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Procurando identificar tendências dos trabalhos em EA, VALENTIN (2004) realizou uma análise das publicações do I e II Encontro de Pesquisa em EA – EPEA, promovidos pela Universidade Estadual Paulista, Universidade de São Paulo e Universidade Federal de São Carlos. Identifica que a maioria das pesquisas foi realizada no ensino formal, geralmente levantando concepções, práticas, procedimentos e objetivos da EA junto aos alunos e professores. Pouco destes trabalhos revelam o processo de ensino aprendizagem da EA desenvolvidos nas práticas dos professores.

O autor seleciona três categorias presentes nas pesquisas desses eventos: a natureza dos conhecimentos, a dimensão valorativa e a dimensão política. No I EPEA foram encontradas 42 pesquisas sobre a dimensão do conhecimento, 19 sobre valores e 17 sobre política. No II EPEA foram encontradas 40 pesquisas sobre conhecimentos, 16 sobre valores e 16 sobre política. A maioria dos trabalhos nos dois eventos foi concentrada na primeira categoria, o que pode revelar que as pesquisas estão inclinadas a discutir a compreensão do conceito de EA. A diversidade de estudos apresentados nos eventos revela a dimensão abrangente do campo e “a abertura de possibilidades para novas formas de agir e pensar em múltiplos contextos, enriquecendo a própria EA” (VALENTIN, 2004).

O autor destaca ainda o trabalho realizado por Gayford (2001) sobre alguns tipos de pesquisas em EA presentes na atualidade:

- Pesquisa derivada da prática de ensinar, originadas de discussões sobre o currículo oficial, investigação da interpretação de professores ou alunos, ou aspectos da metodologia. Geralmente são pesquisas de observação e análise;

- Pesquisas que abordam pontos de vista que descrevem a situação atual, com o propósito de formular futuras instruções para o desenvolvimento do currículo nas escolas. Geralmente relacionam-se com a política e com as práticas pedagógicas atuais;

- Pesquisas relacionadas a pensamentos sobre a natureza e propósitos da EA, apresentando questões sobre a natureza do conhecimento, a influência do pensamento pós- moderno, o propósito da EA e a noção de sustentabilidade;

- Pesquisas sobre os educadores ambientais e sua formação influenciada por suas experiências significativas de vida.

Segundo VALENTIN (2004), foi iniciado um importante movimento, na década de 1990, de expansão do número de simpósios e encontros de EA, regionais e nacionais, assim como o número de participantes e pesquisadores da área, buscando compreender o campo, suas bases de sustentação, legitimando sua relevância no contexto educacional.

Para DANIEL; MARIN (2007) as pesquisas em EA têm crescido consideravelmente nos últimos anos, o que as levaram a realizar um levantamento dos trabalhos desenvolvidos na área e publicados em eventos e periódicos dos últimos cinco anos, especificamente sobre os estudos dirigidos ao ambiente escolar. Foram analisados a Revista do Mestrado EA da FURG, Educar em Revista da Universidade Federal do Paraná - UFPR, Encontros de Pesquisa em EA, Encontros da Associação Nacional de Pesquisa em Educação - ANPED e o Congresso Ibero-americano de EA. Os objetivos específicos desse trabalho são:

- Fazer um levantamento das pesquisas em Educação Ambiental no ambiente escolar desenvolvidas e publicadas em âmbito nacional, nos últimos cinco anos; - Avaliar a natureza desses trabalhos, classificando-os como intervenção e pesquisa; - Identificar, a partir dos trabalhos levantados, as principais linhas teóricas e referenciais metodológicos adotados, apontando as relações com outras áreas do conhecimento;

- Desenvolver reflexões sobre as tendências que a análise realizada permite apontar no desenvolvimento do campo de pesquisa em Educação Ambiental na dimensão escolar. (DANIEL; MARIN 2007, p. 3)

Ao analisar o material dos periódicos e eventos, primeiramente foi feita uma definição da natureza do trabalho de pesquisa em ambiente escolar e pesquisa em comunidades não- escolares. Foram estabelecidas as seguintes categorias: natureza exclusiva de pesquisa; sobreposição pesquisa-intervenção; pesquisa participante e propostas de intervenção; pesquisa-ação e relatos de propostas intervencionistas.

