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12   Avslutning

12.1   Konklusjon

A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002) definiu o envelhecimento activo como um objectivo para os próximos anos, definindo-o como o processo de optimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o fim de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas envelhecem. Procura fazer do envelhecimento uma experiência positiva. De facto, nos últimos anos, elaborou-se uma concepção positiva do envelhecimento e da velhice.

O envelhecimento activo visa ampliar a esperança de vida saudável e dar a qualidade de vida a todas as pessoas que envelhecem, mesmo as que necessitam de assistência. Com a actividade, tenta-se manter a autonomia e independência à medida que se envelhece. Assim o conceito de envelhecimento activo baseia-se no reconhecimento dos direitos humanos das pessoas idosas e exige um compromisso social em defesa da independência, participação, dignidade, assistência e realização pessoal dos idosos (Fuente, 2009, p. 126). A OMS (2002) definiu a assistência de larga duração como o sistema de actividades desenvolvidas por cuidadores informais (família, amigos, vizinhos) ou por profissionais (serviços de saúde e serviços sociais) para garantir que uma pessoa que não se pode valer a si própria possa levar uma vida com maior qualidade possível (Fuente, 2009).

Em conclusão, envelhecimento activo pode ser considerado como o produto do processo de adaptação que ocorre ao longo da vida através do qual se obtém um óptimo desenvolvimento físico, psicológico e social do indivíduo. Portanto, a promoção do envelhecimento activo implica a optimização de todas essas condições através de intervenções biomédicas, físicas, psicológicas e socioambientais. A promoção do envelhecimento activo supõe prevenir a doença e a incapacidade e melhorar o bem-estar e a qualidade na velhice (Fernández-Ballesteros, 2009). A velhice, a longevidade, não deve ser contemplada como um problema, mas como uma oportunidade e um desafio para todos: para o indivíduo, que envelhece, para a sua família e para a sociedade (Lehr, 2009).

Em muitos países, têm-se desenvolvido vários programas de promoção de envelhecimento activo (Fernández – Ballkesteros, 2009, p. 219 -223): Por exemplo, o

Califórnia Active Aging Project tem como objectivos: educar, capacitar e animar os californianos com mais de 50 anos, a levar uma vida mais sã fomentando a actividade física e criar condições sociais e físicas que favoreçam o envelhecimento activo (por exemplo Hooker, 2002). Tem como princípio fundamental o modelo social ecológico que move as comunidades da Califórnia a difundirem e a fazerem as melhores práticas baseadas em dados empíricos para envelhecer bem.

Outro exemplo a Active For Live (AFL) tem como objectivo estender programas de actividade física, com base científica, a um grande número de pessoas (maduras) e idosos e manter os programas por meio de instituições existentes na comunidade formando o seu pessoal. Tem como base teórica guias para a actividade física das Associações Americanas de Medicina Desportiva e do Coração.

Também a União Europeia apresenta uma política geral como resposta ao envelhecimento da população na Europa: ajustar o mercado de trabalho ao repto do envelhecimento, flexibilizando e adiando a reforma, suprimindo a aposentação obrigatória como foi feito noutros países (Estados Unidos, Canadá, Áustria). Há duas metas a alcançar em 2010: a) aumentar a taxa de emprego dos trabalhadores idosos em 50 por cento (objectivo de Estocolmo); b) Aumentar a idade de saída efectiva do mercado de trabalho (objectivo de Barcelona). Finalmente, entre outros exemplos, o

Conselho Internacional sobre o Envelhecimento Activo (International Council on Active Aging, ICAA) propõe associações de jubilados, centros de idosos, clubes que se unem no mesmo objectivo de que as suas mensagens, serviços, programas e guias sobre envelhecer activamente cheguem a todos os idosos. O ICAA apoia os profissionais e organizações que oferecem formação, informação, recursos e instrumentos de promoção do envelhecimento activo de modo que possam obter óptimos resultados.

Em Portugal, também começam a multiplicar-se programas que têm em vista a qualidade de vida dos idosos. A propósito do Dia Internacional do Idoso e do tema lançado pela ONU para 2008, a Direcção Geral de Saúde associa-se a este espírito e subscreve as necessidades e prioridades sublinhadas pela ONU. Com efeito, o Plano

Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas (PNSPI) fundamenta-se nos princípios postulados pela ONU: independência, participação, auto-realização e dignidade do idoso. Salvaguarda ainda que a faixa etária em questão é ampla e heterogénea, devendo ser respeitada diversidade individual. Para Portugal, mediante o PNSPI, se assumem como prioridades de intervenção: a promoção de um envelhecimento activo; a adequação de cuidados de saúde às necessidades próprias do idoso; o desenvolvimento de ambientes favoráveis à autonimia e independência das pessoas idosas.

