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A maior parte das tintas modernas, industrializadas, contém aglutinantes sintéticos, plastificantes, pigmentos e diversos aditivos, que combinados entre si, formam filmes com diferentes níveis de resistência mecânica e química. Tais classes de desempenho traduzem características fundamentais das formulações, tais como, porosidade e permeabilidade, aderência e dureza de filme.

A permeabilidade de um filme é sua capacidade de permitir a passagem de um fluido (gás, vapor, líquido). O conjunto de poros presentes em um filme é responsável por sua porosidade. As duas propriedades, permeabilidade e porosidade, são causadas por vários fatores. O principal deles é a natureza dos materiais na camada da tinta (pigmentos, meio ligante ou aglutinante, solventes)... (KLEINER, 1985, p.31-32).

A natureza físico-química e quantidade da resina, a quantidade e qualidade de pigmentos tintoriais (ou opacificantes) e inertes e o tipo químico dos aditivos empregados conformam sobremaneira o desempenho de cada tinta, que varia inclusive, de marca para marca, mesmo atendendo a uma mesma classe de especificação.

Kleiner (1985, p. 32) destaca ainda que ―a composição química de um material é fator predominante na determinação da permeabilidade ao vapor d’água.‖

Independentemente do tipo do aglutinante sintético utilizado (acrílicos, vinílicos ou mistos – vinil-acrílicos), as tintas comerciais tem especificação estabelecida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, conforme a classificação apresentada pela NBR 15079, que abrange os tipos látex, econômica, látex standard ou látex Premium:

a) Tinta Látex Econômica: tinta que corresponde ao menor nível de desempenho de uma tinta látex, independente do tipo de acabamento proporcionado e que deve atender no mínimo às especificações indicadas nesta Norma, quando usada como pintura de acabamento em edificações não industriais.

b) Tinta Látex Standard: tinta látex fosca , indicada para ambiente interiore/ou exterior, e que deve atender no mínimo as especificações indicadas nesta Norma, quando usada como pintura de acabamento de edificações não industriais.

c) Tinta Látex Premium: látex fosca, indicada para ambiente interior/ou exterior, e que deve atender no mínimo as especificações indicadas nesta Norma, quando usada como pintura de acabamento de edificações não industriais.

Esta classificação visa ordenar em qualidade o mercado brasileiro de tintas imobiliárias, apontando e distinguindo os produtos segundo o critério de desempenho em relação a vários aspectos mensuráveis, tais como poder de cobertura de tinta seca, poder de cobertura de tinta úmida, resistência à abrasão.

Requisitos Métodos de Ensaio

Unidade

Limites mínimos dos requisitos de desempenho Tinta Látex Econômica Tinta Látex Standard Fosca Tinta Látex Premium Fosca Poder de cobertura de tinta

seca ABNT NBR14942 M2/L 4,0 5,0 6,0

Poder de cobertura de tinta

úmida ABNT NBR14943 % 55,0 85,0 90,0

Resistência à abrasão

úmida sem pasta abrasiva

ABNT NBR5078

Ciclos 100 --- ---

Resistência à abrasão

úmida com pasta abrasiva ABNT NBR14940 Ciclos --- 40 100

TABELA 03 – Limite mínimo dos requisitos de tinta látex. Fonte: ABNT/NBR 15079.

A ampla gama de aglutinantes utilizados pela indústria é dividida em duas categorias básicas, obtidas a partir da polimerização do ácido acrílico, ácido metacrílico e seus derivados:

a) Látex Vinílico {Poli(acetato de vinila)}, chamado comumente PVA

São emulsões de poli(acetato) de vinila que dominaram o mercado a partir de 1945. Apresentam baixa permeabilidade ao vapor d’água proporcionando grande impermeabilização dos substratos. Apresenta rápida secagem, cheiro pouco ativo, facilidade de aplicação e limpeza e maior durabilidade. É vendido na versão fosca (brilho inferior a 8UB sob ângulo de 85°) e proporciona acabamento aveludado.

b) Látex Acrílico

São emulsões de ésteres de acrilatos e metacrilatos e suas composições. Apresentam características superiores as vinílicas com alta lavabilidade, ótima adesão aos substratos e maior permeabilidade ao vapor d’água – quando comparada ao látex vinílico. Ganhou o mercado a partir dos anos 60 e apresenta-se disponível nos acabamentos acetinado, semibrilho e fosco. Em geral são bastante estáveis a luz UV, favorecendo seu uso nas pinturas imobiliárias. (SOUZA, 1991, p. 24).