Foram encontrados referenciais comuns entre os trabalhos caracterizados como Pesquisa participante e Pesquisa-ação: Thiollent (1987), Brandão (1987), Demo (1995) e Robotton (2003). Desta forma, foram analisados apenas os trabalhos com natureza exclusiva de pesquisa quanto aos referenciais teórico-metodológicos, destacando-se: “linhas teóricas adotadas; áreas de conhecimento que subsidiam essas linhas; referenciais metodológicos adotados, (...) principais autores e áreas de conhecimento e instrumentos de coleta de dados” (DANIEL; MARIN, 2007).

Constatam que por existir uma demanda de conscientização ambiental, a EA surgiu inicialmente como uma intervenção, com o objetivo de realizar ações que despertassem pensamentos críticos reflexivos sobre as relações entre a natureza e o ser humano. Quando essas ações educativas só podem ser efetivas na medida em que existe um conhecimento sobre a comunidade em que são propostas, nasce a necessidade da pesquisa. “Assim, a pesquisa em educação ambiental tem sido realizada, sob diferentes referenciais teórico- metodológicos, estando em pleno desenvolvimento de seu campo epistemológico” (DANIEL; MARIN, 2007).

Nas análises sobre os periódicos Revista do Mestrado EA da FURG e Educar em Revista - UFPR, foram encontrados entre os estudos de EA em geral 12 trabalhos de intervenção, 78 trabalhos de pesquisa, seis trabalhos de pesquisa-participante e um trabalho de pesquisa ação, totalizando no geral 97 trabalhos. Entre os estudos relacionados à EA no ambiente escolar foram encontrados oito relativos a intervenção, 16 a pesquisa, quatro sobre pesquisa participante, e nenhum sobre pesquisa ação, totalizando 28 trabalhos.

Já nos Encontros de Pesquisa em EA, Encontros da ANPED e o Congresso Ibero- americano de EA, entre os estudos sobre EA em geral foram encontrados 257 trabalhos sobre intervenção, 366 sobre pesquisa, 67 sobre pesquisa participante e sete sobre pesquisa ação, totalizando um número de 697 trabalhos. Já na análise sobre os estudos de EA no ambiente escolar foram encontrados 126 trabalhos de intervenção, 115 sobre pesquisa, 36 sobre pesquisa participante, dois sobre pesquisa ação, totalizando em 279 trabalhos.

Esses dados revelam que os trabalhos em ambiente escolar representam 39% do total de trabalhos, sendo 40% nos eventos e 29% nos periódicos. Nos eventos predominam os trabalhos de intervenção (45%), depois as pesquisas (41%) e as pesquisas participantes e ação (14%). Segundo as autoras, o fato da intervenção ser de maior peso se justifica pela a escola ser um espaço privilegiado para implementação de atividades e programas de sensibilização em EA.

As autoras realizam ainda um estudo sobre a evolução do número de artigos sobre EA no ambiente escolar publicados nas cinco fontes pesquisadas (revistas e eventos), afirmando que sobre os artigos de intervenção os números aumentaram de cinco publicações em 2001 para 112 em 2006; quanto a pesquisa, os artigos aumentaram de um em 2001 para 61 em 2006; quanto a pesquisa participante, o aumento foi de zero em 2001 para 23 em 2006. Foram publicados um total de 307 trabalhos sobre EA no ambiente escolar de 2001 a 2006.

Os dados revelam que de 2003 a 2005 o número de trabalhos aumentou devido à realização dos EPEAs, evento que atraiu pesquisadores de diversas regiões do país. Esse evento tem manifestado ênfase nas discussões sobre o desenvolvimento do campo de pesquisa em EA, sendo a intervenção e a pesquisa foram alvos de diversos debates nos grupos de trabalhos. Nesses encontros foi apontada a necessidade de se adotar um maior rigor nas pesquisas, “evitando que a perspectiva do desenvolvimento do seu campo esbarrasse no entendimento de que relatos de experiências substituíssem o caminho investigativo” (DANIEL; MARIN, 2007).

A intenção das autoras não é diminuir a importância dos trabalhos de intervenção, mas assumir a característica própria da EA, que na maioria dos contextos exige o envolvimento do pesquisador, adotando metodologias participativas nas pesquisas de EA. Para elas, na EA o distanciamento pesquisa-extensão é contraditório, já que os objetos de investigação nascem juntamente das demandas dos processos cotidianos e dos âmbitos de vivência dos atores. Isso remete à necessidade de dar voz aos sujeitos e de que se aproximar desse espaço e vivência não significa um distanciamento da pesquisa, da gênese do conhecimento. As autoras chamam a atenção que a pesquisa e a intervenção necessitam de caráter diferenciado, embora estejam inter-relacionados, com exceção dos trabalhos com metodologias participativas.