Alguns autores assinalam vários objectivos da educação para o lazer (cf. Sílvia Martinez, 2002): aquisição de um reportório amplo e variado, capaz de satisfazer as necessidades de lazer em diferentes momentos; descoberta e capacidade de utilizar os diferentes recursos para o tempo de lazer que a comunidade põe à disposição da pessoa; integração em novas redes sociais e de amizade; desenvolvimento da criatividade; favorecimento da autonomia pessoal, em relação ao descanso e à participação; promoção da aprendizagem auto-dirigida como recurso permanente para a mudança e a solução de conflitos; desenvolvimento de atitudes positivas para o tempo de descanso; descoberta de novas razões ou motivações para o gozo do mesmo.

Assim, a animação de idosos (Martinez, 2002) deve criar condições para que os sujeitos resolvam por si mesmos os problemas comuns; fomentar a relação de grupos de encontros interpessoais e inter-geracionais visando a instauração da comunicação e o diálogo; promover a criatividade, a iniciativa, impulsionando a responsabilidade individual e colectiva; propiciar a participação individual e grupal no bairro ou na povoação através da incorporação nas actividades religiosas, políticas, culturais, festivas, associativas; deve promover a convivência, a comunicação, a relação inter- geracional através de encontros sociais, grupos de trabalho, de apoio, e do exercício de tarefas associativas.

A animação sociocultural, para melhorar a qualidade de vida, é um processo que exige: tempo; recursos; espaço concreto; orienta-se para os grupos e não para indivíduos isolados; insere-se na base cultural dos grupos; dirige-se para o fomento da autonomia pessoal. A terapia ocupacional consiste basicamente num tratamento reabilitador físico, psíquico e social através da ocupação ou actividade significativa, com o objectivo de

melhorar a qualidade de vida da pessoa, favorecendo a sua autonomia nas actividades da vida diária (Hernandez, 2007; Fernandes, 2006). O objectivo fundamental da terapia ocupacional no trabalho com pessoas idosas consiste em conseguir a máxima independência possível do idoso para a realização das suas actividades quotidianas, o desempenho das suas tarefas, assim como a maior satisfação e motivação pessoal, e uma maior qualidade de vida. Além disso, a terapia ocupacional visa (Espada, 2006): prevenir a deterioração nas áreas física, cognitiva, social e psíquica; melhorar funções susceptíveis de recuperação; ensinar compensações, adaptações nos utensílios de uso quotidiano e modificações no meio ambiente do idoso; aumentar a auto-estima, a confiança e a motivação do idoso; integrar o idoso na vida quotidiana do centro gerontológico, da família e da sociedade.

Nos centros geriátricos encontramos idosos com perfis variados. Há pessoas independentes, muitas delas a viverem sós, e procuram espaço onde fomentar relações sociais e buscar actividades recreativas, prevenir certas deteriorações e controlar certas doenças crónicas (diabetes, hipertensão). Há pessoas idosas com certo grau de dependência transitória que procuram o centro para solucionar um problema concreto (familiar ou uma depressão). Pessoas idosas com patologias que comprometem a sua autonomia e provocam um desgaste na convivência familiar (demências, Parkinson, patologias vasculares, cardíacas, etc…). Casais em que um ou os dois membros estão afectados pela doença. Em todos estes casos, a terapia ocupacional pode intervir nuns casos como prevenção (idosos independentes), noutros como reabilitação de funções susceptíveis de recuperação e noutros, manutenção das capacidades residuais (demências) (cf. Espada, 2006).

Os terapeutas ocupacionais ajudam e procuram escutar os idosos em tarefas ocupacionais. De facto, saber falar e saber ouvir o idoso são uma grande ajuda para o idoso. A compreensão, a empatia e a preocupação são importantes para estabelecer uma boa relação terapêutica com o idoso. A terapia ocupacional deve respeitar os valores, as crenças, os estilos de vida do idoso (Mora, 2002). O desenvolvimento da espiritualidade não tem idade e, na velhice, pode haver um aumento da religiosidade o que pode trazer conforto e fazer com que as pessoas se identifiquem umas com as outras (Néri et al, 2000). No estabelecimento de uma relação terapêutica, é preciso atender ao contexto

