das películas contra o calor e a umidade do meio ambiente. Só anos depois, o termo “enlatado” passou a conviver com uma conotação pejorativa de produto da imposição cultural estrangeira; de algo estranho ao nosso meio (DALPÍCOLO, 2010, p. 50).

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integrantes de grupos locais de teatro – encenavam peças de autores regionais, nacionais ou internacionais. Os principais problemas enfrentados para estas produções eram a falta de equipamentos – quase sempre apenas uma câmera – e o pequeno espaço dos auditórios, como explica Jamur Júnior (2001, p. 38-39):

Na busca de um maior público de telespectadores, a TV Paranaense avançava [em 1962-63] na realização de programas locais. Um dos grandes desafios que se colocava para a direção de programação era a produção de tele-teatro, com atores e autores locais. O pioneiro desse ramo que precedeu as novelas foi um simpático chinês que se chamava Charles Clemente Chen, que trabalhara na TV Itacolomi, em Belo Horizonte. [...]. Chen deu extraordinária contribuição para o desenvolvimento da televisão paranaense. [...]. Um dos primeiros programas de teatro na televisão foi “Uma Câmera em Suspense”, título que tinha mais a ver com a situação do que com o enredo da peça.

A primeira novela veiculada pela televisão no estado foi produzida em Curitiba, pela TV Paranaense, e entrou no ar em setembro de 1964: “A última carícia”. Ela foi transmitida em 30 capítulos – com 20 minutos de duração cada um – nas noites de segunda, quarta e sexta-feira, com início às 18h40.149 O elenco foi formado por grandes nomes do teatro local: Sinval Martins, como galã, Lala Schneider, Maria Aparecida, Rubens Rollo, Cordeiro Júnior e Cícero Gomes. A trama contava a história de um escultor que se casara com uma jovem contra a vontade da família dele. Algum tempo depois, a irmã do galã conseguiu convencê-lo de que a esposa o traía. Desesperado, ele bateu o automóvel que dirigia e perdeu os movimentos das mãos, não podendo mais esculpir. Algumas cenas externas, como a do acidente, foram gravadas em filme de 16 milímetros, e depois sonorizadas em estúdio.

Em consequência de problemas técnicos, a TV Paraná – que havia anunciado que seria a pioneira neste segmento no estado – só conseguiu colocar no ar a sua primeira novela com uma semana de atraso, em relação ao Canal 12. Escrita por Venâncio Xavier, “Senhora” era uma adaptação do clássico romance de José de Alencar. Ela foi apresentada em 15 capítulos, com a duração de meia hora cada, três noites alternadas por semana.150 As primeiras

149Com o galã Carlos Zara no papel principal, “A última carícia”, texto de Mário Brazini, havia sido encenada

pela TV Record de São Paulo, no fim dos anos 1950; mas para o público curitibano ela ainda era inédita (DALPÍCOLO, 2010, p. 71). Em 1964, a telenovela já estava definitivamente estabelecida como gênero na televisão brasileira, com grandes sucessos de público nas TVs Tupi, Record e Excelsior. A primeira telenovela brasileira foi “Sua vida me pertence”, escrita por Walter Forster e exibida, ao vivo, pela TV Tupi-SP a partir de 21 de dezembro de 1951, em 20 capítulos, duas noites por semana, às 20h00 (BRAUNE; RIXA, 2007, p. 121).

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Onze anos depois, em 1975, a Globo transmitiu em rede nacional a telenovela “Senhora”, adaptada por Gilberto Braga e dirigida por Herval Rossano. Com 80 capítulos, ela foi a primeira telenovela brasileira

telenovelas paranaenses foram patrocinadas por lojas de eletrodomésticos, empresas revendedoras de gás, bancos e uma fábrica de fogões. “Apresentar este tipo de espetáculo ao vivo, sem recursos técnicos básicos, era uma verdadeira corrida de obstáculos”, registra Jamur Júnior (2001, p. 149).

