6. Funn og analyse
6.1 Opplevelse
6.1.4 Konklusjon
particularmente urbanistas, arquitetos, arquitetos paisagistas, engenheiros florestais e engenheiros hídricos. (TCE, 1965, P.13-2-3, tradução livre, adaptado do original, grifos nossos).
Estes excertos nos quais o termo Educação Ambiental aparece na conferência de Keele, Inglaterra, março de 1965, nos permitem, para além de seu significado próprio (conteúdos, dados e informações), tecer considerações sobre os sentidos que este objeto discursivo carrega.
Tendo em mente, novamente, a pergunta que Eni Orlandi propõe, de “como este texto significa?”, poderíamos explorá-lo sob várias perspectivas:
pertence a uma memória discursiva datada historicamente na necessidade de mudança, mais propriamente, na relação homem x natureza – o valor do campo (natureza), e o valor do trabalho do homem do campo (trabalhador rural, camponês);
carrega, ao menos, três concepções ideológicas sobre a educação: educação como um processo formador, que educa as crianças para a tomada de atitudes positivas e (conforme o texto) liberais (um comportamento ideológico da época); educação como ferramenta para transmitir conteúdos e conhecimentos próprios à relação homem x natureza; e educação como processo de conscientização dos alunos para o trato com a natureza e a relação de “conservação” do meio urbano;
31 Este conteúdo, retirado da obra em referência, por se tratar de apenas um resumo pulicado na mesma, não nos
permitiu obter informações mais completas sobre o tema e os fundamentos da Educação Ambiental para além daquilo que foi tratado na introdução do próprio resumo/compilação do evento.
historicamente esta materialidade discursiva é objeto de uma reocupação do passado, dos conhecimentos (prévios) até então existentes e que não aparecem exatamente naquele momento da conferência, mas que tratam da relação homem e meio ambiente; de uma interpretação do (então) presente – já que havia a preocupação em se produzir mudanças; a ocupação do espaço educacional enquanto meio/veículo/ferramenta de mudanças;
ainda no contexto histórico, a ebulição social dos anos de 1960 – os estruturalistas franceses, a academia no mundo, as novas leituras de mundo com outras possibilidades de interpretação do liberalismo e do marxismo – todos estes elementos influenciando a cena social, cultural e – certamente – política (institucional e partidária) para aquele momento;
no campo ideológico – que recupera muito da cena social, cultural, política, econômica e acadêmica da época – podemos ler os “sentidos” impregnados de acepções e posicionamentos ideológicos: educação liberal, homem do campo, responsabilidades dos cidadãos (cidadania enquanto conceito), etc.
Sobre o Clube de Roma, este foi fundado em abril de 1968, “numa vila silenciosa32 em Roma”, ocasião em que se reuniu um “pequeno grupo de profissionais das áreas de diplomacia, indústria, academia e sociedade civil”, convidados pelo industrial italiano Aurelio Peccei, com apoio do cientista escocês Alexander King. Tinham como objetivo, discutir “suas preocupações com relação ao consumo de recursos ilimitados num mundo em constante interdependência”33.
No que diz respeito às pessoas – o Clube de Roma foi composto por ilustres
representantes da indústria (grupos industriais) e de instituições financeiras (bancos),
economistas e cientistas, líderes políticos e de governos, ou seja, uma pequena e exclusiva
parcela da sociedade mundial.
Diante do que vinha sendo estudado sobre o uso e os estoques disponíveis de recursos naturais em um mundo cada vez mais necessitado de matérias primas, eles estavam preocupados com o que o futuro poderia guardar sobre escassez, poluição, apropriação e outros condicionantes internacionais em relação à posse e distribuição destes recursos.
32 Este termo é originalmente usado na própria página oficial – website – do Clube de Roma. Disponível em:
<http://www.clubofrome.org/?p=4771>. Acesso em: 2 jan. 2014.
Estes sujeitos ocupavam postos sociais distintos (e privilegiados) e exerciam relações de poder com o seu dizer, ou seja, o que eles estavam dizendo (discursando, produzindo ideias, emitindo opiniões, etc.), tinha força de uma verdade, exercia pressão sobre outros discursos e tinha óbvias intenções de produzir sentidos e verdades em seus interlocutores (ouvintes).
Os discursos produzidos por este grupo (sendo em si uma ostentação de poder) e, por conseguinte, por seus representantes (altos executivos, figuras eminentes, autoridades internacionais, etc.), expressavam uma opção de verdade (um posicionamento político- partidário e ideológico), pois emitiam valores que não eram para serem questionados, mas adotados.