Um motivo que justifica o número de trabalhos de intervenção ser maior que o de pesquisa em estudos em ambiente escolar, é que as EPEAS e o Ibero-americano atraíram principalmente professores de ensino fundamental e médio, responsáveis por ações e atividades de EA nas escolas. Já na ANPEd predominam as pesquisas, o que pode ser explicado pelo fato de que o público do evento é oriundo do meio acadêmico, onde a pesquisa é o foco dos interesses.

Quanto aos periódicos observa-se um maior número de trabalhos de pesquisas que intervenção, o que se justifica pelos periódicos serem espaços próprios de publicação de artigos investigativos e possuem critérios de análise mais delimitados.

Existe um número maior nas metodologias participativas no âmbito escolar, em relação à análise entre pesquisa, pesquisa participante e pesquisa-ação. Isso pode estar relacionado ao fato dos pesquisadores que investigam no ambiente escolar já fazerem parte desse contexto.

Um maior número de trabalhos se concentra na Revista do Mestrado em Educação da FURG, o que pode ser explicado por esse ser o único periódico específico da área reconhecido pela CAPES. Já os trabalhos da Educar em Revista são exclusivamente de pesquisa, o que se justifica pelo seu caráter acadêmico.

DANEIL; MARIN (2007) chamam a atenção para o problema da falta de espaço para publicação no campo da EA. As publicações na área acabam sendo realizadas em revistas de educação, onde a área ainda não tem muita expressividade, e em revistas de outras áreas como ecologia, sociologia, geografia, etc. O presente trabalho foi direcionado para a análise de publicações dos últimos cinco anos, com ênfase na região sul. Entre os periódicos, a seleção foi realizada sem maiores dificuldades, já que são escassas as revistas nessa área. Entre os eventos acredita-se que os EPEAs, a ANPEd e o Iberoamericano eram os principais meios de publicação para o campo. Das pesquisas de EA em ambiente escolar nota-se que 91% se encontram publicados nos eventos e 9% nos periódicos. Isso pode ser explicado pelo fato de existirem poucas revistas científicas reconhecidas no país.

Segundo DANIEL; MARIN (2007), a maioria dos estudos analisados é sobre concepções de meio ambiente e EA e estudos de percepção e representação social. Elas identificam algumas confusões conceituais sobre esses temas, por exemplo, encontraram trabalhos que tratam percepção e representação social como sinônimos. Além disso, existem ainda estudos que não citam referências para embasar as suas linhas teórico-metodológicas. Muitos deles trazem como referência o histórico das conferências de meio ambiente e EA e documentos oficiais, outros estão baseados em referenciais sobre problemas ambientais e de gestão, o que não tem contribuído para a construção de um referencial que identifique o campo de pesquisa em EA. Nota-se também a presença de trabalhos com uma pobreza teórica, onde não há mais que duas ou três citações específicas da área.

Observa-se que as áreas da EA, problemas ambientais e gestão ambiental são predominantes nos referenciais das pesquisas analisadas, em detrimento de conhecimentos de outras áreas do saber. Nota-se a citação breve de algumas referenciais de outras áreas, mas na maioria dos casos sem se aprofundar em suas categorias.

Realizam também uma crítica em relação às pesquisas que se limitam a transcrever falas dos atores e descrever as concepções de meio ambiente e EA presentes, dizendo ser estes

estudos puramente descritivos e exploratórios, sendo um sério problema das pesquisas em educação.

A análise das metodologias utilizadas nas pesquisas revela que muitas delas se restringem a citação de instrumentos de coleta de dados, deixando de argumentar sobre as abordagens escolhidas. Outras utilizam métodos de outros campos, mas não apresentam referência sobre a abordagem. A maioria das pesquisas cita os instrumentos de coleta de dados e apresentam a natureza da pesquisa, mas não se aprofundam nos tipos de análises e nas referências oriundas de outros conhecimentos. As autoras inferem ainda que nas pesquisas qualitativas,

pode-se destacar a ausência da contextualização com a origem do método usado na pesquisa, vindo das diversas áreas que dão contribuições à EA. Essa incoerência está relacionada com os vários tipos de possibilidades metodológicas englobadas pela abordagem da pesquisa qualitativa (...) Ao indicar a apropriação de pesquisa qualitativa, o autor do trabalho precisa cuidar para que o referencial utilizado esteja centrado não somente na citação dessa abordagem, mas na origem do método (DANIEL; MARIN, 2007, p. 12).