Apesar do sucesso inicial de público, não foram transmitidas ao vivo em Curitiba mais que quatro ou cinco novelas, conforme Baracho (2006, p. 101-108). Isto aconteceu porque, no ano seguinte, chegaram às emissoras locais os primeiros equipamentos de videoteipe151, um marco que alteraria definitivamente a rotina de trabalho e produção nos estúdios paranaenses de televisão, como já ocorria nas emissoras das principais capitais brasileiras. Com o uso da nova tecnologia, passaram a ser possíveis a gravação e edição de sequências de alguns capítulos em um mesmo dia. A TV Paranaense foi a primeira do estado a adquirir e utilizar um equipamento de videoteipe, em julho de 1965.152 Renato Mazânek lembra como foi o início do funcionamento do VT no Canal 12:

Finalmente, depois de tantas promessas, muitas expectativas e algumas trapalhadas, o equipamento Ampex VR 1000, quadruplex profissional, de altíssima qualidade, foi colocado em condição de uso. A estréia aconteceu numa fria mas festiva noite de 8 de julho de 1965, com a presença de uns poucos convidados. Durante 60 minutos, diante de uma platéia impregnada de encanto e alegria, apareceu no vídeo um dos mais bonitos programas da série de especiais internacionais produzidos pela TV Excélsior de São Paulo: o show da belíssima Connie Francis, que comoveu um número enorme de telespectadores e os levou a cobrir de congratulações a TV Paranaense. Ainda assim, a inauguração oficial do equipamento somente aconteceria na manhã do domingo seguinte, dia 11 de julho. Ney Aminthas de Barros Braga, então governador do Estado, foi quem gravou a primeira mensagem em videoteipe, exibida na inauguração, seguida da reprise do show de estréia, que acabou depois sendo repetido inúmeras vezes diante do sucesso alcançado (MAZÂNEK, 2004, p. 112).

Poucos dias depois, em 25 de julho do mesmo ano, a TV Paraná recebeu, testou e colocou em atividade a sua unidade de videoteipe. Na emissora de Chateaubriand, não houve produzida em cores para a faixa das 18 horas. Disponível em: <http://www.memoriaglobo.globo.com/>. Acesso em: 30 nov. 2011.

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O aparelho de videoteipe gravava um sinal magnético em uma fita plástica revestida de óxido de ferro, numa operação semelhante ao do gravador de som, comum. Era, na época, a única maneira através da qual as imagens e os sons de TV podiam ser gravados e, imediatamente, revistos como filmes sem que houvesse a necessidade de revelação. Sobre a fita gravada, dublava-se e, para realizar a montagem ou correção de cenas, as fitas eram cortadas e coladas. [Procedendo-se, portanto, um processo de edição do material.]. Copiadas [as fitas], podiam ser reproduzidas em qualquer outro equipamento de vídeo e, assim, a produção de uma emissora podia ser exibida em outra (BARACHO, 2006, p. 105).

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Na região sul, naquela época um VT funcionava somente na TV Piratini de Porto Alegre, a terceira capital do país “a contar com o poderoso aparelho”, logo depois de São Paulo e Rio de Janeiro. A Piratini fazia parte da rede dos Diários e Emissoras Associados (MAZÂNEK, 2004, p. 106).

inauguração oficial, nem pompa para a ocasião de estreia do VT, que aconteceu durante o programa “Enquanto Roda o Sucesso”, apresentado por Vinícius Coelho nas tardes de domingo. Ele anunciou no ar, ao vivo, que os telespectadores assistiriam a uma grande novidade e, imediatamente, apareceu na telinha dos televisores o Quarteto em Cy, cantando uma música gravada em VT em São Paulo. Na noite daquele domingo, o Canal 6 de Curitiba veiculou, igualmente pela primeira vez, o “Clube dos Artistas”, programa com grande audiência que havia sido gravado, em VT, pela Tupi de São Paulo, na semana anterior.

Algumas telenovelas ainda foram produzidas pelas emissoras curitibanas, utilizando- se das possibilidades de gravações externas e edições do videoteipe, mas nos anos seguintes elas foram completamente substituídas pelas compradas da Tupi, Excelsior, Record e Globo. Por causa dessa “importação” de telenovelas gravadas em fitas de VT, nas emissoras paranaenses – que competiam pela compra do produto com estações de outros estados – os capítulos eram levados ao ar com alguns dias e até uma semana de atraso em relação a São Paulo e Rio de Janeiro, onde eles eram transmitidos simultaneamente. “Algumas pessoas chegavam ir a São Paulo para assistir aos capítulos de novelas que ainda seriam exibidos aqui, para poder contar às amigas o que estava por vir e que elas já tinham visto” (MAZÂNEK, 2004, p. 113).

