4 Diskusjon
4.3 Konklusjon og implikasjoner
Em um tema tão multidisciplinar como este, além de profissionais de IHC, outras competências são necessárias para compor uma equipe que consiga realizar um projeto completo de mídia cruzada.
Hayes (2006), que em sua página na Internet6, resume a orientação para um
projeto de produção mídia cruzada com a seguinte frase: “[…] bathing the audience in a sea of your original inextricably linked content across continents of devices, letting them find their own path to live their own story‖. (HAYES, 2006, s.p.)
Esta referência expõe o tipo de competência que um profissional que lidará com mídia cruzada deve possuir para ser bem sucedido em seu projeto. O comentário feito pelo autor, ao falar deste assunto, indica que é difícil encontrar em países como os Estados Unidos, por exemplo, alguém com talento em produzir elementos não-televisivos, e, segundo ele, se o elemento de mídia cruzada está muito ligado à propriedade da TV, e geralmente ele está, é difícil redirecionar as mentes dos produtores de TV da produção de seus shows. Sendo assim, Hayes complementa dizendo que o produtor de mídia cruzada deve ter consigo alguém com talento para criar uma marca. Isto é necessário para que ele consiga estimular a audiência a se ―locomover‖ por entre as plataformas com grandes CTA‘s: fazer com que eles saibam por que vale a pena eles perderem tempo em ―sintonizar‖ ali, o que tem ali para eles, a recompensa, a importância, o que eles estarão perdendo.
Esta referência é um indício de que não existe uma foco no aspecto da competência tecnológica para o projeto de mídia cruzada, ou seja, não é citado o aspecto de engenharia ou de computação no que diz respeito à montagem das CTA‘s, apenas do talento de publicidade para criar a história e os ganchos que ―prenderão‖ a atenção da audiência para a ação a se tomar.
2.8 PRIMEIRAS IMPRESSÕES SOBRE A JUNÇÃO DE MÍDIA CRUZADA E GOVERNO ELETRÔNICO
Ao fim dos estudos sobre as referências de mídia cruzada, algumas perspectivas são apresentadas neste item acerca da implantação deste conceito em serviços de governo, e o que deve ser considerado preocupação em um primeiro momento, para tornar seu projeto viável.
Da mesma maneira que esses autores relacionaram o que direciona o projeto de mídia cruzada visando entretenimento, é papel do governo 360º, similar ao proposto por este trabalho, determinar o que deve nortear o projeto de serviços. Como ponto de partida, pode-se enunciar como importante direcionador a necessidade dos cidadãos por serviços de governo, englobando os aspectos tecnológicos, culturais e da indústria como é proposto na literatura, porém frisando o aspecto da obrigatoriedade da relação governo-cidadão. Em termos de vetores, a televisão terá papel fundamental no sucesso da implantação do governo em mídia cruzada, uma vez que os brasileiros são grandes usuários de televisão, meio com alta capilaridade no país. Outros meios que devem ser considerados vetores para a viabilização da solução aqui proposta, além de televisão, são o rádio, o telefone celular e o telefone fixo, ambos com ampla penetração na sociedade brasileira. Esses são exatamente os meios com maior penetração dentro do território brasileiro, conforme dados do IBGE apresentados na figura a seguir.
Figura 2 - Percentual de domicílios com bens de acesso e serviços de comunicação – IBGE, 2005
A seguir, para efeito de comparação e inserção de uma nova métrica, que é acesso a serviços, temos a porcentagem de bens duráveis por domicílio, que foi fruto de uma outra versão do relatório PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE (2008).
Figura 3 - Percentuais de domicílios com acesso a serviços e posses de bens duráveis – IBGE, 2008
Pela Figura 2, pode-se perceber que o percentual de residências que possui televisão ou rádio é muito maior do que o de microcomputadores e maior ainda daqueles que possuem conexão com a Internet. Por este motivo, o governo em mídia cruzada, no caso do Brasil, não pode se basear apenas em Internet, mas explorar outros meios de comunicação, como por exemplo, o telefone celular, que possui uma porcentagem expressiva de aparelhos nas residências, maior ainda que o telefone fixo. O que vemos atualmente são mobilizações em torno
do e-gov e m-gov para diversificar o acesso aos serviços. No entanto, como também se pode observar na Figura 2, a porcentagem de residências brasileiras que possuem microcomputador conectado à Internet ainda é pequena, se comparado com os demais. Por este motivo, a integração entre meios mostra-se mais interessante que a sua independência no oferecimento dos serviços.
Ao comparar a Figura 3 com a Figura 2, pode-se verificar que a posse de computadores e telefones fixos aumentaram, bem como a de TV em cores (infelizmente a telefonia celular não fez parte das métricas de pesquisa para esse relatório), porém a diferença percentual se mantém semelhante ao comparar a quantidade de TVs com o acesso à Internet como serviço.
Para o caso particular deste trabalho, outro motivo que traz uma vantagem da telefonia celular para comunicação com o cidadão é o fato de o aparelho celular notadamente satisfazer a necessidade que todo indivíduo possui de se comunicar. As pessoas que possuem e se habituaram a utilizar o aparelho possuem o controle de se manter ―comunicáveis‖ ou não pela ―gerência‖ do uso do celular. Hoje em dia, quando uma pessoa não deseja ser ―encontrada‖, uma de suas primeiras providências, se não a primeira, é desligar o seu celular. Este fato torna esta tecnologia importante do ponto de vista da mobilidade (―anywhere – anytime‖, Antikainen et al., 2003) um vetor extremamente forte. No capítulo a seguir, será mostrado um estudo referente aos requisitos de comunicação para os serviços de governo, com maior foco nos eletrônicos.
3 GOVERNO ELETRÔNICO – E-GOV
Este capítulo tem por finalidade subsidiar a determinação dos requisitos de interação entre o cidadão serviços de Governo Eletrônico, tendo em vista que a aplicação do planejamento de mídia cruzada depende dessas características. Os requisitos em questão podem ser obtidos por pelo menos três maneiras: pesquisa bibliográfica, entrevista com os stakeholders ou por análise empírica dos serviços eletrônicos. As duas últimas foram realizadas como parte do projeto e-poupatempo, e são detalhadas no Capítulo 4. Com o intuito de abordar academicamente o relacionamento cidadão-serviços, neste capítulo resume-se um levantamento da literatura sobre os assuntos e-gov e requisitos de interação.
Aqui, os temas apresentados contemplam as definições de serviço de governo e e-gov; as ações de governo no sentido de promover o acesso e uso de serviços eletrônicos e os requisitos de qualidade (QoS – Quality of Service) relacionados à interação com serviços eletrônicos.