DANIEL; MARIN (2007) afirmam que foram realizados avanços nos trabalhos de EA, mas que existem incoerências que devem ser discutidas, como em relação aos fundamentos adotados, o uso de abordagens sem a devida apresentação dos referenciais teóricos e inadequações metodológicas. Acreditam que esses estudos precisam de um enriquecimento teórico e melhor estruturação do campo da pesquisa em EA.

LUSTOSA et al (2007) caracterizam a EA com a intenção de apresentar quem são os atores sociais envolvidos e as questões problematizadas por eles nesse campo. Esta foi uma pesquisa voltada para o estado da arte da EA brasileira a partir de um evento nacional sobre tema, em que participaram não só atores do meio acadêmico, como também de outros setores sociais, como representantes de escolas, ONGs, movimentos sociais e etc. Para tal foram analisados documentos do V Fórum Brasileiro de EA, realizado em 2005, sendo possível perceber que este é um campo em crescimento, com uma diversidade grande de pessoas envolvidas e que possui um potencial para uma práxis educativa transformadora.

As ações governamentais têm sido importantes para o desenvolvimento da EA no Brasil, mas também merecem destaque as ações da sociedade civil. Da parceria entre setores sociais e movimentos sociais foram realizados diversos projetos de EA. Foram criadas redes para debater e articular ações de EA que já organizaram diversos eventos e projetos. Como exemplo são citados o I Congresso Brasileiro de EA e o I Encontro Nacional de Educação para o Meio Ambiente, ambos em 1988, e o V Fórum Brasileiro de EA, em 2005, que é o

objeto de estudo da pesquisa. Essas ações têm mostrado que existe um interesse em debater a questão ambiental na sociedade brasileira.

Em 1997 foi realizado o IV Fórum Brasileiro de EA sendo este também o I Encontro da Rede Brasileira de EA. Passaram-se sete anos até a realização do V Fórum e nesse tempo houve um fortalecimento das redes de EA. Seus três eixos temáticos foram: Política Nacional de EA; Formação do Educador Ambiental; e Redes Sociais e EA.

Para traçar o perfil dos educadores que participaram do evento foram analisadas as fichas de inscrição e os resumos dos trabalhos apresentados. Foram apresentados 554 trabalhos, e 506 autores compareceram ao evento. Para estabelecer um panorama inicial dos educadores as fichas de inscrição foram classificadas com os seguintes critérios: gênero, faixa etária, estado de origem, instituição representada e preferência das atividades oferecidas durante o encontro.

Há uma grande diferença na participação por gênero, onde mais de 70% dos participantes eram mulheres. Os autores acreditam que exista uma relação entre os componentes da EA e da própria educação, pois este é um campo historicamente feminino.

Na faixa etária dos participantes, foi identificado que 36,2% estão entre 21 e 30 anos, 26% entre 31 e 40 anos, 27,2% entre 41 e 50 anos, e 10,6% acima de 50 anos. Há uma participação acentuada entre os jovens de 21 a 30 anos, acreditando-se que a EA é atrativa para este público por ser um campo de atuação política que engloba questões atuais e formas de se posicionar diante da sociedade. Além disso, as redes de EA e os coletivos jovens têm crescido, afetando a distribuição etária.

Os autores citam Deboni (2006) que aponta cinco áreas de maior interesse entre a juventude para a questão ambiental:

educação formal - este tema faz parte da vida do jovem desde a escola até a universidade; educação não-formal - há um grande número de redes, movimentos, organizações, coletivos disponíveis à participação jovem; mídia - tanto a comunitária quanto a comercial exerce considerável influência sobre os jovens; políticas públicas - têm o poder de envolver e mobilizar sujeitos sociais na construção de ações em suas áreas de atuação; e o mercado - a área ambiental vem crescendo como campo de trabalho e geração de renda. (LUSTOSA et al, 2007, p.10).