O advento do VT diminuiu a quantidade de programas apresentados ao vivo, mudou a maneira de produzir os anúncios – agora gravados, com cenas externas, editados e com melhor qualidade – e enriqueceu os telejornais e programas de esportes, com a realização de entrevistas e reportagens fora dos estúdios. Além disso, a apresentação de shows gravados, produzidos normalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, “afastou a necessidade de trazer, para Curitiba, com a freqüência de antes, artistas paulistas e cariocas”153, o que, certamente, contribuiu para diminuir os custos e aumentar os lucros das emissoras paranaenses.

Inventada nos EUA em 1956, a tecnologia do videoteipe, usada em larga escala no Brasil principalmente a partir de 1962, foi a grande responsável, desta maneira, pela transformação dos conteúdos das programações locais das emissoras paranaenses para cada vez mais nacionais, a partir de 1965. Não obstante, o VT causou também outras modificações positivas e importantes na televisão como um todo, conforme a avaliação de Inimá Simões:

É preciso entender o potencial revolucionário do videoteipe. Ele liberta a TV da camisa-de-força da transmissão ao vivo, que até então reduzia tudo ao

mero registro do que estava no campo visual imediato da câmera. Introduz a linguagem específica da televisão, com os cortes de edição, a velocidade, um novo ritmo e até a possibilidade de situações inusitadas.154

A primeira emissora desta nova fase, e quarta do estado, a entrar em funcionamento foi a TV Iguaçu, Canal 4 de Curitiba, inaugurada em 28 de dezembro de 1967. O empreendimento era propriedade do então governador do Paraná, o advogado e empresário Paulo Pimentel.155 A TV Iguaçu foi a primeira de Curitiba a iniciar operação em um prédio especialmente projetado e construído para abrigar as atividades de uma estação televisora. Ele contava com três grandes estúdios; bem diferente da TV Paranaense, por exemplo, que sete anos antes havia entrado no ar operando em um estúdio único instalado em uma pequena quitinete. Os equipamentos adquiridos pela TV Iguaçu também eram os melhores e mais modernos disponíveis no mercado internacional naquela época. Eles foram importados da Inglaterra e dos Estados Unidos.

Para a direção geral do Canal 4, Pimentel contratou Hiram de Hollanda, respeitado profissional com experiência na TV Rio e nas maiores agências de propaganda do país. Hollanda havia sido colega de Walter Clark, já diretor-geral da TV Globo do Rio de Janeiro, e o procurou para tentar estabelecer uma parceria entre aquela emissora carioca e a nova TV Iguaçu. É o ex-redator e ex-apresentador de telejornais das TVs Paranaense, Paraná e Iguaçu, Jamur Júnior (2001, p. 92-93), quem conta este episódio:

Em companhia de Rafael Iatauro, [Hollanda] foi ao Rio em busca da programação da Globo, cujos índices de audiência eram sofríveis. Era apenas a terceira colocada, bem distanciada da TV Tupi e da TV Record, que detinha a liderança absoluta em audiência. Usando de franqueza, Walter Clark indicou o caminho, com o seguinte comentário: – Se vocês querem sair logo na frente, procurem a Record. A TV Globo só será grande daqui a uns quatro anos. Iatauro, então diretor artístico da Iguaçu, decidiu procurar a direção da Record em São Paulo.

Porém, havia um problema a ser resolvido: a TV Record mantinha parceria com a emissora curitibana de Nagibe Chede desde 1960. Não foram divulgados os argumentos usados pelos representantes do governador Pimentel para convencer a direção da Record a romper a antiga relação com a TV Paranaense. Mas, feito isto, um contrato foi assinado entre

154 SIMÕES, 2004, p. 21.

155 Apenas coincidência de nomenclatura ou não, a sede oficial do governo do Paraná, naquela época ocupada pelo concessionário do novo Canal 4, era o Palácio Iguaçu; como prossegue sendo atualmente. Sobre a história do projeto e construção do referido palácio, pode-se ler SANTOS JÚNIOR (2008).

a TV Record e a TV Iguaçu, que assim começou a operar em condições de disputar a liderança de audiência com a pioneira TV Paranaense e a TV Paraná. Ao empresário Chede, não sobrou alternativa a não ser assinar contrato de cooperação técnica e compra de produtos, para a sua TV Paranaense, com a recém-criada TV Globo, naquela época ainda em fase inicial de estruturação.

Desta maneira, além de possuir as instalações mais adequadas e os equipamentos mais modernos, a TV Iguaçu entrou no ar contando com os melhores programas produzidos no Brasil à época.156 Alguns exemplos: “O Fino da Bossa”, com Elis Regina e Jair Rodrigues; “A Família Trapo”, com Jô Soares e Ronald Golias; “Jovem Guarda”, com Roberto Carlos, Wanderléia e Erasmo Carlos; além dos grandes festivais de música popular brasileira, que revelaram Gilberto Gil, Rita Lee, Caetano Veloso, Chico Buarque de Holanda, Nara Leão e tantos outros nomes.