Segundo McCormick (1992, p.86), as metas do Clube de Roma eram “incentivar a compreensão dos componentes econômicos, políticos, naturais e sociais interdependentes do sistema global”, de modo a “encorajar a adoção de novas atitudes, políticas e institucionais, capazes de minorar os problemas”, tendo a “degradação ambiental” como um destes problemas.
Os outros incluíam a expansão urbana, a perda de fé nas instituições, rejeição dos valores tradicionais e deterioração econômica, todos os quais o Clube via como de tal complexidade que extrapolavam a competência das instituições e políticas tradicionais (McCORMICK, 1992, p.86).
Notadamente, a grande contribuição trazida pelo Clube de Roma, foi a pesquisa que patrocinou junto ao Massachusetts Institute of Technology (MIT), pela qual os pesquisadores Donella H. Meadows, Dennis L. Meadows, Jorgen Randers e William W. Behrens III, produziram o relatório intitulado “Os Limites para o Crescimento” (The Limits to Growth).
Publicado em 1972, o relatório trazia, a partir de modelos matemáticos utilizando computação, as implicações sobre o conflito entre o rápido crescimento tecnológico e a demanda por recursos e matéria prima versus os impactos ambientais e o crescimento dos conflitos entre homem e meio ambiente.
Outro evento, relacionado à ebulição dos anos 1960, foi a realização da Conferência da Biosfera, ocorrida em Paris durante os dias 4 a 13 Setembro de 1968, patrocinada pela ONU através da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, da sigla em inglês).
Esta conferência, segundo McCormick (1992, p.97), concentrou-se nos “aspectos científicos da conservação da biosfera”, e foi resultado do aumento da coordenação
internacional promovido pela pesquisa ecológica então encorajada pelo Programa Biológico Internacional34.
Para o autor, a Conferência da Biosfera deu continuidade ao tema da “cooperação internacional em pesquisa ecológica”, enquanto tema já tratado em outros momentos. Por ocasião da conferência sobre parques nacionais, realizada na cidade de Seattle/Estados Unidos, em 1962, a UNESCO cogitou a realização desta conferência sobre a biosfera de forma a atender os temas com maior abrangência e repercussão, mobilizando as nações para as questões abordadas sobre recursos e conservação biológica (McCORMICK, 1992, p.97-98).
A Conferência da Biosfera (a Conferência Intergovernamental de Especialistas sobre as Bases Científicas para Uso e Conservação Racionais dos Recursos da Biosfera) foi realizada em Paris, sob os auspícios da UNESCO, de 12 a 13 de setembro de 1968. A biosfera foi definida como “aquela parte do mundo na qual a vida pode existir, incluindo-se portanto certas partes da litosfera, da hidrosfera e da atmosfera”. A conferência discutiu o impacto humano sobre a biosfera, incluindo os efeitos da poluição do ar e da água, o excesso de pastagens, o desmatamento e a drenagem das wetlands35
(McCORMICK, 1992, p.98).
McCormick (1992, p.98), salienta que a conferência chegou a um acordo entre os participantes e produziu uma lista com vinte recomendações, sendo as oito primeiras baseadas na “necessidade de mais e melhores pesquisas sobre ecossistemas, ecologia humana, poluição e recursos genéticos e naturais”, bem como sobre a necessidade do desenvolvimento de práticas de inventário e monitoração de recursos”.
As recomendações de nove a treze, “defendiam a necessidade de novos enfoques para a Educação Ambiental”. Além do mais, nas palavras de McCormick (1992, p.98), as recomendações repercutiam o que o ECOSOC já havia adotado anteriormente em suas deliberações, visto que os “delegados em Paris receberam bem essa proposta, percebendo que o uso e conservação racionais do meio ambiente humano dependiam não só das questões científicas, mas igualmente das dimensões política, social e econômica”.
Estes temas corroboraram para a afirmação da necessidade de se realizar uma conferência mundial sobre meio ambiente, como já endossado pelo ECOSOC à Assembleia-
34 O Programa Biológico Internacional (IBP – International Biological Programme, em inglês), foi lançado em
julho de 1964, tendo como tema os estudos sobre a “base biológica da produtividade e do bem-estar humano”, cujos objetivos eram “promover o estudo internacional da produção orgânica, o potencial e usos de recursos naturais novos e existentes e a adaptação do ser humano às condições em transformação”. Este programa, financiado pelo sistema das Nações Unidas, funcionou até 1974. Fonte: McCormick, 1992, p.74.
Geral das Nações Unidas (RES/1346), especialmente porque os temas abordados ali iam além da esfera de ação dos delegados presentes.
A recomendação 19 percebia a necessidade de levar em consideração os impactos ambientais dos projetos de desenvolvimento de grande escala. Os delegados temiam que a industrialização e a exploração intensiva dos recursos naturais em países menos desenvolvidos pudessem causar danos irreparáveis em ambientes pouco perturbados e ecologicamente frágeis e, assim, inibir o desenvolvimento sócio-econômico (McCORMICK, 1992, p.98).