cultural do paciente. A cultura determina, em grande parte, o motivo de mais ou menos sofrimento das pessoas, a atitude perante as diferentes situações, e o fundamento para que o tratamento siga numa direcção ou noutra. Além disso, deve-se ter sempre em conta as limitações do idoso: limitações auditivas, visuais, e uma grande variedade de doenças crónicas que fazem com que, por vezes, as metas não são curar mas ajudar o idoso a ser o mais independente possível na sua actuação quotidiana, enfim, a ter alguma qualidade de vida. Qualquer terapia ocupacional é feita depois de uma avaliação inicial correcta do idoso. Isto exige uma primordial coordenação com o médico, trabalhadores sociais, enfermeiro, psicólogo. A família deve ser informada. É necessário sobretudo conversar com a pessoa, ouvi-la. Na relação terapêutica, o idoso deve ser tratado com dignidade e com respeito. Por isso, o terapeuta respeita a identidade pessoal, chama-o sempre pelo nome; atende às mudanças físicas, psicológicas, sociais, pessoais; não actua de forma autoritária, de forma rígida, mas de forma flexível; tem empatia com o idoso; escuta o idoso (Espada, 2006).

Com o prolongamento da vida dos idosos diminui a capacidade funcional dos vários aparelhos e sistemas, aumenta a prevalência das doenças crónicas e é maior a incidência das patologias agudas. É inevitável a elaboração de planos que minimizem esta tendência e façam que seja melhorada a quantidade e a qualidade de vida (Veríssimo, 2006, p. 83). Muitos passatempos, como foi dito, têm uma componente cognitiva. É uma forma de estimular as suas funções mentais. Noutros casos, os passatempos estimulam as funções físicas.

O lazer, que é uma necessidade e um direito, permite uma utilização do tempo livre e produz bem-estar, ainda que a qualidade de vida não deixe de ser algo subjectivo que depende de cada pessoa. O lazer dá benefícios à pessoa idosa. Psicologicamente dá um sentimento de liberdade, diversão, pertença e mudança; socialmente propicia relações gratificantes com outras pessoas; fisiologicamente tem propriedades que melhoram a forma física, a saúde, o controlo do peso, o bem-estar; descansa do cansaço, reduz o stress, relaxa.31

31 As actividades de lazer exigem espaços adequados, assunto que trataremos em campo próprio.

Com o avançar da idade, diminui a actividade física dos idosos. Isto contribui para a quebra da sua capacidade funcional. A actividade física regular é benéfica para o idoso e é um dos principais factores que podem melhorar a qualidade de vida e reduzir consideravelmente a perda da sua autonomia (Nunes, 1999). Os idosos têm capacidade de melhorar a sua “performance” física com os respectivos benefícios para a saúde com

um treino adequado (Barata, 2003). O citado autor aconselha a desenvolver as capacidades que mais se associam aos ganhos em saúde. Por isso, devem ser privilegiadas as actividades que se associam à capacidade de executar os gestos necessários ao auto - cuidado. Na verdade, a concretização destas actividades conduz ao bem-estar do idoso, tanto a nível orgânico e psicológico como ao nível social, uma vez que contribuem para uma integração social.

Há programas de lazer, de convívio; de ocupação de tempos livres através de actualização de conhecimentos, de promoção da sociabilidade (Monteiro et al, 2008). O jogo proporciona benefícios para a saúde física e mental dos idosos. O facto do idoso se manter ocupado com actividades gratificantes, ajuda a diminuir sentimentos de solidão, melhora o humor e motivação, expande a satisfação dos níveis de vida, melhora a comunicação das competências, potencia a percepção sensorial, exercita as competências cognitivas, aumenta os níveis de auto-estima e melhora a manutenção de hábitos saudáveis (Lamas, 2009, p. 9). É importante proporcionar à população idosa um ambiente aconchegante e agradável, criando eventos e fornecendo entretenimento e lazer, para que se possam sentir úteis e possam usar as suas capacidades manuais e intelectuais, assim como proporcionar momentos em que o idoso tenha oportunidade de criar e sonhar (Lamas, 2009). As organizações de viagens, de programas de termalismo, de programas culturais (Universidade Sénior) são também elementos que contribuem para a relação e integração das pessoas (Monteiro et al, 2008). Além do turismo sénior e da universidade da terceira idade apontam-se outras actividades. Muitos autores (cf. internet; salas de jogos; salas de actividades; salas de jogos (cartas, damas, dominó); salas de fisioterapia; de projecção de vídeos; salas de estar com os outros. Além disso, são necessários espaços exteriores: jardim, horta, campo com árvores de fruto e animais (patos, galinhas); bancos de jardim…