Como já mencionado, não é apenas a natureza do aglutinante que confere porosidade ou permeabilidade a tinta, mas também a qualidade e quantidade dos demais componentes. Como as linhas de tintas comerciais variam muito em suas formulações é muito difícil apontar que tipo ou marca pode revestir edificações

vernaculares com sucesso. Embora resistentes quando aplicadas sobre superfícies impermeabilizadas, construídas na contemporaneidade, tornam-se prejudiciais quando aplicadas sobre edifícios de terra crua, onde a troca de umidade com o ambiente é maior e constante.

Tal aplicação, neste substrato, favorece o aparecimento de manchas causadas por fungos manchadores ou emboloradores, desprendimento do filme e o aparecimento de eflorescências de sais solúveis ou concheamentos.

Embora a pesquisa e a produção de novos materiais reflitam a demanda do mercado e a necessidade de evolução deste, sua utilização em obras de conservação de edifícios deve ser objeto de análise cuidadosa e responsável, condicionada e embasada por ensaios físicos e químicos que comprovem sua eficácia e compatibilidade. Estas pesquisas devem ser realizadas em diversas localidades brasileiras, com variados tipos de tintas, considerando ainda o clima local, a umidade relativa, insolação, tipo de microrganismos de degradação mais comuns, a composição química e porosidade dos materiais envolvidos para que possam gerar parâmetros seguros de análise do comportamento das tintas de mercado quando aplicadas sobre os nossos monumentos.

Comercialmente as tintas de revestimento são classificadas como:

a) Tintas Imobiliário-Arquitetônicas;

b) Tintas para Automóveis e Veículos Automotores (tintas originais e para repintura);

c) Tintas Industriais.

Independentemente de terem aglutinantes acrílicos, vinílicos ou a combinação entre eles (vinil-acrílicos), as tintas são classificadas, segundo a NBR 15079 da Associação de Normas Técnicas (ABNT) como, tinta látex fosca, látex econômica, látex standard e látex premium. Os aglutinantes utilizados na formulação dessas tintas são:

a) Látex PVA

São emulsões de acetato de polivinila que dominaram o mercado a partir de 1945. Apresenta rápida secagem, cheiro pouco ativo, facilidade de aplicação e limpeza e maior durabilidade. Não apresentam boa permeabilidade ao vapor d’água. É vendido na versão fosca (brilho inferior a 8UB sob ângulo de 85°) e dá acabamento aveludado.

b) Látex Acrílico

São emulsões de acetatos acrílicos à base d’água e suas composições. Apresentam características superiores as vinílicas como alta lavabilidade, ótima adesão aos substratos e maior permeabilidade ao vapor d’água. Ganhou o mercado a partir dos anos 60 e apresenta-se disponível nos acabamentos acetinado, semibrilho e fosco.

Embora os aglutinantes acima descritos tenham características próprias com relação à permeabilidade ao vapor d’água, vale lembrar que estes não são os únicos responsáveis pelo desempenho das tintas industrializadas, já que os aditivos e pigmentos também interferem na porosidade do filme formado. Como nesta pesquisa não tivemos acesso à formulação das tintas empregadas no experimento, somente as características dos aglutinantes não servem de parâmetro para avaliar os resultados levantados. Assim, a avaliação dos resultados esperados será baseada na análise visual da degradação de cada uma das tintas empregadas, provenientes dos dados fornecidos pelo protótipo construído, associado a resistência à salinização de cada amostra, bem como as taxas de pluviosidade local e conseqüente degradação microbiológica.