descreviam classes de respostas nas atividades de LOE e os comportamentos subseqüentes da P.
Atividades de Rotina
Durante a Organização de materiais e da classe para saída, Ricardo conversava com seus colegas e P o instruiu com “Psiu” a ficar quieto. Ricardo parou de conversar com os colegas e P permaneceu em pé, em frente à classe, emitindo outros comportamentos (episódio 55/filmagem 1).
Na atividade de Orientação coletiva e individual sobre uso de material, Ricardo perguntou para P se poderia guardar seus materiais. P o instruiu para que guardasse seus materiais. Ricardo começou a organizar seus materiais na pasta e P circulava pela classe. Ricardo novamente perguntou para P se poderia guardar sua pasta e ao ouvir da P que podia guardá-la, Ricardo terminou de guardar seus materiais (episódio 96 /filmagem 4). P, por sua vez, o elogiou. Esse comportamento de elogiar, enquanto uma consequenciação positiva, embora pouco freqüente, fazia parte do repertório de ensinar da P.
Atividades de Linguagem Oral e Escrita (LOE)
Tanto situações de Construção coletiva de título de história (episódio 7/filmagem 1) como na situação de Jogo de forca (episódio 29/filmagem 1) os alunos estavam sentados em suas carteiras e Ricardo desenhou uma letra no ar ou verbalizou uma palavra referente às letras escritas na lousa. P o instruiu a falar que letra era aquela e dar um tempo, respectivamente. Ricardo falou o nome da letra escrita na lousa e P repetiu a letra e a anotou ao lado das demais já faladas durante o jogo. Esse comportamento da P de repetir a letra falada é um comportamento ecóico, freqüente dos educadores infantis, que pode ter sido utilizado pela P como uma forma de todos os alunos ouvirem qual foi a letra ou palavra falada pelo aluno. A longo prazo, esses comportamentos da P poderão ter efeitos positivos sobre o seu comportamento de falar em público ou mesmo na participação de atividades com essas características.
Na atividade de Desenho e escrita das ilustrações realizadas sobre a história Ricardo procurou pela P para perguntar sobre a escrita do nome de um animal que desenhou. P o instruiu a escrever do jeito que se fala, questionando a escrita apresentada pelo aluno. Ricardo voltou para sua carteira. P apresentou nova instrução a Ricardo para que fosse falando pedacinho por pedacinho da palavra e escrevendo (episódio 79/filmagem 4). Esse comportamento de P sugere que, em algumas situações, ela se comporta em função das necessidades do aluno, reorganizando instruções para que elas se tornem mais claras e eficientes para o processo de aprendizagem dos alunos.
Na Identificação de palavras em uma poesia, Ricardo verbalizou saber onde estava localizada a palavra solicitada por P na poesia. P chamou por outro aluno, instruindo que Ricardo esperasse um pouco, mas Ricardo verbalizou que seria a palavra de cima. O outro aluno apontou a palavra e foi elogiado por P (episódio 20/filmagem 2). Com esse comportamento, P ignorou o desempenho de Ricardo, talvez como uma forma de criar mais situações em que os demais alunos pudessem participar e não somente ele.
Na situação de Canto de música, P apresentou a letra da música “Abecedário da Xuxa”, escrita em letras de forma maiúsculas em um cartaz. Os alunos estavam sentados em suas carteiras e P apontou as palavras da música a serem cantadas por todos. Ricardo levantou e foi para perto da porta, pois P o instruiu a trazer-lhe um prendedor. Ricardo pegou um prendedor e levou-o para P, retornando para seu lugar (episódio 16/filmagem 3). P , ao final, agradeceu ao aluno.
Na Interpretação oral de história, Ricardo ergueu sua mão para falar. P então o instruiu a falar o nome de um animal, personagem da história que havia contado aos alunos. Ricardo verbalizou o nome de um animal e P repetiu o que Ricardo havia verbalizado (episódio 30/filmagem 4). Novamente P emitiu um comportamento ecóico a fim de que todos os alunos ouvissem o animal que Ricardo falou, para que outros não viessem a repeti-lo durante a atividade.