Belmonte e Cano 2006; Serrano, 2006) sugerem a criação de grupos (comissões) de colaboração, para melhorar o ambiente de convivência e que permitam empregar o tempo livre em actividades solidárias ou enriquecedoras para a colectividade e para os indivíduos. Apontam também a criação de grupos ou comissões de apoio a convalescentes; de acolhimento; de visitas; de ligação com a localidade; de espiritualidade; de ajuda; para as actividades de ócio; de biblioteca; da imprensa diária. Eliazasu (2002, pp. 120-154) apresenta sugestões para a estruturação da animação numa instituição: grupos de conversação; terapia através da arte; organização de visitas ao exterior; satisfazer as necessidades gustativas; actividades com audiovisuais; luta contra o isolamento promovendo festas de animação e de convívio (celebrações de aniversários); festas anuais; animação através da comunicação; satisfação da necessidade de divertir-se promovendo a animação lúdica; jogos; actividades religiosas; exercícios para manter a saúde e que dêem confiança às possibilidades da pessoa; actividades de animação cultural; leitura de livros e jornais; de contos; ter à disposição cadernos de lembranças; Internet.

As actividades de lazer facilitam a comunicação, possibilitam manter e desenvolver habilidades comunicativas e conversacionais, e ajudam a manter e desenvolver habilidades linguísticas. É um trabalho, tanto quanto possível personalizado, que atende às necessidades comunicativas dos indivíduos, bem como à sua situação actual e à sua história de vida. As actividades de comunicação e de conversação realizam-se formando grupos de conversação e de discussão de variados temas, provocando a narração oral de sucessos ou histórias da vida pessoal passada dos idosos. Estas actividades permitem uma melhor fluidez verbal através de qualquer actividade cognitiva, social ou pessoal (Serrano, 2004).

Para os idosos independentes aconselham-se exercícios físicos, trabalhos de jardinagem, bricolages, viagens, participação em festas sociais, actividades desportivas, procurando desfrutar de qualidade de vida. Os idosos independentes devem viver o seu dia-a-dia fazendo as suas coisas: comer, andar, vestir-se, calçar-se, pentear-se, ir à casa de banho, deitar-se, levantar-se, andar a pé, subir as escadas, ir às compras, cuidar da casa, lavar a roupa, usar os meios de transporte (Gonzalez et al, 2004). Muitos passatempos têm uma componente cognitiva e podem estimular as funções físicas e

mentais. Por exemplo, fazer croché implica mobilidade dos membros superiores, coordenação, atenção, orientação espacial (acima, abaixo, dentro, fora).

O lazer pode ser desfrutado em várias dimensões (Gonzalez, 2004): Lúdica: proporciona descanso e diversão, evasão da realidade, enriquece e distrai a pessoa (exemplo: o jogo); Ambiental e ecológica: desenvolve as acções e sensações de encontro com a natureza; Criativa: aprender alguma coisa e formar-se, provocando um desenvolvimento pessoal (exemplo: cultural, estético); Festiva: alegre, no quotidiano;

Solidário: a face altruísta e social do lazer (comunicação e participação em grupos). Na hora de ócio, terá em conta: distribuir o tempo de lazer, desfrutar dos bens e serviços, atender às barreiras arquitectónicas, relação com a natureza. Cada pessoa deve seguir o seu ritmo e manter este tipo de actividades o maior tempo possível.

Há pessoas que são dependentes. Precisam, por isso, de ajudas técnicas e ajudas personalizadas de modo que não aumente a dependência da pessoa. As tarefas devem atender ao avanço da deterioração mental, biológica, psicológica do idoso. A intervenção pode realizar-se também no envelhecimento patológico, mesmo nos chamados casos de demências e afasias. Nas demências o objectivo pode ser atrasar o processo e manter, na medida do possível, as capacidades comunicativas. Recomenda- se a intervenção precoce, quando começam a surgir os primeiros sintomas. Além destas há outras recomendações (Triadó, et al, 2006): manter e desenvolver ao máximo as actividades da vida diária; participar em programas de estimulação cognitiva; manter e desenvolver as relações sociais; participar em programas treino em relações pessoais e sociais; participar em programas específicos de logopedia. O objectivo destas actividades é manter as capacidades comunicativas que permitam ao utente uma maior qualidade de vida e uma maior satisfação.