Em relação aos trabalhos apresentados por regiões brasileiras, 45,2% são oriundos do sudeste, 18,4% do centro-oeste, 13,9% do norte, 13,7% do nordeste e 8,8% do sul. Para analisar esses dados foram levados em consideração os fatores de proximidade geográfica, questões financeiras, deslocamento e maior afinidade com a questão ambiental. Os autores

inferem que a maioria dos trabalhos foi desenvolvida no sudeste pela maior concentração de universidades, financiamentos e projetos nessa região, o que reflete na desigualdade de distribuição de renda e poder institucional dentro do país. O centro-oeste ficou em segundo lugar provavelmente pelo evento ter acontecido nessa região, facilitando o acesso dos participantes.

Quanto à preferência das atividades, entre os mini-cursos e oficinas, afirma-se que os mais escolhidos foram os que trataram de atividades lúdicas. Os autores inferem que isto pode estar acontecendo devido ao reducionismo dos processos educativos que se definem apenas em torno dos conteúdos e a falta de estabelecer ações integradoras que atuem na formação humana.

Contudo, de acordo com Loureiro (2004) ‘a EA é uma práxis educativa que além de cultural e informativa é fundamentalmente política, formativa e emancipatória’. Logo, enquanto práxis, a EA não precisa dissociar a sensibilidade que envolve e emociona educador e educando das questões cognitivas e da questão política que torna esta educação transformadora da realidade social existente, pois ‘andam de mãos dadas’, em um processo simbiótico que torna a transformação possível (LUSTOSA et al, 2007, 12).

Os três Grupos de Trabalho mais procurados foram: Formação de educadores e educadoras ambientais; Programa universitário de EA; e ProNEA- Programa Nacional de EA. Percebe-se uma procura por temas relacionados às políticas públicas nos GTs, o que os autores caracterizam com oportuno já as políticas para a EA vem sofrendo transformações e há uma necessidade dos educadores estarem se atualizando para poder participar dessa construção.

As análises dos resumos dos trabalhos apresentados estão em estágio inicial de pesquisa, mas já revelam alguns dados interessantes. Os trabalhos vêm sendo realizados em comunidades agrícolas, em comunidades urbanas, em escolas, em unidades de conservação e dentro de instituições públicas. Os temas giram em torno das questões sobre o lixo, organização de redes, ecologia na sala de aula, relações interpessoais em ambientes de trabalho, gerenciamento de unidades de conservação, entre outros. Todos esses diferentes contextos já são esperados na EA já que esta é uma área complexa e diversificada. Percebe-se que “a diversidade é extremamente saudável para evitar o reducionismo das questões ambientais, mas é preciso ficar claro qual é a posição política de cada agente dentro desta diversidade” (LUSTOSA et al, 2007).

A maior parte dos trabalhos analisados apresenta projetos sem deixar claro a sua perspectiva teórica. Foi ainda verificado que parte desses trabalhos não realiza

questionamentos mais estruturantes da sociedade e nem se aprofundam no aspecto de como os problemas ambientais se deram historicamente. Para os autores é preciso repensar as estruturas do modelo dominante de desenvolvimento, ou seja, ir além do discurso ambientalmente correto, para se fazer uma transformação real da crise sócio-ambiental.

Foi analisado também que os trabalhos carecem de fundamentação teórica sobre a EA, pois é preciso refletir sobre qual EA está se tratando, sobre quais os pressupostos políticos e pedagógicos em que estão sendo baseados os trabalhos. A teoria e a prática precisam estar relacionadas e dialogando, “a práxis é a atividade concreta pela qual o sujeito se afirma no mundo, mudando a realidade objetiva e sendo modificado, de modo reflexivo, remetendo a teoria à prática” (LUSTOSA et al, 2007).

Podemos afirmar que a prática educativa que ignora tal entendimento do sentido transformador, a problematização crítica da realidade e a possibilidade de atuação consciente nessa área, se configura como politicamente compatibilista, socialmente reprodutora e metodologicamente não dialógica, adequando sujeitos a padrões, modelos idealizados de natureza, dogmas e relações opressoras de poder (LOUREIRO, 2004 apud LUSTOSA et al, 2007, p. 14).

É preciso que estudos como esses sejam realizados para que se possa aprimorar o diálogo em prol de EA transformadora. O trabalho dos autores e de tantos outros que buscam caracterizar o estado da arte da EA pretende questionar a própria EA e ajudar a construir