Segundo Roper, Logan e Tierney (1995), esses metaparadigmas da Enfermagem não estão claramente deliberados no seu modelo.
Com apoio nos pressupostos, no entanto, é possível verificar que o cliente se refere ao ser humano, individual, de acordo com sua etapa de vida, caracterizando, em síntese,
o ser cliente individualizado, na totalidade do ser homem. Por outro lado, quando se refere à Enfermagem, observa-se esse cliente como comunidade, de forma muito discreta. Nota-se certa incongruência dos pressupostos em relação a esse metaparadigma, necessitando de elementos que sustentem que esse ser individualizado pode ser assistido na comunidade e em abordagens grupais, afirmando a inferência de uma revisão nos pressupostos para proporcionar mais sustentabilidade ao aspecto comunidade como cliente.
A Enfermagem é vista como parte de uma equipe multiprofissional de saúde que trabalha em associação para o beneficio de um cliente/doente e pela saúde da comunidade, tanto no aspecto assistencial, ajudando o individuo a evitar, aliviar, resolver ou ainda enfrentar os problemas reais ou potenciais relacionados com as atividades de vida; como no aspecto de educador de saúde, com vistas à promoção e manutenção da saúde e à prevenção da doença; como também agente promotor de saúde numa situação de doença.
Observa-se que são enumeradas atribuições aos enfermeiros, tanto no aspecto de assistência ao paciente como de Promoção da Saúde, fato que precisa ser mais bem articulado com o modelo utilizado na comunidade. No pressuposto ‘Dentro de um contexto de assistência à saúde, a enfermeira trabalha em colaboração com o doente/cliente, que excepto em circunstâncias especiais, é uma pessoa autônoma capaz de tomar decisões’, a idéia final dessa sentença reporta-se ao “empoderamento”, uma das metas da Promoção da Saúde.
De forma geral, os pressupostos trazidos pelas autoras não demonstram elementos articulados para o trabalho em comunidade, mas permitem essa articulação por meio da Promoção da Saúde, bem como pelas ações de Educação em Saúde, pois destacam o papel do enfermeiro/educador de saúde.
O conceito de saúde está muito atrelado às atividades de vida. Estas podem receber influencia de fatores físicos, psicológicos, socioculturais, ambientais e políticoeconômicos que podem levar aos problemas reais, relacionando, assim, à doença. Além disso, a saúde também é apresentada como articulada ao conceito de problema potencial, caracterizando-se como vulnerabilidade ao estado de doença. Existe, porém, uma forte limitação do modelo ao relacionar a visão de saúde como oposição a doença. Por outro lado, embora o modelo discorra sobre a promoção e manutenção da saúde, existe um foco na prevenção da doença.
A Promoção da Saúde é o processo de capacitar as pessoas para aumentar o controle sobre sua saúde, com vistas a alcançar um estado de completo bem-estar físico, mental e social de um indivíduo ou grupo (BRASIL, 2001). É um conceito que pode ser articulado com o modelo de atividade de vida, pois as atividades recebem diferentes
influencias que podem alterar esse bem-estar, estabelecendo um grau de dependência passível da intervenção de Enfermagem. Assim, os eixos da Promoção da Saúde relacionados com o modelo permitem perceber essa correlação. O eixo desenvolvimento das habilidades pessoais tem como princípio aumentar as opções disponíveis para as pessoas exercerem mais o controle sobre a própria saúde e seus ambientes. Já o modelo favorece que o individuo seja mais independente para os cuidados. O fortalecimento das ações comunitárias é conceituado como ação efetiva da comunidade para controle de sua saúde; no modelo, tornando-se um item que pode ser revisto para preencher a lacuna da participação da comunidade, como também o eixo para o estabelecimento de ambientes favoráveis auxiliaria nessa lacuna. Cabe, por conseguinte, uma ampliação dos pressupostos do modelo.
No que se refere a ambiente, não é possível identificar de forma clara, contudo tem-se a apreensão de ser o contexto a assistência à saúde, como também as práticas de Promoção da Saúde com vistas à prevenção da doença.
A discussão sobre os metaparadigmas, acerca dos aspectos conceituais de teoria e modelos de Enfermagem, expõe elementos sobre o processo do cuidado, favorecendo implementações de Enfermagem mais coerentes e adequadas à promoção de qualidades humanas (ROLIM; PAGLIUCA; CARDOSO, 2005).
5.2.2.2 Os pressupostos podem ser apresentados hierarquicamente?
Os pressupostos já são descritos de forma hierárquica, obedecendo a uma forma de apresentação do modelo, que contempla a abordagem sobre cliente, saúde, ambiente e Enfermagem.
Inicialmente, os pressupostos conceituam vida, seguindo para a descrição das atividades de vida, evidenciando a individualidade do ser na execução individual destas. Essas atividades de vida diferem de acordo com as etapas de vida. Posteriormente, os pressupostos articulam essas atividades de vida com o grau de dependência e independência, como também com os fatores influenciadores, a saber, fatores físicos, psicológicos, socioculturais, ambientais e político-econômicos. Novamente, o modelo deixa evidente o cliente como um ser individual.
A apresentação do metaparadigma saúde, numa abordagem de problema real e potencial, focalizando a doença. Em relação a ambiente, como já descrito, refere-se à assistência à saúde e, por fim, caracteriza a Enfermagem em suas atribuições.
Nessa discussão, é fácil notar a complexidade em agregar simultaneamente os pressupostos saúde, paciente, sociedade, sistema de saúde / estrutura com a atuação do enfermeiros e equipe de saúde (DOSSEY, 2008), retratando a importância da clareza desses itens para permitir a execução do modelo.