A nova tecnologia (NT) na comunicação e linguagem com pessoas idosas abre grandes possibilidades de sucesso (Charness, Parks, e Sabel, 2001). As novas tecnologias permitem a interactividade e retro alimentação, dão segurança aos utentes e permitem utilizar uma grande variedade de estímulos visuais e auditivos. As novas tecnologias, em casos de afasias e demências, desenvolvem sistemas alternativos de comunicação, criam sistemas compensatórios de atenção e de memória, e desenham

programas de logopedia (Czaja, Guerrier, Fiar e Landauer, 1993). No envelhecimento normal, o acesso à internet, por exemplo, ajuda a desenvolver novos laços sociais e abrir novas ferramentas de comunicação e pode permitir o acesso à cultura e à educação permanente bem como a implicação em actividades de cooperação social. O Plano de Acção da União Europeia ―Envelhecer Bem na Sociedade da Informação‖ lançado em 2007, faz várias recomendações sobre o reforço do uso das TIC nos cuidados a prestar no Envelhecimento (Jensen, 2008).

As actividades de animação desenvolvidas numa instituição podem estimular a comunicação. É verdade que os trabalhadores sociais, quando dão banho aos utentes, comunicam com eles. Os utentes, quando estão na sala de refeições, comunicam com os outros. Mas nas actividades lúdicas podem estimular as capacidades da pessoa para comunicar com os outros. A comunicação com os idosos nas actividades de animação, bem como no seu dia-a-dia, exige paciência e algum tempo para o escutar em lugar apropriado.

A actividade física, de acordo com a OMS (2003), é importante para a saúde dos idosos pois promove e mantém a sua qualidade de vida, a autonomia e independência. Um dos factores determinantes dos efeitos deletérios do envelhecimento é a diminuição da actividade física (Alonso, 2007). A actividade física regular é uma componente importante na prevenção de doenças neuromusculares e neurodegenerativas que conduzem à dependência. Apontam-se três tipos de exercícios (Alonso, 2007, p.163):

1. Exercícios de flexibilidade, por exemplo estirar os músculos para melhorar a movimentação dos músculos e das articulações;

2. Exercícios aeróbicos, por exemplo, caminhar para aumentar a capacidade cardiovascular;

3. Exercícios anaeróbicos, por exemplo, pegar em pesos para aumentar a força, massa muscular e óssea.

Cooper (1979) promoveu um programa de exercícios aeróbicos e observou que as pessoas que participavam obtinham as seguintes vantagens:

1. Fortalecimento dos músculos implicados na respiração, o que facilita o fluxo do ar dentro e fora dos pulmões;

2. Fortalecimento dos músculos do coração, o que favorece a eficácia do bombeio e reduz o ritmo cardíaco;

3. Tonificação dos músculos, o que permite uma melhoria na circulação total e uma redução da tensão arterial;

4. Aumento dos leucócitos, o que facilita o transporte do oxigénio através do corpo.

É evidente que as pessoas que realizam estes exercícios devem submeter-se a uma consulta médica. Sugerem-se actividades tais como: caminhar, uso da bicicleta estática, pesos e exercícios aquáticos.

Kramer (1999), estudando o benefício da actividade física, concluiu que:

1. Ela é mais benéfica para as mulheres idosas do que para os homens e para os adultos;

2. Os idosos beneficiam mais do que os adultos mais novos;

3. Há uma relação entre as alterações vasculares e a degeneração neuronal; 4. Caminhar durante 30 minutos, de forma regular, seria o suficiente para

reduzir o declive cognitivo.

O exercício produz benefícios sobre a função cerebral e aumenta a memória. Spirduso et al (2005) concluíram que participação sistemática em programas de actividade física melhora, mantém e previne o funcionamento físico, cognitivo e emocional. A OMS (1997) põe em relevo que o exercício físico regular traz benefícios físicos, psicológicos e sociais. A actividade física é um factor protector da saúde (física e mental), previne ou atrasa a incapacidade e melhora o funcionamento físico, psicológico (cognitivo e emotivo-motivacional) e social. O exercício físico é um factor protector frente à deterioração cognitiva e a demência, e prolonga a vida e o bem - estar na velhice (Fernández-Ballesteros, 2009).

Vários estudos sustentam esta hipótese32. Pode-se dizer que o envelhecimento e actividade física têm efeitos antagónicos, havendo argumentos para estimular a sua prática, quer nos mais jovens como de forma de atingir um envelhecimento saudável,