O aspecto mais louvável e destacado desta conferência, segundo McCormick (1992, p.98-99), foi a ênfase ao caráter inter-relacionado36 do meio ambiente.
Os delegados concluíram que a deterioração do meio ambiente era culpa do crescimento populacional, urbanização e industrialização rápidos. Um vasto movimento de êxodo rural havia provocado o desaparecimento de tradições, direitos costumeiros e mudanças em estilos de vida, trazendo problemas particularmente sérios para os países menos desenvolvidos. O mundo “carecia de políticas ponderadas e abrangentes para a administração do meio ambiente. Está agora perfeitamente claro que políticas nacionais são obrigatórias se o que se pretende é restaurar e preservar a qualidade ambiental” (McCORMICK, 1992, p.98-99).
A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, segundo Lago (2006, p.25), foi “convocada para examinar as ações nos níveis nacional e internacional que poderiam limitar e, na medida do possível, eliminar os obstáculos ao meio ambiente humano”.
Independentemente dos elementos a pouco destacados, segundo Lago (2006, p.26), a preparação para a realização da Conferência de Estocolmo foi precedida por um “momento histórico marcado pelo forte questionamento tanto do modelo ocidental de desenvolvimento quanto do modelo socialista”. Para o autor,
nos anos 60, assistiu-se nos EUA à intensa luta pelos direitos civis, ao debate em torno da Guerra do Vietnã e à emergência de novos padrões de comportamento, inclusive no que se refere aos direitos do consumidor. Na Europa ocidental, o ano de 1968 simbolizou a resistência de uma nova geração aos valores estabelecidos. No mesmo ano, a União Soviética enterrou o sonho tcheco do “socialismo com rosto humano” (LAGO, 2006, p.26).
Ele continua,
Fora dos dois centros de poder, que constituíam os pólos por excelência da Guerra Fria, os questionamentos concentravam-se na busca de soluções para os graves problemas sociais e econômicos. Em grande número de países em desenvolvimento, do Brasil à Espanha, o temor à expansão do comunismo “justificava” regimes autoritários que buscavam legitimar sua presença no poder com resultados marcantes na área econômica (LAGO, 2006, p.26).
Lago (1992, p.25-26), explicita, reproduzindo o discurso proferido por Maurice Strong na abertura da conferência, que iniciava-se ali um “movimento de libertação, para livrar o homem da ameaça de sua escravidão diante dos perigos que ele próprio criou para o meio ambiente”. Para o autor, ficava claro que a conferência “permitiu elevar o patamar de discussão dos temas ambientais a um nível antes reservado a temas com longa tradição diplomática”.
Sobre as questões ambientais, Lago (2006, p.27), salienta que a maior atenção às questões sobre meio ambiente e humanidade deu-se por uma série de acidentes ecológicos de grandes proporções (a chuva ácida dos testes nucleares; a poluição na baía de Minamata; a utilização do DDT e suas consequências, etc.), e que mobilizaram a opinião pública ao redor do mundo, tanto quanto nos locais em que ocorreram.
Para o autor, a força do movimento ecológico nos anos 1960, vem, sobretudo,
do fato de as conseqüências negativas da industrialização, como poluição, tráfego e barulho, terem passado a afetar a maior faixa da população dos países ricos – a classe média, cuja educação e cujo grau de liberdade permitiam explorar alternativas políticas para expressar sua insatisfação. A classe média nas sociedades mais ricas, após vinte anos de crescimento ininterrupto, durante os quais haviam sido supridas as suas necessidades básicas nas áreas de saúde, habitação, educação e alimentação, estava pronta a alterar suas prioridades para abraçar novas idéias e comportamentos que alterassem diretamente seu modo de vida (LAGO, 2006, p.27-28).
Por fim, é prudente asseverar que estes antecedentes da Conferência de Estocolmo-
197237, não são necessariamente os elementos determinantes para que esta conferência fosse convocada ou mesmo realizada. Porém, marcaram definitivamente o início do debate ambiental no âmbito global, e deram a tônica da discussão que vinha sendo trazida lentamente das décadas anteriores, pois trouxeram, a partir daí, de modo progressivo e contundente, o envolvimento das pessoas para o debate ambiental.
37 Cabe mencionar, como apontado na obra de McCormick (1992, p.100-101), que a Conferência de Estocolmo
foi, ainda, precedida por encontros preparatórios organizados pela ONU. Estes encontros foram regionalizados e contaram com distintas participação dos países-membros. Ademais, estes encontros preparatórios serviram para a discussão e a elaboração de documentos que seriam, posteriormente, apresentados oficialmente na conferência.