Na Pesquisa, recorte e colagem de letras para compor palavras, Ricardo mostrou a atividade realizada para P. P pediu que ele colocasse o caderno no varal para secagem, ao que Ricardo atendeu prontamente. P, no entanto, circulou pela classe, ignorando o comportamento do aluno.
Na situação de Desenho e escrita das ilustrações sobre a história, Ricardo estava com seu caderno na carteira de outro aluno. P o instruiu para que deixasse o amigo fazer do jeito dele, que não era para copiar um do outro. Ricardo então mostrou seu caderno para P (episódio 92/filmagem 4). No entanto, P, ao questionar outro aluno sobre o que ele havia escrito no caderno, acabou ignorando o seguimento da instrução por Ricardo.
Esses comportamentos de P em relação ao desempenho de Ricardo podem estar relacionados ao fato deste aluno apresentar boa participação nas atividades propostas e estar em um nível de representação de escrita bem próximo àquele esperado para sua faixa etária. A instrução apresentada por P foi para um aluno não copiar a tarefa de Ricardo. P estaria re- arranjando a situação de ensino em que cada um deveria escrever conforme sua hipótese de representação da fala, os nomes dos animais que desenhou, favorecendo assim a instalação de comportamentos de auto-governo em seus alunos. Isto é, trata-se de efetivamente aplicar a afirmação de que: “O aluno pode fazer coisas por si próprio, tornando-o independente dos outros e quanto maior e mais eficiente for seu repertório, tanto mais livre será”. (SKINNER, 1972, p.163).
Ricardo também participou do Jogo de forca. P apontou para Ricardo e o instruiu a falar uma letra que poderia compor a palavra por ela selecionada para os meninos (episódio
espaços que reservara para escrever a letra que comporia a palavra designada aos meninos. Esse comportamento de P em relação ao seguimento da instrução por Ricardo pode estar relacionado à própria situação de ensino proposta, podendo aumentar a probabilidade futura de Ricardo participar de outras atividades que exijam dele esse tipo de comportamento.
Ricardo pediu a P para participar novamente do jogo (episódio 25/filmagem 5). P instruiu outro aluno, ignorando o comportamento de Ricardo. Esse comportamento de P pode estar relacionado ao próprio contexto do jogo, devendo P gerenciar a situação de forma que todos pudessem participar.
Na atividade de Recorte e colagem de letras para compor palavras, Ricardo levantou- se e procurou por P para mostrar-lhe o caderno. P o instruiu a colocar o caderno para secar ao fundo da classe. Ricardo pendurou o caderno no varal ao fundo da classe, embora P estivesse folheando uma revista para outro aluno e apresentando instruções para este, emitindo outros comportamentos não relacionados ao comportamento emitido pelo aluno Ricardo (episódio 74 da filmagem 3).
José
Das 125 instruções que descreviam classes de respostas apresentadas aos alunos com NEEs e com desenvolvimento típico, 30 instruções (24%) foram apresentadas por P ao aluno José, indicando que o comportamento de instruir descrevendo classes de repostas fazia parte do repertório de ensinar da P também para este aluno com desenvolvimento típico.
P apresentou instruções que descreviam classes de respostas para José, tanto nas atividades de rotina como nas atividades de LOE. O diagrama abaixo apresenta um resumo dos comportamentos de instruir da P para este aluno, tanto nas atividades de rotina como nas atividades de Linguagem Oral e Escrita (LOE).
Atividades de Rotina
P apresenta conseqüências positivas contingentes ao desempenho do aluno Quando José segue instrução P emite outros comportamentos
ou ignora desempenho
Quando José não segue instrução P repete /Apresenta nova instrução