Na parte da produção local, a direção da TV Iguaçu investiu pesado no telejornalismo, apoiada pelos diários Tribuna do Paraná e O Estado do Paraná, ambos também propriedades de Paulo Pimentel. Sob a direção do experiente jornalista Ducastel Nicz, o Departamento de Jornalismo do Canal 4 colocou no ar o “Show de Jornal”, que baseado em linguagem coloquial encontrou uma nova fórmula de levar informações aos telespectadores. O sucesso foi imediato. Em poucos meses, o “Show de Jornal” foi o programa jornalístico de maior audiência na história da televisão, “chegando a marcar índice de 96%, inédito no país”, conforme Jamur Júnior (2001, p. 94).

Para a festa de inauguração realizada no ginásio de esportes do Thalia Clube, um dos maiores e mais importantes de Curitiba na época, a direção da TV Iguaçu não poupou recursos. Com entrada franca à população, o show contou com as presenças dos cantores Wilson Simonal e Wanderléia, entre outras atrações nacionais e regionais. O governador Paulo Pimentel157 e o ex-governador Ney Braga estiveram presentes à festa da nova televisão, juntamente com outras autoridades estaduais e curitibanas. O único discurso foi do diretor

156 Folha de Londrina, Londrina, 08 nov. 1967. Aqui TV, p. 12. A nota publicada informava que, naquela ocasião, segundo pesquisa do Ibope, dos dez programas com maior audiência em São Paulo, oito eram da TV Record.

157 Paulo Cruz Pimentel nasceu em Avaré (SP), em 7 de agosto de 1928. Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), em 1952. Em seguida, casou-se com Ivone Aparecida Lunardelli e, em 1955, mudou-se para Porecatu, na região norte do Paraná, onde atuou como diretor financeiro da Usina Central do Paraná – transformadora de cana em açúcar e álcool –, pertencente à família Lunardelli. Depois, ele se tornou secretário estadual de Agricultura (1961-1965), governador do Paraná (1966-1971), deputado federal eleito pela ARENA em 1978, e deputado federal constituinte pelo PFL, eleito em 1986 (DICIONÁRIO HISTÓRICO- BIOGRÁFICO BRASILEIRO, Pós 1930, 2001, p. 4625-4628).

Rafael Iatauro. A primeira-dama do Paraná, Ivone Lunardelli Pimentel, desatou a fita simbólica e deu por inaugurado o Canal 4 da capital.158

Fotografia 6 – Estúdio do telejornalismo da TV Iguaçu, na década de 1970.159

A programação da TV Iguaçu, inicialmente, não diferia muito da apresentada pelas suas concorrentes paranaenses. No geral, diariamente ela era parecida com esta, de uma quinta-feira: 15h45 – “Slide padrão técnico”; 16h05 – “Hazel”; 16h35 – “Desenhos”; 17h35 – “Seriado: A Ilha do Tesouro”; 18h05 – “Sessão Pastelão”; 18h35 – “Show Jovem: Quartel do Barulho”; 19h35 – “O 4 é Bom de Bola”; 19h40 – “Em Primeira Mão”; 19h55 – “Teatro das

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O Estado do Paraná, Curitiba, 29 dez. 1967, p. 8.

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Oito: novela Sangue e Areia”; 20h30 – “Show das oito e meia: Vamos S’imbora”; 22h30 – “Sessão das dez e meia: 1ª arte de filme Longa Metragem”; 23h00 – “Show de Jornal”; 23h30 – “2ª parte de filme Longa Metragem”; 00h00 – “Encerramento”.160 Como única novidade notável, surgiu a divisão da apresentação do filme longa-metragem em duas partes, intercaladas pelo telejornal edição das 23 horas. Estranha experiência que não deve ter encontrado aprovação entre os telespectadores, tanto que foi abandonada em poucas semanas.

Considerando-se os números do Ibope, a programação da TV Iguaçu – que nasceu contando com as principais atrações da paulista TV Record – fez rapidamente um enorme sucesso de público. Este foi o resultado da pesquisa de audiência televisiva realizada por aquele instituto em Curitiba, em fevereiro de 1968: TV Iguaçu – 54,15%; “TV B” – 26,9%;